
São Bento 0×3 Palmeiras: a última vez do Bentão na elite
Nas últimas duas rodadas do campeonato o Palmeiras poderia ter sido o algoz de seus adversários, e por razões distintas acabou não sendo: os resultados paralelos rebaixaram o Guarani antes mesmo de entrar em campo, e uma atuação patética resultou numa vitória salvadora para o Ituano. Essas duas condições não estavam no script imaginado pelo blog quando teve a ideia para este texto há duas semanas, mas já que tínhamos iniciado o rascunho, vamos até o fim; afinal, é uma curiosidade daquelas que o amigo palmeirense só encontra por aqui (e que, admitimos, fazia algum tempo que não trazíamos).
É claro que se Bugre e/ou Ituano tivessem caído nestes confrontos a responsabilidade não seria nossa, assim como o Vitória não foi o culpado de nossa tragédia de 2002 (a de 2012 não conta pois o Palmeiras não foi rebaixado ao fim do jogo com o Flamengo, somente quando a rodada acabou algumas horas depois). Porém essas partidas acabam ficando marcadas - assim como o rubro-negro baiano nos traz uma péssima recordação, nós também habitamos alguns pesadelos por aí. Vamos então relembrar, da mais nova para a mais antiga, as oito ocasiões em que o Alviverde Imponente foi o fim da linha para outros clubes.
O IPE agradece os comentários de Jota Christianini e Antonio Piason que permitiram acrescentar dois dos jogos desta lista.
8. Palmeiras 2 x 0 Grêmio Prudente (Paulista 2011): era a penúltima rodada do Paulistão. Para o Palmeiras, já classificado para o mata-mata, a partida valia manter a liderança. Para o lanterna Prudente, que já havia caído no Brasileiro de 2010, era a última esperança de sobrevivência. No fim, prevaleceu a boa fase do Palmeiras, que estava invicto há 14 jogos. Com um gol de Thiago Heleno e um contra, a partida do Canindé terminou de maneira melancólica para o itinerante clube do interior. Foi a pá de cal para a cidade, que só viu o clube mais uma vez, na despedida – na série B que começou logo mais, a equipe já havia voltado para Barueri.
7. Palmeiras 2 x 2 Sport (Brasileiro 2009): O ano de 2009 foi farto em confrontos com o rubro-negro pernambucano. Foram seis ao todo, repletos de emoções e polêmicas. Se os quatro primeiros, pela Libertadores, foram entre times lutando pela América, o último teve clima bem diferente: o Palmeiras, verdade, ainda lutava pelo título, mas vinha em queda livre (o jogo anterior tinha sido a famosa derrota do gol anulado de Obina contra o Flu); o Sport por sua vez se arrastava no fundo da tabela. No primeiro tempo, um espantado Palestra Itália viu o Leão abrir 2 a 0; após o intervalo, o Verdão reagiu – com boa dose de ajuda da arbitragem – e acabou empatando, após gols de Deyvid Sacconi e Danilo. Foi aquele típico placar que frustrou a ambos: o alviverde até reassumiu a liderança, mas por ter uma partida a mais ela não durou. E o Sport retornou à Série B com três rodadas de antecedência.
6. São Bento 0 x 3 Palmeiras (Paulista 2007): ambos os times entraram no Walter Ribeiro em situação desfavorável. O time de Sorocaba, que queria sobreviver para chegar ao terceiro ano seguido na elite, precisava vencer e secar Sertãozinho e América; já o Alviverde precisava de um resultado melhor que o Bragantino (podia até ser um empate, desde que o clube de Bragança perdesse). Ambos saíram frustrados: os resultados paralelos foram bons para o time azul e branco, que teria escapado se vencesse. Já o Palmeiras, com dois gols de Osmar e um de Willian, fez o que lhe cabia – naquela noite ao menos – mas pagou o preço de um campeonato muito irregular ao ver o Bragantino sair com os três pontos e a vaga pelo saldo de gols (o Verdão teria que ter feito mais quatro para passar o Massa Bruta).
5. América-MG 1 x 1 Palmeiras (Brasileiro 1998): era a última rodada da fase de classificação. O Palmeiras era o líder e buscava manter a condição para ter vantagem nos mata-matas (mas mesmo assim, numa decisão estranha, poupou jogadores. O gol foi de um dos poucos titulares, Oséas); o Coelho era o primeiro time fora da zona do descenso. Vitória garantia a ambos seus objetivos; como ninguém conseguiu, ambos se deram mal – o Verdão foi ultrapassado pelo Corinthians e acabou com o Cruzeiro, que o eliminaria, nas quartas; o América viu o Paraná bater o Flamengo e assim roubar sua posição e a vaga na série A de 1999. Era o típico jogo em que deviam ter tirado um par ou ímpar aos 45 do segundo tempo. Ao menos um dos times se daria bem…
4. Palmeiras 3 x 0 Bragantino (Paulista 1995): geralmente temos uma sensação de complacência para com os adversários que caem contra nós. Mas daquela vez não foi assim – o Bragantino por muitos anos fora uma asa negra na vida do Alviverde, desde a trágica eliminação no Paulista de 1989. Assim, aquela vitória – a primeira sob o comando de Carlos Alberto Silva, em seu quinto jogo – teve um gosto especial, ainda que presenciado por um dos menores públicos da história do Palestra, inferior a 1500 pagantes. Os dois gols de Alex Alves e o de Cléber deram um pequeno gosto de vingança por tudo que sofrêramos contra a ex-Linguiça Mecânica.
