Hoje faz uma semana que Betinho marcou nosso gol mais importante desde que Euller acertou sua cobrança de pênalti em 16 de junho de 1999. Esse tento solitário garantiu ao camisa 33 sua presença na posteridade verde, e é bom que ele já o tenha feito, porque em poucos dias suas oportunidades na equipe deverão escassear devido aos retornos de Barcos e Obina.
Provavelmente Betinho terá suas últimas grandes chances essa semana, amanhã novamente no palco do alto de sua glória (trocadilho inevitável com o nome do estádio) e domingo contra o Náutico. Se não marcar nesses dois jogos, será dificilmente fazê-lo depois – bem que ele podia ter batido o pênalti domingo passado. E, se efetivamente passar em branco no resto de sua passagem pelo Verdão, terá saído com um gol essencial (só me recordo de dois outros casos de jogadores cujos gols isolados tenha sido numa decisão – um foi Zito, no caso pela Seleção Brasileira, que fez o da virada contra a Tchecoslováquia em 1962; o outro você saberá logo. Costuma-se citar Adriano Gabiru, mas ele fez outros gols pelo Inter além do decisivo contra o Barcelona).
Importância do gol à parte, Betinho pode se juntar a uma série de outros atletas que deixaram um legado de um solitário gol com a camisa mais importante que já vestiram. Quem são eles?
Alguns jogaram mais, outros menos, mas todos os nomes abaixo têm em comum o fato de terem ido às redes uma e uma única vez pelo Palmeiras. A lista não é exaustiva – se você se lembrar de mais alguém, avise! Enquanto isso, confira:
Século XXI: preparem-se para o desfile de craques: Román e Vinícius (que assim como Betinho ainda podem sair dessa lista), Pedro Carmona, Max Pardalzinho, Rivaldo, Pablo Armero, Figueroa (em sua estreia como titular), Maurício Nascimento (num Derby), Elder Granja, Gladstone, o inesquecível Jorge Preá, Jumar (também um gol decisivo), Maicosuel (estreante), Alemão (que logo depois se contundiria e jamais voltaria a atuar), Edmílson Canhão do Pantanal (evidentemente NÃO foi de falta), Neto Baiano, Paulo Sérgio, Cláudio, Márcio Careca (que já havia feito um contra no mesmo jogo), Max, Reinaldo (4×3 Juventus, 2007), Renaldo (1×0 Taubaté, amistoso), Marcelo Costa (1×0 Santo André, 2007), Cristian Mendigo (2×3 Ponte, 2006) e, para encerrar, não poderíamos esquecer de Ricardo Boiadeiro, que conseguiu anotar num amistoso contra o Mogi-Mirim em 2002.
Anos 90: existem dois que a maioria dos palmeirenses que viveram a época se lembrarão facilmente: Amaral e Marco Osio. Mas há outros casos, como Reinaldo (num amistoso na China em 1996), Paulo Assunção (na maior goleada de nossa história, 15×0 sobre um combinado italiano em 1999), Dedimar (2×0 Mogi, 1997), Aguirregaray (2×4 Flu, 1991) e o inesquecível bigodudo Soares (6×1 Rio Branco, 1993).
Anos 80: aqui entram alguns jogadores famosos, como Darío Pereyra (1×1 Flamengo, 1989) e o volante Rocha (3×0 São Bento, 1982; fez 199 partidas pelo Verdão); tem também o zagueiro Deda (1×1 Lusa, 1981)
Anos 60 e 70: décadas de títulos importantes mas poucos jogadores com somente um golzinho, como Vacaria (5×1 América-RJ, 1978), Xisté (3×0 Marília, 1971), Minuca (3×1 Comercial, 1966, em 194 jogos) e Nelson Coruja (1×2 Portuguesa Santista, 1969)
Anos 10 a 50: alguns exemplos de matadores de uma bala só dos primeiros cinquenta anos de clube foram o meia Mexicano (2×0 Jabaquara, 1950) e os lendários zagueiros Caieira (2×0 SP Railway, 1944) e Carnera (5×0 Ponte Preta, 1939; com 293 partidas pelo Verdão, é o jogador de um gol só que mais defendeu o clube)
O outro gol em dia de taça: se nossa 11ª conquista nacional veio com o gol salvador de Betinho, a que a precedeu também teve um centroavante que só marcou na hora mais necessária. Na vitória por 2 a 1 sobre o Sport que deu ao Palmeiras o título da primeira edição da Copa dos Campeões, em 2000, o atacante Alberto fez o segundo gol da equipe (Asprilla abrira o placar) e ajudou a equipe a garantir vaga na Libertadores do ano seguinte. Aquela foi a sexta de suas dezenove partidas pelo clube, e a única na qual ele marcou. Foi o suficiente.


Acho que o Soares é o maior artilheiro por minutos jogados. Só lembro dele ter entrado aos 40 do segundo tempo e feito um gol. Acabei de ver que ele só jogou 3 partidas pelo verdão (3 vitórias). Quantos minutos será que ele jogou no total?
Paulo, a impresssão que a gente tem é que ele só jogou esses cinco minutos mesmo, mas não foi assim: como você viu, ele atuou em 3 partidas, sendo as outras contra a Ferroviária. Em uma, ele entrou no lugar de Maurílio no intervalo; na outra, jogou quase a partida toda, porque Edmundo se machucou logo no início. No total, deve ter dado uns 140 minutos.
Se não me engano o gol marcado pelo quarto-zagueiro Deda no jogo contra a Portuguesa em 1981 foi o único tento de toda a sua carreira.
Deda, na minha opinião um dos piores jogadores a atuar com a camisa do Palmeiras em todos os tempos, infelizmente faleceu há cerca de dois anos. Ele passou a sofrer de problemas renais após parar com o futebol, e após anos de tratamento e complicações não resistiu. Uma curiosidade sobre Deda é que este atleta foi revelado pelas categorias de base do Palmeiras e quando juvenil era considerado um excelente zagueiro, também atuando como zagueiro-central e lateral. Mas as expectativas a seu respeito não se confirmaram quando ele se profissionalizou.
[...] se Betinho jamais marcaria outro gol (no fim, fez mais um) e por isso relembramos aqueles que só partiram pro abraço uma única vez enquanto vestiram nosso manto. E, em mês de Olimpíadas, listamos quem foi aos Jogos disputar [...]
[…] em alguns outros jogos também, como se verá nos próximos capítulos e falamos em texto sobre jogadores com apenas um tento pelo clube. Mesmo esquecendo destes detalhes, muitos se lembram de sua cara, como uma discussão que envolveu […]