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Archive for the ‘Meu jogo inesquecível’ Category

Eto’o já fez três gols num Derby?

Ontem testemunhamos a reestreia de Obina pelo Palmeiras. Seu retorno se deve em grande parte ao jogo que marcou sua primeira passagem pelo Palmeiras, e o consultor de TI Rafael Tofaneli presenciou a exuberante exibição do então camisa 28 naquela tarde em sua Presidente Prudente natal. Hat-trick e vitória num Derby em sua cidade? É realmente um jogo inesquecível.

*

É claro que como Palmeirense, me marcou muito a final do Paulistão de 93 com a inesquecível narração do José Silvério no gol de pênalti do Evair, “Agora eu vou soltar a minha voz!”, a final da Copa do Brasil de 98 com aquele gol espírita do Oséas, a classificação sobre o Flamengo com 2 gols de cabeça do Euller no finalzinho, a final da Libertadores de 99, o memorável jogo em que o Marcos defendeu pênalti do Marcelinho.

Já estive em vários jogos do Palmeiras no Pacaembu, Palestra Itália, Canindé e principalmente na maioria dos jogos do Palmeiras no Prudentão, na minha amada e querida terra, Presidente Prudente – SP.

Em Prudente, como sabemos, o Palmeiras é imbatível em clássicos, com vários jogos memoráveis, goleamos nossos maiores rivais várias vezes, em que estive presente nas arquibancadas, assistindo esquadrões, compostos por Edmundo, Evair, Rivaldo, Alex, Junior, César Sampaio e Marcos, mas também jogos sofríveis em que tínhamos Enilton, Rosembrick, Nem, Alexandre, Rovílson, Alceu com a camisa 10, dentre outros.

Porém, um jogo que me marcou muito não foi em nenhuma destas fases, foi um ano que fez muitos Palmeirense chorarem ao final, depois de deixar escapar um Campeonato Brasileiro praticamente ganho, o maldito certame de 2009. Foi uma partida com o enredo inusitado, com o ator principal que ninguém esperava no final, porque do nosso lado tínhamos jogadores em ótimas fases e em momento de seleção brasileira, Diego Souza e Cleiton Xavier. O ataque havia perdido recentemente Keirrison que veio de Curitiba fazendo um caminhão de gols, ocasionando a queda de Luxemburgo e estava a espera da volta de Vagner Love.

Tudo conspirava contra nós, estávamos de técnico interino, Jorginho em sua última partida antes de liberar a cadeira para o Muricy, que acompanhou o jogo do camarote. Vínhamos de uma traumática eliminação na Libertadores pelo Nacional em Montevidéu com direito a gol incrível perdido pelo herói deste jogo. O time teve que enfrentar a viagem de 560 quilômetros de São Paulo a Prudente de ônibus por problemas no voo, e o palco da partida aguardava o homenageado e principal jogador do maior nosso rival e adversário naquela partida, com a prefeitura entregando a plaquinha pelo gol que havia feito no clássico anterior derrubando o alambrado.

Pelo lado deles, além do “robusto” craque do time em grande fase, eles vinham de conquistas de Copa do Brasil e Campeonato Paulista.

Era realmente um dia atípico de futebol, em uma rara tarde de muito frio e chuva na cidade, eu e alguns amigos caminhamos 3 kms até o estádio, em razão do trânsito. Tivemos que correr de um ônibus da organizada rival, que nos avistaram na rua com camisas e bandeiras e queriam nos bater, houve superfaturamento de capas de chuvas por parte dos ambulantes, mas tudo isso compensou com a bola rolando em campo…

O Palmeiras entrou em campo com um time cauteloso, refletindo todos os fatores acima, Jorginho optou por uma formação com 3 volantes. O time entrou em campo com Pierre, Edmílson, Souza, Cleiton Xavier e Diego Souza no meio-campo, e só Obina isolado no ataque. Porém, o time teoricamente defensivo surpreendentemente começou o jogo dominando o rival, o time tocava bem a bola e o jogo fluía, a marcação era precisa, tanto é que logo aos 7 minutos Cleiton Xavier acertou o travessão em uma cobrança de falta.

Aos 10 minutos, após escanteio, o ataque palmeirense desviou a bola e Obina completou para o gol. O auxiliar invalidou o gol alegando impedimento. Percebendo a superioridade, 5 minutos depois, o atual técnico da seleção brasileira e técnico rival na época, aproveitou a saída do seu camisa 9, por contusão no braço, depois de uma paulistinha de Souza, para colocar mais um volante, reforçando a marcação que sofria muito com a dupla Diego Souza e Cleiton Xavier em tarde inspirada.

