Nesta minissérie que revisa a trajetória verde na Segundona de 2003, já vimos como a campanha começou (parte 1) e continuou (parte 2). Hoje chegamos ao final feliz desta história.
Mantemos nosso pedido: quem possuir vídeos ou links desses jogos, por favor nos envie.
27. Palmeiras 2 x 3 Sport
A única derrota em casa, a terceira no campeonato (todas de virada). Mais importante de tudo: foi a última, e num momento em que o time podia se dar ao luxo de perder. Foi até bom: tirou o potencial salto alto do time, que vinha de cinco vitórias consecutivas. O lado ruim era que o time preferia que o rubro-negro não fosse o outro classificado da chave, por ser o time mais complicado de se enfrentar.
Como de hábito naquele campeonato, houve um gol rápido: Love, antes dos 10. Mas o primeiro tempo já terminaria pernambucano, com gols de Gaúcho e Weldon. Edmílson ainda empatou no segundo tempo, mas Cléber, de pênalti, fez o último gol da partida – talvez não fosse assim se Vagner Love não desperdiçasse seu único pênalti no campeonato logo depois.
No outro jogo do grupo, o Brasiliense venceu o Santa Cruz em casa, e chegou aos mesmos seis pontos do Sport. O Verdão seguia com nove e a Cobra Coral com três.
28. Brasiliense 1 x 2 Palmeiras
Bastava um empate para garantir a vaga, mas o time fez mais: após sofrer gol relâmpago de falta de Iranildo com desvio (o jogador marcou nas três vezes que enfrentamos o Jacaré), o time se equilibrou e conseguiu o empate com Adãozinho, ainda no começo do jogo.
Na segunda etapa, bela jogada de toda a equipe terminou no gol da virada, de Diego Souza. A segunda partida de terça-feira no campeonato, contra o mesmo adversário da outra, terminou com o mesmo resultado: festa verde.
No clássico pernambucano, Santa Cruz e Sport ficaram no 1 a 1, resultado que tirou o tricolor da disputa.
29. Palmeiras 2 x 0 Santa Cruz
Praticamente uma partida amistosa, com o Verdão já classificado em primeiro e o Santa já eliminado. Com ambas as equipes usando alguns reservas, valeu a motivação verde, e com dois gols no início do segundo tempo (Baiano e Pedrinho), o Palmeiras deu uma alegria à sua torcida, que pela última vez antes da festa que realmente valia pode assistir um jogo relaxadamente.
No jogo que decidia a segunda vaga do grupo, o Sport jogou em casa pelo empate contra o Brasiliense, e foi exatamente o que aconteceu: 1 a 1.
E, no outro grupo, Marília (em primeiro) e Botafogo (em segundo) deixaram Náutico e Remo – os dois clubes que nos derrotaram na primeira fase – pelo caminho. A zebra do interior paulista fez com que o Botafogo fosse nosso adversário logo na estreia da etapa final.
O QUADRANGULAR FINAL
30. Botafogo 1 x 1 Palmeiras
Desde o sábado passado, com a confirmação desta partida na abertura da última fase, a expectativa era enorme. Os dois favoritos se enfrentariam, e um deles provavelmente sairia de campo com a corda no pescoço já de saída.
E não foi o Palmeiras. A sorte ajudou antes – o veteraníssimo Valdo, melhor jogador botafoguense, ficou de fora por lesão – mas o time também teve competência no começo do jogo para equilibrar as ações mesmo em Caio Martins, até Vagner Love abrir o placar aos 27. A partir daí, o Glorioso percebeu que teria que reagir, e o fez logo depois, com Dill.
No segundo tempo, o Fogão foi bem melhor, mas parou na boa atuação da defesa, em especial, claro, Marcos. Max também fez seus milagres, e assim o empate persistiu até o fim. Bom resultado, claro.
No outro jogo do quadrangular, Sport e Marília não saíram do zero em Recife, o que deixava alviverdes e alvinegros na frente pelo número de gols marcados.
31. Palmeiras 1 x 0 Sport
Pela quarta vez, o Sport – o único time que nos havia vencido em casa. Foi a terceira e última partida no meio de semana (a única numa quarta), e foi sofrida e alegre, pois tão perto do fim cada vitória parecia um gigantesco salto rumo à luz.
No primeiro tempo, a atuação foi como o manual: pressão sobre o time de fora, mas o gol não saiu. Em compensação, no segundo tempo o Sport teve inúmeras chances, esbarrando no monstro da camisa 12. A diferença é que logo aos 3 minutos Daniel havia feito aquele que seria o único gol do jogo, em cabeçada após cobrança de falta.
O Leão tentou e tentou, mas aquele time verde já era cascudo o suficiente para não se perder em campo, e soube levar de vencida e mostrar que de fato seria campeão. Na véspera, o Marília havia empatado com o Botafogo em Presidente Prudente (havia sido punido), e com isso o Verdão, com 4 pontos, era líder isolado, seguido de Botafogo (2 pontos e um gol feito), MAC (2 pontos sem marcar gols) e Sport (1 ponto)
32. Marília 0 x 2 Palmeiras
Antes de mais nada, seremos meio repetitivos: foi outra atuação espetacular de Marcos. Mas desta vez destacamos isso de cara pois, na opinião deste que vos escreve, ela superou quase todas as mais de 500 partidas do ídolo – talvez só fique atrás daquela primeira partida contra o Corinthians nas oitavas da Libertadores de 1999.
