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Archive for the ‘Curiosidades’ Category

Em 2005, uma virada empolgante

Em 2005, uma virada empolgante

O jogo entre Flamengo e Vitória nem tinha acabado quando inúmeras mensagens com o mesmo teor começaram a pipocar no Twitter. Em resumo, diziam mais ou menos o seguinte:

O bom senso de fato diz que confiar em que o Palmeiras faça sua parte é uma temeridade, ainda que o presidente reeleito haja garantido que não cairemos. Agora, esta sensação de falhar quando temos tudo em nossas mãos se justifica?

O que aconteceu das últimas vezes em que só dependia de nós?

Pesquisamos todas as vezes que isso ocorreu desde 2000, quando ao bom e caro da Parmalat se sucederam inúmeros ruins e baratos. Excluímos mata-matas, porque afinal ali sempre só depende de nós e também porque os jogos são sempre contra adversários diretos. Mesmo assim, sobram estes casos apresentados do mais recente para o mais antigo, identificados em verde (se conseguimos o resultado necessário), azul (se não conseguimos, porém os adversários também falharam) ou vermelho (você sabe).

Vamos à lista. Sigam-me os bons!

Botafogo 2×1 Palmeiras – Brasileiro 2009

Já começamos por um caso emblemático, cujo trauma até hoje parece não ter passado. Após uma vitória contra o Galo estancar quatro jogos sem triunfos, o Verdão chegou à última rodada com poucas chances de título, mas dependendo só de si para chegar à Libertadores.

Em terceiro lugar, o time chegaria à fase de grupos se vencesse o Botafogo, que abria o Z4. Mesmo o empate garantiria no mínimo a pré-Libertadores, pois tínhamos três pontos de vantagem para o Cruzeiro. Se perdêssemos, bom, os mineiros jogariam fora de casa contra o Santos. Ou, numa zebra, o São Paulo quem sabe podia perder para o Sport em casa.

No fim… bom, o São Paulo não teve o mínimo trabalho – ganhou por 4 a 0 sem suar e levou uma das vagas. O Palmeiras livrou o Glorioso da degola ao perder por 2 a 1 (e esse “um” foi nos acréscimos, um típico gol de desonra). E a Raposa, também por 2 a 1, levou os três pontos e a vaga remanescente. O tento decisivo foi de Kléber Gladiador, que havia atuado no Palmeiras no ano anterior (e o primeiro foi de um futuro breve atleta nosso, Wellington Paulista).

Que isso sirva de lição: contar com o Santos é péssimo negócio.

Colo-Colo 0x1 Palmeiras – Libertadores 2009

Chegar vivo àquela partida já era incrível: o Palmeiras perdera as duas primeiras no grupo. Ressuscitou em Recife, para tropeçar no mesmo Sport no Palestra. Aí venceu a vigente campeã LDU para viajar a Santiago em busca da vitória, único resultado que lhe serviria – empatado conosco em pontos, o Colo-Colo tinha saldo melhor.

O Palmeiras veio com uma surpresa: Souza fazia somente sua segunda partida como titular – na primeira o Palmeiras atuara com reservas. O time atuava direito, mas o gol não vinha. No segundo tempo, ainda perdeu Marcão, expulso. Até que um daqueles chutes que os Jumares acertam contra nós finalmente veio a favor. Cleiton Xavier acertou o lugar onde a coruja que simboliza a Universidad de Chile, maior rival do Cacique, dorme, e nos deu uma vitória que já parecia impossível. Uma noite de rara felicidade nestes tempos.

Não negue, você está emocionado.

Não negue, você está emocionado.

Palmeiras 0x1 Botafogo – Brasileiro 2008

Você leu isso pouco acima: Palmeiras em terceiro na última rodada, bastando vencer o Botafogo para se manter à frente do Cruzeiro e ir à fase de grupos da Libertadores.

Pois é. Um ano antes tinha sido igual – mas em casa. Desta vez o Fogão estava no meio da tabela, jogando somente pela mala branca de seu arquirrival Flamengo, que precisava de um tropeço nosso por estar em quinto, um ponto atrás e com desvantagem no desempate. O Cruzeiro, também um ponto atrás mas em quarto, tinha missão fácil: a rebaixada Lusa no Mineirão.

Naquela tarde, a única alegria veio de Curitiba, onde o Atlético-PR (que estava na mesma situação que temos hoje: 16º com um ponto a mais que o 17º) venceu os cariocas por exóticos 5 a 3 e nos garantiu um lugar em busca da América. O técnico rubro-negro era Caio Júnior, que assim jogava fora a vaga pelo segundo ano seguido (a outra? chegaremos lá).

A nossa parte não fizemos: um gol de Wellington Paulista nos derrubou. O Cruzeiro fez fáceis quatro a um na Portuguesa e com isto nos enviou a Potosí. Com olhos de hoje, poderia ter sido pior.

Palmeiras 1×3 Atlético-MG – Brasileiro 2007

É, temos que repetir: o Palmeiras brigava com o Cruzeiro por uma vaga na Libertadores, etc. e tal. Desta vez, também o Grêmio estava na briga.

Em quarto lugar, o Palmeiras até poderia chegar à fase de grupos, mas seria necessária uma combinação pouco provável. O mais importante era mesmo garantir a vaga na pré contra um Galo que também buscava uma classificação – para a Sula. Mas, poxa, brigávamos contra o Cruzeiro, eles iam entregar, não?

Era obrigatório vencer: apesar de o Palmeiras, em quarto, ter um ponto a mais que a Raposa, em sexto, e o Imortal, em sétimo, os mineiros receberiam o fragílimo América-RN, de DEZESSETE pontos em 37 rodadas (um deles contra nós). Vale dizer que o Flu era o quinto colocado mas já estava classificado por ter vencido a Copa do Brasil.