A partir daí, o jogo foi totalmente dominado pelo lado palestrino, tanto é que não demorou muito para Obina abrir o placar, Pierre foi ao fundo pela direita e cruzou na área. O centroavante, se antecipou a Chicão, mergulhou e cabeceou sem chances de defesa aos 31 minutos.

GOLAÇO!!!

Eufórico na arquibancada, ainda lamentamos algumas chances perdidas ainda até o final na primeira etapa.

Na inicio da segunda etapa, o rival equilibrou as ações de meio campo. Mas aos 13 minutos, após jogada de Cleiton Xavier, Chicão derruba o camisa 10 dentro da área e o juiz assinala penalti. Obina bateu duas vezes, já que o árbitro mandou voltar a primeira cobrança.

GOOOOOOLLL!!!

Depois do segundo tento, o time alviverde virou um rolo compressor, tanto é que não demorou muito para chegar ao terceiro gol. Aos 20, em grande jogada de Cleiton Xavier, que frente a frente com o goleiro adversário, não quis ofuscar o principal nome do jogo, só rolou para OB28 que sem goleiro, ganhou o direito de pedir música no Fantástico.

OBINA É MELHOR QUE ETO’O!!!

A partir daí, o time rival se desestabilizou, tanto é que ficou com 10 jogadores poucos minutos depois. Com a partida definida, a torcida adversária indo embora faltando 20 minutos para o final, só restou ao Palmeiras tocar a bola e a torcida gritar Olé a cada toque de um jogador Palmeirense.

Ao final do jogo, o cara do jogo que havia anotado 5 tentos, 2 deles anulados, ficou vários minutos acenando para torcida no alambrado que gritava: “ÔÔÔÔÔÔ, Obina é melhor que o Eto’o…”

*

CONTEXTO

O cenário já foi bastante descrito no texto. Acrescentaremos apenas que o jogo valeu pela 14ª rodada do Campeonato Brasileiro de 2009 e ambos os times chegaram bem àquela partida – o Palmeiras era o vice-líder, três pontos atrás do Atlético-MG, e o Corinthians estava em quarto, dois pontos atrás do Verdão.

FICHA TÉCNICA

CORINTHIANS 0 X 3 PALMEIRAS – 26 DE JULHO DE 2009 – CAMPEONATO BRASILEIRO

Local: Estádio Eduardo José Farah, em Presidente Prudente (SP)

Horário:  16 horas

Árbitro: Leonardo Gaciba da Silva (Fifa-RS) Assistentes: Ednilson Corona e Marcelo Carvalho Van Gasse (ambos SP)

Cartões Amarelos: Maurício Ramos, Armero, Sandro Silva, Edmilson e Obina (Palmeiras); Alessandro, Diego Elias (Corinthians)

Cartão Vermelho: Alessandro (Corinthians)

Gols: Obina, aos 31 minutos do primeiro tempo, aos 15 e aos 19 minutos do segundo tempo

Corinthians: Felipe; Diogo (Alessandro), Chicão, William e Diego (Marcinho); Jucilei, Elias e Douglas; Jorge Henrique, Ronaldo (Moradei) e Dentinho Técnico: Mano Menezes

Palmeiras: Marcos; Wendel, Maurício Ramos, Danilo e Armero; Pierre, Souza, Edmilson (Sandro Silva), Cleiton Xavier (Deyvid Sacconi), Diego Souza e Obina Técnico: Jorginho (interino)

NO DIA SEGUINTE

Como sói acontecer, para a Folha não foi o Palmeiras quem ganhou, e sim o adversário que perdeu. Esperem Obina calá-los outra vez.

REVEJA

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Um momento de insanidade

Há momentos de catarse que só o futebol proporciona. Foi o que percebeu Kristian Bengtson, dono do provavelmente único blog do Verdão em inglês, o Anything Palmeiras, e com absoluta certeza o mais fanático palmeirense sueco, que relata aqui quando isso aconteceu.

*

Um zumbido nos ouvidos e a sensação de leveza na cabeça preocupam um pouco. Idem o coração martelando forte no peito. Estou nitidamente fora de forma. Busco apoio na parede do corredor, enquanto traço meu caminho de volta, sentindo minha testa já molhado de suor apesar da explosão de atividade ter sido tão breve.

