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A maldição dos ex-palmeirenses valerá para Alex Afonso?

A maldição dos ex-palmeirenses valerá para Alex Afonso?

Durante a caminhada pelo reino de Hades, haveremos de encontrar uma série de assombrações na forma de ex-jogadores nossos. O site da CBF costumava ter uma lista de todos os jogadores com contratos com determinado clube; como esse ótimo recurso sumiu nas últimas reformulações, percorremos o site oficial de nossos 19 adversários para ver quais as caras conhecidas que reveremos.

Sete equipes (ABC, Boa Esporte, Chapecoense, Icasa, Oeste, Paraná, Paysandu) ainda não contam com ex-pernas de pau nossos. Mas é provável que, durante o campeonato, alguns outros “ex” sejam contratados. Estamos sempre atentos, e a cada boletim pré-jogo (o “IPE informa”) você tem essa informação atualizada. Por ora, é isso:

  • América-RN: o atacante Itamar
  • América-MG: o atacante Fábio Júnior e os meias-atacantes Willians e Nikão (este, só pela base)
  • ASA: o lateral-direito Pedro
  • Atlético-GO: o lateral Paulo Henrique e o meia Caio
  • Avaí: o atacante Beto e o ainda nosso zagueiro Leandro Amaro
  • Bragantino: os goleiros Gilvan e Pegorari e o meia Deyvid Sacconi
  • Ceará: o lateral Gerley e o atacante Anselmo
  • Figueirense: o lateral André Rocha e o volante Tinga
  • Guaratinguetá: o atacante Alex Afonso
  • Joinville: o lateral Fabinho Capixaba e o volante Marcelo Costa
  • São Caetano: o meia Pedro Carmona
  • Sport: o lateral/volante/perna-de-pau Rivaldo e o atacante Roger

SEPxAtl-GO

Cá estamos para o primeiro dos 38 pré-jogos que jamais imaginamos escrever. Vai começar a série B 2013, e o Palmeiras inicia seu calvário até a (esperamos!) volta à elite. De uniforme novo, teremos pela frente um adversário que nos últimos anos aprontou poucas e boas para cima de nós.

Horário e local: sábado (24/05), as 16:20, no Novelli Júnior, em Itu (PPV).

Árbitro: será Felipe Gomes da Silva (RJ), estreante em jogos do Palmeiras.

Situação na tabela: tudo zerado na classificação.

Desfalques/Reforços: Fernando Prass, Léo Gago e Valdivia seguem de fora, lesionados. Patrick Vieira e Vilson já treinam com bola mas ainda ficam de fora. Não há suspensos. Tiago Alves foi apresentado e já está em condições de jogo. Souza pediu para ser negociado e nem viajou a Itu.

Pendurados: nenhum. Próxima partida: Asa (fora).

Previsão IPE: Bruno; Ayrton, Henrique, M.Ramos e Juninho; Araújo, Charles, Wesley e Tiago Real; Leandro e Kleber.

Destaques/Atl-GO: a equipe vice-campeã goiana não deverá ter mudanças para a estreia na B. A provável escalação do dragão é Márcio; Lennon, Ednei, Diego Giaretta e Leonardo; Dodó, Ernandes, Robston e João Paulo; Pipico e Ricardo Jesus.

Olho neles: o atacante Ricardo Jesus foi o artilheiro do goianão 2013 com 12 gols marcados.

Ex-palmeirenses no Atl-GO: o lateral-direito Paulo Henrique e o meia Caio.

Palpite IPE: o Palmeiras sentirá um pouco o “peso do estreia” e vencerá no sufoco – 1×0 – gol de Leandro.

Último confronto e última derrota em SP: foi pelo BR2012 – 1×2 – gols de Patrick Vieira para o Palmeiras, e Ernandes e Rayllan para o Atl-GO.

