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Atrasou, dançou

A terça-feira marcou o penúltimo treino palmeirense antes de duas partidas seguidas no interior – Guarani, dali a dois dias, e Ferroviária, no domingo. O clube anunciava publicamente que a intenção era resolver a parada já nessas partidas, tentando quatro pontos que praticamente selariam a vaga na decisão.

Naquele dia, Sérgio chegou atrasado ao treino e teve que contribuir com a caixinha – foram 8 milhões de cruzeiros de multa, o que dá uns 1000 reais em valores de hoje. Considerando que os salários – e o trânsito – não eram tão grandes como hoje, deve ter doído…

De coveiro a galã

De coveiro a galã

Entre as surpresas da vitória elástica da véspera sobre o Rio Branco, a maior foi provavelmente a ótima atuação de Amaral, um ex-coveiro de 20 anos que havia disputado a Copinha daquele ano. Na segunda, Luxemburgo decidiu que ele seria mantido como titular, dizendo que ele dava uma dinâmica maior que o agora reserva Daniel. Bom para o moleque, de quem sua família em Capivari dependia. E realmente a escalação do Palmeiras finalmente foi definida: o time que jogou contra o Rio Branco e que atuaria contra o Guarani na quinta-feira só não foi o mesmo da decisão dali a menos de um mês porque Evair voltaria de contusão e Amaral seria expulso na primeira partida da final.

Para tentar abalar um pouco o astral verde, noticiou-se a insatisfação de Edmundo e Edílson, substituídos no domingo. O técnico, ainda novato em relação às cornetas alviverdes, tratou de dizer que quis poupá-los porque era o melhor para o time e pronto.

Se alguém questionava o impacto da queda na Copa do Brasil (ou o da pressão das arquibancadas, ou o dos recentes fracassos contra times do interior), teve que tirar o cavalinho da chuva após a estreia do Palmeiras no quadrangular semifinal. Em atuação primorosa, o Verdão arrasou o time de Americana ao aplicar categóricos 6 a 1, na maior goleada verde no campeonato. Uma exibição daquelas para assustar os demais adversários e mostrar que a vaga na final teria dono – ainda mais considerando que o outro jogo do grupo terminou empatado.

Luxemburgo ousou na escalação: havia dúvida se o companheiro de César Sampaio seria Mazinho ou Daniel, mas o técnico optou por Amaral, mantendo o futuro campeão do mundo na lateral. Luxa também trocou Jean Carlo – que vinha de boas atuações – por Maurílio. As apostas se pagaram: Amaral foi eleito pela Folha o melhor em campo aquele dia, e Maurílio colaborou com Edmundo e Edílson para infernizar os adversários. Em 15 minutos, a dupla de zaga alvinegra estava pendurada. 180 segundos depois, o próprio camisa 9 abriu o placar ao desviar escanteio cobrado por Edmundo.

Cassiá armara um esquema surpreendentemente ofensivo, mas a bola não chegava à frente, facilitando a marcação e as descidas dos laterais palmeirenses. Mazinho se aproveitou disso para chegar à linha de fundo e rolar para Edmundo fazer o segundo aos 33. Pouco depois, o Animal faria o terceiro, e ainda no primeiro tempo novamente o camisa 2 desceu e centrou. Dessa vez foi Maurílio quem aproveitou para marcar seu segundo gol na partida. Fim de primeiro tempo: Palmeiras 4 a 0.

Na segunda etapa, o ritmo naturalmente diminuiu, e o Rio Branco aproveitou para fazer seu gol. Mas a enorme superioridade verde ainda permitiu que marcássemos mais dois perto do fim: Roberto Carlos fez o quinto – um golaço – e o mitológico gol de Soares fechou a conta.

Após a partida, Seraphim del Grande aproveitou para desmentir a vinda de Taffarel, o que pouco importava naquele momento em que a vaga na final parecia tão palpável, mesmo com cinco jogos por fazer.

No resto da rodada, Ferroviária e Guarani ficaram no zero, e o Grupo I tinha o Palmeiras com 3 pontos, Guarani e Ferroviária com 1 e o Rio Branco zerado. Já o Grupo II tinha como líderes o São Paulo (que vencera fora o Novorizontino por 1 a 0) e o Corinthians (que fez 2 a 1 no Santos). Parecia que o campeonato, como de hábito, se encaminhava para o Trio de Ferro.

Ficha Técnica

Gols: Maurílio 18, Edmundo  33 e 35, Maurílio 41 do 1º; Mazinho (RBR) 11, Roberto Carlos 39 e Soares 43 do 2º

Palmeiras: Sérgio, Mazinho,  Antônio Carlos, Tonhão e Roberto Carlos; César Sampaio, Amaral e Edílson (Jean Carlo); Edmundo (Soares), Maurílio e  Zinho. Técnico: Wanderley Luxemburgo

Rio Branco: Hugo, Marcinho,  Camilo (Leandro), Marcelo Fernandes e Gílson; Galeano, Gérson e Aritana; Gílson Batata, Ronaldo (Moreno) e Mazinho. Técnico: Cassiá

Cartões Amarelos: Gérson, Zinho, Marcelo Fernandes e Camilo

Árbitro: João Paulo Araújo

Local: Palestra Itália, para 21.377 pagantes e renda de Cr$ 2.878.000.000,00 

Maurílio foi titular e correspondeu

Maurílio foi titular e correspondeu

Paulo Nobre super-confia nele (Foto: Alex Silva/Estadão)

Paulo Nobre “super” confia nele (Foto: Alex Silva/Estadão)

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Ingressos esgotados com antecedência.

