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Arquivo da categoria ‘De nossa lavra’

2013: o ano da revanche

10 anos depois, o Joinville já sabe o que o espera

Então, ASA, você achou que a humilhação de 2002 ficaria impune? Espere só.

Ah, São Caetano, a Copa João Havelange ainda habita nossas mentes. A Libertadores de 2001 não bastou para cicatrizar, por isso aguardem 2013.

É, Atlético Goianiense, vocês estão fritos. Vingaremos a Copa do Brasil de 2010.

Era pra derrubar o técnico? Não importa. Figueirense, vocês verão o que faremos em troca daqueles 6 a 1 de 2006.

Mesmo os vitoriosos anos de 1993 e 1994 tiveram um vexame na Copa do Brasil, não é, Ceará? Vocês tão na roça agora.

Ainda temos o Paulista de 2012 fresco na memória, Guarani. Te cuida.

1989: o ano que não acabou. Até agora. Chega de Bragantine’s 13 anos (e se for o Guaratinguetá a sobreviver, temos cicatrizes com eles também)

A pior campanha dos pontos corridos da série A, e ainda assim o América-RN nos arrancou pontos que custaram uma vaga na Libertadores. Deixa estar.

Vocês foram o último algoz de São Marcos, embora não soubessem. Lembram dos 6 a 1 de 2003, Avaí? Pois vem mais.

Nós quase caindo em 2006 e vocês aproveitaram para nos dar uma surra. Vai ter volta, Paraná.

Muita gente se esqueceu do que vocês fizeram conosco na Copa dos Campeões de 2002. Mas vamos fazer questão de relembrar. Aquilo não ficará barato, Paysandu.

Meu pai esteve uma única vez no Independência, nos anos 60, e viu o América-MG ganhar do Palmeiras. Ele nem é palmeirense, mas fiquei com raiva mesmo assim. Vão pagar caro por isso.

Chapecoense, Boa, Duque de Caxias ou Icasa: nunca os enfrentamos. Vocês ainda não tiveram chance de nos humilhar, mas nem adianta sonhar. Em 2013 já teremos uma vingança preventiva contra futuras Copas do Brasil.

*

Reclamações contra o conteúdo deste e-mail podem ser enviadas para presidencia@palmeiras.com.br

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Bananada de goiaba…

- É, Frizzo, e agora?

- Nem me diga, Tirone. Que tragédia. Não sei o que fazer.

- Acho que vamos ter que procurar um técnico.

- Sem dúvida, eu já liguei na Assistência mas o preço era muito alto.

- Do que você tá falando, cazzo?

- Ué, do ar condicionado que o pessoal quebrou lá na lanchonete.

- Pombas, Frizzo, tô falando do Palmeiras.

- Que que tem o Palmeiras?

- Tamo quase na rabeira e o campeonato já tá acabando. Você não viu? Falaram hoje na TV!

- Calma, Tirone, o Felipão vai se virar bem. Demos pra ele um monte de camarão. Quem não gostaria de ter o Fernandão, que até campeão do mundo naquele time do Sul foi, ou aquele moleque topetudo que veio do Santos que corre pacas?

- Que Felipão, Frizzo? Ele pediu a conta!

- Sério isso? Por quê?

- Falou algo sobre falta de apoio da diretoria, que só ele tinha que resolver tudo. Pra ser sincero, não estava prestando muita atenção, estava quase passando de fase no Angry Birds. Pior que ele me atrapalhou, deixa ver se agora eu consigo.

- Ô Tirone, presta atenção, homem. Se não era o Felipão no banco contra o Curintia, quem era?

- Sabe que a pergunta é boa? Sei lá, o Murtosa?

- Acho que o Galeano deve saber, deixa eu ligar pra ele (…) Ô Galeano, beleza? Passa aqui na sala do Tirone prum café, ele trouxe um blend sensacional lá da Europa (…) Quê? Você não tá mais no Palmeiras? Pô, ninguém me fala nada! Tá bom, obrigado por tudo.

- E aí, ele vai querer açúcar ou adoçante? Vou colocar o mesmo pra mim, não consigo me decidir.

- Ele vazou também. Acho que não tem jeito, presidente, vamos ter que começar a resolver as coisas nós mesmos.

- Caramba, logo agora que a eleição tá chegando?

- Falar nisso, lembra que você me prometeu que eu posso escolher o novo assistente geral de supervisão do departamento de peteca sênior, hein?

- Putz, o Giannini tinha me pedido isso também. Podemos decidir isso depois?

- Tá, vamos falar da vinda do técnico então.

- Caramba, você insiste nisso, hein, Frizzo? Foi tão feio assim no restaurante?

- Não, Tirone, o do Palmeiras!

- Ah é, desculpa. Eu gosto do Leão, que tal?

- O Palmeiras não é zoológico pra ter Leão. Além do quê, ele não tá no São Paulo?

- É, tem razão, deixa pra lá. Temos que respeitar o coirmão. Aliás, senhora Rose, ô Rose, eta secretária surda, você mandou entregar aquele Black Label que eu trouxe da Europa pro Juvenal?

- Pituca, para de mudar de assunto, o troço é sério.

- Tá, tá, que saco. Não sei, não conheço nenhuma outra opção. Eu gosto do Leão.

- Que tal o Jorginho?

- Muito burro. Trocar a Débora pela sem graça da Nina? Prefiro até a Carminha, ela podia ser uma boa gerente aqui.

- Não, Tirone, é um que parece que trabalhou um tempo aqui e…

- Já passou por aqui? É esse mesmo, faz duas semanas que eu não contrato nenhum ex. Sabe que depois do tal Leandro o empresário do Gladstone não para de me ligar? Só falta acertar salário, você acha que 150 mil ia ofender? Melhor 200, né?

- Então, meu sobrinho disse que o Jorginho tá empregado.

- Ih, complicou. Por que tudo é tão difícil? Alguém vai ter que ligar pro presidente do clube dele!

- Presidente, não é por mal, mas acho que o melhor seria você fazer isso.

- Eu? Tá louco?

- Só pra perguntar se tem multa, coisa e tal.

