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De bom mesmo este ano só a volta pra casa

De bom mesmo este ano só a volta pra casa

Já estamos com a cabeça em 2015, mas vamos aqui fechar o ano com os números da temporada do futebol alviverde. Para outras modalidades acesse este abrangente resumo feito por Fernando Galuppo; para comparar com os números de 2013 clique aqui.

Se faltou algo que chame sua atenção, use a caixa de comentários; queremos fazer deste texto o mais completo resumo estatístico do decepcionante 2014 verde e branco.

Desempenho

Jogos: 64 (Série A 38, Paulista 17, Copa do Brasil 8, Copa Euro-Americana 1)

Vitórias: 29 (Série A 11, Paulista 12, Copa do Brasil 5, Copa Euro-Americana 1)

% Vitórias: 45% (Série A 29, Paulista 71, Copa do Brasil 62, Copa Euro-Americana 100)

Empates: 9 (Série A 7, Paulista 2)

% Empates: 14% (Série A 14, Paulista 18, Copa do Brasil 0)

Derrotas: 26 (Série A 20, Paulista 3, Copa do Brasil 3)

% Derrotas: 41% (Série A 53, Paulista 18, Copa do Brasil 38)

Aproveitamento: 49%

Maior sequência de vitórias: 6 (Linense, Comercial, Atlético Sorocaba, Penapolense, SPFC, XV – os seis primeiros jogos da temporada)

Maior sequência invicta: 9 (os seis jogos acima mais Audax, Corinthians, Ituano)

Maior sequência de derrotas: 5 (Atlético-MG, SPFC, Sport, Coritiba, Inter)

Maior sequência sem vitórias: 6 (os cinco jogos acima mais Atlético-PR – ou seja, os seis últimos jogos do ano)

Um clássico vencido na melhor sequência da temporada

Um clássico vencido na melhor sequência da temporada

Gols, gols, gols

Gols marcados: 75 (Série A 34, Paulista 29, Copa do Brasil 10, Copa Euro-Americana 2)

Gols marcados por jogo: 1,17 (Série A 0,89, Paulista 1,70, Copa do Brasil 1,25, Copa Euro-Americana 2,00)

Gols sofridos: 79 (Série A 59 (!!), Paulista 14, Copa do Brasil 5, Copa Euro-Americana 1)

Gols sofridos por jogo: 1,23 (Série A 1,55, Paulista 0,82, Copa do Brasil 0,63, Copa Euro-Americana 1,00)

Saldo de gols: -4 (Série A -25, Paulista 15, Copa do Brasil 5, Copa Euro-Americana 1)

Maior sequência de jogos marcando gols: 17 (todo o Paulistão exceto o jogo contra o Ituano e mais a ida contra o Vilhena) – um dos raros índices melhores do que o de 2013.

Maior sequência de jogos sem marcar gols: 4, duas vezes (Chapecoense, Botafogo, Grêmio, Santos e Atlético-MG, SPFC, Sport, Coritiba)

Maior sequência de jogos sem levar gols: 4 (Goiás, Sampaio Correa, Figueirense, Vitória)

Maior sequência de jogos levando gols: 6 (os últimos seis jogos da temporada)

Maior goleada aplicada: 4×1 Atlético Sorocaba

Maior goleada sofrida: 0x6 Goiás

A maior goleada foi logo no terceiro jogo

A maior goleada foi logo no terceiro jogo

Classificações finais

Série A: 16° colocado

Campeonato Paulista: 3º colocado

Copa do Brasil: caiu nas oitavas-de-final

Copa Euro-Americana: campeão junto com os colegas de continente

O Troféu Julinho Botelho

O Troféu Julinho Botelho

Jogadores

Quem mais atuou: Marcelo Oliveira, 53 vezes

O resto do pódio: Lúcio (47) e Wesley (43, também foi o terceiro em 2013). Não admira o desempenho do time no ano…

Os outros top 11: Juninho (40), Henrique (39), Leandro (35), Diogo (34), Victor Luís (33), Wendel, Fernando Prass e Renato (32 cada)

Quantos jogos Valdivia fez: 29 (45%). Mais que em 2013!

Quantos jogadores atuaram: 50 (quatro a mais que em 2013)

Estreantes do ano: 24 (Allione, Bernardo, Bruninho, Bruno César, Chico, Cristaldo, Diogo, Eduardo Júnior, Erik, França, Gabriel Dias, João Pedro, Josimar, Léo Cunha, Lúcio, Marquinhos Gabriel, Mouche, Nathan, Rodolfo, Tobio, Victor Luís, Victorino, Washington, William Matheus) – um a mais que 2013

Artilheiro: Henrique, 18 gols

O resto do pódio: Alan Kardec (10, também foi o segundo em 2013) e Wesley (5, também foi o terceiro em 2013)

Os outros top 9: Juninho, Leandro, Valdivia (4), Felipe Menezes, Mendieta, Mouche (3). Seis atletas marcaram duas vezes.

Quantos jogadores marcaram: 24 (quatro a menos que 2013)

Marcaram pela primeira vez em 2014: 14 (Bruno César, Cristaldo, Diogo, França, Henrique, João Pedro, Lúcio, Marquinhos Gabriel, Miguel, Mouche, Renato, Tobio, Victor Luís, William Matheus)

Mais cartões vermelhos: Allione e Bruno César, 2 cada (de 11 no total do ano, 1 a cada 6 jogos). Foram duas expulsões a menos que no ano passado. Os outros expulsos: Kardec, Marcelo Oliveira, Wesley, Tobio, Josimar, Valdivia e Nathan

Mais cartões amarelos: Juninho, 13, depois Marcelo Oliveira 12, Valdivia, Lúcio e Henrique 11.