Última vitória em SP: foi também nossa única vitória em brasileiros contra o CAG, pelo BR2011 – 2×0 – gols de Marcos Assunção e Maikon Leite.

Histórico: pois é, somos fregueses. Será a primeira vez (e quiçá penúltima) que enfrentamos o dragão na série B.

GERAL SÉRIE B
J V E D GP GC J V E D GP GC
10 3 1 6 12 16 0 0 0 0 0 0

O IPE se lembra: o jogo de ida das quartas-de-final da Copa do Brasil 2010 foi disputado no Palestra (que saudade!) e terminou com vitória magra – 1×0 – gol de Cleiton Xavier, de penalti, em jogo que marcou a “despedida” de Diego Souza do clube.

Depois de bater a Ferroviária, folga

Depois de bater a Ferroviária, folga

A missão do Palmeiras no quadrangular final estava praticamente concluída. Faltava receber Guarani e Ferroviária e visitar o Rio Branco, e dois pontos resolviam a parada (ou só um, se fosse contra o time de Araraquara).

Assim, o time começou a ficar de olho no que acontecia no grupo onde os outros grandes se digladiavam. E o primeiro turno lá não ajudou a esclarecer nada: o Corinthians ganhou do Santos, que bateu o São Paulo, que venceu o Corinthians. E todos passaram pelo Novorizontino. Quer dizer, estava tudo embolado.

Com o domingo de folga do elenco, após duas partidas em menos de 72 horas, o dia foi parado pelos lados do Palestra. Num clube em que agito quase sempre é mau sinal, estava ótimo.

livro-1942

Todos os acertadores das perguntas de nosso concurso receberam um e-mail sobre a regra do sorteio. E, de acordo com a extração da Loteria Federal desta quarta, o livro vai para Diego Rodrigo Silva, do Rio de Janeiro, curiosamente o primeiro a enviar as respostas certas.

Parabéns, Diego, e boa leitura!

Um time alegre e cumpridor

Um time alegre e cumpridor

Ontem começamos a rever a primeira vez que o Palmeiras passou pela humilhação de jogar a Segundona. Hoje continuamos a rever aquela bela campanha, a partir de 16ª e marcante partida.

Um pedido: como vocês veem, não temos vídeos de várias partidas. Se alguém possuir, ou tiver links para eles, agradecemos.

16. Palmeiras 4 x 3 Portuguesa

Um jogo alucinante que teve de tudo, e que terminou com o Palmeiras assumindo pela primeira vez, para nunca mais perder, a liderança da competição.

De cara, o Verdão teve um pênalti. Adãozinho correu, bateu, e Gléguer pegou. Mas ele havia se rogeriocenizado e o juizão mandou voltar. Aí não teve jeito, 1 a 0. Pouco depois, Pedrinho fez o segundo. Parecia que pintava nova goleada no Palestra.

Mas tem coisas que só acontecem com a Portuguesa e o Palmeiras: ainda no primeiro tempo, em dois chutões seguidos (Marcos Denner e Ricardo Lopes), a Lusa empatou. E, já depois dos 30 do segundo tempo, virou, novamente com Marcos Denner. Mas logo depois houve outro pênalti para o Alviverde.

André Balada foi para a bola e… Gléguer defendeu. Mas… outra vez adiantado. Bola de novo na cal, e enfim André fez seu primeiro e único gol pelo Verdão. E o jogo franco seguiu aberto até o fim, que terminaria empatado aos 48. Mas o juiz resolveu, sem avisar ninguém, acrescer mais um minuto aos três que havia indicado, e foi o que bastou para Daniel marcar o gol da revirada palestrina. O gol que nos deu o primeiro lugar na tabela.

Esta partida, vale ainda dizer, foi a da estreia do lateral Baiano.