- De jeito nenhum, o Mustafá mandou eu não pagar multa alguma e você sabe como ele fica bravo se a gente desobedece.

- Melhor falar com o jurídico então, quem sabe eles contornam isso?

- É, boa ideia, vou ligar lá (…) Oi, Piraci, tudo bem? Preciso de ajuda (…) Não, homem, pra que que eu quero 30 ingressos? Pra ver esse time aí? Não, quero saber se podemos tirar um técnico de outro clube (…) Ah, tá (…) OK, depois eu decido, agora não sei.

- E aí?

- Não entendi direito, acho que ele falou que é só endemizar o time dele. Esquece, muito complicado.

- Então tem que ser alguém sem clube.

- Isso, muito mais fácil. Eu gosto do Leão, mas deve ter gente boa, né?

- Ah, claro. Por sorte pedi a um filho de conselheiro pra preparar uma lista de nomes, ele só pediu 10 mil.

- Boa, garoto. Quem tem nessa lista?

- Joel Santana.

- Não falo inglês, próximo.

- Vágner Mancini.

- Aquele do restaurante?

- Esquece. Jair Picerni.

- Hmmm, pode ser, depois eu decido. Tem outros?

- Tem sim. Olha esse, Guardiola. Acho que esse moleque tava de sacanagem.

- Ô Frizzo, e o Dunga, já tem time? Cara bravo, decidido, gosto de gente como eu.

- O Palmeiras não é circo pra ter anão, Tirone, vamos voltar aqui pra lista. Só sobrou um nome, Falcão. Posso descartar, né? O Palmeiras não é viveiro pra ter Falcão.

- Não, espera aí. Eu gosto dele, “I´m not dog no”…

- Ô Tirone, tem certeza que estamos falando da mesma pessoa?

- Sei lá, Frizzo, que saco, acho que vou trazer ele mesmo. Depois eu decido. Tô com fome, vambora.

- Tá. Cantina ou churrascaria?

- Precisa decidir agora?

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Por Claudio RK

26 de agosto, uma data sagrada para todos nós de coração verde. Dia de celebrar o time pelo qual sofremos, pelo qual cantamos, com o qual nos emocionamos dia após dia. Se é fato que no último dia do ano que passou tivemos um revés dolorido, também é verdade que temos motivos para comemorar; afinal, aleluia!, o Palmeiras nos deu um ótimo presente no último 11 de julho. Com a vaga garantida na Libertadores e o estádio caminhando a passos largos, temos motivos para acreditar num bom 99º ano, aquele que será o da preparação do centenário. Que o clima pré-eleitoral não contamine o ambiente dentro de campo, o melhor em muito tempo (mesmo com os tropeços recentes).

O aniversário do Verdão merece um post especial. Em 2011, fizemos uma lista dos 97 maiores jogadores que os redatores acompanharam; agora, vamos a uma lista dos 98 grandes jogos que marcaram a vida deste redator. Tem jogo que eu estava lá, tem jogo que foi pela TV. Tem título, tem goleada, tem muito Derby, tem até uma ou outra decepção. Mas, se cada jogo do Palmeiras tem um significado próprio, estes são ainda mais especiais. Confira e veja se cada um deles também não lhe tocou de alguma forma.

Critérios? Só houve uma autoimposição: que houvesse ao menos um jogo de cada ano a partir de 1988, quando cheguei aos 10 anos. A ordem é bastante subjetiva, às vezes um jogo de meio de campeonato traz uma lembrança maior que um título, mas no fim todos os campeonatos de que o Verdão participou nos últimos 25 anos estão aí, até amistoso tem. Faça sua lista e divida conosco, você verá como é difícil fazer um ranking. Por ora, reviva esses grandes momentos:

98 2×0 SPFC (Paulista 1990) 84 0×0 Vasco (volta, final BR 1997)
97 3×2 Vasco (BR 2007) 83 2×1 Cruzeiro (BR 2009)
96 2×1 Flamengo (BR 2009) 82 4×0 SPFC (BR 1992)
95 4×3 Portuguesa (Série B 2003) 81 5×2 Cerro Porteño (Libert. 1999)
94 5×1 Fluminense (BR 1996) 80 1×0 Corinthians (Libert. 1999)
93 5×1 Mogi (Paulista 1995) 79 4×2 SPFC (Rio-SP 2002)
92 3×1 Santos (BR 2009) 78 3×1 Juventude (BR 1999)
91 6×0 Botafogo (BR 1999) 77 1×0 Corinthians (1º turno BR2007)
90 4×3 Portuguesa (Paulista 1999) 76 2×0 São Caetano (Paulista 2003)
89 2×0 Corinthians (Paulista 1993) 75 5×2 Bragantino (Paulista 2008)
88 6×0 Grêmio (BR 1999) 74 4×1 Atlético-MG (Mercosul 2000)
87 3×1 Corinthians (Paulista 1995) 73 3×0 Fluminense (BR 2002)
86 1×0 Inter (quadrangular BR 1997) 72 1×0 Corinthians (2º turno BR 2007)
85 2×1 SPFC (BR 2004) 71 7×0 Racing (Mercosul 1999)
70 2×1 Corinthians (BR 2011) 60 3×1 Cruzeiro (final Mercosul 1998)
69 7×3 Cruzeiro (Mercosul 1999) 59 1×1 Flamengo (BR 1988)
68 6×1 Borussia (amistoso 1996) 58 1×0 São Caetano (Libert. 2001)
67 5×0 Nacional (Mercosul 1998) 57 1×0 Corinthians (BR 2006)
66 3×1 SPFC (BR 2006) 56 3×1 Atlético-MG (BR 2009)
65 1×0 Ponte Preta (final Paulista 2008) 55 2×0 Corinthians (Paulista 1988)
64 4×0 Corinthians (BR 2004) 54 4×3 Santos (Paulista 2010)
63 2×1 SPFC (BR 2000) 53 3×0 Corinthians (Paulista 2007)
62 2×0 Corinthians (Paulista 1989) 52 2×1 Corinthians (Paulista 1994)
61 2×0 Santos (Paulista 1996) 51 2×1 Sport (C. Campeões 2000)
50 1×0 Olimpia (semi Mercosul 1998) 40 3×2 SPFC (Paulista 1994)
49 3×0 Corinthians (BR 2009) 39 5×1 Grêmio (oitavas Libert. 1995)
48 3×1 Corinthians (Paulista 1996) 38 2×0 Sport (1ª fase Libert. 2009)
47 2×1 Corinthians (Paulista 1991) 37 3×1 Peñarol (oitavas Libert. 2000)
46 2×1 Guarani (semifinal BR 1994) 36 2×0 Corinthians (final Rio-SP 1993)
45 0×0 Corinthians (final Rio-SP 1993) 35 4×0 Vasco (final Rio-SP 2000)
44 1×0 Botafogo (oitavas CB 1998) 34 3×0 Vitória (Sul-Americana 2010)
43 3×1 Grêmio (semifinal CB 1996) 33 2×1 Santos (semi Paulista 1999)
42 0×1 Manchester Utd (Mundial 1999) 32 3×2 Fluminense (BR 2005)
41 1×0 Corinthians (Paulista 1992) 31 2×0 Grêmio (semi CB 2012)
30 2×0 Marília (fase final série B 2003) 20 2×0 SPFC (quadrangular BR 1993)
29 2×2 Cruzeiro (Libert. 2001) 19 1×0 Colo-Colo (Libert. 2009)
28 2×2 Santos (semi CB 1998) 18 6×0 Santos (Paulista 1996)
27 6×1 Boca (Libert. 1994) 17 1×0 Cruzeiro (final Mercosul 1998)
26 5×0 Ponte Preta (final Paulista 2008) 16 2×0 Coritiba (final CB 2012)
25 1×1 Vasco (oitavas Libert. 1999) 15 3×0 River (semi Libert. 1999)
24 2×2 Boca Juniors (ida, Libert. 2001) 14 4×2 Vasco (oitavas Libert. 1999)
23 1×0 Vitória (final BR 1993) 13 2×0 Vitória (final BR 1993)
22 2×2 Boca Juniors (ida, final Lib 2000) 12 1×1 Corinthians (final BR 1994)
21 0×1 Sport (oitavas Lib. 2009) 11 2×0 Corinthians (4ªs Libert. 1999)