Estádio lotado empurrando o time(?).

Festa linda da torcida.

Apita o árbitro, começa o jogo.

Bola de Ayrton explode no travessão.

Bruno deixa a vaga para as quartas escapar de suas mãos…

Fim de Libertadores para o Palmeiras.

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Como um filme que se repete desde 2002, eis que a realidade mais uma vez nos aplica uma voadora na testa, daquelas que deixaria até mesmo Chuck Norris com inveja.

Não se pode dizer que foi por falta de aviso. Mais do que as cornetas que desde o ano passado clamam por mudanças, esses avisos vinham do desempenho do elenco.

Não é novidade para ninguém que a torcida vem carregando nosso clube nas costas a tempos. Foi assim na Copa do Brasil do ano passado, foi assim em anos anteriores, e será sempre assim. Será mesmo?

Nossa torcida é certamente a mais fanática do país. Parece não importar o quanto o time insista em nos humilhar, lá estamos nós. Torcendo, empurrando, acreditando. Nunca viramos as costas para o campo ou as faixas de cabeça para baixo. Não é de nossa natureza.

Mas será que isso durará para sempre? Será que aquele sentimento que foi talhado em nossas Almas Palestrinas, com muita luta e superação para alcançar as conquistas, permeará as novas gerações de torcedores que surgirão?

As pesquisas estão aí, e por mais que se deva olhá-las com desconfiança, o recado é claro: nossa torcida não está diminuindo, mas está se afastando do time.

Torcida! Quanto tempo vai demorar para as pessoas que comandam o clube perceberem que a chave do sucesso é trazer a torcida para perto do clube? (e antes que a patrulha venha me acusar de predador: estou falando de todas as últimas diretorias que passaram pelo clube, incluindo a atual)

Não é mudança oportunista em programa de sócio torcedor que faz isso. Não é videozinho viral, em HD e com musiquinha de efeito, convocando a massa, que faz isso. Não é ingresso mais barato que faz isso. Não é estádio novo. Não é desconto em produtos de grandes marcas. Não é a contratação de CEO, CFO, C-PQP que faz isso…

TORCIDA QUER TIME FORTE, DISPUTANDO TÍTULOS. Ponto final. Todo o resto é perfumaria, é modernidade inútil, é profissionalismo de fachada.

As regras do jogo mudaram, e por mais que os românticos (e eu gostaria muito que o futebol ainda fosse assim) defendam a valorização das tradições, o alambrado e o sanduíche de pernil nas portas dos estádios, a realidade atual do futebol são as arenas lotadas de torcedores, gerando receita, atraindo investidores dispostos a investir na força da torcida e do clube, e chamando a atenção da mídia.

São os três lados de um triângulo: time forte atrai torcida, que atrai receita, que viabiliza a manutenção de times fortes (ou a montagem de times mais fortes ainda).

Passou a hora de o Palmeiras decidir se será para sempre um clube com um grande passado que olha somente para trás em busca das respostas para o futuro (leia-se insistindo nos mesmos erros), ou se redescobrirá, se reinventará e se adaptará às novas regras do jogo. O qual, diga-se, estamos perdendo de goleada(s).

“Não tem dinheiro”, “o fluxo de caixa está comprometido”, “o time é esse aí”. Ah é!? Então que se explodam todos vocês e toda a super equipe perfumada e “profissional” que tomou conta do clube. Só não venham depois de mais um vexame pedir para a torcida não abandonar o time!

FORAM JUSTAMENTE VOCÊS, DIRIGENTES, QUE ABANDONARAM NOSSA TORCIDA.

Não adianta culpar a arbitragem e não adianta culpar o Bruno. Nossa história mostra que sempre jogamos 11 contra 14, e o Bruno não tem culpa de ser um goleiro fraquíssimo. Culpa tem quem achou por um segundo que qualquer um dos profissionais que participaram do rebaixamento poderia continuar no clube.

Não falo só de jogadores, mas de todo departamento de futebol. Se fala tanto em profissionalismo, pois bem: o que acontece quando um funcionário não produz, não atinge as metas mínimas estabelecidas ou não se comporta conforme as políticas do empregador? Rua! A não ser que a política do Palmeiras seja do bom e barato, daí não dá mesmo para cobrar nada…. opa, pera!

Clube de futebol não é S.A. (quer dizer, vai saber se a Palmeiras S.A. ainda existe né?), portanto no fim do ano fiscal o balanço não tem que apontar lucro, superávit, ou números azuis. Balanço de clube de futebol se faz em dezembro. Ganhou títulos? Meta atingida, acionistas ( = TORCIDA!) satisfeitos. Simples assim.