Curiosidade: em proporção, o rei do cartão foi Eguren, 7 cartões em 15 jogos (muitos deles só atuando em parte)

O santo: Mazinho (26 partidas no ano sem nenhum cartão)

Mais vezes vindo do banco: Felipe Menezes (15 vezes), depois Mendieta e Diogo, 12, e Bruno César, Mouche e Cristaldo, 11

O artilheiro de 2014 não deve ficar em 2015

O artilheiro de 2014 não deve ficar em 2015

Técnicos

Gílson Kleina: 23 partidas, com 15V/2E/6D/37GP/22GC (aproveitamento 68%)

Alberto Valentim: 8 partidas, com 4V/1E/3D/7GP/6GC (aproveitamento 54%)

Ricardo Gareca: 13 partidas, com 4V/1E/8D/11GP/16GC (aproveitamento 33%)

Dorival Júnior: 20 partidas, com 6V/5E/9D/20GP/35GC (aproveitamento 38%)

E se tivesse chegado antes? E se tivesse ficado depois? Gareca foi a esfinge de 2014

E se tivesse chegado antes? E se tivesse ficado mais? Gareca foi a esfinge de 2014

Adversários

Clássicos: 9 jogos, 1 vitória (2×0 SPFC), 2 empates (ambos vs Corinthians) e 6 derrotas

Estreantes: 2 (Grêmio Osasco Audax, Vilhena)

Clubes estrangeiros enfrentados: 1 (Fiorentina)

Time enfrentado mais vezes: Atlético-MG (4 derrotas, digo, vezes)

Galo de novo nããão!

Galo de novo nããão!

Curiosidades

Este foi o terceiro ano com maior porcentual de derrotas em nossa história – mas à frente estão somente os dois primeiros anos (1915 e 1916), quando o clube ainda era novato e enfrentava adversários mais experientes.

Depois de três anos e meio, finalmente um palmeirense marcou três vezes em um jogo. A façanha coube a Henrique, nos 4 a 2 contra a Chapecoense.

Feliz 2015, e lembre-se: até 25/8/15 ainda é centenário

Feliz 2015, e lembre-se: até 25/8/15 ainda é centenário

Dois dos que deveriam sair

Dois dos que deveriam sair

Pelo que saiu no noticiário há algum tempo, hoje deve ser anunciada uma lista de dispensas no Verdão (mas o assunto sumiu de pauta, o que pode significar adiamento desta decisão); depois de um 2014 no mínimo decepcionante, deveria haver uma mudança radical no elenco. Sabemos que, por custo de rescisão e falta de mercado para vários dos jogadores, além da dificuldade de se trazer duas dezenas de novos atletas, muita gente inapta vai ficar.

Mesmo assim, reservamo-nos o direito de dizer quem manteríamos. O tempo já passado desde os agoniantes minutos finais do Brasileirão pode levar as pessoas a serem mais condescendentes com um ou outro, mas nossa vontade é de dispensar mais de dois terços do grupo. Menos mal que os reforços até aqui anunciados parecem ser capazes de melhorar o nível da equipe, ainda que faltem nomes de mais peso.

Por nós, ficariam:

  • Goleiros: FERNANDO PRASS e VINICIUS. Um goleiro para a reserva imediata teria que ser contratado.
  • Laterais: JOÃO PEDRO, LÉO CUNHA e MATHEUS MÜLLER. Falta um titular para a esquerda.
  • Zagueiros: NATHAN, TOBIO, THIAGO MARTINS, e vale testar mais GABRIEL DIAS. Acima de tudo é imprescindível que Lúcio se vá.
  • Volantes: ALLIONE e, com muito boa vontade, manteria WASHINGTON por alguns meses para avaliar melhor.
  • Meias: infelizmente ainda precisamos de VALDIVIA enquanto não houver ao menos dois jogadores plenamente capazes de substituí-lo.
  • Atacantes: não fica nenhum.

Alguns comentários:

– Não sou fã de Victor Luís, embora haja muito jogador pior e menos comprometido que ele no elenco. Tem algum valor de mercado, portanto tentaria vendê-lo. Se não houver proposta decente (não é para doá-lo), fica, mas como reserva da lateral.

– Cristaldo e Mouche podem ir. O problema é que certamente agiríamos como aqueles clubes do leste europeu que sempre compram por 10, se arrependem e vendem por 2.

– Se for difícil arrumar goleiro reserva, dentre os quatro que temos eu ficaria com Jaílson. É o único que ainda não teve a oportunidade de nos decepcionar.

É isso. Ficariam 12, o que mostra como somos generosos; dado que trouxemos sete e Oswaldo pretende ter 34, faltam somente 15 contratações. Está fácil sonhar com um 2015 de glórias, não?

StoAndre

Em 2011 eliminamos o Santo André

Terça-feira, 16 de dezembro, 11:00. O sorteio da Copa do Brasil já tem data marcada, e a CBF ainda não divulgou uma lista oficial de participantes, nem explicou os moldes da competição, nem… bom, basicamente ignorou o assunto.

Ainda assim, é possível especular com grande chance de acerto o que vem pela frente. O Instituto Palestrino de Estatística traz o caminho das pedras em primeira mão para o torcedor alviverde (queria dizer “brasileiro”, mas já há textos como esse, e sempre damos crédito a quem rala pra fazer esse trabalho na unha).

É importante notar que estamos supondo que em 2015 a CBF manterá o mesmo formato de 2014. De novo: não houve qualquer palavra da entidade até aqui.