E agora, o Top 10:

10. Palmeiras 2xo São Paulo (semifinal do Paulistão 2008)uma vitória que pareceu exorcizar anos de frustrações, especialmente contra o rival. A classificação não apenas encaminhava o primeiro título do século, já que ninguém imaginava perder para a Ponte, como também foi encarada como o ponto zero da retomada das conquistas do Verdão. No fim, não foi desse jeito – ficamos só no Paulista mesmo – mas mesmo assim foi um jogo de lavar a alma.

9. Sport 1×2 Palmeiras (jogo do acesso da Série B 2003) – jogo que marcou o fim de um pesadelo que, cremos, jamais voltará a se repetir. Em Garanhuns, “à luz dos vaga-lumes”, como disse Marcos, o Palmeiras saiu do fundo do poço e fez milhões de torcedores sentirem um alívio ímpar.

8. Coritiba 1×1 Palmeiras (final da Copa do Brasil 2012) – assim como no caso do São Paulo, outro triunfo para apagar o passado, mas este ainda mais importante: era a decisão de um título nacional, era a vaga na Libertadores, era o êxito dos renegados, era o buzinaço há tanto aguardado.

7. Palmeiras 0×2 Corinthians (quartas-de-final da Libertadores 1999) – o Palmeiras quase deixa escapar uma vaga que parecia próxima após os 2 a 0 na ida, mas o arquirrival também tinha um grande time. Nos pênaltis, São Marcos brilhou na frente dos peladões (pode clicar sem medo!) Dinei e Vampeta e a torcida respirou mais do que aliviada: o sonho da Libertadores continuava vivo.

6. Corinthians 1×3 Palmeiras (1ª final do Brasileiro 1994) – uma partida de gala de Rivaldo, mas não só dele. O Palmeiras que tudo ganhou durante dois anos sairia de cena com uma imensa conquista em cima dos fregueses de ontem, hoje e sempre. No jogo seguinte, foi cumprir tabela e gastar os poucos rojões que sobravam.

5. Palmeiras 2×0 Cruzeiro (final da Copa do Brasil) – um estádio tenso que explodiu em ondas à medida que as pessoas percebiam que a bola impossível de Oséas havia mesmo entrado no gol. Sim, Felipão havia cumprido a primeira parte da promessa, e o futuro parecia ser ainda mais brilhante. A América era questão de tempo.

4. Palmeiras 3×2 Corinthians (semifinal da Libertadores 2000) – se em 1999 os dois times eram parelhos, dessa vez o arquirrival era superior. Isso no papel; na prática, o Verdão se desdobrou para alcançar uma virada incrível (no começo do segundo tempo, o Corinthians vencia por 2 a 1 após a vitória por 4 a 3 na ida). Numa disputa de pênaltis que punha goleiros do quilate de Dida de um lado e Marcos do outro, coube a Marcelinho o infortúnio (ou não) do erro fatal. O Palmeiras novamente negava ao rival a chance do título e se encaminhava para o bi, que pode não ter vindo, mas deu àquela competição uma lembrança histórica.

3. Palmeiras 2×1 Deportivo Cali (final da Libertadores 1999) – pode ser injusto não colocar esta partida num lugar melhor, mas é porque infelizmente não pude estar no Palestra na noite mágica em que a América foi enfim pintada de verde. Após Vasco, Corinthians e River, a final parecia o menor dos obstáculos, mas não há conquista sem suor, e assim tivemos que esperar até o décimo pênalti para atingir o topo do continente.