17. Ceará 1 x 1 Palmeiras

A partida foi em Sobral, já que o Vozão fora punido com uma perda de mando. E, em noite de estádio dividido – é imensa a torcida alviverde no Ceará – o jogo foi de nível apenas razoável. Os dois gols saíram em menos de um minuto, no começo do segundo tempo (Baiano, depois Sérgio Alves) e dali em diante apenas Marcos teve que se destacar um pouco mais. O Palmeiras mantinha a liderança e se livrava de mais uma partida potencialmente traiçoeira. As coisas andavam bem.

Esta partida foi a primeira do zagueiro Gláuber.

18. Palmeiras 5 x 1 União São João

Era o confronto do líder contra o lanterna. E Vagner Love e Diego Souza retornavam após voltarem do Pan 2003 com uma medalha de prata no peito. Dessa vez não podia dar algo diferente da lógica, e não deu mesmo.

Diego Souza fez o primeiro antes dos dez, Edmilson aumentou ainda no primeiro tempo. Depois, Love fez de pênalti, Alceu ampliou e nem a expulsão de Glauber mudou muito o cenário: Fabinho descontou, mas Muñoz ainda fez o dele.

19. Palmeiras 2 x 2 Sport

Foi o primeiro dos cinco confrontos que fariam do Sport o time que mais enfrentamos na segunda divisão – serão sete no fim deste ano. Também foi a primeira partida do Palmeiras após mais um aniversário do clube e, como costuma acontecer nessa data, não vencemos.

E o tropeço veio de um jeito bastante amargo. Afinal, Elson marcara seu primeiro gol pelo Palmeiras no fim do primeiro tempo, e Muñoz ampliara aos 30 do segundo. Mas mesmo faltando apenas 15 minutos o Leão ainda conseguiu reagir – Gaúcho, de pênalti, e Vágner Mancini calaram o Palestra. Só não foi pior porque o juiz voltou atrás na marcação de um penal para os pernambucanos por ter sido alertado pelo bandeira que a falta tinha ocorrido fora da área.

20. Marília 1 x 2 Palmeiras

Essa talvez tenha sido a partida que deu a certeza para os palmeirenses que o ano terminaria bem, pois tudo estava dando certo. Quer dizer, não até o intervalo, quando o MAC vencia por 1 a 0 (Zé Luís) e tinha um jogador a mais – Gláuber, de novo, levou vermelho.

Quem venceu aquela partida foi Picerni, que em vez de botar um zagueiro para recompor o time fez uma alteração ousadíssima: tirou Elson para colocar Muñoz. E foi o colombiano que empatou logo no início do segundo tempo. O empate, que já daria a classificação antecipada ao time, estava bom, mas ficou ainda melhor no último minuto do jogo, quando Vágner Love fez bela jogada e deu uma vitória quase inacreditável ao Palmeiras, cada vez mais senhor do campeonato.

21. Palmeiras 2 x 2 Gama

Já classificado, o objetivo agora era ficar em primeiro lugar, o que só dava como vantagem pegar uma chave em tese mais fácil. Mas o Gama era uma velha pedra no sapato alviverde, e mesmo com um time fraquíssimo (foi rebaixado junto com o USJ) conseguiu segurar o Verdão.

Todos os gols da partida saíram entre os 10 e os 20 do primeiro tempo, marcados, pela ordem, por Diego Souza, Emerson, Edmílson e Adriano. Daí pra frente, o único destaque foi a contusão de Alceu, que só voltaria no ano seguinte.

Vale dizer que, como o gol do MAC na partida anterior, os dois do Gama surgiram em jogadas aéreas, um tormento que ainda daria muitos calafrios no restante do campeonato.

22. Avaí 1 x 6 Palmeiras

A maior goleada do Verdão no campeonato foi também a que garantiu o primeiro lugar na fase. Pela penúltima rodada, o time atropelou na Ressacada e mostrou que era mesmo o favorito ao acesso.

Leonardo abriu o placar logo aos 2. Celso chegou a empatar, mas Edmílson fez o segundo ainda no primeiro tempo. Depois do intervalo, o massacre: Edmílson fez o terceiro e o quinto, Diego Souza o quarto e o sexto.