Em princípio, teremos os seguintes mata-matas:

  • 1ª fase: Pote 1 x Pote 5; Pote 2 x Pote 6; Pote 3 x Pote 7; Pote 4 x Pote 8
  • 2ª fase: Pote 1 (ou 5) x Pote 4 (ou 8); Pote 2 (ou 6) x Pote 3 (ou 7)
  • 3ª fase Pote 1 (ou 4, 5, 8) x Pote 2 (ou 3, 6, 7)

A partir daí, os cinco times da Libertadores e mais o Fluminense (sexto no Brasileiro) se juntam aos dez sobreviventes.

Isto posto, eis a composição dos potes (clique para ampliar)

CB2015

Com isto, podemos traçar o cenário “fácil” e o “difícil”, sempre supondo que os times de potes mais bem ranqueados avancem:

  • Que tal se vierem Vitória da Conquista, Salgueiro e Portuguesa?
  • E se em vez disso forem Londrina, Sampaio Corrêa (de novo) e Sport?

Em termos de ineditismos ou repetições, temos na primeira fase dois times que já pegamos na CB (Santo André e Remo) e três times que jamais enfrentamos nem mesmo em amistosos (Campinense, Confiança e Vitória da Conquista).

*

E quando acabar a terceira fase?

Estaremos obviamente ou classificados para as oitavas ou eliminados. E daí?

  • Se classificado para as oitavas, é quase certo pegar pedreira. Os cabeças-de-chave serão os seis times que entram só ali mais os dois melhores ranqueados que sobrarem. Para o Palmeiras ser cabeça-de-chave, precisa que no máximo um entre os seis times acima dele sobreviva. Esqueçam. Ou seja, vamos pegar alguém entre Atlético-MG, Cruzeiro, Inter, SPFC, SCCP, Fluminense e provavelmente Flamengo e Grêmio.
  • Se eliminado, em primeiro lugar gritaremos VERGONHA VERGONHA TIME SEM VERGONHA. Aí torceremos para entrar na Sul-Americana. Serão seis vagas e há nove times na nossa frente. Portanto, precisaríamos que no mínimo quatro entre Flamengo, Grêmio, Santos, Atlético-PR, Coritiba, Goiás, Figueirense, Sport e Chapecoense cheguem às oitavas. Deve acontecer.

E então? Melhor ir para as oitavas e pegar um caminho difícil como neste ano ou ser eliminado por um Bragantino da vida e encarar uns Huachipatos por aí?

Somos pela honra, sempre. Não chegamos ao posto de maior campeão nacional por artimanhas.

Rumo ao tri!

Quero outro desse

Quero outro desse

Em 2005, uma virada empolgante

Em 2005, uma virada empolgante

O jogo entre Flamengo e Vitória nem tinha acabado quando inúmeras mensagens com o mesmo teor começaram a pipocar no Twitter. Em resumo, diziam mais ou menos o seguinte:

O bom senso de fato diz que confiar em que o Palmeiras faça sua parte é uma temeridade, ainda que o presidente reeleito haja garantido que não cairemos. Agora, esta sensação de falhar quando temos tudo em nossas mãos se justifica?

O que aconteceu das últimas vezes em que só dependia de nós?

Pesquisamos todas as vezes que isso ocorreu desde 2000, quando ao bom e caro da Parmalat se sucederam inúmeros ruins e baratos. Excluímos mata-matas, porque afinal ali sempre só depende de nós e também porque os jogos são sempre contra adversários diretos. Mesmo assim, sobram estes casos apresentados do mais recente para o mais antigo, identificados em verde (se conseguimos o resultado necessário), azul (se não conseguimos, porém os adversários também falharam) ou vermelho (você sabe).

Vamos à lista. Sigam-me os bons!

Botafogo 2×1 Palmeiras – Brasileiro 2009

Já começamos por um caso emblemático, cujo trauma até hoje parece não ter passado. Após uma vitória contra o Galo estancar quatro jogos sem triunfos, o Verdão chegou à última rodada com poucas chances de título, mas dependendo só de si para chegar à Libertadores.

Em terceiro lugar, o time chegaria à fase de grupos se vencesse o Botafogo, que abria o Z4. Mesmo o empate garantiria no mínimo a pré-Libertadores, pois tínhamos três pontos de vantagem para o Cruzeiro. Se perdêssemos, bom, os mineiros jogariam fora de casa contra o Santos. Ou, numa zebra, o São Paulo quem sabe podia perder para o Sport em casa.

No fim… bom, o São Paulo não teve o mínimo trabalho – ganhou por 4 a 0 sem suar e levou uma das vagas. O Palmeiras livrou o Glorioso da degola ao perder por 2 a 1 (e esse “um” foi nos acréscimos, um típico gol de desonra). E a Raposa, também por 2 a 1, levou os três pontos e a vaga remanescente. O tento decisivo foi de Kléber Gladiador, que havia atuado no Palmeiras no ano anterior (e o primeiro foi de um futuro breve atleta nosso, Wellington Paulista).

Que isso sirva de lição: contar com o Santos é péssimo negócio.

Colo-Colo 0x1 Palmeiras – Libertadores 2009

Chegar vivo àquela partida já era incrível: o Palmeiras perdera as duas primeiras no grupo. Ressuscitou em Recife, para tropeçar no mesmo Sport no Palestra. Aí venceu a vigente campeã LDU para viajar a Santiago em busca da vitória, único resultado que lhe serviria – empatado conosco em pontos, o Colo-Colo tinha saldo melhor.

