- Foram quatro viagens ao Japão
País severamente afetado por um dos maiores terremotos já registrados, pelo tsunami subsequente e sob ameaça ainda forte de vazamento de radiação nuclear. Para qualquer país essa poderia ser uma catástrofe cuja recuperação levaria décadas, mas no caso do Japão talvez seja diferente. Claro que não será fácil se reerguer de um baque que segue em andamento e de consequências ainda incertas, mas o povo japonês já foi submetido a provações semelhantes no passado – lembremos que foi a única nação a ser atingida diretamente por bombas nucleares – e se levantou. Solidarizamo-nos com toda a comunidade nipônica, muito numerosa particularmente em São Paulo. E, como entre eles são muitos os de sangue verde, relembraremos aqui as quatro oportunidades em que o Palmeiras visitou a Terra do Sol Nascente.
A primeira vez que o clube pisou no Extremo Oriente foi em 1967. Na ocasião, o Palmeiras foi convidado a participar de um torneio que foi chamado de Copa Brasil-Japão, disputado no estádio Olímpico Komazawa de Tóquio, que havia sido utilizado em algumas partida dos Jogos de 1964. Na estreia, em 18/6, o alviverde bateu a Seleção Japonesa Pré-Olímpica por 2 a 0 (Dario, Rinaldo). Vale dizer que esta mesma seleção conquistaria no ano seguinte, no México, a medalha de bronze (durante a campanha, empatou com o Brasil em 1 a 1). Três dias depois, o Verdão perdeu para a Seleção principal por 2 a 1 (Tupãzinho), mas mesmo assim os dois times fizeram uma segunda partida, que decidiu o torneio. E, em 25 de junho de 1967, o Palmeiras somaria mais uma taça à sua extensa galeria ao bater o Japão por 2 a 0 (Jair Bala e Rinaldo). Dois meses depois, seria a vez de o Palmeiras ser o anfitrião da seleção pré-olímpica, que perdeu no Pacaembu com um gol contra de Miamoto.
Curiosidade da primeira viagem: é famosa a história de que o nome do Verdy Kawasaki, clube fundado dois anos após esta viagem e que hoje está na segunda divisão com o nome de Verdy Tokio 1969, se deve a esta visita do Palmeiras. É fato que o “Verdy” vem da palavra “verde” em português, e naturalmente é a cor da equipe, mas não conseguimos evidência de que realmente trata-se de uma homenagem ao Palestra).
Dezenove anos se passaram até que pela segunda vez o Palmeiras aterrissasse no Japão. Desta vez, em maio de 1986, o objetivo era a disputa da Copa Kirin. Para esta competição, uma atração a mais: o time contou com o reforço de Kazuo, ídolo local de relativo sucesso no Santos, que até hoje permanece sendo o único jogador oriental a vestir nossas cores. A estreia, na cidade de Fukuoka, foi com goleada: 4 a 1 sobre o Werder Bremen (3 gols de Mirandinha e um de Jorginho).
Na segunda partida, já em Shizuoka, o time comandado por Castilho, famoso ex-goleiro do Fluminense, bateu a Seleção B da Argélia: 4 a 2 (Mendonça, Mirandinha 2, Barbosa). O Palmeiras completaria uma ótima primeira fase em Kioto derrotando (outra vez) a Seleção Japonesa, com Kazuo jogando de verde, por 2 a 1 (Denys, o próprio, e Mirandinha). Com estes resultados, o alviverde alcançou a decisão, onde novamente enfrentaria os alemães, agora em Tóquio. Foi a única partida em que Kazuo não atuou; coincidência ou não, foi a única partida em que o time caiu: após empate em 1 a 1 no tempo normal, o Werder fez 3 a 1 na prorrogação e, com os 4 a 2 (Jorginho e, como não podia deixar de ser, Mirandinha), ficou com o troféu. Era o primeiro, mas não o único, vice-campeonato verde no país.
