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Archive for agosto \31\UTC 2011

Três dessas são nossas

Entre os diversos torneios da pré-temporada europeia, o mais famoso é possivelmente o Ramón de Carranza, disputado sem interrupções desde 1955, sempre na cidade de Cádiz.  E esta data de 31 de agosto marca o dia em que o Palmeiras triunfou por duas vezes nessa competição, em 1969 e 1975 (também vencemos em 1974, mas daquela vez a final foi em 1/9).

O torneio ficou famoso por seu formato de quatro equipes fazendo um mata-mata em dois dias consecutivos, usado desde a terceira edição. Este modelo foi copiado em vários outros lugares, o que conferiu ao original o apelido de Copa das Copas. Como curiosidade, diz-se que foi na edição de 1962 que surgiu a disputa de cinco pênaltis alternados que conhecemos hoje.

Foi a partir de 1961 que clubes da América do Sul começaram a ser convidados; até 1968, porém, nenhum time desta parte do mundo triunfou, incluindo equipes como Peñarol, River Plate, Boca Juniors, Flamengo, Vasco e Corinthians. Em 1969, contudo, a história seria diferente.

Para aquela edição, foram convidados duas equipes americanas: Estudiantes de La Plata e Palmeiras, não por coincidência campeão e vice da Libertadores do ano anterior. E finalmente um clube não europeu triunfou: o Verdão estreou empatando por 1 a 1 com o Atlético de Madrid (gol de Cardoso), e venceu nos pênaltis. No dia seguinte, enfrentou o arquirrival do time que havia derrotado: o Real Madrid, que caiu por 2 a 0 (Zé Carlos e Dé). E foi assim que o Palmeiras levantou seu primeiro Ramón de Carranza.

O título não valeu participação no ano seguinte; o Alviverde teve que aguardar cinco anos para disputar, ao lado do Santos, a vigésima edição do troféu. E mais uma vez não decepcionamos: se em 31/8/69 a vítima fora o Real, em 31/8/74 quem perdeu foi o Barcelona, também por 2 a 0 (Leivinha, Ronaldo). E, em mais uma coincidência, a decisão também foi contra o rival local do time que batemos – o Español, que derrotamos por 2 a 1 (Leivinha, Luís Pereira).

Em 1975, o Palmeiras teve oportunidade de defender o título, e a aproveitou muito bem: conquistamos o tri ao bater o Zaragoza por 1 a 0 (Ademir da Guia) e depois mais uma vez o Real Madrid, 3 a 1 (Edu Bala, Leivinha, Itamar). Isto é, o Verdão chegava à terceira conquista em igual número de participações. Até hoje, ao lado do Vasco, somos o clube não espanhol com mais títulos.

Houve outras edições dali para frente em que participamos, mas nunca mais com o mesmo brilho. Em 1976 não conseguimos a terceira vitória consecutiva, ao perdermos para o Atlético de Bilbao na semi (ficamos com o terceiro ao golear o Nacional do Uruguai); em 1981, um vexame – mais um naqueles tempos tão duros: apanhamos de cinco do Sevilla e quatro do CSKA da Bulgária. Talvez por isso só tenhamos voltado a pisar solo andaluz em 1993, já com o esquadrão que acabara de ser campeão paulista e do Rio-São Paulo. E o retorno foi logo num Choque-Rei, que vencemos por por 2 a 1 (Maurílio, Jean Carlo), em jogo que terminou com piti do tricolor, que teve dois expulsos (Ronaldo Luís e o sempre delicado Dinho). Porém, perderíamos nos penais a decisão para o Cádiz após empate por 1 a 1 (gol de Edílson).

Em resumo, jogamos 12 partidas pelo prestigioso torneio, com 7 vitórias, 2 empates e 3 derrotas. Foram 19 gols feitos e 17 sofridos; nosso artilheiro é Edu Bala, 5 gols, seguido de Leivinha, com 3. Em nossas seis participações, acumulamos 3 taças, 1 vice, um terceiro e um quarto lugar. Mesmo com a derrapada dos anos 80, o Palmeiras pode ser orgulhar de ser o clube brasileiro – mais ainda, o clube estrangeiro – com o melhor retrospecto na história deste torneio espanhol.