O Palmeiras veio com uma surpresa: Souza fazia somente sua segunda partida como titular – na primeira o Palmeiras atuara com reservas. O time atuava direito, mas o gol não vinha. No segundo tempo, ainda perdeu Marcão, expulso. Até que um daqueles chutes que os Jumares acertam contra nós finalmente veio a favor. Cleiton Xavier acertou o lugar onde a coruja que simboliza a Universidad de Chile, maior rival do Cacique, dorme, e nos deu uma vitória que já parecia impossível. Uma noite de rara felicidade nestes tempos.

Não negue, você está emocionado.

Não negue, você está emocionado.

Palmeiras 0x1 Botafogo – Brasileiro 2008

Você leu isso pouco acima: Palmeiras em terceiro na última rodada, bastando vencer o Botafogo para se manter à frente do Cruzeiro e ir à fase de grupos da Libertadores.

Pois é. Um ano antes tinha sido igual – mas em casa. Desta vez o Fogão estava no meio da tabela, jogando somente pela mala branca de seu arquirrival Flamengo, que precisava de um tropeço nosso por estar em quinto, um ponto atrás e com desvantagem no desempate. O Cruzeiro, também um ponto atrás mas em quarto, tinha missão fácil: a rebaixada Lusa no Mineirão.

Naquela tarde, a única alegria veio de Curitiba, onde o Atlético-PR (que estava na mesma situação que temos hoje: 16º com um ponto a mais que o 17º) venceu os cariocas por exóticos 5 a 3 e nos garantiu um lugar em busca da América. O técnico rubro-negro era Caio Júnior, que assim jogava fora a vaga pelo segundo ano seguido (a outra? chegaremos lá).

A nossa parte não fizemos: um gol de Wellington Paulista nos derrubou. O Cruzeiro fez fáceis quatro a um na Portuguesa e com isto nos enviou a Potosí. Com olhos de hoje, poderia ter sido pior.

Palmeiras 1×3 Atlético-MG – Brasileiro 2007

É, temos que repetir: o Palmeiras brigava com o Cruzeiro por uma vaga na Libertadores, etc. e tal. Desta vez, também o Grêmio estava na briga.

Em quarto lugar, o Palmeiras até poderia chegar à fase de grupos, mas seria necessária uma combinação pouco provável. O mais importante era mesmo garantir a vaga na pré contra um Galo que também buscava uma classificação – para a Sula. Mas, poxa, brigávamos contra o Cruzeiro, eles iam entregar, não?

Era obrigatório vencer: apesar de o Palmeiras, em quarto, ter um ponto a mais que a Raposa, em sexto, e o Imortal, em sétimo, os mineiros receberiam o fragílimo América-RN, de DEZESSETE pontos em 37 rodadas (um deles contra nós). Vale dizer que o Flu era o quinto colocado mas já estava classificado por ter vencido a Copa do Brasil.

Caio Júnior não contava com Valdivia, suspenso – oh! – e punha suas fichas em Edmundo. Mas o time, que tinha aprontado poucas semanas antes ao perder no Palestra para o então quase rebaixado Juventude, fez das suas de novo: saiu atrás, empatou logo depois, mas sucumbiu no segundo tempo. Os 3 a 1 para o Atlético de Emerson Leão nos derrubaram três posições de uma vez.

O Cruzeiro, claro, venceu o América por 2 a 0 e levou a vaga. O Flu bateu o vice Santos. E o Grêmio tropeçou em Porto Alegre, mas o empate bastou para ficarem à nossa frente na classificação. Não que lamentássemos este resultado em particular: afinal, foi a partida que rebaixou o arquirrival Corinthians para a Série B, o que fez com que a derrota fosse momentaneamente esquecida e o Palestra tivesse ao menos um motivo para explodir naquele 2 de dezembro.

Palmeiras 3×2 Fluminense – Brasileiro 2005

Um dos poucos grandes jogos da década passada. O Palmeiras lutava pela Libertadores e dera muita sorte na penúltima rodada – perdeu para o Inter em Porto Alegre (quem raios sempre coloca esse jogo perto do fim do campeonato?) mas viu o Fluminense perder de virada em casa para um Juventude sem qualquer pretensão. Se o Tricolor tivesse vencido, abriria quatro pontos de vantagem e apenas cumpriríamos tabela na despedida.

Mas não venceu e veio ao Palestra precisando empatar para manter a quarta posição. Um ponto atrás, o Verdão era o único time que ainda brigava com o Flu – os de cima já estavam classificados e os de baixo eliminados. Era um daqueles raros confrontos diretos em rodadas finais de pontos corridos.

O doping psicológico de Leão que nos reerguera após um mau início de torneio se fez presente uma última vez. O Fluminense saiu na frente (claro, com gol de ex-palmeirense: Tuta), levou o empate de Washington, fez 2 a 1, mas foi a pique após gol contra de Petkovic. O gol de falta de Correa decretou a virada, a festa na arquibancada e, não sabíamos, o último final feliz de um Brasileirão para o Palmeiras. E lá se vão nove anos…

Palmeiras 0x0 Cerro Porteño – Libertadores 2005

Talvez a missão mais fácil da lista. Era a última rodada da fase de grupos, e o Palmeiras pegava um Cerro já classificado, mas não com a primeira posição garantida – para isso eles precisavam do empate. Vitória do Palmeiras nos daria a liderança da chave, e a igualdade também serviria para nos classificar, porém nos faria enfrentar o São Paulo, como de fato ocorreu.