Agora, a dúvida era simples: numa fase eliminatória, o time de tantos jovens suportaria a pressão?

23. Palmeiras 2 x 1 Vila Nova

Na despedida da primeira fase, o Verdão entrou com um time bem reserva. Mas a atração mesmo foi uma tardia homenagem a antigos ídolos, entre eles Evair, que acabara de anunciar sua aposentadoria.

Dentro de campo, o time jogou mal, mas mesmo assim conseguiu vencer de virada, após levar um gol rápido de Wesley Brasília. Edmílson empatou e, nos acréscimos, Thiago Gentil, na banheira, fez o derradeiro tento do Palmeiras na fase inicial do certame.

Foi a primeira partida oficial do lateral Daniel Martins (só tinha jogado um amistoso) e a única vez que o meia Toni pisou em campo com a camisa verde.

SEGUNDA FASE

24. Santa Cruz 1 x 3 Palmeiras

Se a estreia nesta fase em que dois avançavam era uma prova de fogo, o Palmeiras passou com louvor. Jair Picerni enfim encontrou seu onze titular, com uma formação bastante ofensiva, e foi desta forma que o time dominou amplamente a partida.

Mesmo assim, só foi abrir o placar no fim do primeiro tempo, com Magrão. Logo na volta do intervalo, Edmílson ampliou; o frio na barriga veio com o tento de Aílton, aos 16. Mas um pênalti convertido por Vágner Love aos 33 resolveu a situação.

Em uma etapa de apenas seis rodadas, começar com um triunfo fora era nada menos do que um resultado excepcional. Na outra partida do grupo, o Brasiliense bateu o Sport em casa por 1 a 0 e ficava em segundo pelo saldo de gols.

25. Palmeiras 3 x 2 Brasiliense

Pela primeira vez, o Verdão jogava sem ser num sábado. Mas o fato de ser terça não impediu mais de 25 mil torcedores de lotarem o Palestra; plateia esta que viu um sorriso aberto ao fim de um primeiro tempo com placar de 3 a 0 (Leonardo, Edmílson, Lúcio) transformar-se em agonia nos últimos 20 minutos, depois que o Jacaré marcara com Iranildo, de pênalti, e Romerito, de cabeça.

No fim, uma vitória sofrida, suada e muito comemorada. Este resultado, aliado à vitória do Sport no clássico pernambucano por 3 a 1, transformaria o jogo seguinte em uma grande batalha. Porém quem estava à frente era, claro, o Palmeiras.

26. Sport 1 x 2 Palmeiras

Um jogo espetacular, eletrizante, dramático do início ao fim – mesmo com o Palmeiras fechando o primeiro tempo com 2 a 0 (Leonardo, Vágner Love). O Sport não abaixava a cabeça e lutava demais, exigindo muito da defesa palestrina.

A pressão rubro-negra resultou em um pênalti inexistente, que Cléber não desperdiçou. Faltavam 11 minutos, tempo suficiente para o Sport marcar outro gol, corretamente anulado pelo juiz, numa jogada que nem vamos tentar descrever de tão confusa, e para Marcos ganhar tempo fingindo ter sido agredido – foi uma resposta a duas entradas que ele efetivamente sofrera durante o jogo.

O tempo fechou, um dirigente do Sport invadiu o gramado, mas isto não alterou o placar final. Alterou, porém, um mando de campo do time pernambucano – e foi por essa razão que o acesso e o título palmeirenses foram comemorados em Garanhuns.