Edu Bala: 5 gols na Andaluzia

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De ânimo revigorado após a vitória no Derby, o Palmeiras enfrenta um time muito diferente daquele que venceu na estreia do Brasileiro. O Botafogo, que naquele dia apresentou em elenco fraco, contratou, reagiu e hoje está imediatamente à nossa frente – e também vem de vitória de virada contra um rival, no Clássico-Vovô. Para usar o clichê que você já cansou de ler, “é jogo de seis pontos”.

Horário e local: quarta, às 21:50, no Stadium Rio (dá-lhe naming rights!), com Globo.

Árbitro: será Francisco Carlos Nascimento (AL), que pela primeira vez trilará um apito em jogos nossos. Nas últimas 10 partidas que comandou (incluindo séries A e B) distribuiu cinco vermelhos.

Situação na tabela: um em quinto, outro em sexto, separados por 2 pontos. Ambos estariam na pré-Libertadores caso um brasileiro vença a Sul-Americana. Como não há essa certeza, só o Botafogo por enquanto teria vaga.

Nesse momento, em 2010: o Palmeiras tinha 24 pontos (oito a menos que hoje) e começaria o returno empatando contra o Vitória por 1 a 1, mantendo-se na chocha 12ª posição.

Pendurados: a lista quase não diminui, porque cada vez que um sai entra outro, e também porque alguns são reservas. No momento, são seis: Henrique, Chico, Kléber, Maurício Ramos, João Vítor, Patrik. Próximo jogo: Cruzeiro (c)

Desfalques: Luan, suspenso, Valdivia, na seleção chilena, e Maikon Leite, lesionado.

Palpite IPE: Marcos; Cicinho, Henrique, Thiago Heleno, Gabriel Silva; Marcio Araújo, Marcos Assunção, Chico, Patrik; Kléber, Fernandão.

Destaques/Botafogo: Antonio Carlos, lesionado, fica de fora. A seleção brasileira deixou Jefferson atuar nessa rodada e a uruguaia não convocou Loco Abreu. Assim, Caio Junior deve escalar o time da Estrela Solitária com Jéfferson, Lucas, Gustavo, Fábio Ferreira e Cortês; Marcelo Mattos, Renato, Maicosuel e Elkeson; Herrera e Loco Abreu

Último confronto: na abertura do Brasileiro, uma vitória magra em São José do Rio Preto (Kléber)

Última vitória no local do jogo: em três jogos, ainda não vencemos no Engenhão. Como visitantes, vencemos pela última vez no Maracanã: 3 a 1 pelo BR-2006 (Enílton 2, Paulo Baier; Marcelinho)

Última derrota no local do jogo: na traumática despedida do BR-2009, um Palmeiras que podia até ser campeão ficou sem mesmo uma vaguinha na Libertadores ao perder por 2 a 1 (Robert; Wellington, Jobson). Alguns ecos ressoam até hoje.

Histórico: proporcionalmente, a vantagem do Palmeiras neste duelo que começou em 1922 (Palestra 1 x 0 no Parque Antarctica) é maior especificamente no Brasileiro que no geral.

GERAL CAMPEONATO BRASILEIRO
J V E D GP GC J V E D GP GC
104 38 35 30 156 132 45 18 16 11 61 41

O IPE se lembra: em Caio Martins, na abertura do quadrangular final da Série B, o Palmeiras saiu na frente com Vágner Love, mas o Glorioso logo empatou com Dill. O alvinegro carioca até jogaria melhor na segunda etapa, mas Marcos estava inspirado e o Verdão voltou com um ponto que deu grande segurança. Daí pra frente, foram cinco vitórias e o fim do tormento.

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Chico, Luan e Fernandão: o primeiro marcou os rivais, os outros marcaram os gols.

Foi o terceiro Derby da curta história deste blog, e enfim a vitória saiu. Realmente, considerando-se a freguesia histórica por parte dos arquirrivais, até que esperamos muito. Mas acabou.

A 338ª edição do clássico teve praticamente tudo o que se pode esperar do maior confronto do Estado: desde a condenável briga antes da partida – torcedor armado é torcedor? – até o que se passou dentro de campo, incluindo discussões, faltas um pouco mais duras, grande disposição de ambos os lados (no começo, o Corinthians até me pareceu mais aplicado, ganhando a maior parte das divididas. No segundo tempo, ou os palmeirenses levaram bronca no vestiário, ou os rivais cansaram. Em ambos os casos, méritos para a comissão técnica). E, claro, gols. Mais claro ainda, gols em quantidade maior para o nosso lado. Afinal, estamos falando de um Derby típico, ou seja, de um que nós ganhamos.