Caio Júnior não contava com Valdivia, suspenso – oh! – e punha suas fichas em Edmundo. Mas o time, que tinha aprontado poucas semanas antes ao perder no Palestra para o então quase rebaixado Juventude, fez das suas de novo: saiu atrás, empatou logo depois, mas sucumbiu no segundo tempo. Os 3 a 1 para o Atlético de Emerson Leão nos derrubaram três posições de uma vez.

O Cruzeiro, claro, venceu o América por 2 a 0 e levou a vaga. O Flu bateu o vice Santos. E o Grêmio tropeçou em Porto Alegre, mas o empate bastou para ficarem à nossa frente na classificação. Não que lamentássemos este resultado em particular: afinal, foi a partida que rebaixou o arquirrival Corinthians para a Série B, o que fez com que a derrota fosse momentaneamente esquecida e o Palestra tivesse ao menos um motivo para explodir naquele 2 de dezembro.

Palmeiras 3×2 Fluminense – Brasileiro 2005

Um dos poucos grandes jogos da década passada. O Palmeiras lutava pela Libertadores e dera muita sorte na penúltima rodada – perdeu para o Inter em Porto Alegre (quem raios sempre coloca esse jogo perto do fim do campeonato?) mas viu o Fluminense perder de virada em casa para um Juventude sem qualquer pretensão. Se o Tricolor tivesse vencido, abriria quatro pontos de vantagem e apenas cumpriríamos tabela na despedida.

Mas não venceu e veio ao Palestra precisando empatar para manter a quarta posição. Um ponto atrás, o Verdão era o único time que ainda brigava com o Flu – os de cima já estavam classificados e os de baixo eliminados. Era um daqueles raros confrontos diretos em rodadas finais de pontos corridos.

O doping psicológico de Leão que nos reerguera após um mau início de torneio se fez presente uma última vez. O Fluminense saiu na frente (claro, com gol de ex-palmeirense: Tuta), levou o empate de Washington, fez 2 a 1, mas foi a pique após gol contra de Petkovic. O gol de falta de Correa decretou a virada, a festa na arquibancada e, não sabíamos, o último final feliz de um Brasileirão para o Palmeiras. E lá se vão nove anos…

Palmeiras 0x0 Cerro Porteño – Libertadores 2005

Talvez a missão mais fácil da lista. Era a última rodada da fase de grupos, e o Palmeiras pegava um Cerro já classificado, mas não com a primeira posição garantida – para isso eles precisavam do empate. Vitória do Palmeiras nos daria a liderança da chave, e a igualdade também serviria para nos classificar, porém nos faria enfrentar o São Paulo, como de fato ocorreu.

Se perdêssemos, teríamos que torcer para o Santo André não vencer o Deportivo Táchira no ABC por mais de dois gols de diferença. Parecia tranquilo, mas o tempo passava, o Palmeiras não saía do zero e o Ramalhão pegou no breu – após ir para o intervalo ganhando só de 1 a 0, não precisou nem de 20 minutos para marcar mais QUATRO.

Enquanto isso, o Alviverde perdia Nen, expulso. Foi o estopim para desistir de atacar e segurar o zero que já então parecia lindo. E, de maneira chocha como era a cara do time de Bonamigo, avançamos para depois pagar mico nas oitavas.

Fluminense 1×1 Palmeiras – Brasileiro 2004

Esse é um caso esquisito. Eram quatro vagas em jogo; três já estavam definidas e o Palmeiras ocupava o quarto posto. O São Caetano, logo atrás, perdeu 24 pontos no STJD após a morte de Serginho e com isso deixou o quinto lugar. Assim, o Palmeiras se classificara na penúltima rodada ao vencer o Criciúma no Palestra.

Às vésperas da rodada final, no entanto, foi anunciado um novo julgamento. Se o Azulão recuperasse os pontos, teria somente um a menos que o Palmeiras, que portanto precisaria vencer o Flu no Rio ou torcer para um tropeço do eterno time de Adhemar contra o ameaçado Atlético-MG fora; se nada desse certo, era esperar que o STJD ratificasse a punição dali a alguns dias.

Ficamos no empate (com direito a golaço de Ricardinho), mas nem precisamos do tribunal – o Galo fez 3 a 0 e liquidou a peleja fora do tapetão (no qual a perda dos 24 pontos acabou sendo confirmada).

Rio Branco 1×1 Palmeiras – Paulista 2003

“Pô, Rio Branco? Nem precisava colocar esta na lista, né?”

Calma, é necessário ter as coisas em perspectiva. Este foi o primeiro campeonato em que ouvíamos “ão ão ão” em tudo quanto era biboca. O time tinha sido remontado após a queda, e seria remontado de novo durante a série B. Ou seja, era um plantel muito frágil.

O Paulistão tinha um regulamento esquisito: era curto mas havia 21 (!) participantes. A primeira fase consistia em 3 grupos de sete jogando em turno único. A última partida do Palmeiras era em Americana e o time precisava empatar para garantir no mínimo uma das duas vagas de melhores segundos colocados.

Era um confronto direto – o Tigre precisava da vitória. O jogo começou a mil: os dois gols saíram nos primeiros 20 minutos (o nosso de pênalti cobrado por Adãozinho). Depois caiu de ritmo, mas a classificação não veio de forma fácil: o assustado Palmeiras levou duas bolas na trave. Mas se safou e acabou efetivamente passando como segundo melhor terceiro colocado – ficamos atrás de Guarani e da líder União Barbarense (!!)