O Marília apertou o quanto pôde, mas o placar ficou inalterado até o meio do segundo tempo, quando Lúcio escapou feito raio e abriu o placar. Longe de desanimar, o gol só acendeu o time azul, mas Marcos, tão perto de sua Oriente natal, estava numa noite mágica. Sua (nossa) recompensa veio aos 36, quando Muñoz fez o segundo e, mais que nunca, o Palmeiras estava perto, muito perto de retomar seu lugar de direito.
Afinal, no outro jogo o Botafogo batera o Sport em Caio Martins por 3 a 1. O Verdão tinha 7 pontos, o Bota 5, o Marília 2 e o Sport 1. Se, na semana seguinte, os dois gigantes vencessem, o Palmeiras comemoraria o acesso com duas rodadas de antecedência.
À tarde, o Sport devolvera os 3 a 1 do Botafogo. Por isso, já não seria matematicamente possível subir naquela noite, mas a vitória deixou o time numa situação muito confortável. A ansiedade agora era boa, de saber que eram os últimos momentos naquele pesadelo (até 2012 chegar, claro).
Os quase 29.000 presentes nem precisaram sofrer: mal haviam se passado dois minutos e Baiano, com uma grande ajuda do goleiro, havia aberto o placar. O MAC tentava, mas o domínio verde se converteu numa vantagem intransponível aos 35, quando Lúcio acertou um canudo e ampliou.
Daí pra frente, foi como a final do Brasileiro de 1993 contra o Vitória: faltava muito jogo ainda, mas ninguém lembra de nada. Tava todo mundo cantando “é campeão” (ressalvadas as óbvias diferenças…), o time não se incomodou em marcar mais gols e tudo era festa.
Com apenas mais dois jogos, tínhamos 10 pontos, contra 5 do Botafogo, 4 do Sport e 2 do Marília. Para subir, bastava um ponto. Ou o MAC conseguir um nas duas últimas partidas que lhe restavam. Faltava muito pouco, enfim.
Foram 370 dias de piadas, troças, pilhérias, chistes… mas às 23:34 daquele sábado, 22 de novembro de 2003, finalmente o mundo voltava ao normal. O Palmeiras estava de volta à primeira divisão, e, como convém a alguém de seu tamanho, ainda garantiu o título com uma rodada de antecedência.
A partida foi cercada de uma expectativa extra pelas declarações inusitadas de Marcos. Punido, o Sport decidiu jogar no Gigante do Agreste, em Garanhuns, “sob a luz dos vagalumes”, como disse o Santo. Claro que a torcida local não gostou, e vaiou em peso o pentacampeão mundial, dono disparado do mais grandioso currículo em campo.
Precisando apenas de um pontinho, o Palmeiras começou nervoso, e deu ao Leão o comando do jogo. Os pernambucanos, que precisavam vencer para sobreviver, não se fizeram de rogados e foram pra cima, sem muito sucesso. O máximo que conseguiram foi simular um pênalti – claro que o ator foi Ricardinho, o artífice das confusões do Sport x Palmeiras anterior. Revoltados, dirigentes rubro-negros disseram ao intervalo que não garantiam a segurança do árbitro Heber Roberto Lopes.
Ironia do destino, o Verdão voltou melhor do intervalo, mas foi então que a casa ameaçou cair: primeiro, aos 13, Gaúcho marcou em cobrança de falta (sofrida por Ricardinho). Em seguida, Adãozinho era expulso. Pra completar, o Botafogo estava vencendo o Marília, resultando na única combinação que não nos servia.
Picerni, claro, botou o time à frente, e a aposta valeu. Aos 21, Elson cobrou escanteio e Magrão empatou. O Sport lançou-se desesperadamente, e não demorou para que o veloz contragolpe palmeirense liquidasse a fatura e o campeonato: aos 31, Edmilson recebeu de Diego Souza e chutou cruzado para o gol da redenção.
35. Palmeiras 4 x 1 Botafogo
A despedida do buraco foi em clima absolutamente festivo (para a torcida. Os times se provocaram toda a semana). Ambas as equipes já haviam se garantido (o Bota fizera 3 a 1 no MAC), e o título já era alviverde. Mas ainda havia um objetivo para o grupo: fazer de Vágner Love o artilheiro do campeonato.
O Verdão jamais havia feito um artilheiro (à época, os campeonatos até 1970 não eram reconhecidos como Brasileirões) e, ao menos na B, tinha a chance de conseguir. Love tinha 17 gols, um a menos que o remista Valdomiro – vale lembrar que Love serviu à Seleção Pan-Americana, perdendo alguns jogos, inclusive contra o próprio Remo.
A missão foi cumprida logo aos 9 minutos, com um chute forte de Love da entrada da área. Mas o Botafogo resolveu não ser coadjuvante e empatou pouco depois, com Almir. O jogo perdeu qualquer cara de amistoso que pudesse ter, e ainda no primeiro tempo Baiano e Camacho foram pro chuveiro.
O segundo tempo prosseguiu quente mas sem gols, até que Picerni colocasse Pedrinho em campo aos 30. Aí virou passeio: Magrão marcou aos 32, o próprio Pedrinho aos 33 e, para coroar seu brilhante campeonato, Vágner Love fez o último gol do campeonato, o gol que lhe deu a artilharia isolada.
Assim acabava a história que pretendíamos nunca repetir. Mas, se assim quis o destino (= Tirone), que pelo menos a parte II tenha um final tão feliz quanto a primeira.