O Palmeiras até deu pinta que poderia sair na frente; os primeiros minutos foram bons. Mas já vi esse filme: se o time começa bem e não faz logo, toma pipoco. E, ao deixar espaços abertos na defesa, especialmente pelas laterais, deu ao Corinthians a chance de sair na frente, graças a uma jogada de sorte do único rival mais lúcido, Emerson, que contou com uma ajudinha da dupla Marcos e Henrique. Ambos, porém, teriam partidas impecáveis dali para a frente, e o alvinegro não mais assustou.

O pulo do gato verde foi a ousadia (ou vá lá, a obviedade) de sacar o novamente inoperante Patrik para a entrada deste mito, deste gênio, deste fenômeno com a cara do Finazzi mas de futebol muito acima dos meros mortais. Qual uma Medusa, Fernandão transformou a zaga corintiana em estátuas, e foi assim que em míseros cinco minutos ele escorou um escanteio deixando a bola limpa para Luan igualar.

E também foi assim que, pouco após o intervalo, veio a virada: numa bela bola de Assunção, Chicão olhou para Fernandão, converteu-se em pedra, ficou estático e permitiu ao camisa 9 (o 1 na esquerda era apenas uma evidente referência ao tento) matar no peito e fuzilar com a elegância de um James Bond de chuteiras. Dali para frente, os aturdidos corintianos mal puderam se lançar ao ataque, temerosos que o centroavante decidisse novamente castigá-los. Mas, do alto de sua infinita sabedoria, o atleta decidiu que os demais poderiam também brilhar. E deu o aval para que Luan fosse ainda superior, correndo por todos os lados do campo e levando o pânico aos marcadores do adversário, que, por sua vez, tentou com Morais e William, mas rendeu-se à superioridade do Palmeiras, agora sem ironia alguma. De fato, merecemos a vitória.

Os destaques foram quase todos: a dupla de zaga se acertou, e especialmente Thiago Heleno fez excelente partida; Kléber não brilhou mas mostrou que não é da Fiel (mas podia ter comemorado mais, hein?); Chico fez seu papel com eficiência; Assunção jogou por ele e pelo sumido Valdivia, e até por isso saiu, provavelmente exausto; sobre Fernandão nos faltam mais palavras elogiosas – e é bom gastá-las todas agora porque não sabemos se o que vimos ontem algum dia se repetirá; por fim, Luan, o ex-camisa 21 agora promovido a 11, foi sem dúvidas o melhor em campo. Do lado negativo, Gabriel Silva, Valdivia e Patrik. Menção elogiosa ainda, claro, a Felipão e Murtosa, que enfim se lembraram de como é vencer um Derby. A última lembrança deles, claro, era maravilhosa (Marcelinho correu, bateu… defendeu Marcos!!!), mas era hora de voltar ao presente. A torcida agradece.

A estatística interessante de ontem foi trazida por Márcio Trevisan no excelente blog Senhor Palmeiras: Fernandão foi o terceiro jogador de nossa história a estrear num Derby e ainda por cima marcar; apenas Romeu e Moraes o precederam.

E dessa forma encerramos o primeiro turno; são cinco pontos de desvantagem para o líder, e dois para a zona de classificação à Libertadores (se bem que, caso um brasileiro vença a Sul-Americana, abre-se uma vaga que hoje seria nossa). Aliás, dos cinco times
à nossa frente, quatro ainda jogam esta competição, e terão que se dividir. Esperamos que a eliminação da semana passada acabe sendo proveitosa. Por ora, é curtir a vitória hoje, e entrar firme no segundo turno quarta-feira, contra um adversário direto.

Obrigado, Luan. Obrigado, Fernandão. Obrigado, Palmeiras.