Passo em frente a uma porta que não estava aberta segundos atrás e que já vai se fechando novamente. Passo por outra, e outra semi-aberta, também a ponto de se fechar.

Um pouco mais adiante, meu colega me observa, lentamente sacudindo a cabeça. Passo também pela porta do quarto onde ele está hospedado e ameaço abrir um sorriso ao escutar um “Maluco, vai se tratar!” antes de a porta dele também se fechar.

Estou novamente sozinho, no fim do corredor do Hotel Internacional, em Campo Grande, às 23h43 no dia 19 de agosto de 2010. Minha insanidade barulhenta e triunfal durou menos de 30 segundos. Se bobear, o jogo nem recomeçou após Assunção ter colocado a gorduchinha na gaveta! Mas recomeçar por quê? Foi praticamente o último lance do jogo! Palmeiras classificado!

Viro a maçaneta. Solto um suspiro. Desço novamente o corredor todo, agora menos triunfal, rumo ao lobby, pedir ajuda para abrir a maldita porta trancada.

*

CONTEXTO

Era a primeira fase da Copa Sul-Americana de 2010, e o Palmeiras havia levado 2 a 0 em Salvador. Não parecia que o time que caíra para o Atlético-GO na Copa do Brasil teria forças para reagir. Mas havia uma grande esperança aos olhos do torcedor: era a oitava partida de Felipão desde seu retorno, e a primeira em que o espírito dos anos 90 deveria prevalecer. Na noite em que Marcos completava sua quingentésima partida pelo Verdão tudo deu certo – tão certo que até Tadeu marcou dois de seus únicos três gols no clube. E a cereja do bolo foi a estupenda cobrança de falta de Marcos Assunção, com quem o palmeirense ainda não estava acostumado (foi apenas seu segundo gol pelo clube).

Por uma noite, os palestrinos reviveram tempos de glória.

FICHA TÉCNICA

PALMEIRAS 3 x 0 VITÓRIA

Local: Estádio do Pacaembu, em São Paulo (SP) Data: 19 de agosto de 2010, quinta-feira Horário: 21h50 (de Brasília) Renda: R$ 437.422,00 Público: 21.950 pagantes (458 não pagantes) Árbitro: Heber Roberto Lopes (Brasil) Assistentes: Erich Bandeira e Dibert Pedrosa (ambos do Brasil) Cartões amarelos: Eduardo (Vitória) Gols: PALMEIRAS: Tadeu, aos 47 minutos do primeiro tempo e aos 12 minutos do segundo tempo; Marcos Assunção, aos 44 minutos do segundo tempo.

PALMEIRAS: Marcos; Maurício Ramos, Danilo e Fabrício (Ewerthon); Márcio Araújo, Edinho, Marcos Assunção, Tinga e Rivaldo; Luan (Patrik) e Tadeu Técnico: Luiz Felipe Scolari

VITÓRIA: Viáfara; Eduardo Diniz, Anderson Martins, Wallace e Egídio; Vanderson, Ricardo Conceição, Ramon (Neto Coruja depois Renato) e Thiago Humberto; Elkeson e Schwenck (Junior) Técnico: Toninho Cecílio.

NO DIA SEGUINTE

A Folha conseguiu captar a importância daquele momento, mesmo sendo apenas a primeira fase do torneio

RELEMBRE

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O gol olímpico de Éder

Uma partida em que o cenário era do contra: após um primeiro jogo bastante nebuloso, o Palmeiras partiria em desvantagem para o sergundo Derby semifinal de 1986. Mas os adolescentes também são do contra e por isso se sentem à vontade nesses momentos, sendo muitas vezes recompensados de forma que jamais se esquecerão. Foi o que aconteceu naquela partida histórica com o então jovem Paulo Cesar Campanili, o PC, que anos depois seria premiado pelo Terceira Via Verdão como o maior entendido em Palmeiras. O cara não é fraco não!

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Minha obsessão por essa partida já foi até motivo de piada por um grupo de amigos do qual fazem parte os editores desse prestigiado blog. Mas ele continua sendo o mais vivo na minha memória.

Campeonato Paulista nos anos 80, regra geral, tinha turno, returno e fase final; assim, era normal haver 4 dérbis em 6 meses. Foi o que aconteceu em 1986.