2. Palmeiras 4×2 Flamengo (quartas-de-final da Copa do Brasil 1999) - uma das viradas mais incríveis da história do futebol nacional. Saímos perdendo com um minuto, empatamos, levamos o 2 a 1 que nos forçava a conseguir mais três. O empate até veio rápido, mas Euller só conseguiu nos salvar após os 44 minutos, com dois gols surreais. Aquele dia quem venceu não foi o time, foi o estádio todo; jamais vi comunhão igual entre torcida e atletas, no maior jogo da Era Felipão. Após o gol decisivo, um torcedor gritou para mim e um amigo: “Eu não acredito!”. E meu amigo rubronegro balançou a cabeça num sorriso amarelo e disse apenas “eu também não”. Inesquecível!

1. Palmeiras 4×0 Corinthians (final do Paulista 1993) – o jogo de nossas vidas, aquele que nos emociona só de lembrar e que levaremos para o túmulo como a maior de nossas memórias.

Os colegas do blog também têm suas listas, vamos a elas:

Álvaro 8/80

1 – Palmeiras 2 x 1 Deportivo Cali – uma grande, solitária e silenciosa comemoração.

2 – Palmeiras 4 x 1 SPFC - 2008 – último jogo antes de saber que eu seria pai, pq não te calas, rogéria?

3 – Palmeiras 2 x 1 Santa Cruz – 2006 – depois de um longo calvário a primeira vitória naquele BR, usei a camisa do Palmeiras a cada dia desde a primeira partida do campeonato até essa vitória.

4 – Palmeiras 2 x 0 Corinthians – 1999 – chupem mais um pouco

5 – Palmeiras 4 x 2 Flamengo – 1999 – felicidade gratuita, misturada com orgulho de ver que o time era capaz

6 – Palmeiras 3 x 2 Corinthians – 2000 – ave São Marcos

7 – Palmeiras 5 x 0 Ponte Preta – 2008 – primeiro e único jogo no estádio com meu Pai e com parte da horda, valeu a viagem e rendeu a história de ‘torcedor de final’…

8 – Palmeiras 3 x 0 Corinthians – 2007 – ver o Edmundo jogando daquele jeito de novo foi especial

9 – Palmeiras 1 x 1 Coritiba – 2012 – o resgate do orgulho foi digno de nota, já nem parecia que algum dia o Palmeiras tinha sido campeão de alguma coisa importante

10 – Sport 1 x 2 Palmeiras – Garanhuns, 2003 – impensável ter um jogo de série B como inesquecível, ali o torcedor fortaleceu seu amor, tipo um namoro que passa por uma crise dolorida e volta mais forte… afinal, temos honra.

Pedro Ivo

1 – Palmeiras 4×0 Corinthians – Final do Paulista 93 – O fim das (até então) intermináveis chacotas.

2 – Palmeiras 2×1 Deportivo Cali – A vitória mais importante que presenciei do Palmeiras em toda minha vida.

3 – Palmeiras 4×2 Flamengo – CB1999 – Lembro de ter ido a este jogo após muita insistência de um amigo. Aos 40 do segundo tempo, com o Palestra abarrotado de gente e com o placar apontando 2×2, comecei a me encaminhar para as proximidades da saída a fim de evitar tumulto. Foi então que um torcedor que nunca havia visto na vida virou para mim e disse: “Não vai embora não, que o jogo vai terminar 4×2.” Dito e feito. Foi o jogo mais emocinante que assisti in loco em toda minha vida.

4 – Palmeiras 2×0 Cruzeiro – Final CB98 – Nas arquibancadas vermelhas do Morumbi o pessoal só gritou gol porque viu o povo lá do outro lado explodindo de alegria!

5 – Palmeiras 3×1 Corinthians – 1o. jogo Final BR 94

6 – Palmeiras 6×0 Santos – Paulistão 96 – Para um Palmeirense nascido e criado em Santos, essa vitória teve um gosto que só entende mesmo quem cresceu convivendo com a torcida santista.

7 – Palmeiras 3×2 Corinthians – Libertadores 2000 – Correu Marcelinho, bateeeeeuuuu…. MAARRRRRCOOOOSSSS!!!

8 – Palmeiras 3×0 River Plate – Libertadores 99 – Lembro de cada detalhe desta partida. Desde a chegada ao estádio, 3 horas antes do início, até o apito final. Toda a movimentação, o clima nas arquibancadas. Uma partida e uma festa memoráveis. Da posição que eu estava na arquibancada, o gol do Alex foi ainda mais bonito do que na TV.

9 – Palmeiras 2×0 Corinthians – Libertadores 99

10 – Palmeiras 1×0 Cruzeiro – Copa Mercosul 98 – Nem tanto pelo título em si, mas mais porque foi a última vez em que fui com meu pai ao estádio.

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“É hoje”, eu havia ouvido três vezes, e ainda não eram sete da manhã. E é isso mesmo: céu ou inferno, o sorriso bobo estampado no rosto por uma semana pelo maior momento desde 1999 ou a terrível decepção pela maior tristeza desde 2002. Hoje não há meio-termo.

Hoje podemos fazer uma comparação que parecerá descabida ao leitor mais velho, que viveu tempos de bonança e vacas magras: a partida desta noite não tem paralelo com a outra final da Copa do Brasil que vencemos; importante, mas na prática tratada como o passaporte para a Libertadores (e o resto é outra bela história). Afinal, nos cinco anos anteriores tínhamos amealhado três Paulistas, dois Brasileiros e um Rio-São Paulo.

Hoje o Palmeiras pode quebrar um jejum de mais de década (o Paulista de 2008 foi mais um momento de renovar esperanças no futuro do que a comemoração pelo título em si). Mais que isso: pode dar a toda uma geração de pequenos torcedores sua primeira grande alegria. Penso naquele japonesinho que retratou a decepção da Sul-Americana e em tantos moleques que vi nos últimos dias com o manto verde, e não tem jeito: é a partida de suas vidas.

Hoje, tomara, eles terão seu 12 de junho de 1993, como eu e você tivemos. Não vamos comparar Evair com Betinho, Mazinho com Mazinho, nem Corinthians com Coritiba, não faz sentido. Porém a ansiedade e o brilho nos olhos de quem será responsável por manter o Palmeiras grande nas décadas por vir, esses possivelmente serão iguais.