FICHA TÉCNICA

PALMEIRAS 2 X 1 CORINTHIANS

Local: Estádio Eduardo José Farah, em Presidente Prudente (SP)
Data: 28 de agosto de 2011, domingo
Horário: 16 horas (de Brasília)
Árbitro: Luiz Flávio de Oliveira (SP)
Assistentes: Marcelo Carvalho Gasse e Vicente Romano Neto (ambos de SP)
Cartões amarelos: Gabriel Silva, Valdívia, Chico, Luan (Palmeiras); Leandro Castán, Jorge Henrique, Paulinho (Corinthians)
Gols: PALMEIRAS: Luan, aos 34 minutos do primeiro tempo, e Fernandão, aos sete minutos do segundo tempo
CORINTHIANS: Emerson, aos 18 minutos do primeiro tempo

Público: 36.299 pagantes
Renda: R$ 962.666,00

PALMEIRAS: Marcos; Márcio Araújo, Thiago Heleno, Henrique e Gabriel Silva; Chico, Marcos Assunção (João Vítor), Valdívia e Patrik (Fernandão); Kleber e Luan
Técnico: Flávio Murtosa

CORINTHIANS: Julio Cesar; Wallace (Edenílson), Chicão, Leandro Castán e Ramon; Ralf, Paulinho e Danilo (Willian); Emerson, Jorge Henrique (Morais) e Liedson
Técnico: Tite

 

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No primeiro jogo de seu 98º ano de vida, o Palmeiras recebe em sua casa de interior o maior rival. O que poderia ser melhor para começar essa nova etapa com o pé direito?

Horário e local: Domingo, 28/8, às 16:00, no Estádio Eduardo José Farah, em Presidente Prudente (PPV).

Árbitro: o responsável pela condução do maior clássico paulista será Luiz Flávio Oliveira (o popular “mano”); quem perdeu o sorteio foi Wilson Seneme. Luiz Flávio já apitou dois Derbys; seu histórico recente é:

2011 – 3×0 Santos (c)

2010 – 1×1 Santos (f, BR); 1×4 São Caetano (c)

2009 – 4×1 Santos (c, P); 1×0 Santo André (n, P)

Desfalques: Cicinho, suspenso.

Pendurados: Henrique, Maurício Ramos, João Vítor, Kléber, Luan, Patrik. Próximo jogo: Botafogo (f).

Palpite IPE: Marcos; Márcio Araújo, Henrique, Thiago Heleno, Gabriel Silva; Chico, Marcos Assunção, Valdivia; Luan, Kléber, Maikon Leite

Destaques/Corinthians: o rival vem caindo de produção; nas últimas 7 partidas, ganhou apenas dos mineiros da zona de rebaixamento, e perdeu para os dois catarinenses. Para buscar a evitabilidade da desempregabilidade, Tite deve ir de Júlio César; Alessandro, Chicão, Leandro Castán, Ramón; Ralf, Paulinho, Danilo (ou Alex); William, Jorge Henrique, Liédson.

Último confronto: polêmico como soi ser, a semi do Paulista terminou com vitória alvinegra nas penalidades.

Última vitória no local do jogo: com direito a música no Fantástico (não acredito que escrevi isso), Obina 3 x 0 Corinthians.

Última derrota no local do jogo: não existe, veja item abaixo.

Curiosidade: em Prudente, são 5 jogos, com 3 vitórias e 2 empates.

Histórico: desde os 3×0 de 6/5/1917, são 337 capítulos da maior saga do futebol paulista. E da maior freguesia também.

GERAL CAMPEONATO BRASILEIRO
J V E D GP GC J V E D GP GC
337 120 101 116 493 451 44 16 17 11 41 37

O IPE se lembra: o primeiro Derby em Prudente ocorreu em 1996. Naquele ano, o Palmeiras atravessou o Paulistão trucidando time por time, e o Corinthians do recém-contratado Edmundo não foi exceção: 3 a 1, com direito a gol com menos de um minuto e cartões vermelhos para Djalminha e o Animal concedidos pelo árbitro alemão Markus Merk.

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Romeu: artilheiro e tricampeão

Você se lembra da sua festa de 20 anos? Ou, caso ainda não tenha chegado lá, já pensou em como gostaria que fosse? Foi (será) especial, não é?

Pois é: para o clube italiano que gradualmente começava a dominar o futebol paulista, também foi um momento especial. Afinal, não é sempre que se comemora o aniversário com um presente especial: o tricampeonato paulista. E foi exatamente isso que aconteceu em 26 de agosto de 1934.