3. Palmeiras 1 x 0 Noroeste (Paulista 1981): era a penúltima rodada da 2ª fase do 2º turno do Paulista. Deu pra entender? Vai ficar pior: o Palmeiras já estava classificado para a fase final do segundo turno por ter ido bem na primeira fase do mesmo, mas buscava classificação à Taça de Ouro (o Brasileirão) do ano seguinte, pois valia a pontuação do campeonato todo, e o time fizera um péssimo primeiro turno. Já para o Noroeste, a derrota representava a queda, enquanto o empate lhe dava condições de ir para o tudo ou nada em confronto direto com o Marília (um clássico) na semana seguinte. O Verdão andava mal, mas ainda assim era superior ao time de Bauru; dessa forma, teve o domínio da maior parte do jogo. Bola na rede, porém, só aos 33 do segundo tempo, com Enéas. Em seguida o alvirrubro teve um jogador expulso, e aí acabaram-se as derradeiras esperanças do Norusca, que só retornaria à primeira divisão quatro anos depois.
2. Palmeiras 4 x 3 Ferroviária (Paulista 1965): o Palmeiras era vice-líder e tinha chances ínfimas de roubar o título do Santos (tão ínfimas que naquela mesma noite o time da Vila venceria o Juventus e já liquidaria a disputa com dois jogos de antecipação); já a Ferrinha segurava a lanterna e ainda tinha quatro jogos por fazer, sendo dois contra times grandes (também pegariam o São Paulo). A situação dramática do time de Araraquara não os impediu de surpreendentemente terminarem a primeira etapa com 3 a 0 de vantagem em pleno Parque Antarctica, porém no segundo tempo a dura realidade se impôs: Ademar Pantera marcou três vezes e Servílio fez o da virada (semelhante àquela contra o Flamengo pela Copa do Brasil de 1998, já que os dois últimos gols foram aos 44 e 46). Foi um golpe pesado para a Ferroviária, que ao menos já sabia que dificilmente se manteria viva mesmo vencendo aquela partida.
1. Palmeiras 4 x 2 Ypiranga (Paulista 1958): esta partida marcou o fim de uma era no Campeonato Paulista. Com o resultado (gols de Irineu contra, Chinesinho, Paulinho e Parada), o tradicional Ypiranga já não teria condições de superar o Jabaquara no confronto direto na última rodada, que terminaria empatado; foi assim que terminou a 46ª e última participação do tri-vice-campeão paulista (1915/35/36). Àquela altura, o alvinegro era orgulhosamente o time que mais vezes tinha disputado o Paulista (uma a mais que o Corinthians), mas aquela noite de quarta-feira no Pacaembu foi a 85ª e última vez em que o Verdão encontrou seu tão contumaz freguês.
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Existe um caso famoso, mas que na verdade não foi uma partida em que derrubamos o rival. Trata-se do Palmeiras x Ponte Preta do Paulista-1987, quando a Macaca, que disputava o Estadual consecutivamente desde 1970, tendo amealhado 3 vice-campeonatos (1977/79/81), caiu. Mas isso não aconteceu ao fim daquele sábado em que Marcelino fez o único gol, tanto do jogo quanto de sua breve passagem de seis partidas pelo Palmeiras. Na verdade, a Ponte ainda tinha uma pequena esperança: o América, que jogaria em casa no dia seguinte, teria que perder para o Botafogo por dois gols, ou então o Novorizontino teria que perder suas duas partidas finais (tinham um jogo atrasado). Já no domingo as coisas deram errado – o América ganhou e o Novorizontino empatou. Foi só então que o time campineiro caiu.
Outra curiosidade é que em 1949, no primeiro ano em que houve rebaixamento no Brasil, o Palmeiras acabou sendo protagonista mais ou menos como contra o Ituano neste fim de semana. A disputa era entre o Comercial da Capital e o Nacional; o primeiro já tinha terminado sua participação e dependia de o segundo perder para o Palmeiras em jogo atrasado. Para o Verdão, que já tinha o vice-campeonato definido, a partida nada valia, e o time acabou perdendo por 1 a 0 e salvando o time da Comendador Souza.
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