Depois de meter 2×0 no primeiro turno (Mendonça e Mirandinha) e 5×1 no segundo (Vagner, Edu, Edmar, Mirandinha e Edmar), o destino colocou os maiores rivais do futebol mundial frente a frente na semi-final daquele campeonato.

Mata-mata em duas partidas. Vantagem para o Palmeiras que fez melhor campanha que o adversário. Do outro lado, 3 jogadores que disputaram a Copa do México poucas semanas antes e mais 8 Wilsons Manos; do nosso um time de macacos velhos, como Diogo, Vagner, Lino, Mendonça, Jorginho, Edmar, Éder e o mito Mirandinha, mais a maior revelação das categorias de base do Palmeiras dos últimos 30 anos (só comparável com Vagner Love) – Edu.

No primeiro jogo, o mesmo craque que ainda decide para eles hoje em dia, mais de 25 anos depois, desequilibrou. Um gol legítimo anulado, dois pênaltis escandalosos não marcados a favor do Palmeiras e Edu, nosso melhor jogador da década perdida, expulso injustamente. Vitória do Apito Amigo. Pelo menos o Muzzarella levou o terceiro amarelo e estava fora do dérbi decisivo.

Agora o que interessa: o jogo de volta. Pelo regulamento, o Palmeiras precisava vencer no tempo normal por qualquer placar e empatar na prorrogação. Como já mencionado, nosso time era muito melhor. Neste contexto, saímos da ZN meu irmão, eu e dois camaradas do C.R. Tietê rumo àquele estádio primitivo do outro lado da cidade. Nos posicionamos estrategicamente atrás do gol em que tudo aconteceria naquela noite.

Estádio dividido. Timinho todo na retranca (depois daquela partida só me refiro a eles como timinho), com o Casagrande de 11º zagueiro, enervando os jogadores Palmeirenses e deixando a torcida a cada minuto mais tensa. Só que ninguém arredou os pés do estádio. 40 minutos do segundo tempo, e todo mundo lá, em silêncio, assistindo à “fiel” desfraldar suas bandeiras e gritar “é campeão!”, ao movimento da “ola” que só eles faziam no Brasil após a Copa do México.

E não pararam por 3 minutos. 2 minutos para o final. Falta na lateral, lá na intermediária, daquelas que nunca dão em nada. O time todo na área na base do desepero. Jorginho, que tinha um aproveitamento em bolas paradas melhor que o Marcos Assunção, faz o levantamento na medida para canela sagrada do Mirandinha e gooooooooooooooooooooooooool!!!!!!!!!!!!!!!

Final do tempo normal. Um vitória para cada lado, então vamos à prorrogação. O timinho veio com mais uns 4 atacantes, todos do nível do Dicão, e foi com tudo para cima. Uma temeridade contra um time que tinha Mirandinha, veloz como Maikon Leite e muito mais matador que o Barcos.

No primeiro contra-ataque, bola em profundidade. Mirandinha em sua especialidade, no mano a mano, corta o zagueirão e bate no contrapé do goleiro. Goooooooooooooooooooool!!!!!!!!!!! Nas arquibancadas aquela festa que todos conhecem. Amigos se abrançando como se fosse aniversário, casamento ou formatura de algum deles, torcida fazendo a ola (acho que os adversários nunca mais fizeram) e gritando “JUSTIÇA! JUSTIÇA! JUSTIÇA!”

Mas em campo o time queria mais: Éder cobra escanteio e o melhor goleiro do Brasil na época nem vê por onde a bola passou. Gooooooooooooooooooooooool! Olímpico! Aí foi só por na roda e esperar o fim do jogo.

Fora do estádio a festa continuou. Trânsito parado e os Palmeirenses desciam de seus carros para se abraçarem. Pessoas que nem se conheciam. Quando dava para passar da segunda marcha, buzinaço e tiração de sarro com os curintianos que iam embora a pé.

Cheguei em casa 3:00 da manhã. Jantei, contei todos os detalhes do jogo para o meu pai e 6:30 estava de pé (na verdade, nem preguei os olhos) para ir ao colégio comemorar com a galera do único ano da minha vida estudantil em que a maioria da sala era Palmeirense e tirar uma onda com os corintianos ou pelo menos com o único sujeito homem que teve a hombridade de dar as caras na escola naquele dia.

Saldo do Paulistão 1986: PALMEIRAS 10 X 2 timinho.