Acredite se quiser, foi exatamente no dia de sua vigésima velinha que o Palestra Itália sacramentou a conquista de seu terceiro Estadual seguido, feito que o clube nunca mais conseguiu repetir (e que só o Paulistano, tetracampeão entre 1916 e 1919, supera). Graças à excelente campanha, o time teve a possibilidade de ser campeão com uma rodada de antecedência, e não desperdiçou a chance de unir o útil ao agradável, fazendo uma festa dupla.

O Campeonato Paulista de 1934 já começou com o Palestra considerado favorito; afinal, o time mantinha a mesma base que triunfara nos dois anos anteriores (e que há poucos meses batera o Corinthians por inapeláveis 8 a 0). Isso era essencial para um torneio enxuto, com apenas 8 participantes que jogavam turno e returno, num total de 14 jogos; não havia tempo para se recuperar de um início fraco. E o Palestra rapidamente pôs suas cartas na mesa.

Logo na estreia, 7 a 1 no Ypiranga. “Até aí”, vangloriaram-se os rivais do São Paulo da Floresta, “nada demais”: eles fizeram 9 a 1 no Sírio (que seria o lanterna). Mas na segunda rodada o time do Parque Antarctica já abriria vantagem, ao fazer 6 a 0 no mesmo Sírio, enquanto São Paulo da Floresta e Corinthians empatariam por 1 a 1. A ponta da tabela já era verde.

A seguir, dois clássicos fora de casa e duas vitórias: 3 a 0 na Vila Belmiro e 2 a 1 no Parque São Jorge. O Palmeiras mantinha a ponta e os 100%, mas com o São Paulo da Floresta (já deu pra entender que não é o mesmo clube que hoje tem sede no Morumbi, certo?) a apenas um ponto. E o tricolor nos alcançaria na quinta rodada, quando empatamos com a Portuguesa por 1 a 1. Será que veríamos um campeonato disputado cabeça a cabeça?

A resposta ficou patente nas rodadas seguintes: depois de vencer o fraco Paulista da capital por 3 a 2, veio o encerramento do turno no confronto com o co-líder, que caiu por 2 a 0 no Parque Antarctica. Com metade do campeonato, o Palestra estava na frente. De quebra, tinha o artilheiro, Romeu, que ao final do torneio teria 13 e pela segunda vez (a outra fora em 1932) terminaria como goleador máximo da competição.

O returno não trouxe grandes esperanças aos adversários: nos cinco primeiros jogos, cinco vitórias com apenas um gol sofrido (no Derby, que acabou 3 a 1). Por isso, o Palestra chegou à penúltima rodada com 23 pontos, contra 20 do São Paulo-F. Uma vitória contra o CA Paulista bastaria para que o título viesse antes do clássico da rodada final.

Foi o que aconteceu: no Estádio Antonio Alonso, que ficava na Rua da Mooca, o Palestra até terminou o primeiro tempo com o placar em branco. Após o intervalo, porém, os gols foram saindo: em 20 minutos Gabardo, Gutierrez e Lara fizeram o serviço. O Paulista ainda descontaria, mas o domingo que marcava 20 anos do Palestra Italia já estava tingido de verde e vermelho. Pouco importa que na semana seguinte a invencibilidade tenha caído contra o São Paulo-F; àquela altura, o destino do troféu já estava selado: o time da Água Branca chegara a seu sexto título paulista.

Resumo da campanha: 14 jogos, com 12 vitórias, 1 empate e 1 derrota; 45 gols a favor e apenas 8 contra. Artilheiros: Romeu (13), Imparato III (7), Álvaro e Lara (5 cada), Carnieri (4), Sandro, Gabardo e Gutierrez (3 cada), Dula (1). Um gol foi contra.

Ficha técnica do jogo decisivo:

26/08/1934 – C.A.PAULISTA-SP 1 x 3 PALESTRA ITÁLIA-SP – CAMPEONATO PAULISTA
Estádio Antônio Alonso (Rua da Moóca) – São Paulo / SP – Brasil
Árbitro: Victor Carratu
C.A.Paulista (São Paulo/SP): Rossetti, Pinheiro, Pedro (Palermo), Antunes, Del Popolo, Attílio, Guilherme, Zuta, Heitor, Del Vecchio, Jaime
Palestra Itália (São Paulo/SP): Aymoré Moreira, Carnera, Junqueira, Zezé Moreira, Dula, Tuffy, Álvaro, Gabardo, Romeu Pellicciari (Gutiérrez), Lara, Vicente – Técnico: Humberto Cabelli
Gols: Gabardo (Palestra Itália), 5 min, Gutiérrez (Palestra Italia), 13 min, Lara (Palestra Itália), 19 min, Zuta (C.A.Paulista), 32 min segundo tempo

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Eu tenho medo do Jumar...

