
A Academia de 1972: Eurico, Leão, Luís Pereira, Alfredo Mostarda, Dudu, Zeca; Edu, Leivinha, César Maluco, Ademir da Guia e Nei.
Um time que ajudou a manter uma família unida no momento mais difícil da vida de um garoto. A história que trazemos hoje nos foi enviada pela maior enciclopédia viva de São Bernardo do Campo, o engenheiro Luiz Penchiari; mais que uma partida, o relato trata de todo um período agitado, em que o Palmeiras estava lá para dar alegria a quem precisava.
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Para um palmeirense da minha idade (52 anos) são muitos os jogos inesquecíveis. Tem o primeiro, que no meu caso foi aquele famoso 2×0 no arquirrival em novembro de 1967: Tupãzinho fez dois gols de falta, de longa distância, no então invulnerável goleiro gambá Barbosinha, que depois desse jogo sumiu, e tem até um inesquecível que nós perdemos, foi aquele famoso 4×3 para os gambás no paulista de 71 0u 72, não me recordo. Tem também os torneios Ramon de Carranza na Espanha, que o Verdão ia lá, levava a Taça e ainda goleava os times espanhóis (tem time que nunca ganhou nem um torneio de verão fora do Brasil e diz que é campeão mundial).
Mas no meu caso há uma sequência de jogos que me são inesquecíveis por razões pessoais. É que meu pai adoeceu seriamente durante o ano de 1972 e foi chegando o final do ano e foram se exaurindo as chances dele sobreviver. Foi então que o irmão do meu pai, meu tio Vladimir Penchiari (que nós chamávamos de Tio Tutú) e o Pedro Gerbelli, que era primo do meu pai, os dois maiores palestrinos que eu conheci na vida, me levaram para o que eles diziam ser, a reta final da campanha de 72, onde diziam, eu veria o time ser campeão brasileiro pela primeira vez (nesta época não se consideravam os títulos do Robertão, o campeonato dito brasileiro tinha começado um ano antes em 1971).
Faziam isso para amenizar um pouco a nossa dor e assim foi que em 16 de novembro de 1972 fomos ao Pacaembu assistir uma rodada dupla, isso mesmo, coisa impensável hoje em dia.
Jogo preliminar São Paulo x América MG (os bambis venceram por 2×1) e jogo principal Palmeiras x América RJ, vencemos 2×0. Acredite quem quiser, naquele dia os alto falantes anunciaram público pagante de 32.000 pessoas, tudo misturado, sem divisão por torcidas, bambis e palestrinos , sem que tivesse ocorrido nenhum incidente, eu tinha 13 anos de idade e meu irmão Airton 10. Foi a primeira vez que ví jogar a dupla Dudu e Ademir, nem vou me estender em comentários, só de lembrar eu me vejo de novo ali, há quase 40 anos atrás. Ademir tinha uma calma que as vezes até irritava, o jogador menos experiente se acalmava nas situações difíceis só de olhar para o cara. Jogava divinamente, merece a alcunha.
Minha alegria durou pouco, 6 dias depois, no dia 22 de novembro (39 anos atrás) meu pai faleceu. Ele era daqueles que se dizia parmerista (aliás, frequentei por muito tempo o blog do Conrado Cacace devido a este fato, me ajudava a lembrá-lo). A bem da verdade, na minha família todo mundo dizia que era parmerista, isto se deve a que na Itália a terminação “ista” se aplica ao times de futebol, por exemplo, quem torce para o Milan é milanista, que torce para a Inter, é Interista, etc.
No domingo seguinte ao falecimento, dia 25 de novembro, houve um jogo histórico Corintihans x Santos, Pelé, Edu e cia. humilharam a gambazada 4×0; o quarto gol, por cobertura no goleiro Ado foi o mais bonito da carreira do Edu, quem puder assista (nota: está aqui, veja a partir de 3’40″). Pra mim, esse jogo foi muito duro de assistir, assisti o VT sozinho de noite, eu sempre asssitia o jogo aos domingos junto com o velho (nem velho ele era, tinha só 41 anos). Certamente ele teria morrido de rir da gambazada.
Mas a vida segue e eis que assim que nos recuperamos do golpe, meus tios me ligam, rapaz, amanhã vamos ver a semifinal no Pacaembu Palmeiras x Inter de Porto Alegre, o empate é nosso. Era o dia 20 de dezembro e fomos a um Pacaembu com 60 mil pessoas, tudo palestrino, enfrentar o Inter, que não tinha Falcão, mas tinha Figueroa, zagueiro chileno que comandava o time. Lá pelo final do primeiro tempo, num chute despretensioso do centroavante Braulio, gol dos caras, um frango do Leão que era o nosso goleiro. Ademir e cia mantiveram a calma e no segundo tempo num rebote do goleiro, o ponta esquerda Nei empatou. Daí pra frente o Inter sumiu e fomos pra final, pois o empate era nosso por ter a melhor campanha, disparado.