Hoje às dez da noite todas as histórias e números que desfilamos nos últimos dias ficam de lado. É hora de sentir medo, de passar nervoso, de sofrer desesperadamente durante quase duas horas, e de ao final se libertar de todas as dores acumuladas, porque hoje tem que dar tudo certo.

Hoje palmeirense nenhum dorme.

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Almas gêmeas

Anos 90: a saudade que bate cá, também bate lá. Foto: gremio1983.blogspot.com

Já faz alguns anos que os palmeirenses, ao se referirem ao jejum de títulos que a cada ano só faz aumentar, citam um tal processo de botafoguização (cuja variante é o Atlético-MG), querendo dizer que, como os alvinegros carioca e mineiro, vemos o time ser considerado cada vez mais azarão à medida em que as taças se tornam escassas – sem levar em conta que os coirmãos levaram respectivamente dois e três estaduais neste século, contra um nosso.

A comparação é errada: há um time que se aproxima mais do Palmeiras que o Galo e o Glorioso, e trata-se justamente de quem vamos enfrentar em dois duelos viscerais a partir desta quarta. Sim, senhores, é o Grêmio a alma gêmea do Verdão.

Senão, vejamos: times que tiveram uma gloriosa década de 90 – que muitas vezes fê-los ter seu destino entrelaçado – mas que neste início de século XXI foram totalmente ofuscados por seus arquirrivais. O Inter, que não tinha conquistas continentais até então, igualou as duas Libertadores e o Mundial que os tricolores ostentam e ainda pode jogar na cara uma Sul-Americana de brinde, fora terem levantado oito Gauchões contra quatro. Nós, melhor nem falar. Nesse sentido, o Botafogo ainda pode lamentar alguns títulos de Fla, Flu e Vasco, enquanto o Galo chorar a tríplice coroa cruzeirense de 2003, mas seus rivais não tiveram longos períodos de sucesso, e eles próprios já vinham de anos 90 de poucos triunfos.

De mais a mais, ao contrário dos alvinegros, apesar de (como eles) terem sido rebaixados, Palmeiras e Grêmio colecionaram algumas boas campanhas de Brasileiro que os levaram a algumas Libertadores - possibilidade que cariocas e mineiros não tiveram. Nós chegamos a semifinalistas e quadrifinalistas; eles avançaram até um vice.

Na Copa do Brasil, aí sim uma diferença relevante: enquanto nós estreamos em semifinais neste século, eles já têm uma taça (ainda bem: foi contra o Corinthians) e outra semifinal. Mesmo assim, se nós temos o ASA, eles têm o XV de Novembro de Campo Bom; se nós temos o Atlético-GO, eles têm… o Atlético-GO!

Tudo isso para chegar ao ponto: a pressão que uma equipe sofre nesta semifinal, a outra sente igual. Talvez seja um pouco pior para nós, já que este ano todos os rivais ainda estão na briga, enquanto o Inter já deu adeus à Libertadores. Claro que nem por isso a torcida gremista se dá por satisfeita, e cobrará a classificação, como nós também a exigimos.

Assim, quando a bola rolar no Olímpico, ela terá o peso de anos de insucessos de parte a parte. A busca da redenção é a mesma para os dois, e é por isto que o Palmeiras ao menos por enquanto deve esquecer o que ocorreu até aqui no Brasileiro (que é sim quase desesperador, mas não mudará até quinta) e esquecer que um tem vencido e outro perdido; isto pouco importa agora. Afinal, seu adversário é seu espelho, e a sombra da eliminação os assusta tanto quanto a nós. Neste duelo, amigos, vencerá o mais altivo. Que o Palmeiras rapidamente lamba suas feridas e saiba se lembrar de seus tempos de conquistas.

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O top 10 do top 2

368 vezes

Como o site oficial do Verdão já informou, neste domingo Felipão chegará a 368 partidas na casamata verde e se tornará o segundo técnico que mais vezes comandou o Palmeiras, superando Vanderlei Luxemburgo e ficando apenas atrás de Oswaldo Brandão, com 580.

Dificilmente o gaúcho alcançará a marca do velho mestre Brandão, que além de recordista em número de jogos, também o é em termos de tempo entre a estreia (1945) e a despedida (1980) durante suas cinco passagens. Mesmo assim, é uma marca invejável, que liga de maneira indissolúvel o comandante da Copa de 2002 (e da Libertadores de 1999, da Copa do Brasil e da Mercosul de 1998, do Rio-São Paulo de 2000 e alguns torneios amistosos, bem como vices também relevantes) ao nosso clube.

Por isso, separamos aqui 10 momentos que mostram por que Felipão será sempre lembrado no Palestra Itália. O mais interessante é que deixamos muita coisa de fora, por isso cada torcedor pode lembrar de vários que não figurem aqui. Por ora, fiquemos com estes:

10. Palmeiras 4 x 0 Vasco, 1/3/2000 (final do Torneio Rio-São Paulo)

O Palmeiras já tinha vencido a primeira partida e dominou amplamente a segunda. Foi uma conquista até tranquila, sem a tensão que anos de Felipão já nos tinham ensinado a viver. Mas foi a (até aqui) derradeira taça erguida pelo nativo de Passo Fundo no Verdão, por isso entra no Top 10.

9. Palmeiras 3 x 0 Vitória, 18/8/2010 (volta da 1ª fase da Copa Sul-Americana)

Era apenas a oitava partida após o retorno de Felipão, e a primeira decisão de mata-mata – e havíamos começado mal, perdendo por 2 a 0 para os baianos. Naquela noite, porém, Tadeu e Assunção brilharam, e o palmeirense foi dormir sonhando com novas jornadas épicas que remetesse àquele fim de século XX tão glorioso. É verdade que até agora continuamos sonhando, mas o ano começou bem, quem sabe? De toda forma, queríamos nesse ranking ao menos um momento desta segunda passagem, e esse nos parece o mais marcante.