Eliminado. Não adiantou apelar para a camisa sagrada sem os jogadores sagrados dentro a ‘tradição’ Palmeirense na Copa Sulamericana será mantida a risca mais uma vez. Nada de título. O Verdão chegou a estar classificado – mas durou pouco; um petardo de Jumar, SIM, J-U-M-A-R!!! acabou com as esperanças de conquistar o torneio continental e como acabou cedo… o tal critério do gol fora vitimou o Palmeiras. Com mais esse tento contra no currículo, só nos resta acreditar que é uma espécie de maldição ou algo do tipo, ex-jogador do Palmeiras sempre confere contra o clube.

O time começou o jogo indo para cima e logo aos 12′ Luan, em rebote de chute de Valdívia, inaugurou o placar. O primeiro tempo correu bem e o segundo gol não saiu por detalhes sempre detalhes. Felipão cumpriu a promessa e ficou na arquibancada enquanto Murtosa encarava a bucha…

O segundo tempo não começou diferente e logo aos 8′ – a noite estava mesmo estranha – Kléber ampliou, 2×0 e a classificação estava ali, é só segurar! não mais que de repente, Jumar, despretencioso como quem apenas não quer ficar com a bola, manda um pombo sem asa direto no ângulo esquerdo de Marcos, que nem pula, acabava de ficar muito difícil, o Palmeiras precisava fazer 4 x 1 para se classificar, Valdívia acertou na trave direita, tensão… O juiz assinalou 3 minutos de acréscimo e no minuto 47, falta na entrada da área e gol de Marcos Assunção, mas não dava mais tempo… Fim de jogo, fim de campeonato, fim de ano. O jeito agora é se concentrar na próxima peleja diante do rival e recuperar os pontos perdidos no BR2011.

FICHA TÉCNICA

Estádio: Pacaembu, São Paulo (SP)
Data/hora: 25/8/2011 – 20h15 (de Brasília)
Árbitro: Heber Roberto Lopes (Fifa-PR)
Auxiliares: Roberto Braatz (Fifa-PR) e Carlos Berkenbrock (Fifa-SC)

Renda/público: R$ 291.048,00 e 9.493 pagantes
Cartões amarelos: Gabriel Silva, Maikon Leite (PAL); Allan, Renato Silva (VAS)
Cartões vermelhos:-
GOLS: Luan, 12’/1ºT (1-0); Kleber, 8’/2ºT (2-0); Jumar, 12’/2ºT (2-1); Marcos Assunção, 47’/2ºT (3-1)

PALMEIRAS: Marcos; Cicinho, Henrique, Thiago Heleno e Gabriel Silva; Márcio Araújo, Marcos Assunção e Valdivia; Luan, Kleber e Maikon Leite (Vinícius, 25’/2ºT). Técnico: Luiz Felipe Scolari.

VASCO: Fernando Prass, Allan, Dedé, Renato Silva e Márcio Careca; Rômulo, Jumar, Bernardo e Diego Souza; Leandro (Fagner, 15’/2ºT) e Elton. Técnico: Ricardo Gomes.

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Claro que estamos aqui!

Por Claudio RK

Amanhã é dia de festa para os palmeirenses. Se hoje conseguirmos reverter a situação na Sul-Americana, comemoraremos em dobro. Se não der, OK: nem a disputaríamos se naquela quarta-feira, 26 de agosto de 1914, 46 pessoas não se reunissem no Salão Alhambra, na Rua Marechal Deodoro (hoje General Olímpio da Silveira) para formalizar o nascimento da Società Palestra Italia.

Claro que não vamos desfiar a história do Palmeiras inteira hoje; contamos partes dela periodicamente aqui no blog – amanhã mesmo, por exemplo, você verá qual aniversário coincidiu com uma grande festa. Preferi uma homenagem mais lúdica; para isso, decidi usar um recurso clássico de quem não sabe exatamente o que preparar: um ranking. No caso, o dos 97 melhores jogadores que vi com a camisa verde.