No outro jogo, o Santinha bateu o Brasiliense em casa. Com isto, o Verdão somava 9 pontos, contra três de todos os rivais. A vaga estava muito, muito perto. Poderia vir no jogo seguinte, mas…

(continua)

O Animal resolveu

O Animal resolveu

Foi mais difícil do que se esperava, mas o Palmeiras voltou no sábado à noite de Araraquara trazendo uma vitória que praticamente selou o grupo. Afinal, com apenas três jogos (ou seis pontos) em disputa, o Verdão tinha sete pontos, contra três da própria Ferroviária – Guarani e Rio Branco, que jogariam e empatariam no dia seguinte, terminariam a rodada com 2 e 1 ponto(s), respectivamente.

O desgaste de ter jogado na antevéspera se fez sentir: Antônio Carlos e Roberto Carlos foram confirmados apenas no vestiário, mas em campo era nítido que eles estavam abaixo da condição física ideal. O resto do time também mantinha o freio de mão puxado; afinal, mesmo um empate seria bom resultado. Com isso, o ataque vinha sendo municiado por Amaral, que não era propriamente do ramo. Para piorar, Edmundo e Maurílio vinham se trombando, sem posição definida.

No intervalo, Luxa sacou um atacante cabeludo para colocar outro: Soares entrou no lugar de Maurílio, e pelo menos o time ficou mais bem posicionado. Mas o jogo ainda assim não atava nem desatava – e o setor ofensivo da Ferroviária, que não era dos mais fortes, mantinha as coisas no zero a zero.

Quando a partida já se encaminhava para o fim, veio o coelho da cartola, na forma do brilho individual: Edmundo cortou o zagueiro na entrada da área, viu o goleiro adiantado e com um belo toque resolveu a fatura: Palmeiras 1 a 0, e nada mais. Nada mais? Bom, não foi bem assim: como o link mostra, foi neste dia que o camisa 7 ganhou o apelido que o eternizaria.

Ficha Técnica

Gol: Edmundo aos 37 do 2º tempo

Ferroviária: Rui, Fábio  Henrique, Fonseca, Mauro e Luciano; Alcinei, João Batista e César (Moisés); Paulo Américo, Romildo e Edelvan. Técnico: Vail Mota

Palmeiras: Sérgio, Mazinho,  Antônio Carlos, Tonhão e Roberto Carlos; César Sampaio, Amaral e Edílson (Daniel); Edmundo, Maurílio (Soares) e  Zinho. Técnico:  Wanderley Luxemburgo

Cartões Amarelos: Tonhão, Roberto Carlos, Luciano e Alcinei

Árbitro: Márcio Rezende de Freitas

Local: Estádio Fonte Luminosa, para 18.051 e Cr$ 1.837.675.000,00

Que ao menos acabe assim de novo

Que ao menos acabe assim de novo

Esta semana finalmente tem início o maior desafio do ano – o único, a se considerar o discurso dos dirigentes do Palmeiras, para quem o Paulista e a Libertadores eram pedras no caminho. O elenco de série B – novamente palavras deles – começa a tentar resgatar o Palmeiras mais uma vez do inferno a que os incompetentes de diretoria, comissão técnica e elenco passado (alguns ainda presentes) nos legaram. Com isso, traremos alguns textos de aquecimento para esta competição que se arrastará até o fim do ano, mas que, esperamos, terá final feliz bem antes disso.

Começaremos lembrando a outra série B que disputamos, a de 2003 (houve ainda algumas Taças de Prata nos anos 80, mas ali não houve rebaixamento, e sim uma péssima classificação nos Paulistões que eram classificatórios para o Brasileirão). Aquele campeonato foi bem diferente do que teremos agora – eram 24 equipes duelando por 2 vagas, em torneio com três fases no início das quais a pontuação era zerada. Agora são 4 clubes a menos e 2 promovidos a mais. Não pode dar chabu, ou pode?

*

O cenário de 2003

Com um elenco que no papel não era ruim, e que fora semifinalista do Rio-SP e da Copa dos Campeões, mas era repleto de laranjas podres, o Palmeiras passa vexame no Brasileiro e é rebaixado na última rodada, quando vencer o Vitória fora de casa bastaria para a salvação. Muitos jogadores deixaram o clube após o vexame, entre eles antigos ídolos como Arce. Levir Culpi naturalmente também perdeu seu emprego.