Vitória 4×3 Palmeiras – Brasileiro 2002

Evidentemente o confronto que mais será lembrado esta semana, e nem pode ser de outra forma. Eram outras circunstâncias – jogo fora de casa, a derrota obrigatoriamente derrubava o time, havia certa incredulidade pelo ineditismo da situação e pelas viradas de mesas anteriores. Mas o fato é que foi a única vez que o Palmeiras jogou sua sorte na ponta de baixo na tabela, e fracassou.

Assim como agora, vitória nos livrava de qualquer risco e empate nos faria depender de uma combinação de resultados. Mas a derrota já assinava o atestado de óbito – o Palmeiras era o primeiro dentro da zona (escaparia em caso de vitória porque os dois times logo acima, Bahia e Lusa, se enfrentavam e um deles seria ultrapassado).

Tanto se falará deste jogo nos próximos dias que vou evitar fazê-lo aqui. Nada de links e de descrição do jogo; poupemo-nos da triste memória daquele dia (eu mesmo já ando tão bem-sucedido nisso que coloquei 4×2 ali em vermelho e só olhando a ficha é que notei que estava errado). Basta dizer que naquele 19 de novembro nem o empate teria resolvido – subiríamos uma posição e mesmo assim o vexame seria consumado. E ponto final.

Palmeiras 2×0 Guarani – Copa João Havelange 2000

O confuso torneio que misturava times de diversas divisões no mata-mata chegou à última rodada da 1ª fase do Módulo Azul (a primeira divisão) com o Palmeiras em 13º lugar entre 25 times – e 12 se classificavam para o mata-mata.

O Guarani estava somente 1 ponto acima de nós, em 11º; logo, era um confronto direto. Com sorte, o Palmeiras poderia obter a vaga empatando, mas dependeria de o Grêmio perder para o lanterna Santa Cruz e o Botafogo não vencer o eliminado Santos, ambos jogando fora de casa. Difícil.

A missão do #Siamonoi acabou não sendo muito complicada; já no primeiro tempo Magrão e Tuta resolveram o duelo. No segundo tempo o atacante acabou expulso, mas mesmo assim o Bugre não reagiu. O Palmeiras seguiria adiante para eliminar o São Paulo nas oitavas e cair perante a zebra de bengala azul.

Juventude 0x0 Palmeiras – Libertadores 2000

Deixei em preto em vez de verde porque listar este jogo é quase uma trapaça (até porque o contrato com a Parmalat ainda vigia). É verdade que o Palmeiras só dependia de si, mas podia até perder por cinco gols que ainda assim se classificava. Assim, até com Lúcio e Victorino, né? Pensando bem…

*

Em resumo, vivemos esta situação onze vezes desde que Evair nos deixou pela segunda vez. Em seis delas fizemos nossa parte e em outras duas nossos adversários deram uma mão.

As três em que falhamos, porém, foram exatamente em rodadas finais do Brasileiro, quando além de capacidade é necessário ter cabeça, o que vem nos faltando há tempos.

Ainda acho que nos salvamos. O time é ruim e vem numa queda assustadora (embora contra o Inter tenha se segurado decentemente até o 2 a 1), mas leia notícias e blogs dos adversários. Eles também já se consideram condenados. E, quer saber? Provavelmente todos estejamos – mesmo quem sobreviver.

Mas, por ora, respire fundo. Bem ou mal, a vantagem é nossa.

Tente pensar em coisas boas: praias desertas, águas cristalinas. Afinal…

*

Atualização de 8/12: findo este horrendo Brasileirão, temos mais um jogo para a galeria. E ele fica em azul – bastava ganhar, mas o resultado final de Palmeiras 1×1 Atlético-PR nos fez contar com a igual incompetência do Vitória, que só precisava bater o Santos mas levou 1×0 no fim. O alvinegro praiano, ao contrário do que fez em 2009, desta vez quebrou muito nosso galho.

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Luan fez o último gol da história dos mata-matas entre Palmeiras e Atlético

Luan fez o último gol da história dos mata-matas entre Palmeiras e Atlético

Palmeiras e Atlético-MG se encontrarão pelas oitavas-de-final da Copa do Brasil. Um dos contendores foi campeão da América ano passado e, ainda que sem aquele futebol e aquele técnico, continua tendo um elenco forte; o outro já nem sabe se leva a competição a sério, uma vez que novamente está com a corda no pescoço no Brasileirão. Mas o jogo de ida será a primeira partida do nosso segundo século, o que pode dar um ânimo redobrado ao elenco. Além disso, há uma semana a vitória do Atlético em sua casa veio só no fim.

O favoritismo, claro, é deles, mas não dá para dizer que o exército de Brancoeverdeleone seja carta fora do baralho.

Ainda mais se considerarmos o histórico dos mata-matas entre as duas equipes. Os gigantes paulista e mineiro já se enfrentaram em duelos de ida e volta por três vezes, cada um por uma competição diferente, mas sempre com algo em comum: no fim, a vaga ficou com o Verdão. O confronto que se aproxima vale mais que todos os anteriores, e é indiscutível que o plantel mais vistoso é alvinegro, mas o Galo que bote a crista de molho, porque assim foram os embates passados:

1. Copa do Brasil 1996: o duelo também valeu pelas oitavas. O Palmeiras havia atropelado o Sergipe por 8 a 0, enquanto os mineiros passaram pelo Vila Nova goiano com duas vitórias (1×0 e 4×1). O time atleticano não era ruim; contava com jogadores como Taffarel e Euller. Mas pegou um Alviverde em momento arrasador, no auge da máquina que goleava seus adversários um a um.