Vai ter muito nome aqui que você olhará e dirá: “esse cara está louco”. Bom, muitos de vocês, como eu, começaram a acompanhar o Palmeiras na draga dos anos 80; e sabem como é. Ficamos desesperados para colocar Julinhos, Jaires e Ademires, mas não: aqui só tem gente de 1987 em diante. Ou seja, há nomes nem sempre ilustres.

Também evitei adotar critério de simpatia. Se jogou bem, entrou, por mais que a torcida (eu inclusive) não suporte ver o sujeito; o exemplo óbvio está na 66ª posição. Da mesma forma, evitei ao máximo valorizar jogadores que são/foram mais queridos do que propriamente bons jogadores. Tonhão, por exemplo, não entrou. Por fim, procurei colocar jogadores de todas as posições: um volante pode ser melhor que um atacante se em sua especialidade ele for mais competente.

O ranking completo foi feito por mim, mas os colegas do blog Álvaro e Pedro Ivo também têm seu Top 10; compare-os e, se for o caso, internem-me…

Sem mais delongas, assuste-se e divirta-se com os 97 INQUESTIONAVELMENTE melhores atletas que desfilaram pela Sociedade Esportiva nos terríveis anos 80, maravilhosos anos 90 e turbulentos anos 00.

(obs: o ano citado é apenas uma referência para o leitor diferenciar xarás ou identificá-los prontamente)

97 Caio (M, 2007)   88 Martinez (V, 2008)
96 Daniel (Z, 2003)   87 Jackson (M, 1999)
95 Muñoz (A, 2001)   86 Paulo Isidoro (M, 1995)
94 Maurício Ramos (Z, 2009)   85 Denílson (A, 2008)
93 Juninho (M, 2000)   84 Tuta (A, 2001)
92 Alex Alves (A, 1995)   83 Danilo (Z, 2009)
91 Pena (A, 2000)   82 Fernando (V, 2000)
90 Magrão (V, 2004)   81 Washington (A, 2005)
89 Asprilla (A, 2000)      
         
80 Elivélton (A, 1996)   70 Paulo Baier (M, 2006)
79 Cicinho (LD, 2011)   69 Viola (A, 1997)
78 Daniel Frasson (M, 1993)   68 Claudio (LD, 1994)
77 Lúcio (LE, 2003)   67 Osmar (A, 2004)
76 Leandro (LE, 2008)   66 Neto (M, 1989)
75 Marcinho (M, 2005)   65 Edmílson (A, 2003)
74 Maurílio (A, 1993)   64 Keirrison (A, 2009)
73 Jean Carlo (M, 1993)   63 Nen (Z, 2005)
72 Obina (A, 2009)   62 Thiago Heleno (Z, 2011)
71 Pierre (M, 2008)   61 Amaral (V, 1993)
         
60 Agnaldo (Z, 1998)   50 Alex Mineiro (A, 2008)
59 Lino (V, 1987)   49 Henrique (Z, 2008)
58 Sérgio (G, 1993)   48 Marcos Assunção (V, 2011)
57 Juninho (M, 2005)   47 Diego Cavalieri (G, 2007)
56 Dida (LE, 1992)   46 Taddei (V, 2000)
55 Galeano (V, 1999)   45 Kléber (A, 2011)
54 Márcio Araújo (V, 2011)   44 Toninho (Z, 1991)
53 Léo Lima (V, 2008)   43 Gaúcho (A, 1988)
52 Cleiton Xavier (M, 2009)   42 Lopes (M, 2001)
51 Gamarra (Z, 2005)   41 Jorginho (A, 1991)
         
40 Júnior (V, 1989)   30 Zetti (G, 1987)
39 Correa (V, 2005)   29 Rincón (V, 1994)
38 Careca (A, 1989)   28 Vágner Bacharel (Z, 1986)
37 Pedrinho (M, 2001)   27 Júnior Baiano (Z, 1999)
36 Luizão (A, 1996)   26 Valdivia (M, 2008)
35 Betinho (M, 1992)   25 Paulo Nunes (A, 1999)
34 Müller (A, 1996)   24 Edu Manga (M, 1987)
33 Diego Souza (M, 2009)   23 Flávio Conceição (V, 1996)
32 Rogério (V, 1999)   22 Oséas (A, 1999)
31 Euller (A, 1999)   21 Edílson (A, 1993)
         
