Derrotas são imperdoáveis. Em Derby, então, tornam-se motivo de demissão por justa causa. E, em meio a alguns acertos, houve uma série de equívocos hoje que, se há algo de positivo a dizer, é melhor que tenham vindo à tona logo. Se outro Derby houver, será mais decisivo que esse, e o filme não poderá se repetir. Afinal, o placar teve algo de fortuito (a virada tão próxima ao empate) mas muito de justo: o predomínio alvinegro na segunda etapa foi constrangedor. Não me recordo de ver o Palmeiras dominado desta forma num clássico desde, salvo engano, a derrota para o São Paulo no primeiro turno do BR-2010.
Comecemos pelo que não tem a ver diretamente com o time: o juiz contemporizou com os alvinegros? Sinceramente, não vi motivos para expulsar Chicão e/ou Liedson – mas tais atitudes também não teriam sido exageradas. De toda forma, não adianta reclamar nesse sentido: é assim que as coisas são e sempre serão quando um dos times em campo é aquele cujos torcedores dizem “sofrer” (certamente não com o apito). Deve-se superar o Corinthians contra os 11 de branco e, frequentemente, contra toda a arbitragem, e já fizemos isso incontáveis vezes. Não vamos perder tempo nessa discussão (ou melhor, só mais um pitaco de pouca relevância: os descontos do segundo tempo deveriam ter sido maiores, até por causa dos simpáticos gandulas recrutados).
O Palmeiras fez um bom primeiro tempo e o placar lhe fez justiça. O time começou ligeiramente acuado mas logo se soltou, e depois do gol teve ampla vantagem nas ações. Porém os sinais da desgraça já estavam no ar: a defesa esteve insegura por toda a partida, e isso ficava claro nas péssimas saídas de jogo, especialmente do lado esquerdo. Numa das raras vezes que acertaram esta saída, a bola chegou a Assunção, e caixa. Porém, de modo geral, Leandro Amaro e principalmente Henrique pareciam assustados – e, é duro dizer, mas parece que a tal seca nos clássicos no Pacaembu parece estar pesando sim sobre o elenco.
Veio o segundo tempo, e com ele os dois prematuros gols. Daí pra frente, o nervosismo tomou conta da trupe, e as infelizes alterações de Felipão em nada ajudaram. Concedemos que é difícil olhar para o banco, tentar encontrar Fedato mas só ver Ricardo Bueno; porém, se é assim, melhor deixar o improdutivo Maikon Leite mesmo. E Emerson Sheik deve ter se deliciado ao ver que a cada 15 minutos o técnico mudava seu marcador – assim, ninguém teve tempo de entender como fazê-lo, e o 11 rival foi o melhor em campo.
No fim, a primeira derrota de virada com o time titular na década, que encerrou 22 partidas de invencibilidade, mostrou algumas coisas importantes: uma, que faltam opções de ataque para o banco (na realidade, com a entrada de Wesley dando velocidade ao meio-de-campo, consideramos viável experimentar Valdivia na frente com Daniel Carvalho no meio, deixando Maikon Leite e Luan no banco e Ricardo Bueno num chalé no campo). A outra, que os nervos do time ainda sobem à flor da pele em momentos importantes, especialmente nos Derbys.
Esse é o grande perigo: o Palmeiras de há muito sucumbe à sua própria tensão. Foi assim no Derby da semi do ano passado e principalmente contra o Goiás no pesadelo da Sul-Americana. Que Márcio Araújo, um símbolo da regularidade verde ainda que com seus bisonhos pênaltis ocasionais, tenha sido o ator principal dos dois 1×2 de virada no Pacaembu é um retrato perfeito de que o grupo ainda não está preparado para voos mais ambiciosos. Cabe a Felipão trabalhar a rapaziada; o time não é doente do pé, mas precisa não ser ruim de cabeça.
Por fim, duas observações:
- o Palmeiras caiu para terceiro; isso é ruim, pois no momento nos tiraria o mando da semifinal. A relevância disso? É que (palpite) o São Paulo fecha a fase em primeiro, e nos encaminharíamos para novo Derby semifinal. Com mando alvinegro, certamente o jogo será no Pacaembu. Com mando verde, é batata que a diretoria tentará tirar o emocional de campo levando a batalha a Prudente. Não me agrada fugir do Paulo Machado de Carvalho, mas aparentemente isso por enquanto é necessário.