Se perdêssemos, teríamos que torcer para o Santo André não vencer o Deportivo Táchira no ABC por mais de dois gols de diferença. Parecia tranquilo, mas o tempo passava, o Palmeiras não saía do zero e o Ramalhão pegou no breu – após ir para o intervalo ganhando só de 1 a 0, não precisou nem de 20 minutos para marcar mais QUATRO.

Enquanto isso, o Alviverde perdia Nen, expulso. Foi o estopim para desistir de atacar e segurar o zero que já então parecia lindo. E, de maneira chocha como era a cara do time de Bonamigo, avançamos para depois pagar mico nas oitavas.

Fluminense 1×1 Palmeiras – Brasileiro 2004

Esse é um caso esquisito. Eram quatro vagas em jogo; três já estavam definidas e o Palmeiras ocupava o quarto posto. O São Caetano, logo atrás, perdeu 24 pontos no STJD após a morte de Serginho e com isso deixou o quinto lugar. Assim, o Palmeiras se classificara na penúltima rodada ao vencer o Criciúma no Palestra.

Às vésperas da rodada final, no entanto, foi anunciado um novo julgamento. Se o Azulão recuperasse os pontos, teria somente um a menos que o Palmeiras, que portanto precisaria vencer o Flu no Rio ou torcer para um tropeço do eterno time de Adhemar contra o ameaçado Atlético-MG fora; se nada desse certo, era esperar que o STJD ratificasse a punição dali a alguns dias.

Ficamos no empate (com direito a golaço de Ricardinho), mas nem precisamos do tribunal – o Galo fez 3 a 0 e liquidou a peleja fora do tapetão (no qual a perda dos 24 pontos acabou sendo confirmada).

Rio Branco 1×1 Palmeiras – Paulista 2003

“Pô, Rio Branco? Nem precisava colocar esta na lista, né?”

Calma, é necessário ter as coisas em perspectiva. Este foi o primeiro campeonato em que ouvíamos “ão ão ão” em tudo quanto era biboca. O time tinha sido remontado após a queda, e seria remontado de novo durante a série B. Ou seja, era um plantel muito frágil.

O Paulistão tinha um regulamento esquisito: era curto mas havia 21 (!) participantes. A primeira fase consistia em 3 grupos de sete jogando em turno único. A última partida do Palmeiras era em Americana e o time precisava empatar para garantir no mínimo uma das duas vagas de melhores segundos colocados.

Era um confronto direto – o Tigre precisava da vitória. O jogo começou a mil: os dois gols saíram nos primeiros 20 minutos (o nosso de pênalti cobrado por Adãozinho). Depois caiu de ritmo, mas a classificação não veio de forma fácil: o assustado Palmeiras levou duas bolas na trave. Mas se safou e acabou efetivamente passando como segundo melhor terceiro colocado – ficamos atrás de Guarani e da líder União Barbarense (!!)

Vitória 4×3 Palmeiras – Brasileiro 2002

Evidentemente o confronto que mais será lembrado esta semana, e nem pode ser de outra forma. Eram outras circunstâncias – jogo fora de casa, a derrota obrigatoriamente derrubava o time, havia certa incredulidade pelo ineditismo da situação e pelas viradas de mesas anteriores. Mas o fato é que foi a única vez que o Palmeiras jogou sua sorte na ponta de baixo na tabela, e fracassou.

Assim como agora, vitória nos livrava de qualquer risco e empate nos faria depender de uma combinação de resultados. Mas a derrota já assinava o atestado de óbito – o Palmeiras era o primeiro dentro da zona (escaparia em caso de vitória porque os dois times logo acima, Bahia e Lusa, se enfrentavam e um deles seria ultrapassado).

Tanto se falará deste jogo nos próximos dias que vou evitar fazê-lo aqui. Nada de links e de descrição do jogo; poupemo-nos da triste memória daquele dia (eu mesmo já ando tão bem-sucedido nisso que coloquei 4×2 ali em vermelho e só olhando a ficha é que notei que estava errado). Basta dizer que naquele 19 de novembro nem o empate teria resolvido – subiríamos uma posição e mesmo assim o vexame seria consumado. E ponto final.

Palmeiras 2×0 Guarani – Copa João Havelange 2000

O confuso torneio que misturava times de diversas divisões no mata-mata chegou à última rodada da 1ª fase do Módulo Azul (a primeira divisão) com o Palmeiras em 13º lugar entre 25 times – e 12 se classificavam para o mata-mata.

O Guarani estava somente 1 ponto acima de nós, em 11º; logo, era um confronto direto. Com sorte, o Palmeiras poderia obter a vaga empatando, mas dependeria de o Grêmio perder para o lanterna Santa Cruz e o Botafogo não vencer o eliminado Santos, ambos jogando fora de casa. Difícil.

A missão do #Siamonoi acabou não sendo muito complicada; já no primeiro tempo Magrão e Tuta resolveram o duelo. No segundo tempo o atacante acabou expulso, mas mesmo assim o Bugre não reagiu. O Palmeiras seguiria adiante para eliminar o São Paulo nas oitavas e cair perante a zebra de bengala azul.

Juventude 0x0 Palmeiras – Libertadores 2000

Deixei em preto em vez de verde porque listar este jogo é quase uma trapaça (até porque o contrato com a Parmalat ainda vigia). É verdade que o Palmeiras só dependia de si, mas podia até perder por cinco gols que ainda assim se classificava. Assim, até com Lúcio e Victorino, né? Pensando bem…

*

Em resumo, vivemos esta situação onze vezes desde que Evair nos deixou pela segunda vez. Em seis delas fizemos nossa parte e em outras duas nossos adversários deram uma mão.