20 Djalminha (M, 1996)   15 Jorginho (M, 1986)
19 Cafu (LD, 1996)   14 Cléber (Z, 1994)
18 Mirandinha (A, 1986)   13 Vágner Love (A, 2003)
17 Roberto Carlos (LE, 1993)   12 Roque Júnior (Z, 1999)
16 Velloso (G, 1994)   11 Arce (LD, 1999)

E enfim, ss 10 primeiros são:

10. Mazinho: no Palmeiras, começou como lateral-direito e foi ótimo. Depois, como volante, foi ótimo. E quando precisou jogar no meio, foi ótimo – e foi assim que roubou a vaga de Raí na Copa de 1994 e, aos seus títulos no Verdão, somou uma Copa do Mundo.

9. Zinho: divide com Mazinho os mesmos títulos, e ainda conquistou a Copa do Brasil e a Libertadores. Meia que como poucos sabia organizar o time, de quebra abriu o placar na partida que marcou toda uma geração

8. Antonio Carlos: mais um da turma que tirou o Palmeiras da fila. Zagueiro clássico, mas que sabia brigar quando era preciso. O melhor defensor do clube desde a saída de Luís Pereira.

7. Júnior: sempre o considerei um excepcional jogador. Foi importantíssimo nas Libertadores de 1999 e 2000, e também fazia seus gols. Jogou uma partida na Copa de 2002 e foi eleito o melhor em campo.

6. César Sampaio: outro da turma de 1993/1994/1999. Além de ser um excelente marcador, sabia sair pro jogo e ainda detinha uma liderança natural que muito contribuiu para uma equipe em que nem sempre as estrelas falavam a mesma língua.

5. Edmundo: genial e intempestivo, o Animal foi brilhante em sua primeira passagem pelo clube, contribuindo decisivamente para a sequência de títulos de 1993 e 1994. Ganhou um Rio-São Paulo quase sozinho.

4. Alex: meia brilhante; capaz de construir jogadas, dar aquele passe crucial e ainda tinha um bom faro de gol para alguém de sua posição. Não à toa passou três vezes pelo clube – quando saía, a saudade era muita…

3. Marcos: que nos perdoem excepcionais arqueiros como Oberdan, Valdir de Moraes e Leão, mas o camisa 12 é definitivamente o maior goleiro da história do Palmeiras. O busto é questão de tempo.

2. Evair: El Matador era artilheiro, exímio cobrador de pênaltis e ainda por cima aprendeu a ser arco, além de flecha. Fosse só por seu talento, talvez ficasse um pouco mais abaixo no ranking; é, porém, o jogador mais querido por inúmeros palmeirenses, entre eles eu mesmo. Logo, coerência não se aplica pra ele, que tem que ficar no topo.

1. Rivaldo: ele não conquistou tantos títulos quando os demais, pois sua passagem foi mais curta. E foi curta porque seu imenso talento chamou a atenção dos espanhóis. Se ao estrear foi alvo de desconfiança por ter passado pelo arquirrival (e hoje é alvo de certo rancor por jogar em outro), é inegável que um protagonista de título da Copa do Mundo que também eleito Bola de Ouro da Fifa é evidentemente um jogador raro. Os europeus, na verdade, só podem lamentar: não viram os primeiros anos de brilho de Rivaldo, o maior jogador a vestir a camisa do Palmeiras desde a aposentadoria de Ademir da Guia.

Rivaldo chegando em 1994: o maior desde a Academia

 
A sua opinião, claro, deve ser diferente. Veja abaixo que nem entre o triunvirato que vos oferece este humilde blog chegamos a um consenso:
 
  Claudio RK   Álvaro   Pedro Ivo
           
1 Rivaldo   Marcos   Evair
2 Evair   Rivaldo   Rivaldo
3 Marcos   Edmundo   Edmundo
4 Alex   Alex   Marcos
5 Edmundo   Evair   César Sampaio
6 César Sampaio   Arce   Alex
7 Júnior   Oséas   Mazinho
8 Antonio Carlos   Paulo Nunes   Zinho
9 Zinho   César Sampaio   Júnior
10 Mazinho   Flávio Conceição   Antonio Carlos
 
E você? Qual o melhor jogador que você viu com a camisa do Palmeiras, ao menos dentre estes que vimos a partir dos anos 80? Deixe sua opinião registrada aí embaixo!
 

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