
Entrou pra história da cidade
“O time que morreu líder e nasceu campeão”. A cada 20 de setembro devemos nos lembrar desta frase, e deste título vital para a consolidação imediata da nova identidade do clube. Já pensou se naquele domingo de 1942 o Alviverde falhasse contra o São Paulo, e o rival erguesse a taça no fim de semana seguinte? A jovem Sociedade Esportiva Palmeiras já começaria com fama de pé-frio, e as consequências disso poderiam ser muito grandes para uma instituição que vivia um momento muito delicado, devido à forte política contra italianos (e alemães, e espanhóis…) vigente no período.
Afinal, foi o primeiro Estadual disputado sem o nome de Palestra Itália; nas primeiras dezoito rodadas o clube atuou como Palestra de São Paulo, e em 14 de setembro foi registrado o nome atual. Assim, foi na tarde do dia 20 que o clube adentrou o Pacaembu carregando a bandeira nacional, para divulgar seu novo nome e mostrar que o Palmeiras - desde sempre - sabe ser brasileiro, ostentando a sua fibra.

A foto mais famosa da história do clube
Há inúmeros ótimos textos sobre o dia em que o São Paulo fugiu de campo, revoltado pela marcação de um pênalti quando o placar já nos apontava 3 a 1. Aqui, porém, vamos falar da campanha inteira, algo a que nem sempre se dá o devido valor – uma grande injustiça, pois chegamos àquela decisão graças ao que fizemos nas 18 partidas anteriores.
Desde o começo daquele torneio, ficou claro que o título ficaria nas mãos do Trio de Ferro, pois eram poucos os tropeços destes times: o Corinthians empatou contra o Santos na 3ª rodada, mas venceu quatro das primeiras cinco partidas; da mesma forma, o Palestra empatou com a Lusa no segundo jogo, mas venceu os demais sete jogos iniciais. O São Paulo, por sua vez, venceu todos os seis primeiros jogos, e só foi empatar ao enfrentar o time do Parque São Jorge (notem que os clássicos foram deixados para o fim da tabela: o Majestoso na sétima rodada do turno e returno, o Choque-Rei na nona e o Derby na décima – que era a última)
Os primeiros clássicos terminaram assim: Corinthians 3 x 3 SPFC, Palestra 2 x 1 SPFC, Palestra 1 x 1 Corinthians. Com isso, ao final do primeiro turno o Palestra tinha 18 pontos, apenas um a mais que seus rivais. Uma disputa que poderia ser bastante equilibrada até o fim.
Poderia, porque o Palestra não queria suspense e ganhou todas as oito primeiras partidas do returno. Com isso, o Corinthians, que surpreendentemente caiu contra o Ypiranga ficou para trás, e a derrota para o São Paulo os alijou da disputa em definitivo. Já aqueles que tentariam tomar nosso estádio só tiveram um tropeço no returno: logo na estreia empataram com o SP Railway, o atual pobre Nacional que empacou na quarta divisão paulista. Desta forma, a duas rodadas do fim estavam a dois pontos de distância do Palestra. E a penúltima rodada foi aquela que entrou para a história do Palmeiras e do futebol paulista, brasileiro e mundial.
Quando as equipes se perfilaram no gramado – o Palmeiras ovacionado por ter trazido consigo a flâmula brasileira – a situação era a seguinte: uma vitória nos daria o título, um empate exigiria que não perdêssemos o Derby na semana seguinte. E uma derrota significaria ter que vencer o Derby e ainda secar o Tricolor, que pegaria o fraco Hespanha, futuro Jabaquara, que em 19 jogos não havia vencido absolutamente nenhum (eram 2 empates, 17 derrotas e incríveis 87 gols sofridos até aquela rodada).
A peleia começou e a superioridade verde no confronto ficou evidenciada em uma penalidade máxima aos 19 minutos. A cobrança ficou a cargo de meu xará Cláudio Cristovam Pinho, que assim se tornou o autor do primeiro gol da história do Palmeiras. Cláudio, como se sabe, também ficaria famoso por defender os quatro grandes paulistas e ser até hoje o maior artilheiro de nosso arquirrival.
Entretanto, apenas três minutos depois do tento palmeirense, o adversário chegou ao empate com Waldemar de Brito (que teria uma rápida passagem pelo Verdão e seria conhecido como “o descobridor de Pelé”). A igualdade persistiria até perto do fim do primeiro tempo, quando José Del Nero, pai de Marco Polo, atual presidente da FPF, nos recolocou à frente antes que Jaime Janeiro Rodrigues desse os primeiros 45 minutos por encerrados.