Portanto, não me venham com essa historinha para porco dormir de que não há dinheiro e que o objetivo é entregar o clube em melhores condições para o próximo.  O Palmeiras só melhorará quando voltar a conquistar títulos regularmente, como é da natureza de qualquer clube grande, ainda mais se tratando do CAMPEÃO DO SÉCULO XX. Ou será que alcançamos esse status quitando dívidas?

A verdade é a seguinte: ao invés de ficar choramingando que não há dinheiro, essa diretoria deveria estar correndo atrás de dinheiro novo. Não contrataram o fodão entre os diretores de futebol (desculpem, é CEO)? Não contrataram dois super (ô expressãozinha reveladora) marqueteiros? Cadê as receitas? Cadê jogador?

Cadê o Palmeiras?

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Baixou o Zetti no indivíduo (Foto: Ari Ferreira/LANCE!Press)

Baixou o Zetti no indivíduo (Foto: Ari Ferreira/LANCE!Press)

Antonio Carlos voltava de suspensão

Antonio Carlos voltava de suspensão

Sábado de expectativa. Faltava apenas um dia para a estreia no quadrangular contra o Rio Branco e a imprensa, claro, não perdeu a chance de perguntar sobre a pressão vivida pelo clube, que costumava falhar nessas horas. Luxemburgo garantiu que havia conversado com seu elenco sobre isso, mas também era fato que começar a fase já com um ponto (numa época em que vitória valia dois) era uma boa ajuda.

A escalação estava praticamente definida. Dúvida, somente na posição de Mazinho: meia ou lateral? Quem entraria, Claudio ou Daniel? Um misteriozinho para confundir Cassiá, técnico do time de Americana, que declarou que viu pontos fracos no Verdão na partida que eliminou o time da Copa do Brasil. Ele, porém, também não teria seu principal jogador: o promissor volante Flávio Conceição estava contundido.

Sérgio novamente ouvia os boatos sobre Taffarel

Sérgio novamente ouvia os boatos sobre Taffarel

Com a eliminação na Copa do Brasil na véspera, o foco do Palmeiras agora era somente o Campeonato Paulista, desde sempre visto como prioritário. Dois dias depois daquela sexta-feira, o Verdão enfrentaria o Rio Branco no Palestra pela primeira rodada do quadrangular semifinal, e teria novidades em relação ao time de Porto Alegre: Edílson se recuperou de lesão e Antonio Carlos voltaria de suspensão. Apenas Edinho (além de e Evair, claro) ainda ficaria de fora.

Para tumultuar um pouco o ambiente, voltou a circular naquela sexta uma notícia que aparecia de tempos em tempos: Taffarel estaria fechado com o Verdão, e chegaria logo após o fim do Estadual. O boato tinha fundamento – Sérgio e Velloso não eram goleiros “de nome” (ainda que o reserva tivesse feito uma partida pela Seleção) e o goleiro da Seleção era reserva justo no Parma, o que obviamente facilitava o negócio. Mas era hora para se falar nisso?

SEPXTIJ

Após longos quinze dias, o Palmeiras volta a campo precisando de uma vitória simples para avançar na Libertadores.

Horário e local: terça-feira (14/05), as 22:00, no Pacaembu (FOX Sport).

Árbitro: será Juan Soto (VEN), cujo histórico registra apenas 1 jogo:

2013 – 0×2 Libertad (Lib, f)

Situação na tabela: 90 minutos nos separam das quartas de final ou da depressão.

Desfalques/Reforços: Fernando Prass, Vilson, Patrick Vieira e Valdivia, lesionados, e Léo Gago, Leandro e Rondinelly, não inscritos, ficam de fora. Ronny, liberado para cuidar de problemas particulares, também fica de fora.

Pendurados: nenhum. Próxima partida: se avançarmos, será o Atlético-MG.

Previsão IPE: Bruno, Ayrton, Maurício Ramos, Henrique e Marcelo Oliveira; Charles, Márcio Araújo,Wesley e Thiago Real; Vinicius e Kleber.

Destaques/Tijuana: o único problema para a partida é o zagueiro Núñez. Dois jogadores disputam a vaga: Madueña e Oliver Ortíz. A provável escalação deverá ter: Saucedo, Gandolfi, Aguilar, Madueña (Oliver Ortíz) e Castillo; Pellerano, Arce e Piceno; Riascos, Ruíz e Martínez.

Olho nele: o atacante Riascos é o motor do ataque.

Ex-palmeirenses no Tijuana: nenhum.

Palpite IPE: 2×1, saímos na frente com Vinícius, os xolos assustam empatando, mas Henrique dará números finais a peleja.

Histórico: a partida de ida foi o primeiro confronto da história entre as equipes.

GERAL LIBERTADORES
J V E D GP GC J V E D GP GC
1 0 1 0 0 0 1 0 1 0 0 0

O IPE se lembra: a última vez que recebemos uma equipe mexicana foi pelas quartas-de-final da Libertadores 2000. O adversário foi o Atlas e vencemos – 3×2 – gols de Rogério, Marcelo Ramos e Taddei.

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