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CONTEXTO

Como PC citou, o campeonato teve turno (vencido pelo Santos), returno (vencido pela Inter de Limeira) e fase final em mata-mata (do qual participaram também Palmeiras e Corinthians pela soma dos pontos nas fases anteriores).

A chave da semifinal foi determinada pela pontuação: enfrentar-se-iam Inter (1º) x Santos (4º) e Palmeiras (2º) x Corinthians (3º). E foi assim que surgiu a oportunidade de derrotar o arquirrival naquele histórico Derby de número 246.

Talvez os mais jovens possam se perguntar por que tanto se fala deste jogo, se depois perderíamos a final. Neste caso, considere dois fatores: em primeiro lugar, ela representou um obstáculo grande a ser superado antes do que parecia ser a consagração após anos de jejum (guardadas as proporções, foi mais ou menos como bater o São Paulo na semifinal de 2008 antes de pegar a Ponte na decisão, mas naquela época o Paulistão valia bem mais); segundo, era um Derby semifinal, e isso diz tudo - não celebramos também até hoje a defesa de Marcos no pênalti de Marcelinho?

FICHA TÉCNICA

27/08/1986 – PALMEIRAS 1 (2) x (0) 0 CORINTHIANS – CAMPEONATO PAULISTA

Estádio: Morumbi      Horário: 21h00     Público: 92.982 pagantes     Renda: Cz$ 2.919.660,00

Árbitro: José de Assis Aragão (SP) – Assistentes: Eduardo Alves Ferreira (SP), Edmundo de Lima Filho (SP)

Palmeiras: Martorelli, Ditinho, Márcio, Wagner Bacharel, Diogo, Gérson Caçapa, Lino, Mendonça (Barbosa), Jorginho Putinatti, Edmar (Mirandinha), Éder – Técnico: José Luís Carbone

Corinthians: Carlos, Édson Boaro, Paulo Feitosa, Edvaldo, Jacenir, Wílson Mano, Biro-Biro, Cristovão, Cacau (Dicão), Casagrande, Lima (Ricardo Moraes) – Técnico: Rubens Minelli

Cartões amarelos: Éder (Palmeiras), Wílson Mano, Cristovão, Paulo (Corinthians)

Gols: Mirandinha (Palmeiras), 42 min segundo tempo, Mirandinha (Palmeiras), 4 min, Éder (Palmeiras), 13 min primeiro tempo da prorrogação

NO DIA SEGUINTE

“O Palmeiras vence duas vezes e vai à final”, foi a chamada de capa da Folha do dia seguinte. O texto principal destaca a garra da equipe. Ué, quem é o time da raça mesmo?

REVEJA

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Jair Rosa Pinto marca o quinto gol daquela tarde de sábado

Ah, a primeira ida ao estádio quando ainda somos crianças… é nesses momentos que a alma de um torcedor se forja para sempre. Jota Roberto Christianini, enciclopédia viva do Palmeiras, dispensa maiores apresentações, mas aqui trazemos seu relato para ajudar a entender como sua história de devoção ao clube começou.

*

Imaginem a emoção de um menino de 7 anos quando ouviu: “Vamos ao campo do Palmeiras ver o jogo!” Hoje? “Agora! e anda logo que o jogo ja vai começar”.

Meu tio Roque, meu pai, meu irmão, 2 primos, todos correndo em direção a Rua Guaicurus para pegar o bonde. Criança não pagava e meu pai e tio também não porque eram sócios – como mudaram as coisas hein. Afinal o jogo era as 15:00 e já passavam das 14:30. Era a primeira vez que veria aquilo que então só imaginava pela narração do Pedro Luís na Radio Panamericana – quase sintonia fixa na minha casa – e pelas fotos dos jornais do dia seguinte. Era emoção demais, eu veria Humberto Tozzi; mal sabia que logo ao chegar ampliaria os meus idolos, colocaria Liminha no panteão dos grandes que honraram a camisa alvi-verde.

Lá se vão quase 60 anos, mas confesso a vocês que parece que foi ontem. No fundo eu gostaria que tudo tivesse acontecido ontem. Não tinha a noção que veria jogadores que depois seriam lendas na história palestrina. Eu os vi, ao vivo e em cores. Coisa inimaginável para os meninos da época. Na volta comemorando a vitória e depois muitos dias contando a emoção e sensação de ter visto aquelas camisas verdes, tom imperial, que já faziam e continuariam a fazer tremer os adversários. O amor já existia, nesse dia firmou-se para sempre.