Assim, nem dá para dizer que foi surpresa termos vencido no mesmo Independência que sediará o jogo sob mando deles (2×1 de virada, gols de Luizão – os dois – e Leandro) e aqui (um sonoro 5×0, Rivaldo 2, Cléber, Müller e Cafu). Afinal, essas duas partidas fizeram parte da sequência de 21 vitórias consecutivas daquele elenco que encantou o país – mas que foi parado justamente pelo arquirrival do Atlético na final desse mesmo torneio.

2. Copa Mercosul 2000: o Palmeiras já havia começado a nefasta política do bom e barato, mas mesmo assim o time chegou à semifinal da Mercosul após bater o Cruzeiro nas quartas, frustrando a expectativa por um clássico mineiro (o Atlético passara pelo Boca Juniors).

Só que, enquanto o Galo ia de Velloso, Claudio Caçapa, Mancini, Marques e Guilherme, nós tínhamos Paulo Turra, Tiago Silva e Thiago Matias (apesar de um Arce aqui, um Taddei ali). Mesmo assim, um começo arrasador decidiu prematuramente o confronto: após 3 dos 180 minutos, o Verdão já tinha 2 a 0. No fim, a partida do Palestra terminou 4 a 1 (Tuta 2, Paulo Turra e Basílio; Guilherme); na volta, o Atlético precisava vencer por 3, mas o Palmeiras soube cozinhar o galo (trocadilho involuntário, sério!) no primeiro tempo e liquidou de vez a esperança mineira ao marcar no primeiro minuto da segunda etapa. Acabou vencendo por 2 a 0 (Tuta, Juninho) e se classificando à final, em que daria vexame contra o Vasco.

3. Copa Sul-Americana 2010: na primeira competição por mata-mata de Felipão em sua segunda passagem pelo Palmeiras, o Atlético foi o adversário das quartas-de-final, após termos passado por Vitória e Universitario de Sucre; o Galo, por sua vez, tinha eliminado Grêmio Prudente e Independiente Santa Fé. Os interesses dos adversários, no entanto, eram bem distintos: o Palmeiras tinha a competição como prioritária, já que no Brasileirão estava na zona do não-ata-nem-desata. O Atlético, contudo, vinha passando sufoco no Nacional, e por isso vinha usando os reservas.

O favoritismo, portanto, era nosso dada a diferença de motivação. Na ida, em Sete Lagoas, o Verdão abriu o placar no começo do segundo tempo, e poderia ter ampliado em pênalti pouco depois… se o árbitro Marcelo de Lima Henrique não voltasse atrás com a pressão dos jogadores alvinegros e alegasse um suposto impedimento de Lincoln, sobre o qual o bandeira nada falou. Para completar, só ele viu outro penal, dessa vez a favor dos mineiros. Assim, o que podia ser uma vitória confortável virou um empate em 1 a 1 (Kléber; Obina).

Na volta, porém, não teve jeito. O Atlético, com a corda ainda mais apertada, até lutou – teve ótimas chances, e só foi desistir mesmo após levar o segundo gol depois dos 30 da etapa final – mas acabou caindo por 2 a 0 (Marcos Assunção num gol olímpico, Luan).

Resumo: até hoje foram seis jogos por mata-matas, com cinco vitórias palmeirenses e um empate, 16 gols a favor e 3 contra. Agora, porém, o desafio é maior que todos os anteriores. Será que o Palmeiras mantém a escrita, ou será mais um morto no Horto?

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Kleina 100 disfarce

Kleina ainda tenta ensinar Vinicius

Kleina ainda tenta ensinar Vinicius

Sem qualquer motivo para celebração, Gilson Kleina completou na queda para o Ituano sua centésima partida na casamata verde (bem como seu 46° ano de vida). Não é pouco: ele já é o 16° treinador com mais partidas pelo Verdão. Antes da Copa chegará a 14° e, se terminar a temporada chegando às oitavas-de-final da Copa do Brasil, entra no Top 10.

Foi tempo suficiente para avaliarmos seus defeitos e virtudes. Estas vinham aparecendo mais claramente este ano, fazendo com que muitos torcedores inconformados por sua renovação ao fim do ano passado se convertessem ou ao menos se resignassem; o fiasco de domingo, porém, dá munição farta e compreensível a seus não poucos detratores.

(para não muretar, mas muretando, eu diria que não é o técnico dos meus sonhos, mas se não ele, hoje quem?)

Como pontos positivos, temos que na média ele não prima pela retranca – a não ser em momentos em que está acuado no cargo, ou em mata-matas – e soube ganhar e unir o grupo, o que é uma qualidade frequentemente subvalorizada: se o time não é brilhante, que pelo menos corram uns pelos outros, e isso eles fazem.

Em compensação, dói na alma a insistência com alguns jogadores claramente desqualificados para atuar no Palmeiras (sim, Vinícius) e, mais que tudo, já está colada a pecha de fracassado em mata-mata, não sem razão: foram cinco eliminações e uma classificação – o Vilhena deve lhe ajudar amanhã. Menos mal que o Brasileiro é em pontos corridos… quem sabe estejamos diante de um Felipão ao contrário? (Já ouço os gritos de ‘herege’).

Para ilustrar seus altos e baixos no Verdão, separamos cinco jogos bem sucedidos e outros cinco que ele preferirá esquecer. A lista está em ordem cronológica, sem intenção de ranqueá-las:

As boas lembranças

Figueirense 1×3 Palmeiras (1º jogo) – logo na estreia, um belo cartão de visitas. O time vinha de três derrotas seguidas, a última no Derby, e só não estava na lanterna porque batia o Atlético-GO no número de vitórias. Estava numa festa e consegui ligar o rádio com 15 minutos. Ouvi que estava 2 a 0 e, claro, desanimei. Mas daquela vez pelo menos era um belo triunfo, que deu um ânimo que infelizmente não durou tanto.