Veio então o “Gran Finale”. Às vésperas do natal, no dia 23 de dezembro de 1972, Morumbi lotado pra final Palmeiras x Botafogo RJ ( o Botafogo havia vencido a semifinal em cima do Corinthians 2×1 no maracanã). Por pouco a final não foi contra os gambás. Jogamos com o regulamento em baixo do braço e ao final de um morno 0×0, ficamos com a Taça, por ter a melhor campanha.
Dediquei o título pro meu pai.
Toda vez que eu vou no Cemitério da Vila Euclides lá em São Bernardo, onde estão no mesmo túmulo meu pai e meus tios, eu agradeço meu pai por ter me ensinado a ser parmerista e meus tios que me levaram por esta épica jornada lá no longínquo 1972.
Ainda não tenho netos, mas já tenho o que contar pra eles.
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CONTEXTO
O Campeonato Brasileiro de 1972 foi disputado por 26 times em quatro fases. Na primeira fase, o Palmeiras terminou em primeiro em seu grupo, do qual quatro avançavam. Na segunda fase, apenas o vencedor passava, e novamente o Verdão liderou. Aí veio a semifinal contra o Inter e a decisão contra o Botafogo, citadas por Luiz. Com a vantagem do empate em ambas as partidas, o Palmeiras conseguiu o que foi então seu primeiro Brasileiro – hoje, o quinto.
FICHA TÉCNICA
Nos pareceu que a partida mais marcante de todas foi a primeira que Penchiari citou. Eis sua ficha:
16/11/1972 – PALMEIRAS-SP 2 x 0 AMÉRICA-RJ – CAMPEONATO BRASILEIRO
Estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho – Pacaembu – São Paulo / SP – Brasil
Público: 30.789 pagantes – Renda: Cr$ 237.351,00
Árbitro: José Gilberto Ferreira Lima (CE)
Palmeiras: Leão, Eurico, Luís Pereira, Alfredo (Polaco), Zeca, Dudu, Ademir da Guia, Ronaldo, Leivinha, Madurga, Pio – Técnico: Oswaldo Brandão
América: Alberto, Cabrita, Alex, Aldeci, Alvanir, Badeco, Edu, Antônio Carlos, Tarciso, Taquito (Sérgio Lima), Gilmar (Mauro) – Técnico: Wílson Santos
Gols: Pio, 2 min, Zeca, 20 min segundo tempo
NO DIA SEGUINTE
A Folha não falou do jogo em si, mas de como estavam as chances de classificação das equipes após aquela rodada.
UM POUCO DO TIME CAMPEÃO

Bom dia pessoal, tudo bem??
Gostaria de uma informação de vocês a respeito do time B. Tenho visto a escalação dos jogos e percebi que jogadores como Luis Gustavo, Didi, Bruno Dybal, Diego Souza e Miguel Bianconi não participam. Onde estão esses jogadores? Bruninho e Patrick Vieira, imagino que ainda seguem contudidos… é isso mesmo?
Francis, Luís Gustavo, Dybal e Diego são ainda muito jovens para ir para o time B – e espero que nem passem por isso. Basta lembrar que nem chegaram ao sub-20 ainda. Bruninho e PV estão lesionados mesmo e Miguel tinha sido emprestado ao Comercial (mas não consta na lista do site deles). Didi eu não sei.
amigos do blog do IPE, vida longa a vcs e muito obrigado por essa emoção que me proporcionaram.
Parabéns pelo texto Pench, um dos mais emocionantes que eu já li
Nada como ter o Luiz Penchiari como primo,ainda mais que eu sou o unico palmeirense de uma familia de sãopaulinos.
Pai, é incrível como dia após dia continuo me surpreendendo com você. Me deixou com lágrimas no rosto, mas muito feliz e orgulhoso. Parabéns pelo texto, que é simplesmente muito emocionante. Eu nunca esquecerei a primeira camisa, ao primeiro jogo no Palestra Itália de tantos que já fomos… e pode ter certeza que o primeiro jogo da Arena estaremos lá, e será por minha conta! Abraço e até mais tarde!!!!!
Parabéns Pai!! de coração!!
Pench, o Mito.
Emocionante o texto!!
Nunca soube dessa história e tenho orgulho de pertencer a uma familia 100% palmeiras!
Grande, Penchiari.Como disse o Belentani, é o Mito
Os garotos que disputaram a copinha estão ainda em férias.
Abraços!
Dinho Maniasi
Luiz,
sensacional seu relato.
parabéns! emocionei-me ao lê-lo…. não tinha como ser diferente.
verdaços.
[...] sequência à série dos jogos inesquecíveis de nossos leitores (foi em fevereiro que tivemos um dos relatos mais tocantes de todos). Ao amigo que quer mandar sua história, o espaço está [...]