As três em que falhamos, porém, foram exatamente em rodadas finais do Brasileiro, quando além de capacidade é necessário ter cabeça, o que vem nos faltando há tempos.

Ainda acho que nos salvamos. O time é ruim e vem numa queda assustadora (embora contra o Inter tenha se segurado decentemente até o 2 a 1), mas leia notícias e blogs dos adversários. Eles também já se consideram condenados. E, quer saber? Provavelmente todos estejamos – mesmo quem sobreviver.

Mas, por ora, respire fundo. Bem ou mal, a vantagem é nossa.

Tente pensar em coisas boas: praias desertas, águas cristalinas. Afinal…

*

Atualização de 8/12: findo este horrendo Brasileirão, temos mais um jogo para a galeria. E ele fica em azul – bastava ganhar, mas o resultado final de Palmeiras 1×1 Atlético-PR nos fez contar com a igual incompetência do Vitória, que só precisava bater o Santos mas levou 1×0 no fim. O alvinegro praiano, ao contrário do que fez em 2009, desta vez quebrou muito nosso galho.

Quem é que deeeeeeeeesce? (tabela do FutebolInterior)

Quem é que deeeeeeeeesce? (tabela: FutebolInterior)

Por causa do Grande Prêmio dos EUA, o jogo entre Bahia e Palmeiras foi o último a começar na 32ª rodada do Brasileirão. Assim, quando soou o apito final, o Verdão já sabia que, a seis rodadas do fim, detinha cinco pontos de frente não só para o primeiro time dentre os rebaixados como também para o primeiro fora. Faltavam três jogos em casa, dois contra times que se encaminhavam para a salvação e um que poderia vir com seus reservas.

O que aconteceu, todos vimos: três derrotas seguidas e a vantagem virou pó. Estes cinco viraram um, e já na próxima rodada o time pode entrar no temido Z4. o qual não frequenta desde que voltou de Florianópolis com uma virada incrível nas costas.

Agora nos vemos metidos em uma espécie de roleta russa em que quatro times lutam para sobreviver, porém um sucumbirá (não levaremos em conta a possibilidade de o Figueirense entrar na luta, nem de Botafogo e Bahia se reerguerem, ainda que este último tenha uma tabela decente). Coritiba, Vitória, Chapecoense e Palmeiras se engalfinham numa luta de foice no escuro. Cada um deles tem suas armas e fraquezas. Vamos a elas:

CORITIBA – A TABELA

Risco de queda: 33 – 38% (de acordo com os sites Infobola e Matemática-UFMG)

Pontos nas últimas cinco rodadas: seis

Jogos que restam: Palmeiras (c), Atlético-MG (f), Bahia (c)

Hoje o Coritiba é o time à porta do inferno. Em compensação, é o time com a tabela mais generosa nesta reta final: sedia o último confronto direto entre os times no bolo, depois visita um provável campeão da Copa do Brasil em festa e por fim conclui contra um time possivelmente já rebaixado – e, se o Bahia não estiver, pode-se tratar de outro confronto direto.

As últimas rodadas têm mostrado luta: houve só uma derrota em cinco jogos, contra o Flamengo, e mesmo nessa o time brigou até o fim. Assim como nós, o Coxa também desperdiçou duas vitórias no fim – Grêmio e Corinthians – mas no geral está mais embalado para a decisão de domingo. Mas, se nós estamos desesperados, é bom lembrar que eles estarão ainda mais. Empate pode não ser bom para o Palmeiras, porém tende a ser ainda pior para o time do Alto da Glória, cuja torcida não aguenta mais ver a equipe subir e descer e por isso também pressiona o clube, que, para complicar, está em período eleitoral. Sabemos como é.

VITÓRIA – ADVERSÁRIOS ACOMODADOS

Risco de queda: 39 – 42%

Pontos nas últimas cinco rodadas: sete

Jogos que restam: Figueirense (f), Flamengo (f), Santos (c)

Esta foi a arma mais difícil de identificar (leia-se “tive que forçar um pouco”), pois, como as porcentagens demonstram, o rubronegro é o mais ameaçado dos quatro candidatos. Estes sete pontos em cinco rodadas devem ser um pouco relativizados, pois três destes jogos foram contra times de baixo (Criciúma, Chapecoense, Coritiba). Mesmo assim, há dois meses o time não perde por mais de um gol de diferença, o que mostra que seus jogos têm sido renhidos; contra Flamengo (em São Luís, campo até certo ponto neutro) e principalmente Santos isso pode fazer uma baita diferença. A vitória da Chape ontem recolocou as barbas do Figueirense de molho; não fosse isso, também esta partida teria caráter menos decisivo para o rival. Isto pesará bastante contra o Leão, que afinal de contas só volta a seu estádio na despedida.

CHAPECOENSE – O BOTAFOGO

Risco de queda: 14 – 16%

Pontos nas últimas cinco rodadas: quatro

Jogos que restam: Botafogo (c), Cruzeiro (c), Goiás (c)

Assim como nós, a Chape só somou quatro pontos nas últimas rodadas. Mas o incrível resultado de ontem vira espetacularmente a situação dos catarinenses: de provável rebaixado a menos ameaçado. Isto porque o próximo jogo é quase uma benção; não se pode desprezar ninguém – e o Flu viu isso ontem – mas o Botafogo parece ter entregue os pontos. Se ganhar do Glorioso não vier ou não bastar, o alviverde pode ainda buscar algo contra um Cruzeiro de ânimo imprevisível (provavelmente campeão brasileiro e vice do Brasil) ou um Goiás ansioso pelas férias. Para se garantir de vez na série A, no entanto, o ataque precisa ser mais regular: apesar da profusão de ontem, nos cinco jogos anteriores eles só haviam marcado um gol, e bem no finzinho do jogo contra o Santos.