- Wesley deve tomar o lugar de João Vítor. Mas também não seria inviável colocar o camisa 16 onde hoje está Márcio Araújo e este ceder seu lugar ao novo reforço. Afinal, como dissemos no começo, derrotas em Derby devem invariavelmente resultar em cabeças cortadas. Hoje, o camisa 8 abusou.
Avaliações
Deola/Chico Anysio: ator coadjuvante na trapalhada do segundo gol. De resto, bem, mas o que importa o resto? 2,5
Cicinho/Tim Tones: apoiou pouco. No primeiro tempo, ainda marcou, mas depois caiu demais. 4
Leandro Amaro/Tavares: entortado repetidamente por Sheik. Ainda assim, melhor que seu companheiro. 4
Henrique/Azambuja: o “amigo internauta” perguntou se Valdivia era a decepção. Não, este papel coube ao agora oficialmente nosso zagueiro. 3
Juninho/Nazareno: apático, não auxiliou no ataque, mas não comprometeu tanto atrás – ao contrário, salvou o gol que definiria a derrota antes. 4,5
Márcio Araújo/Meinha: não entregou por mal, mas ainda assim entregou. 2 porque no primeiro tempo ainda marcou direito.
Marcos Assunção/Professor Raimundo: como de hábito, seria o responsável pelo triunfo. Mas também não ajudou muito na segunda etapa… 5,5
João Vitor/Justo Veríssimo: correu o quanto pôde, mas caiu ao longo do jogo. 5
Valdivia/”Divino” (as aspas no caso são necessárias): enquanto o time esteve à frente, abriu espaços e criou jogadas. Quando ficamos atrás, tentou resolver sozinho, geralmente despencando. 3,5
Maikon Leite/Sudênio: o melhor elogio é que seu reserva foi pior. 4
Barcos/Pantaleão: naufragou em meio aos zagueiros adversários. 4
Ricardo Bueno/Coalhada: melhor não dizer nada, não dá pra buscar piadinha depois de perder pro arquirrival. 3
Carmona/Bozó: entrou em meio à pasmaceira, e só apareceu um pouco porque o adversário recuou no fim. 4
Artur/Zé Tamborim: entrou de gaiato porque Felipão tinha que fazer uma terceira alteração. 4
Felipão: mexer por mexer, melhor deixar como estava. Em vez das três substituições que fez, podia ter tentado apenas Carmona no lugar de JV (ou de Márcio Araújo, que além de tudo estava amarelado, mas aí também era queimar demais o cara).
FICHA TÉCNICA
CORINTHIANS 2 X 1 PALMEIRAS
Local: Pacaembu, São Paulo (SP)
Data/Hora: 25/3/2012 – 16h (de Brasília)
Árbitro: Marcelo Rogério (SP)
Assistentes: Marcelo Carvalho Van Gasse (SP) e Tatiane Sacilotti dos Santos Camargo (SP)
Renda/Público: R$ 902.189,00 / 29.284 pagantes
Cartões Amarelos: Liedson, Chicão, Emerson e Gilsinho (COR), Márcio Araújo, Henrique, Marcos Assunção e Ricardo Bueno (PAL)
Cartões Vermelhos: -
GOLS: Marcos Assunção, 17′/1ºT (0-1); Paulinho, 3′/2ºT (1-1) e Márcio Araújo, 6′/2ºT (2-1) (contra)
CORINTHIANS: Julio Cesar; Edenilson, Chicão, Leandro Castán e Fábio Santos; Ralf, Paulinho e Emerson; Danilo (Douglas, aos 43′/2ºT), Jorge Henrique (Gilsinho, aos 39′/2ºT) e Liedson (Elton, aos 43′/2ºT). Técnico: Tite
PALMEIRAS: Deola; Cicinho (Pedro Carmona, aos 24′/2ºT), Leandro Amaro, Henrique e Juninho; Márcio Araújo, Marcos Assunção, João Vitor (Artur, aos 36′/2ºT) e Valdivia; Maikon Leite (Ricardo Bueno, aos 9′/2ºT) e Barcos. Técnico: Luiz Felipe Scolari


concordo plenamente com os comentário, e as notas, mas os responsaveis pelo tropeço de ontem, Deola (homem super bonder), colou no gol, marcio araujo, esse não disse pq veio (acho que tem contrato assinado com o corinthians), maikon leite (azedou), zaga sem comentário (feia não horrivel), dá tempo para corrigir, wesley no lugar de marcio araujo.
[...] foi: Palmeiras, Mondo Palmeiras, Verdazzo, Pró-Palmeiras, PTD, IPE, 3vv, [...]
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