Curiosidade da segunda viagem: desta vez, ao contrário da visita anterior, o Palmeiras não jogou somente em Tóquio. Mas as demais cidades visitadas se localizam ainda mais longe que a capital japonesa em relação aos centros mais atingidos pelo terremoto da semana passada.
A terceira excursão teve lugar em meio à Copa de 1994, e foi a única em que o Palmeiras mediu forças com clubes locais. Ficou clara a diferença de padrão existente entre o então campeão brasileiro e bi paulista e as jovens equipes nipônicas: mesmo desfalcado de Zinho e Mazinho, foram 4 partidas, com três goleadas e um empate.
O primeiro destes jogos foi contra o Jubilo Iwata, na cidade de Yamagata (esta sim, a apenas 65 km de Sendai, cidade mais próxima do epicentro do terremoto). Com dois gols de Edmundo, dois de Edílson e um de Maurílio, o time fechou a conta em 5 a 0 no mesmo dia em que Romário se entortou todo para que o Brasil despachasse a Holanda. Três dias depois, em Kobe, sul do país, um empate com o então vice-campeão nacional Kashima Antlers por 1 a 1 (Antonio Carlos fez o nosso, e o cabeludo Alcindo o deles). Mais quatro dias e, na véspera da final da Copa, o Palmeiras bateria o Yokohama Flügels – onde jogava Edu Marangon e para onde iriam ao fim daquele ano César Sampaio, Zinho e Evair – por 4 a 0 em sua própria casa (Evair 2, Edilson, Flávio Conceição). Por fim, a turnê foi fechada três dias depois, em 19/7 (dia em que o famoso “Voo da Muamba” desembarcou no Recife), na cidade de Nagoya, com outro 4 a 0, desta vez contra o Grampus Eight (Edmundo 2, Edilson e, acreditem, até o lateral Claudio marcou um).
Curiosidade da terceira viagem: se os resultados em campo (e provavelmente financeiros) foram bons, da consequência não se pode dizer o mesmo. Um time cansado – já havia excursionado por Colômbia, Geórgia e Rússia antes de chegar ao Japão – foi eliminado no dia 24/7 ante o São Paulo na Libertadores.
A última vez que o Palmeiras esteve no Oriente foi a mais famosa delas. Afinal, tratava-se da cereja no bolo do título da Libertadores: o confronto contra o Manchester United, campeão europeu. O regulamento impedia partidas amistosas, de modo que o jogo contra os ingleses foi o único que o time fez naquela oportunidade. E, no mesmo estádio Nacional de Tóquio em que 13 anos antes havia perdido para o Werder, um Palmeiras que encarou o rival de igual para igual terminou derrotado por 1 a 0. Um resultado que, se frustrou aos palmeirenses no Brasil, certamente não apagou a boa impressão que o time deixou em suas quatro visitas ao Japão.
Curiosidade da quarta viagem: tanto a partida imediatamente anterior quanto a imediatamente posterior ao confronto contra o Manchester United foram contra o San Lorenzo, pela semifinal da Copa Mercosul (derrota por 1 a 0 fora e vitória por 3 a 0 no Palestra).
Resumo das excursões:
- 4 viagens (1967, 1986, 1994, 1999)
- 12 partidas realizadas, com 8 vitórias, um empate e três derrotas
- 8 cidades visitadas: Tóquio, Fukuoka, Shizuoka, Kioto, Yamagata, Kobe, Yokohama e Nagoya
- 1 título, o da Copa Brasil-Japão 1967
- 2 vice-campeonatos, o da Copa Kirin 1986 e o do Mundial Interclubes de 1999

A derrota para o Manchester United, da forma que foi, perdendo gols incriveis e tomando um inacreditável, depois de nosso “belford duarte” Junior Baiano NÂO ter feito uma faltinha em Giggs, ainda é a maior dor de cabeça que eu já tive em minha história palestrina de 53 anos.