O início de 2003 trouxe eleições, nas quais Mustafá Contursi se rerrerrerrerrelegeu. A manutenção da diretoria parecia indicar que ao menos não haveria mudanças bruscas de planejamento – mas havia algum? Até aquele momento, só havíamos contratado o técnico Jair Picerni, o zagueiro Índio e o meia Adãozinho.

O Palmeiras até fez um Paulistão decente, em que eliminou nas quartas o São Caetano então vice-campeão da América. Na semifinal, fez um bom primeiro jogo contra o Corinthians (2 a 2), mas os inúmeros desfalques para o jogo de volta pesaram, e o time caiu por 4 a 2 num placar a ser até comemorado, pois antes dos 20 minutos já estávamos levando 3 a 0 no lombo. A queda provocou uma pequena reformulação no elenco.

Restava a Copa do Brasil antes do mergulho no desconhecido. Mas antes não fosse assim: a meros três dias da estreia na Segundona, o Palmeiras deu um vexame histórico ao sofrer a maior goleada de sua história no Palestra Itália: os 7 a 2 do Vitória.

Paradoxalmente, esse resultado ajudou demais na série B. Picerni pediu as contas após o massacre mas teve respaldo para ficar, e a partir daí começou a fazer uma série de mudanças que seriam essenciais para o sucesso mais à frente. A principal delas, a entrada dos jovens atletas da base, recém saídos do vice-campeonato da Copinha. Uma solução barata, ao estilo de Mustafá, mas que dessa vez deu certo.

A campanha, jogo a jogo

1. Brasiliense 1 x 1 Palmeiras

A estreia contra o vice-campeão do Brasil não podia ter começado pior: com cinco minutos, Iranildo fez de falta. Outra goleada a caminho? Desta vez não, em parte graças à estupenda atuação de Marcos (confira a defesa que ele fez a 1:30 do vídeo acima).

No intervalo, a mudança que talvez tenha sido o símbolo da passagem do fracasso de 2002 para o sucesso de 2003: saiu Zinho, entrou Vágner Love. E foi o moleque que, no fim do jogo, fez o gol chorado do empate.

Foi a última partida do multicampeão camisa 11 vestindo verde, ele que havia brigado com Picerni e rumou para o Cruzeiro, para somar mais um Brasileirão a seu brilhante currículo. Foi também a estreia de Marcinho Guerreiro.

E foi a última vez que Vágner Love começou uma partida do banco de reservas.

2. Palmeiras 1 x 1 América-RN

O Palmeiras debutou em casa numa noite gelada de sábado, para um público aquém do que teria depois – foram somente 8000 testemunhas. O time havia mudado bastante – havia vencido o Vitória por 3 a 1 em Salvador no meio da semana, na volta da Copa do Brasil. Mas perdeu um caminhão de gols e viu Éverton abrir o placar já aos 37 minutos do segundo tempo. Uma derrota incrível só não se concretizou porque no minuto seguinte Vágner Love – já xodó da torcida – salvou o time novamente, ao marcar de cabeça.

Naquela partida, houve duas estreias: o atual corintiano Alessandro, que veio como parte do pagamento de uma dívida do Flamengo, e Élson.

3. Náutico 2 x 1 Palmeiras

A terceira rodada acabava e o Verdão ocupava a 20ª posição. Foi a primeira das três derrotas em todo o campeonato, todas de virada: aqui, Thiago Gentil abriu o placar no primeiro tempo, mas no segundo Kuki e Jorge Henrique viraram. No pior momento do time na competição, o Palmeiras saía dos Aflitos… aflito.