8. Palmeiras 7 x 0 Racing, 5/8/1999 (1ª fase da Copa Mercosul)

Esta partida entra na lista por ser a maior goleada do Palmeiras em jogos oficiais sob a batuta de Felipão. Naquele ano de 1999 o time estava particularmente inspirado: depois destes 7 a 0, viriam dois 6 a 0 (sobre Grêmio e Botafogo) e um 7 a 3 sobre o Cruzeiro. Antes disso, não custa lembrar o massacre de 5 a 0 sobre o Nacional em Montevidéu, e um 5 a 0 sobre o Santos.

7. Inter 0 x 1 Palmeiras, 6/12/1997 (Quadrangular semifinal do Campeonato Brasileiro)

O jogo já não valia nada, pois o Verdão tinha se classificado à decisão na rodada anterior. Porém, escolhemos este jogo como demonstração de que aquela equipe de Felipão era capaz de feitos muito difíceis – tanto que esta vitória (com o time reserva) foi a última que conquistamos no Beira-Rio, estádio que é uma asa negra de nossa equipe.

6. Palmeiras 1 x 0 Cruzeiro, 29/12/1998 (final da Copa Mercosul)

No vestibular para a Libertadores, o Palmeiras foi aprovado com louvor. Uma bela campanha, que incluiu um aproveitamento de 100% na primeira fase, a goleada no Nacional, sangue e porrada no Paraguai e ainda a eliminação do Boca Juniors, terminou em três batalhas duras contra o Cruzeiro. No fim e quase no revéillon, deu Verdão.

5. “Tem que ter raiva dessa p#$%# de Corinthians” (dias após a derrota por 4×3 na Libertadores de 2000)

Felipão em seu estado mais puro. Como vimos, funcionou…

4. Palmeiras 2 x 0 Cruzeiro, 30/5/1998 (final da Copa do Brasil)

Felipão fora contratado para dar a Libertadores ao Verdão, o que incluía no caminho o título da Copa do Brasil. Quase que a vaga veio antes, mas o Palmeiras não conseguiu superar o Vasco de Edmundo e Evair na final do Brasileiro de 1997. Dessa vez, porém, não teve jeito: o time quase gremista de Felipão, com Arce (que, em preparação para a Copa, não estava na final) e Paulo Nunes, cumpriu sua missão. Houve percalços – a classificação para as quartas, contra o Botafogo, foi dramática, e passamos pelo Santos graças à regra dos gols fora – mas, se não fosse assim, não seria tão bom.

3. Palmeiras 2 x 1 Deportivo Cali, 16/6/1999 (final da Taça Libertadores da América)

O quê? A partida que trouxe uma taça tão reluzente apenas em terceiro? Pois é, e isso prova quantos momentos inesquecíveis aquela equipe nos trouxe. Tiramos o Vasco no Rio, o Corinthians nos pênaltis, o River com show, mas o maior sofrimento, claro, veio quando menos se esperava. Esse jogo entra na lista simbolizando toda aquela campanha que culminou em máscara de japonês.

2. Palmeiras 4 x 2 Flamengo, 21/5/1999 (partida de volta das 4ªs-de-final da Copa do Brasil)

Um jogo épico de idas e vindas em que o Palmeiras mostrou uma força e disposição que um time que vivia uma maratona parecia não ter mais. Costumo dizer que esse jogo mostrou uma comunhão entre time e torcida como jamais vi; nunca a arquibancada empurrou tão fortemente o Verdão como naquele segundo tempo. E esse é possivelmente o maior legado de Felipão.

1. Palmeiras 3 (5) x 2 (4) Corinthians, 6/6/2000 (partida de volta da semifinal da Libertadores)

Um jogo épico de idas e vindas em que o Palmeiras não só mostrou força e disposição novamente incomuns, como ainda deixou, pela segunda vez seguida, seu maior rival pelo caminho na Libertadores. Porém, em 1999 o Palmeiras dispunha de uma constelação e a vaga era plenamente factível – ainda mais com o brilhante desempenho de Marcos. Em 2000, contudo, o Corinthians veio ainda mais forte para encarar um Palmeiras que alinhava o ataque com Pena, Marcelo Ramos e Euller, e por isso a missão era muito mais complicada. E perdemos o primeiro jogo. E chegamos a estar perdendo o segundo. E buscamos forças para virar. E os cobradores de pênalti não se intimidaram diante de Dida. E o Palmeiras deu à sua torcida uma de suas noites mais especiais. E Felipão, que sairia menos de um mês depois, arranjou outro motivo para entrar para a história.

Bonus track: a “turma do amendoim”

Mesmo que não tivesse ganho nada pelo clube, Felipão teria seu lugar na eternidade. Afinal, ele cunhou a expressão conhecida de 10 entre 10 torcedores, e que se tornou quase uma instituição do Palmeiras.

O curioso é que o termo nasceu após uma partida que pouca gente se lembra: uma vitória por 2 a 1 contra o Guarani pelo Paulistão, em 21/3/1999. Veja aqui a discreta matéria da Folha do dia seguinte, que falava da reclamação de Felipão em relação à torcida. Quem diria que essa singela declaração entraria para o folclores do futebol nacional?

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Para refletir (ou rir)

“Não podia fazer uma parceria com os ingleses. Lá seriam hooligans ou chá da tarde. Também não daria no Japão. A similaridade da nação corintiana é a chinesa, um povo extremamente emotivo, trabalhador, sofrido. É triste eles não terem um futebol à altura do ping-pong, do badminton, do tênis de mesa. Queremos levar o talento lá e trazer os jovens para se aprimorarem aqui. O primeiro passo é a vinda do Zizao. Eles são loucos como a gente. Apaixonados por futebol. Imagine quando descobrirem tudo isso? Vou vender mais camisas lá na China do que aqui.”

Juro que não é implicância com o Corinthians, até porque temos um frasista de mesmo nível no Palmeiras. Mas alguém já leu tanta bobagem junta?

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A peça que falta

Pela primeira vez em bastante tempo, o Palmeiras tem um plantel numeroso. Podemos discutir a qualidade técnica de várias dessas opções, mas ao menos é possível variar taticamente a equipe, buscando opções distintas de jogo. E se no fim o que resolver forem as cobranças de falta de Assunção, qual o problema? Azar de quem não tem esse recurso.