Corinthians 2×2 Palmeiras (24°) – o campeão do mundo contra o rebaixado. O salto alto alvinegro nos ajudou muito, é certo, mas o fato é que o Verdão entrou em campo de cabeça erguida, lembrando-se que não é e nunca será coadjuvante. Saiu atrás, conseguiu a virada e, pena, cedeu o empate, mas foi um alento num período tão desgraçado.

Palmeiras 1×0 Libertad (37°) – a exibição não foi brilhante. Mas foi um daqueles momentos de comunhão entre torcida e time que poucos técnicos conseguem, ainda mais somente 15 dias depois do massacre de Mirassol. O Palmeiras dava mostras de que poderia ir além do que seu frágil elenco lhe parecia permitir.

Figueirense 2×3 Palmeiras (51°) – a situação na série B ainda não era tão confortável (OK, a vitória valeu a liderança, mas a diferença para os adversários era pequena). Esta ótima vitória de virada contra um adversário direto – tanto que também subiu – serviu para tranquilizar elenco e torcida: não haveria mais sofrimento na série B.

Palmeiras 2×0 SPFC (87°) – eram dois anos sem ganhar um clássico; Kleina mesmo tinha perdido dois no Brasileiro de 2012 e empatado todos os de 2013. Naquele domingo, o Palmeiras se impôs amplamente contra o São Paulo e jogou o tabu por terra.

As más lembranças

SPFC 3×0 Palmeiras (4°) – 3 jogos, 3 vitórias. Mas era o clássico que poria a prova o novo treinador. E ali ele fez uma escolha que se provou muito infeliz: a de escalar o já ex-atleta Daniel Carvalho, que havia tido atuação razoável contra o Millonarios no meio de semana. O time parou e fomos feitos de gato e sapato.

Libertad 2×0 Palmeiras (26°) – perder para o time que àquela altura era tido como o bicho-papão do grupo – mas que não se classificaria – até era considerado normal. O problema foi a postura do time, que em momento algum tentou atacar, mesmo saindo atrás cedo.

Mirassol 6×2 Palmeiras (33°) – nesta lista tentei evitar jogos que pudessem ser atribuídos principal ou exclusivamente aos jogadores (caso, por exemplo, da derrota pro Tigre, quando perdemos gols aos borbotões, ou mesmo da eliminação ante o Ituano). Agora, se é verdade que nenhum treinador consegue sozinho fazer o time levar três gols nos primeiros dez minutos, também é fato que depois de encostar no placar com os 3 a 2 não se podia deixar o raio cair de novo. Mas foi assim, num fiasco que nos faz pensar qual catástrofe então causaria sua dispensa. Não, melhor não pensar.

Palmeiras 1×2 Tijuana (43°) – não foi Kleina quem tomou um frango constrangedor. Mas era ele quem comandava a equipe que já vinha jogando mal, e que inexplicavelmente se perdeu em campo, mesmo com 70 minutos e 35000 vozes a favor. Vivemos tais situações repetidamente ao longo dos anos, sim, mas é papel do técnico impedir essa sina.

Atlético-PR 3×0 Palmeiras (62°) – o futuro vice-campeão da Copa do Brasil e futuro terceiro colocado do BR era muito mais time que nós. Mas, de novo, é uma questão de postura. Sem tentar em nenhum momento atacar, apenas segurar o resultado, depois os pênaltis, depois sabe-se lá o quê, naufragamos sem qualquer contestação.

*

Parece claro que Paulo Nobre não irá dispensá-lo sem que o Palmeiras se afunde no começo do Brasileiro, seja por realmente acreditar nele, seja por questões econômicas. Neste caso, é confiar que ele faça o melhor com o melhor elenco que teve nas mãos desde sua chegada (consequentemente em toda sua carreira). Que faça desabrochar talentos ocultos e que tente fazer de vários limões uma limonada. Menos no caso do Vinícius, que aí não tem jeito.

Contra o Libertad. vitória tensa dele e da torcida

Contra o Libertad. vitória tensa dele e da torcida

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Bellini

Na última vez que nos enfrentou, Bellini tinha Djalma Santos a seu lado

Na última vez que nos enfrentou, Bellini tinha Djalma Santos a seu lado

Todos as notícias sobre o falecimento do itapirense Hideraldo Luís Bellini começam por destacá-lo como “o capitão que primeiro levantou a taça”. É verdade, mas sejamos mais empolados: Bellini foi o líder da maior máquina de jogar futebol da história. Ao menos na opinião deste que vos escreve, não tem para a seleção de 70, nem mesmo para o Palmeiras de 1996, muito menos, claro, para qualquer Barcelona: o esquadrão de ouro bom no samba e bom no couro, campeão da Copa de 1958, é inigualável.

E, se aqui já homenageamos não só nosso ícone Djalma Santos como também Gilmar e De Sordi, é mister falar de seu comandante nas quatro linhas. Porém, tudo o que poderíamos falar já foi melhor dito neste excelente texto da Trivela, de modo que vamos aqui apenas enumerar seus números contra nós.

Pelo Vasco, Bellini nos encarou 7 vezes, a primeira delas em 1954; venceu 2, empatou 2 e perdeu 3 (houve ainda um amistoso cuja ficha técnica não conseguimos encontrar para saber se ele atuou; provavelmente não, pois estava em início de carreira). Com a camisa do São Paulo, foram 12 embates, e novamente ele ficou em desvantagem: 4 vitórias, 2 empates e seis derrotas, sendo uma delas um sonoro 5 a 0. Por fim, o capitão de 58 ainda nos encontrou uma derradeira vez atuando pelo Atlético-PR, em 1968, e outra vez saiu derrotado – 3 a 1 no Durival de Britto.