O alívio por entrar na segunda etapa à frente fez bem ao time: aos 15, nosso maior estrangeiro, Echevarrieta, fez o terceiro. E quatro minutos depois Virgílio seria expulso por derrubar Og Moreira dentro da área. A penalidade, entretanto, jamais seria cobrada: o São Paulo se recusou a seguir jogando, abandonou a partida e não nos concedeu o direito de comemorar o título com um apito final digno. Como até alguns são-paulinos reconhecem, foi a maior humilhação da história de seu clube, e a semente de uma inimizade até hoje mal resolvida.
Na semana seguinte, o Palmeiras perderia o Derby e deixaria escapar o título invicto – o que seria a cereja no bolo mas, convenhamos, não diminui a dimensão da conquista. E, para completar, o São Paulo conseguiria a façanha de perder por 1 a 0 para aquele Hespanha de tantas derrotas.
No fim, foram 20 jogos, com 17 vitórias, 2 empates e 1 derrota, 65 gols a favor e 19 contra. Os artilheiros foram Lima (15), Cabeção (13), Cláudio (8), Echevarrieta e Og Moreira (6 cada), Waldemar Fiume (5), Villadoniga (4), Pipi e Romeu Pellicciari (2 cada), Américo e Del Nero (1 cada). Houve ainda dois gols contra.
Campanha
Comercial-SP 0 x 6 Palestra de São Paulo
Portuguesa 1 x 1 Palestra de São Paulo
Palestra de São Paulo 4 x 2 Ypiranga
Palestra de São Paulo 3 x 0 Juventus
Palestra de São Paulo 3 x 2Santos
Palestra de São Paulo 3 x 2 São Paulo Railway
Palestra de São Paulo 2 x 1 Portuguesa Santista
Palestra de São Paulo 6 x 0 Hespanha
São Paulo 1 x 2 Palestra de São Paulo
Corinthians 1 x 1 Palestra de São Paulo
Palestra de São Paulo 3 x 0 Hespanha
Palestra de São Paulo 3 x 2 São Paulo Railway
Juventus 0 x 4 Palestra de São Paulo
Ypiranga 1 x 4 Palestra de São Paulo
Santos 2 x 5 Palestra de São Paulo
Palestra de São Paulo 6 x 0 Comercial
Palestra de São Paulo 4 x 0 Portuguesa
Portuguesa Santista 0 x 1 Palestra de São Paulo
São Paulo 1 x 3 Palmeiras (jogo da decisão)
Corinthians 3 x 1 Palmeiras
Ficha técnica da decisão
| 20/09/1942 – PALMEIRAS-SP 3 x 1 SÃO PAULO-SP – CAMPEONATO PAULISTA Estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho – Pacaembu – São Paulo / SP – Brasil – Público: 55.913 pagantes – Renda: 231:239$000 Árbitro: Jaime Janeiro Rodrigues Palmeiras (São Paulo/SP): Oberdan, Junqueira, Begliomini, Zezé Procópio, Og Moreira, Del Nero, Cláudio, Waldemar Fiúme, Villadoniga, Lima, Echevarrieta – Técnico: Armando Del Debbio São Paulo (São Paulo/SP): Doutor, Piolin, Virgílio, Lola, Noronha, Silva, Luizinho, Waldemar de Brito, Leônidas, Remo, Pardal – Técnico: Vicente Feola Expulsão: Virgílio (São Paulo) Gols: Cláudio (Palmeiras), 19 min, Valdemar de Brito (São Paulo), 23 min, Del Nero (Palmeiras), 43 min primeiro tempo, Echevarrieta (Palmeiras), 15 min segundo tempo |

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LOkooooo bambi viado!
Só acho que seria necessário uma correção. Nos 2 últimos jogos da Campanha o nome já era Palmeiras, está escrito no artigo como ainda Palestra de São Paulo.
Tens toda razão, Renato. Corrigimos.
[...] a história e a evolução do futebol pentacampeão do mundo? Como acabar com o campeonato que viu um time morrer líder e outro nascer campeão? Que teve um título histórico vencido na lama? E que proporcionou a uma torcida apaixonada matar [...]
[...] de nosso clube vai muito além da troca de nome. Você sabia que o clube quase nem participou do Paulista de 1942, ponto central em nossa [...]