A peça que falta para o grupo é Wesley. Não que ele seja um craque indiscutível, e nem virá por um preço baixo (se é que vai vir mesmo, mas nos parece que não tem como dar chabu), mas é sem dúvida um bom jogador, atleta que contribui para o grupo e que daria velocidade ao meio-de-campo verde, algo que nos falta hoje.

Esqueçamos as constantes lesões de Valdivia e a cirurgia de Luan, e façamos de conta que Felipão tenha à disposição todos os jogadores do grupo. Nesse caso, este redator escalaria a equipe com Deola (que precisa fazer sua parte); Cicinho, Thiago Heleno, Henrique, Juninho; Márcio Araújo, Marcos Assunção, Wesley, Daniel Carvalho; Valdivia, Barcos. No banco, Bruno, Arthur, Chico, Patrik*, Luan, Maikon Leite, Fernandão.

É um banco meio ofensivo demais, especialmente para os padrões de Felipão, porém não nos esqueçamos que Arthur era originalmente zagueiro e pode fazer essa função (Chico também pode quebrar um galho). A entrada de Luan ou Leite pode fazer Valdivia voltar ao meio-de-campo. O asterisco em Patrik significa que ele pode ser substituído por João Vítor, Carmona, Román, Gerley ou Leandro Amaro que não fará muita diferença.

E você, faria algo muito diferente? Seja Felipão por um dia e mande sua escalação.

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São José dos Campos: há 15 anos sem receber o Verdão

Ao departamento de marketing do Palmeiras

Não adianta tapar o sol com a peneira: a torcida do Palmeiras na capital paulista já não é a segunda maior; aliás, parece ocupar um terceiro posto já relativamente distante do time do Morumbi. Isso por si só não é tão grave; não sou obcecado pela ideia de ter torcida maior que a de rivais específicos, até porque sabemos que se dizer fã de um clube não significa assistir aos jogos no estádio ou mesmo em casa, e muito menos ser um “consumidor”, algo que parece ser tão importante hoje. Porém, é fato que a meninada não parece se encantar com a turma que joga de verde – e, convenhamos, dá pra entender o porquê.

Em compensação, no interior (não só de São Paulo), essa diminuição não tem sido tão acentuada. Mas o torcedor de muitas grandes cidades do Estado muitas vezes não tem acesso a jogos do time, e isso dói especialmente em locais cujos times eram frequentadores assíduos da elite paulista mas hoje definham em divisões inferiores. São José dos Campos (sétima maior cidade do Estado), Sorocaba (nona), São José do Rio Preto (12ª) e outras como Taubaté, Limeira, Araraquara e Jaú são alguns exemplos dessa situação – a bem da verdade, Rio Preto até recebeu a estreia do Palmeiras no Brasileiro de 2011, mas foi uma situação fortuita devido a uma punição. Isso sem falar de cidades sem clubes que vislumbrem a elite proximamente, como Jacareí ou Franca.

Os torcedores dessas cidades sentem saudades da presença dos clubes grandes; hoje, quando muito, os hospedam na Copa São Paulo de Futebol e Chuva Júnior. Talvez não seja o caso de o Palmeiras realizar um périplo pelo interior – embora um campeonato de primeira fase relativamente tranquila como o Paulistão e a ausência do Palestra sejam uma combinação favorável a isso – mas o clube poderia realizar eventos para agregar a torcida durante as partidas, levando a elas jogadores do presente (suspensos ou lesionados) ou ainda ex-atletas.

Exemplo: Cicinho está suspenso para o jogo de sexta (faça de conta que não é véspera de Carnaval). O clube poderia alugar um espaço em, digamos, Barretos, e levá-lo para acompanhar o jogo ali, junto dos fãs. Já no domingo da semana que vem, que tal se Marcos estivesse em Marília acompanhando o Choque-Rei ali com os torcedores de sua terra? E no Derby? Não seria possível convidar César Maluco para se juntar a seus fãs numa das tantas cidades mencionadas?

O futebol, acreditem, ainda não é só movido a dinheiro, e a paixão latente dos torcedores fisicamente distantes do clube é um ativo que não pode ser desprezado. Por isso cremos ser importante manter um canal aberto com a numerosa massa de palmeirenses dessas regiões. E, se tudo precisar envolver grana, OK: que no dia destes eventos o clube monte uma lojinha para cobrir os desembolsos…

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Eterno

Por Vinícius Baratta*

No meio da tarde de 4 de janeiro de 2012, um amigo liga: “Baratta, tá vendo as notícias? Não? Bom… tô ligando pra avisar que o Marcos parou”.

Foi como se um amigo de longa data tivesse partido dessa pra melhor. Primeiro, atônito com a notícia, fiquei sem reação. Um “não pode ser” foi o máximo que consegui verbalizar.

O futebol me proporcionou muita coisa, coisa ruim, coisa boa. O Marcos, não. Foram só coisas boas. Todo moleque que se apaixona por futebol tem ídolos, são eles que alimentam essa paixão louca pelo clube do coração. Me apaixonei de verdade pelo Palmeiras em 1999, aos berros de “MAAAAAAAAAARCOS”, quando acompanhei a campanha que colocaria o nome da Sociedade Esportiva Palmeiras na base da taça que o rival jamais conquistará. 