Só mesmo um gigante como o Palmeiras para ter vantagem contra o mítico zagueiro cuja partida fecha uma página marcante de nosso futebol.

A imagem inevitável

A imagem inevitável

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O craque dá adeus

O craque dá adeus

Ele não jogou tantas partidas assim: foram 126 – exatamente metade das partidas de Márcio Araújo. Teve uma ótima média de 0,57 gols por partida, mas mesmo assim seus 67 gols são menos do que por exemplo seu “sucessor” Alex fez. Não levantou tantas taças: conquistou um Brasileiro e um Paulista. Também não é ídolo tanto quanto Marcos e Evair, só para citar dois óbvios.

Pouco importa: se os números não são tão grandes, o futebol que Rivaldo Vitor Borba Ferreira apresentou durante sua passagem no Palmeiras foi gigante. Bendita a hora em que o Corinthians recusou comprar seu passe do Mogi-Mirim após um ano de empréstimo; a Parmalat não perdeu tempo e trouxe o pernambucano de Paulista, revelado mas de passagem curta pelo Santa Cruz.

Eu estava em sua estreia, que também era a nossa no Brasileiro de 1994. Não foi uma partida brilhante, mas ele contribuiu para os 4 a 1 e, mais importante, começou a tirar o manto da desconfiança de quem chega vindo do arquirrival. Não demorou muito e veio o primeiro gol – no Beira-Rio, na última vez em que o Palmeiras ganhou um jogo ali valendo para os dois.

A eles se somaram muitos outros: naquele campeonato, foram 14 gols. Ao lado de Evair e do falecido SuperÉzio, só ficou atrás de Túlio e Amoroso. Como se não bastasse, três deles foram na decisão contra seu ex-time, nosso eterno rival. Na ida, foram dois nos 3 a 1; na volta, o derradeiro gol daquele campeonato. Rivaldo já tinha seu lugar na história verde.

Mas não foi só. Em 1995, as taças não vieram, mas mesmo assim ele jogou muito. Foi nosso artilheiro no Paulistão, com 10 (ao lado de Valber). Na Libertadores, teve seu pior momento, ao tomar vermelho contra o Grêmio em lance com Rivarola – que, a bem da verdade, também devia ter ido para o chuveiro (ou nenhum deles) – quando o placar ainda estava zerado. No Brasileiro, foi um dos líderes da equipe que triscou mas não alcançou as semifinais.

E no Paulista de 1996, nossa senhora. Foram dezoito gols e uma miríade de passes, dribles, lançamentos… tanta exuberância talvez tenha até sido de se lamentar, pois fez com que o La Coruña o levasse após as Olimpíadas de Atlanta. Rivaldo se despediu com o amargo vice-campeonato da Copa do Brasil, e depois foi brilhar no Barcelona, pelo qual se tornou o único ex-palmeirense a ganhar o prêmio de melhor do mundo da Fifa (para entender um pouco o porquê, clique aqui. Este foi seu terceiro gol no jogo, aos 42 do segundo tempo, e o Barça precisava vencer o Valencia, pois brigava com ele para chegar à Champions e era a rodada final do Espanhol.)

Com a camisa da seleção brasileira, foi considerado culpado pelo fracasso olímpico de 1996, mas deu a volta por cima; foi muito bem na Copa de 1998 e simplesmente o melhor jogador da conquista de 2002. É o 12° maior artilheiro da Amarelinha, com 34 gols.

Depois rodou, para sorte de uzbeques e angolanos, e chegou a ter o retorno várias vezes ventilado. Talvez tenha sido melhor que não voltasse, para não correr o risco de macular a imagem que deixou.

Há alguns anos, os três redatores do blog escolhemos os maiores jogadores que vimos atuando pelo Palmeiras. Rivaldo foi o segundo colocado para meus colegas e o primeiro para mim. Mesmo sem ser meu maior ídolo, posto que cabe a Evair, minha opinião segue a mesma: neste sábado, amigos palmeirenses, vimos o adeus do maior craque que vestiu nossa camisa desde que Ademir da Guia pendurou suas chuteiras.

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Juca Baleia, do Sampaio Correa: o primeiro goleiro que enfrentamos

Chegou a hora de buscar o tri! Nesta quarta, o Palmeiras entra na disputa da 26ª edição da Copa do Brasil. Para nós, trata-se da 19ª participação – ficamos de fora de 1989 a 1991 por não obter classificação no Estadual, e em 2001, 2005, 2006 e 2009 por estarmos na Libertadores. E, em duas edições anteriores, entramos direto nas oitavas por estarmos na Libertadores: 2000 e 2013.