4. Palmeiras 4 x 0 São Raimundo

Demorou, mas enfim o Verdão conquistava sua primeira vitória na competição, e contra um time que estava em quarto. Naquela tarde, o público já subiu para mais de 14000 pagantes, que viram Diego Souza marcar três vezes (uma delas no fim do primeiro tempo, o gol que abriu o placar). O outro gol, o segundo da partida, foi de Daniel – o estreante do dia.

A vitória categórica foi importante não só pelo início da reação alviverde, mas principalmente porque a partir dali a fanática torcida passou a entrar de corpo e alma na competição.

5. Caxias 1 x 4 Palmeiras

A primeira vitória longe de casa, que levou o Verdão ao sétimo lugar, foi a partida menos acompanhada de toda a campanha: nenhuma rádio paulistana cobriu a peleja do Centenário.

Os poucos que a puderam acompanhar pela internet, porém, nem chegaram a sofrer: Vágner Love abriu o placar com menos de um minuto. Antes do intervalo, ele faria o segundo e Anselmo o terceiro. O mesmo Anselmo ampliaria no segundo tempo, e o gol de honra do Bepe ficou a cargo de Helinho.

6. Palmeiras 1 x 1 CRB

Depois de duas goleadas, parecia que o time engrenara. E com isso 24.000 torcedores foram ao Palestra, apenas para perceber que o Verdão continuava o de sempre: aquele time que, quando menos se espera, decepciona.

A equipe jogou muito mal, mas conseguiu abrir o placar no segundo tempo com Anselmo. Seria o típico jogo que “valeu pelos três pontos”, mas nem isso aconteceu – a 10 minutos do fim, Marquinhos empatou, e se o juiz não tivesse ignorado um pênalti cometido por Leonardo, podia ter sido ainda pior.

Vale dizer que esta partida marcou a estreia de Lúcio, além de um dos inúmeros retornos de Pedrinho.

7. Santa Cruz 2 x 2 Palmeiras

Enfim, a TV aberta entrou em campo. A Record contratou Luciano do Valle e Mauro Beting e, a partir desta rodada, todas as partidas fora do Palmeiras tiveram transmissão ao vivo (o Botafogo foi acompanhado por Oliveira Júnior e Roberto Porto, mas não nessa rodada).

E o debute foi em um jogo difícil, contra o então vice-líder. O time se virou bem com a pressão nos primeiros 45 minutos inteiro – mas não nos acréscimos, quando Neto abriu o placar. Mas o segundo tempo do Verdão foi quase perfeito; houve muitas chances até a virada, com Alceu e Vágner Love. Depois, um pênalti em Thiago Gentil – porém este o juiz não marcou. E, quando a torcida se preparava para comemorar a vitória, Roberto Santos botou água no chope verde.

O empate deixou um gosto um pouco amargo. Mas, ao mesmo tempo, mostrou que o time começava a entender o que era a série B, e que seria um concorrente muito forte.

8. Palmeiras 5 x 0 Mogi Mirim

Foi a terceira goleada nos últimos cinco jogos, definida aos 40 do primeiro tempo. Àquela altura, Love já tinha feito o primeiro, mas foi naquele minuto que o lateral do Mogi cometeu pênalti e recebeu cartão vermelho.

Aí ficou fácil: Love converteu a penalidade e o Palmeiras foi com uma bela vantagem para o intervalo. No segundo tempo, não teve dificuldade para fazer mais três (Magrão, Muñoz e, nos descontos, Love fechou sua tripleta).

O Palmeiras fechava a rodada com o melhor ataque e o artilheiro do campeonato, mas ainda estava na sétima posição.

9. Palmeiras 0 x 0 Botafogo

Era obviamente o jogo mais aguardado do campeonato, mas foi um dos mais decepcionantes. Ambos os times jogaram mal, e foram raras as oportunidades. Apesar de jogar em casa, o resultado foi até menos ruim para o Verdão, que teve Daniel expulso ainda no primeiro tempo.

Foi a única partida de toda a série B que o Palmeiras passou em branco.

