Ontem testemunhamos a reestreia de Obina pelo Palmeiras. Seu retorno se deve em grande parte ao jogo que marcou sua primeira passagem pelo Palmeiras, e o consultor de TI Rafael Tofaneli presenciou a exuberante exibição do então camisa 28 naquela tarde em sua Presidente Prudente natal. Hat-trick e vitória num Derby em sua cidade? É realmente um jogo inesquecível.
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É claro que como Palmeirense, me marcou muito a final do Paulistão de 93 com a inesquecível narração do José Silvério no gol de pênalti do Evair, “Agora eu vou soltar a minha voz!”, a final da Copa do Brasil de 98 com aquele gol espírita do Oséas, a classificação sobre o Flamengo com 2 gols de cabeça do Euller no finalzinho, a final da Libertadores de 99, o memorável jogo em que o Marcos defendeu pênalti do Marcelinho.
Já estive em vários jogos do Palmeiras no Pacaembu, Palestra Itália, Canindé e principalmente na maioria dos jogos do Palmeiras no Prudentão, na minha amada e querida terra, Presidente Prudente – SP.
Em Prudente, como sabemos, o Palmeiras é imbatível em clássicos, com vários jogos memoráveis, goleamos nossos maiores rivais várias vezes, em que estive presente nas arquibancadas, assistindo esquadrões, compostos por Edmundo, Evair, Rivaldo, Alex, Junior, César Sampaio e Marcos, mas também jogos sofríveis em que tínhamos Enilton, Rosembrick, Nem, Alexandre, Rovílson, Alceu com a camisa 10, dentre outros.
Porém, um jogo que me marcou muito não foi em nenhuma destas fases, foi um ano que fez muitos Palmeirense chorarem ao final, depois de deixar escapar um Campeonato Brasileiro praticamente ganho, o maldito certame de 2009. Foi uma partida com o enredo inusitado, com o ator principal que ninguém esperava no final, porque do nosso lado tínhamos jogadores em ótimas fases e em momento de seleção brasileira, Diego Souza e Cleiton Xavier. O ataque havia perdido recentemente Keirrison que veio de Curitiba fazendo um caminhão de gols, ocasionando a queda de Luxemburgo e estava a espera da volta de Vagner Love.
Tudo conspirava contra nós, estávamos de técnico interino, Jorginho em sua última partida antes de liberar a cadeira para o Muricy, que acompanhou o jogo do camarote. Vínhamos de uma traumática eliminação na Libertadores pelo Nacional em Montevidéu com direito a gol incrível perdido pelo herói deste jogo. O time teve que enfrentar a viagem de 560 quilômetros de São Paulo a Prudente de ônibus por problemas no voo, e o palco da partida aguardava o homenageado e principal jogador do maior nosso rival e adversário naquela partida, com a prefeitura entregando a plaquinha pelo gol que havia feito no clássico anterior derrubando o alambrado.
Pelo lado deles, além do “robusto” craque do time em grande fase, eles vinham de conquistas de Copa do Brasil e Campeonato Paulista.
Era realmente um dia atípico de futebol, em uma rara tarde de muito frio e chuva na cidade, eu e alguns amigos caminhamos 3 kms até o estádio, em razão do trânsito. Tivemos que correr de um ônibus da organizada rival, que nos avistaram na rua com camisas e bandeiras e queriam nos bater, houve superfaturamento de capas de chuvas por parte dos ambulantes, mas tudo isso compensou com a bola rolando em campo…
O Palmeiras entrou em campo com um time cauteloso, refletindo todos os fatores acima, Jorginho optou por uma formação com 3 volantes. O time entrou em campo com Pierre, Edmílson, Souza, Cleiton Xavier e Diego Souza no meio-campo, e só Obina isolado no ataque. Porém, o time teoricamente defensivo surpreendentemente começou o jogo dominando o rival, o time tocava bem a bola e o jogo fluía, a marcação era precisa, tanto é que logo aos 7 minutos Cleiton Xavier acertou o travessão em uma cobrança de falta.