Portanto, foram dezesseis participações na primeira fase do torneio, que tem como curiosidade as vezes que visitamos Alagoas: duas foram em campanhas que culminaram na taça; já a terceira… bom, eis nossos resultados ao longo dos anos:

2012 – 1 x 0 e 3 x 0 no Coruripe-AL

2011 – 2 x 1 e 5 x 1 no Comercial-PI

2010 – 1 x 0 e 4 x 0 no Flamengo-PI

2008 – 2 x 0 no CENE-MS (sem volta)

2007 – 5 x 0 no Operário-MT (sem volta)

2004 – 3 x 1 na Tuna Luso-PA (sem volta)

2003 – 1 x 0 e 5 x 1 no mesmo Operário-MT

2002 – 0 x 1 e 2 x 1 contra o ASA-AL, num vexame histórico

1999 – 2 x 1 e 3 x 1 no São Raimundo-AM

1998 – 1 x 0 e 3 x 0 no CSA-AL

1997 – 0 x 0 e 7 x 1 no River-PI

1996 – 8 x 0 no Sergipe-SE (sem volta)

1995 – 2 x 1 e 1 x 0 no ABC-RN

1994 – 3 x 1 e 5 x 1 no 4 de Julho-PI (ainda não existia a regra da eliminação da volta, criada no ano seguinte)

1993 – 2 x 0 e 3 x 0 no 4 de Julho-PI

1992 – 1 x 0 e 4 x 0 no Sampaio Correa-MA

Em resumo, estas são as estatísticas do Palmeiras quando debuta no torneio:

- 16 participações

- 15 classificações e uma eliminação

- 14 vitórias, 1 empate e 1 derrota na estreia, com 34 gols feitos e 6 sofridos; na volta, 12 vitórias. Vale notar que todas as estreias foram fora de casa.

- 4 eliminações sem jogo de volta (em 13 possíveis)

- 5 visitas ao Piauí, 3 a Alagoas, 2 a Mato Grosso, uma a Maranhão, Rio Grande do Norte, Sergipe, Amazonas, Pará e Mato Grosso do Sul. Agora acrescentaremos Rondônia.

- 11 visitas ao Nordeste, 3 ao Centro-Oeste e 2 ao Norte (que agora serão 3)

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São Bento 0x3 Palmeiras: a última vez do Bentão na elite

São Bento 0x3 Palmeiras: a última vez do Bentão na elite

Ontem à noite o Palmeiras finalmente encerrou a agonia do Paulista de Jundiaí, cuja tétrica campanha já anunciava o rebaixamento há semanas. Mesmo seus dirigentes já haviam jogado a toalha, com dispensas de técnico e grande parte do elenco.

É claro que não foi o Verdão o responsável pela queda do campeão do Brasil de 2005, assim como o Vitória não foi o culpado de nossa tragédia de 2002 (a de 2012 não conta pois o Palmeiras não foi rebaixado ao fim do jogo com o Flamengo, somente quando a rodada acabou algumas horas depois). Porém essas partidas acabam ficando marcadas – assim como o rubro-negro baiano nos traz uma péssima recordação, nós também habitamos alguns pesadelos por aí. Vamos então relembrar, da mais nova para a mais antiga, as nove ocasiões em que o Alviverde Imponente foi o fim da linha para outros clubes.

9. Paulista 1 x 3 Palmeiras (Paulista 2014): faltavam três rodadas, mas a situação do Paulista era tão ruim que o Galo da Japi já estava nove pontos atrás do primeiro time fora da ZR. Sem vencer nenhuma das 11 partidas disputadas, era difícil crer que o milagre começaria justo contra o (mistão do) Palmeiras. Para faturar uns cobres e poupar os olhos da torcida, o clube aceitou proposta para atuar em São José do Rio Preto. Fez bem: levando gols de William Matheus, Patrick Vieira e até de Miguel, não dava para esperar outra coisa.

8. Palmeiras 2 x 0 Grêmio Prudente (Paulista 2011): era a penúltima rodada do Paulistão. Para o Palmeiras, já classificado para o mata-mata, a partida valia manter a liderança. Para o lanterna Prudente, que já havia caído no Brasileiro de 2010, era a última esperança de sobrevivência. No fim, prevaleceu a boa fase do Palmeiras, que estava invicto há 14 jogos. Com um gol de Thiago Heleno e um contra, a partida do Canindé terminou de maneira melancólica para o itinerante clube do interior. Foi a pá de cal para a cidade, que só viu o clube mais uma vez, na despedida – na série B que começou logo mais, a equipe já havia voltado para Barueri.

7. Palmeiras 2 x 2 Sport (Brasileiro 2009): O ano de 2009 foi farto em confrontos com o rubro-negro pernambucano. Foram seis ao todo, repletos de emoções e polêmicas. Se os quatro primeiros, pela Libertadores, foram entre times lutando pela América, o último teve clima bem diferente: o Palmeiras, verdade, ainda lutava pelo título, mas vinha em queda livre (o jogo anterior tinha sido a famosa derrota do gol anulado de Obina contra o Flu); o Sport por sua vez se arrastava no fundo da tabela. No primeiro tempo, um espantado Palestra Itália viu o Leão abrir 2 a 0; após o intervalo, o Verdão reagiu – com boa dose de ajuda da arbitragem – e acabou empatando, após gols de Deyvid Sacconi e Danilo. Foi aquele típico placar que frustrou a ambos: o alviverde até reassumiu a liderança, mas por ter uma partida a mais ela não durou. E o Sport retornou à Série B com três rodadas de antecedência.

6. São Bento 0 x 3 Palmeiras (Paulista 2007): ambos os times entraram no Walter Ribeiro em situação desfavorável. O time de Sorocaba, que queria sobreviver para chegar ao terceiro ano seguido na elite, precisava vencer e secar Sertãozinho e América; já o Alviverde precisava de um resultado melhor que o Bragantino (podia até ser um empate, desde que o Braga perdesse). Ambos se frustraram: os resultados paralelos foram bons para o time azul e branco, que teria escapado se vencesse. Já o Palmeiras, com dois gols de Osmar e um de Willian, fez o que lhe cabia – naquela noite ao menos – mas pagou o preço de um campeonato muito irregular ao ver o Bragantino sair com os três pontos e a vaga pelo saldo de gols (o Verdão teria que ter feito mais quatro para passar o Massa Bruta).