10. América-MG 0 x 3 Palmeiras

O placar elástico engana um pouco: o destaque verde na partida foi Sérgio, que substituiu Marcos naquela noite. O goleiro fez ótimas defesas e parou o ataque do Coelho, que pressionou muito – basta dizer que o camisa 9 era uma jovem revelação de nome Fred.

Como quem não faz toma, o Palmeiras teve quatro ou cinco chances, e as aproveitou muito bem: Alceu, Daniel e Anselmo encaminharam a boa vitória.

11. Palmeiras 2 x 1 Joinville

Em uma das duas partidas que o Palmeiras mais contou com o “apito amigo” (a outra foi contra a Lusa), o Joinville reclamou barbaridade, mas no fim os gols de Lúcio, logo no começo, e Vágner Love, no fim do primeiro tempo, serviram para bater o JEC, que pediu vários pênaltis, mas só descontou com Didi (aquele ex-Corinthians) no fim.

Enfim o Palmeiras se assentava na tabela, passando a ocupar a vice-liderança, somente atrás do Botafogo.

12. Anapolina 1 x 2 Palmeiras

Que me desculpem os leitores de Anápolis, mas nenhuma partida teve tanta cara de série B como essa. A Xata era um time médio até para os padrões goianos, e ter que visitar o Jonas Duarte foi um dos símbolos daquele ano.

Pior, o Verdão saiu perdendo: o gol de Patrick foi o único do primeiro tempo. Mas, após o intervalo, a técnica e o preparo físico fizeram a diferença, e o Palmeiras virou com Love e Pedrinho.

Foi a primeira sequência de três vitórias consecutivas, e a última partida de Alessandro, que quebrou seu contrato com o Flamengo para ir à Ucrânia, e no fim o Palmeiras nunca mais viu a cor da grana que o rubro-negro devia.

13. Palmeiras 1 x 0 Londrina

A quarta vitória seguida veio em partida complicada, pois Marcinho Guerreiro foi expulso antes dos 20 minutos (por reclamação!).

Mesmo assim, o time teve calma e competência para marcar com, claro, Vágner Love no início do segundo tempo e segurar o placar para júbilo dos quase 21.000 pagantes.

Ainda éramos vice, mas com cada vez mais folga em relação aos times que vinham atrás. O que importava, àquela altura, era se distanciar do nono lugar, para garantir a vaga na segunda fase.

14. Remo 2 x 1 Palmeiras

Era a primeira partida do Palmeiras com os desfalques de Vágner Love e Diego Souza, que foram disputar o Pan-Americano e ficariam fora por algumas semanas. E a segunda derrota no campeonato começou a aparecer em um pênalti mais que discutível concedido ao Remo. O Palmeiras vencia com gol de Pedrinho, mas o empate ainda no primeiro tempo (Valdomiro) incendiou a torcida paraense.

Logo no início do segundo tempo, Marcos falhou e Gian virou. Caía a invencibilidade de 10 jogos, mas o resultado podia ser considerado normal – o adversário estava invicto em casa, e bem na tabela. A classificação não estava ameaçada.

15. Paulista 1 x 2 Palmeiras

Duas derrotas seguidas poderiam entornar o caldo verde. E, faltando 10 minutos para acabar a partida, era esse o cenário verde em Jundiaí. O time do técnico Zetti havia aberto o placar pouco antes com Amaral.

Dois jogadores da base mudaram o cenário da partida. Se a entrada e estreia de André Balada não mudou muita coisa, a de Edmílson pôs fogo em campo. Foi ele que empatou o jogo (seu primeiro gol pelo clube), garantindo sua vaga de titular a partir da partida seguinte. E, no finzinho, Thiago Gentil nos deu três pontos altamente improváveis.

Foi a primeira partida da camisa inaugural da parceria com a Diadora, aquela com os pontinhos “que mudavam de cor com o suor”.

(Continua…)

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