Aos 10 minutos, após escanteio, o ataque palmeirense desviou a bola e Obina completou para o gol. O auxiliar invalidou o gol alegando impedimento. Percebendo a superioridade, 5 minutos depois, o atual técnico da seleção brasileira e técnico rival na época, aproveitou a saída do seu camisa 9, por contusão no braço, depois de uma paulistinha de Souza, para colocar mais um volante, reforçando a marcação que sofria muito com a dupla Diego Souza e Cleiton Xavier em tarde inspirada.
A partir daí, o jogo foi totalmente dominado pelo lado palestrino, tanto é que não demorou muito para Obina abrir o placar, Pierre foi ao fundo pela direita e cruzou na área. O centroavante, se antecipou a Chicão, mergulhou e cabeceou sem chances de defesa aos 31 minutos.
GOLAÇO!!!
Eufórico na arquibancada, ainda lamentamos algumas chances perdidas ainda até o final na primeira etapa.
Na inicio da segunda etapa, o rival equilibrou as ações de meio campo. Mas aos 13 minutos, após jogada de Cleiton Xavier, Chicão derruba o camisa 10 dentro da área e o juiz assinala penalti. Obina bateu duas vezes, já que o árbitro mandou voltar a primeira cobrança.
GOOOOOOLLL!!!
Depois do segundo tento, o time alviverde virou um rolo compressor, tanto é que não demorou muito para chegar ao terceiro gol. Aos 20, em grande jogada de Cleiton Xavier, que frente a frente com o goleiro adversário, não quis ofuscar o principal nome do jogo, só rolou para OB28 que sem goleiro, ganhou o direito de pedir música no Fantástico.
OBINA É MELHOR QUE ETO’O!!!
A partir daí, o time rival se desestabilizou, tanto é que ficou com 10 jogadores poucos minutos depois. Com a partida definida, a torcida adversária indo embora faltando 20 minutos para o final, só restou ao Palmeiras tocar a bola e a torcida gritar Olé a cada toque de um jogador Palmeirense.
Ao final do jogo, o cara do jogo que havia anotado 5 tentos, 2 deles anulados, ficou vários minutos acenando para torcida no alambrado que gritava: “ÔÔÔÔÔÔ, Obina é melhor que o Eto’o…”
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CONTEXTO
O cenário já foi bastante descrito no texto. Acrescentaremos apenas que o jogo valeu pela 14ª rodada do Campeonato Brasileiro de 2009 e ambos os times chegaram bem àquela partida – o Palmeiras era o vice-líder, três pontos atrás do Atlético-MG, e o Corinthians estava em quarto, dois pontos atrás do Verdão.
FICHA TÉCNICA
CORINTHIANS 0 X 3 PALMEIRAS – 26 DE JULHO DE 2009 – CAMPEONATO BRASILEIRO
Local: Estádio Eduardo José Farah, em Presidente Prudente (SP)
Horário: 16 horas
Árbitro: Leonardo Gaciba da Silva (Fifa-RS) Assistentes: Ednilson Corona e Marcelo Carvalho Van Gasse (ambos SP)
Cartões Amarelos: Maurício Ramos, Armero, Sandro Silva, Edmilson e Obina (Palmeiras); Alessandro, Diego Elias (Corinthians)
Cartão Vermelho: Alessandro (Corinthians)
Gols: Obina, aos 31 minutos do primeiro tempo, aos 15 e aos 19 minutos do segundo tempo
Corinthians: Felipe; Diogo (Alessandro), Chicão, William e Diego (Marcinho); Jucilei, Elias e Douglas; Jorge Henrique, Ronaldo (Moradei) e Dentinho Técnico: Mano Menezes
Palmeiras: Marcos; Wendel, Maurício Ramos, Danilo e Armero; Pierre, Souza, Edmilson (Sandro Silva), Cleiton Xavier (Deyvid Sacconi), Diego Souza e Obina Técnico: Jorginho (interino)
NO DIA SEGUINTE
Como sói acontecer, para a Folha não foi o Palmeiras quem ganhou, e sim o adversário que perdeu. Esperem Obina calá-los outra vez.
REVEJA