PALMEIRAS – O DESEMPATE

Risco de queda: 17 – 23%

Pontos nas últimas cinco rodadas: quatro

Jogos que restam: Coritiba (f), Inter (f), Atlético-PR (c)

A matemática dá uma chance em cinco de o Palmeiras cair. Na prática, parece óbvio que a diferença entre resistir ou não é simplesmente se Valdivia estará em campo – e contra os reservas do Atlético-MG nem isto bastou. O time vem desmoronando após um bom miolo de segundo turno, vê seu técnico cada vez mais hesitante, vive clima de eleição… enfim, o pacote está montado.

Nenhum palmeirense espera pontuar em Porto Alegre, por mais que o Inter também não esteja lá essas coisas. Assim, cada vez mais o Palmeiras depende da sua carta na manga: o desempate. É o que nos mantém à frente da Chape e o que nos manterá na frente do Coxa se terminarmos juntos; contra o Vitória depende de como se dá a situação: quatro pontos pra lá e três pra cá, estamos salvos. Um triunfo lá, dois empates aqui, já era.

O campeonato do Palmeiras é domingo: vitória em Curitiba muito provavelmente resolve nossa vida. Empate deixa a decisão para o Palestra Itália e derrota, bom, melhor nem pensar.

No meio do turbilhão, o chileno segue lesionado. E pendurado.

O cenário que eu espero

Acredito que o Palmeiras consiga mais três pontos, meramente baseado em alguns momentos de futebol que o time apresentou neste turno, em particular contra Grêmio e Santos (até sofrer o primeiro gol). E penso que o Vitória não fará mais que quatro, o que nos bastaria. Mas admito: tem uma enorme dose de fé embutida nas linhas acima.

Por via das dúvidas, melhor Paulo Nobre pegar os aplaudidíssimos milhões de reais e investi-los em patuás, trevos de quatro folhas, pés de coelho. É mais garantido que apostar em Felipe Menezes e Diogo.

A vitória contra o Grêmio não pode ser uma exceção.

A vitória contra o Grêmio não pode ser uma exceção.

Meados de outubro e o Palmeiras ainda se arrasta no Brasileirão. A folga de quatro pontos em relação à zona vermelha parece menor quando sabemos que o Verdão é o único time que ainda enfrenta os cinco primeiros colocados, dois deles nesta semana. O “confortável” 14° lugar pode virar pó em caso de fracassos contra Cruzeiro e, bom, melhor nem citar o outro jogo.

A tabela é ruim, sem dúvida. Mas é a pior do campeonato?

A ESPN criou seu ranking de dificuldade atribuindo 20 pontos ao líder, 19 ao vice e assim por diante até dar 1 ponto para o lanterna. Aí somaram os pontos e, quanto maior o total para cada time, mais estrepado ele está. Tem sentido, mas considero que a diferença entre os times ficam deturpadas – o Cruzeiro não é 20 vezes melhor que o Coxa; se você discorda, ao menos não tem 20 vezes mais pontos. A favor deles, considero correta a alteração que fizeram da primeira para a segunda versão de diferenciar jogos em casa ou fora, mas o peso dado foi bastante arbitrário.

Pensando nisso, resolvi criar meu próprio método, que consistiu nos seguintes passos:

1. Verificar o aproveitamento de cada clube como mandante e visitante;

2. Para cada jogo de cada equipe, considerar como nível de dificuldade este aproveitamento. Por exemplo, esta semana o Palmeiras pega o Cruzeiro em Minas, onde a Raposa tem 81,0% de pontos ganhos, e o Corinthians em casa, sendo que o alvinegro tem 44,4% de aproveitamento como visitante.

3. Tirar a média dos valores obtidos para cada jogo. No nosso caso, deu 49,2% de aproveitamento dos adversários.

4. Montar uma escala onde a pior tabela recebe grau 10 de dificuldade, a melhor tem grau 1, e as demais são escalonadas de acordo com seus intervalos.

Com isto, nossa situação “melhora” um pouco em relação à ESPN. Atenção: não quero dourar a pílula como analistas de debates que acham que seu candidato sempre está melhor do que o outro, até porque fiz a tabela achando que seríamos primeiro disparado. Na realidade, porém, temos a quarta pior sequência.

O problema: dos três ainda mais complicados, só um está atrás de nós: o Botafogo (em terceiro). Os outros clubes com direito a ficar de cabelo em pé são Figueirense, o líder do ranking, e Goiás.

Bahia, Vitória, Chapecoense, Criciúma e especialmente o Coritiba têm vida bem mais fácil, ficando na metade de baixo do ranking. Se não bastasse, vai ser difícil secar o arquirrival: o Corinthians tem uma sequência muito tranquila, da qual só o virtual bicampeão brasileiro Cruzeiro se aproxima.

A minha conclusão é simples: precisaremos no mínimo manter o nível apresentado nas últimas partidas, sem as falhas sucessivas que causaram a derrota ontem. Daí pra frente os quatro pontos de folga podem ajudar. Agora, qualquer derrapada é facilitar demais a vida dos adversários – menos do Botafogo, que para eles a vida está ainda mais atribulada…

Vamos às tabelas:

Aproveitamento de cada equipe (como mandante e visitante)

Aproveitamento2

Jogos restantes

TABELA

Grau de dificuldade

Dificuldade

E aí? Temos salvação?