Neste ano iniciou-se a canonização do rapaz de Oriente, que saiu do banco de reservas palestrino, operou milagres e conquistou devotos e apóstolos alvi-verdes. Só que não vou chamá-lo de “Santo”. Marcos foi e sempre será aquilo que gostaríamos de ser: uma pessoa simples, honesta e sincera que conquistou o mundo por suas qualidades e defeitos. Marcos está para o futebol como o grande exemplo de humanidade do futebol. E é por isso que, sendo ou não o goleiro titular da seleção brasileira na última taça importante que a CBF conquistou, Marcos já era querido por muitos torcedores e não-torcedores Brasil afora. Mesmo após ser um dos responsáveis pelo gol na final do mundial do mesmo ano, Marcos continuou sendo ídolo da torcida palmeirense. Na boa? Aquilo nem importa mais nesse momento…

Marcos nunca foi um goleiro espalhafatoso. Sempre teve classe. Foi o melhor goleiro que este mundo viu jogar. Que eu vi jogar. Que a geração de toda uma nação, canarinho e alvi-verde, viu jogar. E hoje ele nos deixa órfãos de seu futebol. De sua categoria, de seu amor à camisa e à profissão, de seu exemplo de profissional, líder e torcedor! Hoje, o Santo prova que é humano, tal qual eu e você, leitor. Ele esvazia o armário que lhe pertenceu por 19 anos na Academia de Futebol. Portanto, o dia 4 de janeiro de 2011 é um dos dias mais tristes da minha vida. E da existência do futebol. A partir desta data, Marcos não vai mais pisar como goleiro titular no estádio, nem no velho nem no novo Palestra. Não veremos mais o número “12” debaixo das traves que o consagraram, não teremos mais entrevistas até a madrugada, contando como era boa a vida das pescarias, as frases épicas, piadas com sotaque caipira, como foi bom jogar aquela partida pelo Palmeiras ou como a diretoria deveria se coçar por reforços (Deus, como isso fará falta). Não teremos mais Ele batendo nos braços pedindo garra pros companheiros. Não vamos mais escutar o capitão no vestiário, dizendo “eu não vou perder. Eu não vou ter medo de errar. Se eu errar, foda-se, mas eu não vou perder”. Não serei cego a ponto de dizer que ele deixa um vazio, já que construiu uma história que vamos contar para filhos e netos e amantes do futebol.

Foi em 4 de maio de 2008 que a Sociedade Esportiva Palmeiras levantou seu último caneco. E esta foi  última taça que Ele levantou pelo Palmeiras. Naquela tarde de domingo em que fomos campeões paulistas pela 24ª vez em nossa história, com uma campanha irretocável capitaneada por Ele. Marcos me fez chorar igual criança quando, ao som do hino do Palmeiras correu tresloucado em volta do velho (e saudoso) Palestra Itália (após ser substituído por Diego Cavalieri), batendo no escudo do clube do coração Dele (e do meu também). Ele correu os quatro cantos do estádio, repetindo o gesto de carinho com aqueles que o admiram. As lágrimas me permitiram vê-lo esmurrando o próprio peito, de tanto orgulho que Ele tinha de estar ali. E foi no mesmo Palestra que vi Sua Santidade saindo pela última vez do nosso querido Jardim Suspenso, num 4×2 em cima do Grêmio de Porto Alegre. Não saí do estádio enquanto Ele não saía do campo.

Sempre gostei de ir ao estádio torcer pelo Palmeiras. E quando Ele estava em campo, era uma coisa diferente. Era uma vibração diferente. Vê-lo saudando a torcida, ajoelhado sob as traves… aquilo tudo era épico. Ùnico. Sempre que via o Marcos jogar, pensava: “Aproveita, por que um dia Ele pára. E as coisas perderão um pouco o sentido que têm”. A cada defesa d’Ele, vibrava como se fosse um gol, melhor, uma vitória! Vários milagres aconteceram perante meus olhos e, mesmo buscando a lógica, era impossível compreender! Como Ele poderia ficar suspenso no ar? Como ele, com seus 37 anos, poderia ter agilidade pra fazer uma defesa igual daquelas (escolha aleatoriamente, não importa)? Com todo o histórico de lesões? Ainda lembro a minha ansiedade em vê-lo pisar em campo quando voltei a frequentar estádios, em 2006… naquele ano, não pude fazê-lo. Nem seque lembro de quando foi que o vi em ação novamente, mas lembro bem que a sensação era de conforto por tê-lo defedendo a nossa meta.

Tive oportunidade de encontrá-lo em 2008, quando ele estava em fase final de recuperação para assumir a faixa de capitão e titularidade do último grande elenco que tivemos. Quando me aproximei, juro que não consegui falar, de tanto que eu gaguejava. Apenas consegui balbuciar “foto?”, apontar para o japonês com a câmera e abraçá-lo, posando para a tal foto. Parecia que Ele tinha três metros de altura! Tirou uma foto comigo, apertou minha mão e eu pude, pessoalmente, lhe dizer “muito obrigado por tudo que você fez pra gente.” Ele simplesmente acenou e disse: “Magina, não foi nada”. Nada pra você, Marcão, que conquistou o mundo.

Dizem que Marcos já não tem mais condições físicas de jogar. Para cada ano de carreira, ele ganhou uma lesão! E não tou falando de estiramento na coxa não. O cara quebrou dedo, braço, fíbula, punho, estourou joelho, braço e a puta que pariu. E quantas vezes não se quebrou por ser um jogador “limpo”? Em 2007, quebrou o braço numa dividida em que qualquer goleiro iria se defender (e machucar o adversário). Não o fez e se quebrou. E junto com ele, a torcida se quebrava também, e a cada lesão, a gente dividia (ou tentava) dividir a dor com Ele.

Marcos Roberto Silveira Reis, o maior jogador de futebol para a minha geração de palestrinos, palmeiristas e palmeirenses. Você é responsável por um grande e importante pedaço da História do Campeão do Século. Passam Sacomanis, Contursis, Belluzzos e Tirones, mas o sobrenome “Silveira Reis” está eternizado na grandeza da Sociedade Esportiva Palmeiras ao lado de “da Guia”, “Fiúme” e “Oliveira” (os dois). A Sua Santidade, o meu (nosso) mais sincero muito obrigado. Ao Marcão, a minha (nossa) reverência. Ao Marcos, a sensação de que podemos ter sucesso, superar desafios e sermos os melhores naquilo que fazemos, sem deixar de lado a humildade e o respeito pelo próximo.

Hoje Marcos, você me fez chorar igual criança outra vez.

Um abraço emocionado e até breve.

*Baratta é provavelmente mais fã de Marcos do que os três editores juntos, por isso foi convidado a deixar seu registro desse dia tristemente histórico

*

Os números de Marcos? Bom, ele é o sétimo atleta que mais vestiu o manto, com 530 partidas. Mas há muito mais curiosidades no site oficial, confira.

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