5. América-MG 1 x 1 Palmeiras (Brasileiro 1998): era a última rodada da fase de classificação. O Palmeiras era o líder e buscava manter a condição para ter vantagem nos mata-matas (mas mesmo assim, numa decisão estranha, poupou jogadores. O gol foi de um dos poucos titulares, Oséas); o Coelho era o primeiro time fora da zona do descenso. Vitória garantia a ambos seus objetivos; como ninguém conseguiu, ambos se deram mal – o Verdão foi ultrapassado pelo Corinthians e acabou com o Cruzeiro, que o eliminaria, nas quartas; o América viu o Paraná bater o Flamengo e assim roubar sua posição e a vaga na série A de 1999. Era o típico jogo em que deviam ter tirado um par ou ímpar aos 45 do segundo tempo. Ao menos um dos times se daria bem…

4. Palmeiras 3 x 0 Bragantino (Paulista 1995): geralmente temos uma sensação de complacência para com os adversários que caem contra nós. Mas daquela vez não foi assim – o Bragantino por muitos anos fora uma asa negra na vida do Alviverde, desde a trágica eliminação no Paulista de 1989. Assim, aquela vitória – a primeira sob o comando de Carlos Alberto Silva, em seu quinto jogo – teve um gosto especial, ainda que presenciado por um dos menores públicos da história do Palestra, inferior a 1500 pagantes. Os dois gols de Alex Alves e o de Cléber deram um pequeno gosto de vingança por tudo que sofrêramos contra a ex-Linguiça Mecânica.

3. Palmeiras 1 x 0 Noroeste (Paulista 1981): era a penúltima rodada da 2ª fase do 2º turno do Paulista. Deu pra entender? Vai ficar pior: o Palmeiras já estava classificado para a fase final do segundo turno por ter ido bem na primeira fase do mesmo, mas buscava classificação à Taça de Ouro (o Brasileirão) do ano seguinte, pois valia a pontuação do campeonato todo, e o time fizera um péssimo primeiro turno. Já para o Noroeste, a derrota representava a queda, enquanto o empate lhe dava condições de ir para o tudo ou nada em confronto direto com o Marília (um clássico) na semana seguinte. O Verdão andava mal, mas ainda assim era superior ao time de Bauru; dessa forma, teve o domínio da maior parte do jogo. Bola na rede, porém, só aos 33 do segundo tempo, com Enéas. Em seguida o alvirrubro teve um jogador expulso, e aí acabaram-se as derradeiras esperanças do Norusca, que só retornaria à primeira divisão quatro anos depois.

2. Palmeiras 4 x 3 Ferroviária (Paulista 1965): o Palmeiras era vice-líder e tinha chances ínfimas de roubar o título do Santos (tão ínfimas que naquela mesma noite o time da Vila venceria o Juventus e já liquidaria a disputa com dois jogos de antecipação); já a Ferrinha segurava a lanterna e ainda tinha quatro jogos por fazer, sendo dois contra times grandes (também pegariam o São Paulo). A situação dramática do time de Araraquara não os impediu de surpreendentemente terminarem a primeira etapa com 3 a 0 de vantagem em pleno Parque Antarctica, porém no segundo tempo a dura realidade se impôs: Ademar Pantera marcou três vezes e Servílio fez o da virada (semelhante àquela contra o Flamengo pela Copa do Brasil de 1998, já que os dois últimos gols foram aos 44 e 46). Foi um golpe pesado para a Ferroviária, que ao menos já sabia que dificilmente se manteria viva mesmo vencendo aquela partida.

1. Palmeiras 4 x 2 Ypiranga (Paulista 1958): esta partida marcou o fim de uma era no Campeonato Paulista. Com o resultado (gols de Irineu contra, Chinesinho, Paulinho e Parada), o tradicional Ypiranga já não teria condições de superar o Jabaquara no confronto direto na última rodada, que terminaria empatado; foi assim que terminou a 46ª e última participação do tri-vice-campeão paulista (1915/35/36). Àquela altura, o alvinegro era orgulhosamente o time que mais vezes tinha disputado o Paulista (uma a mais que o Corinthians), mas a noite de quarta-feira no Pacaembu marcou a 85ª e última vez em que o Verdão encontrou seu tão contumaz freguês.

*

Existe um caso famoso, mas que na verdade não foi uma partida em que derrubamos o rival. Trata-se do Palmeiras x Ponte Preta do Paulista-1987, quando a Macaca, que disputava o Estadual consecutivamente desde 1970, tendo amealhado 3 vice-campeonatos (1977/79/81), caiu. Mas isso não aconteceu ao fim daquele sábado em que Marcelino fez o único gol, tanto do jogo quanto de sua breve passagem de seis partidas pelo Palmeiras. Na verdade, a Ponte ainda tinha uma pequena esperança: o América, que jogaria em casa no dia seguinte, teria que perder para o Botafogo por dois gols, ou então o Novorizontino teria que perder suas duas partidas finais (tinham um jogo atrasado). Já no domingo as coisas deram errado – o América ganhou e o Novorizontino empatou. Foi só então que o time campineiro caiu.

Outra curiosidade é que em 1949, no primeiro ano em que houve rebaixamento no Brasil, o Palmeiras acabou sendo protagonista indireto. A disputa era entre o Comercial da Capital e o Nacional; o primeiro já tinha terminado sua participação e dependia de o segundo perder para o Palmeiras em jogo atrasado. Para o Verdão, que já tinha o vice-campeonato definido, a partida nada valia, e o time acabou perdendo por 1 a 0 e salvando o time da Comendador Souza.

Este post atualiza a versão anterior, que contou com as colaborações de Jota Christianini e Antonio Piason

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