Adendo: diversos sites publicam chances de título, rebaixamento, etc. Para citar alguns, hoje o Chance de Gol nos dá 25% de risco, o Infobola 21% e a Universidade Federal de Minas Gerais, mais condescendente, nos atribui 19%. Para quem tinha cerca de 50% após a derrota para o Figueirense, não está tão ruim. Mas para um gigante do porte do Palmeiras, um dígito já seria um absurdo.

palmeiras

Cem anos passam voando, não? Ainda mais quando desde meninote conheceste glórias. Mal seis anos eram passados e o primeiro Paulista já luzia em teu recém-comprado Parque Antarctica, casa adquirida com tanto sacrifício.

Cresceste rápido, arrebanhaste multidões e os troféus tomaram-te muito espaço. Tiveste períodos de fartura e de faltura, um dos quais o que ora vivemos, em que és comandado por gente com cabeça mais velha que ti. Bom, esqueçamos isto por um instante, não é hora de queixumes. Não devíamos aceitar teus desatinos, mas eu e teus outros quinze milhões de devotos estamos contigo há muito tempo, na alegria e na tristeza, e caminhamos juntos. Já tentei – sem muito esforço, é verdade – te deixar. Mas não consigo.

Alistei-me em tua legião há pouco mais de trinta anos, sabe-se lá como. Na minha família só há um tio que te escolheste, imigrante não italiano como tantos e tantos de tuas fileiras, mas súdito não praticante. De resto, aqueles que cresceram com a ilusão que uma Vila fosse maior que uma Academia, outros que torcem por quem tentou nos destruir em 42, e meu pai, caso único de alvinegro paulistano: alvinegro campineiro. Sempre gostei disso, de saber que fiz minha opção livre de qualquer influência e sempre a mantive inabalável.

Por um lado, foi difícil crescer sem ter quem me contasse sobre teus Ademires, Dudus, Jaíresrosaspinto, Julinhos, Junqueiras, Leivinhas. Até hoje sinto uma ponta de inveja de quem já nasceu com sua sorte selada. Por outro lado, fui te desvelando eu mesmo pouco a pouco. Tua história era a que eu descobria e construía, em anos de tanto sofrimento. Ah sim, me fizeste sofrer desde cedo. Eram poucas as crianças que partilhavam comigo a agonia dos anos oitenta. Não me esqueço, nunca me esquecerei, de quando me disseram que sequer tinhas um hino. Maldade infantil, claro, e nos meus oito anos eu acreditei, pois que não tocava nunca.

Tento me recordar de quando te conheci ao vivo. Minha memória jura que foi numa vitória contra o Botafogo no Pacaembu por 3 a 2 em 1985 – porém há anos venho aqui trazer tuas histórias a quem quer te compreender melhor, e sei que esse jogo não existiu.

O primeiro que estou certo de ter presenciado foi naquele mesmo ano. E pouco poderia ter mais a ver com aqueles anos bicudos que aquela magra vitória contra o Juventus tenha vindo com um solitário gol de Reinaldo Xavier. Mas podias ter perdido que mesmo assim meu destino estava traçado. Não te abandonei depois de 1986, nem depois de testemunhar uma inesquecível surra de 4 a 1 da Portuguesa. Ensinaste-me desde cedo que o caráter se forja à custa de muita provação. Nem precisava tanto, sabe?

Vi um dos raros amigos que se dizia teu fã bandear-se para outro lado; lamento por ele, que nunca soube o que é ter sua alma inebriada por algo que nos move cegamente. Pode-se trocar de time; não se pode mudar de paixão.

Chorei contra um tal Bragantino em 1989, a única vez que me fizeste verter lágrimas. Será que eu nunca conheceria o gosto do triunfo? Amargurado, segui a teu lado, quase sempre solitário, a não ser pelo irmão menor cujo sangue tingi de verde.

E veio 1993. Eu mudei de escola, tu havias mudado de tom de camisa. Mudara para um colégio de grande porte, assim como – finalmente! – teu plantel.

Não tive o gosto de gritar campeão ante aqueles que tanto me espezinharam, mas mesmo assim me senti livre. Foi naquele doze de junho que entendi a expressão “estar nas nuvens”. Tanto já falei sobre isso, e ainda assim meus olhos até hoje se umedecem ao lembrar daquele instante sublime. De perceber que nunca mais a outra parte do estádio cantaria “um, dois, três, …”, crescendo até quase o infinito para então cantarem parabéns a você. De comprovar que sim, havia um hino!

Dali em diante me tornei exigente. Ao osso que roí, seguiram-se banquetes. Foram taças em profusão, partidas inesquecíveis, estádios lotados te empurrando rumo a teu devido lugar. Depois, um novo século, um novo vazio recheado de decepções permeadas por algum soluço de glória. Ainda estamos dentro deste buraco negro, tentando espichar a cabeça para ver aquele dia ensolarado com que tantas vezes nos brindaste.

Hoje sofro e me alegro por dois. Já te garanti um pequeno seguidor, que deixaste ser teu mascote envergando teu manto (e, ainda bem, venceste naquele dia). Vou contar a ele sobre teus Evaíres, Marcos e Rivaldos na esperança – mais que isso, na certeza – de que em breve tu lhe darás seus próprios ídolos, suas próprias conquistas.

Porque teus triunfos são teus e, à sua maneira, de cada um de nós. E, por nos apropriarmos de cada um de teus momentos, és parte inseparável do que somos.

Parabéns, Palmeiras. E obrigado, hoje e sempre.

torcida

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