1º de outubro de 1955: parece que foi ontem, mas lá vão quase 57 anos da primeira vez que entrei em Palestra Italia para ver um jogo de futebol.

E que jogo! Já contei no 3VV inúmeras vezes que ao entrar Liminha fez um gol e veio em minha direção – eu cheguei com o jogo em  andamento.

Sempre disse que ele marcou o gol porque me viu chegar.

A irmã dele – Liminha faleceu há mais de 20 anos -  confirmou o fato dizendo que o irmão sempre dizia que marcara aquele gol por ter visto eu chegar.

Entrei pela Turiassu, então um portãozinho, e vi Valdemar Fiume, Jair Rosa Pinto, Liminha, Rodrigues e não vi o Mário Travaglini jogar de beque, pois sentiu contusão nos vestiários e não entrou. Também jogou Lima, o Garoto de Ouro do Palmeiras, que após 16 anos de Palestra estreava, naquela tarde de sábado, no Jabaquara.

Como a primeira vez ninguem esquece e após 55 anos eu posso, com justa razão, dizer essa: Meninos, eu vi!

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CONTEXTO

O Paulistão de 1955 foi disputado em turno e returno por 14 equipes, num total de 26 jogos para cada uma, e a partida que Jota presenciou valeu pela 10ª rodada. O Verdão, cujo último título fora cinco anos antes, tinha começado bem com sete vitórias consecutivas, mas perdeu as duas seguintes, para Portuguesa e o futuro campeão Santos, em partida que valeu a liderança ao time da Vila até aquele momento, pois ambos estavam empatados. No fim, diversos tropeços fizeram a equipe terminar em quarto lugar, com 15 vitórias, 5 empates e 6 derrotas, num total de 35 pontos (5 atrás do Santos, 4 do Corinthians e 3 do São Paulo)

Nesta partida em particular, o Palmeiras teve que suar, pois terminou o primeiro tempo perdendo por 2 a 1 para um Jabaquara que, apesar de ter ido mal no campeonato (terminou em último, mas não foi rebaixado por ser clube fundador da federação), vivia um momento bom, tendo vencido as duas partidas anteriores.

FICHA TÉCNICA

1/10/1955 – PALMEIRAS 5 x 3 JABAQUARA – CAMPEONATO PAULISTA

Estádio Palestra Itália – São Paulo / SP – Brasil – Público: indisponível – Renda: Cr$ 78905,00

Árbitro: Esteban Marino (Uruguai)

Palmeiras: Cavani; Manoelito, Valdir; Ruarinho, Valdemar Fiume, Gérsio; Renatinho, Humberto, Liminha, Jair, Rodrigues – Técnico: Claudio Cardoso

Jabaquara: Adalberto; Elias, Getúlio; Biguá, Jorge, Miguel; Laércio, Lima, Nicácio, Jandir, Araraquara – Técnico: não descobrimos

Gols: Jandir 30 segundos, Liminha 2 e Nicácio 7 do primeiro tempo; Liminha 7, Renatinho 23, Rodrigues 26, Jair 30, Miguel 32 do segundo tempo

NO DIA SEGUINTE

Numa manchete habitual em nossa história, “o time não jogou bem, mas venceu”. Pergunte a um garoto de 7 anos que presenciou um 5 a 3 em sua estreia nos estádios se ele concorda…

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Evair marca o segundo gol em dia de festa inigualável

Vários jogadores já declararam que aquela foi a partida mais importante de suas carreiras. Se para profissionais com rodagem por tantos clubes é assim, como poderia ser diferente para a torcida do Palmeiras? Esse é o depoimento de Cristiano Liveraro, que apesar de psicólogo não suportou seu caso de amor e ódio com São Paulo e decidiu viver na praia.

Um aviso ao amigo leitor: se essa (ou outra já publicada) é a partida que você guarda no coração, mande seu relato assim mesmo: mais que o jogo em si, o que importa é como você viveu aquele dia. Envie sua história para blogdoipe@gmail.com.

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Não poderia iniciar esta breve narrativa daquele que foi, até o presente momento de minha estada neste plano na qualidade (literal, porque torcer para o Palestra Itália é, acima de tudo, uma virtude) de torcedor do Palmeiras, sem agradecer a oportunidade da equipe do IPE. Honrado.

O momento todo que contextualizou o prélio propriamente dito foi muito especial para mim. Retornando pouco mais de trinta anos no tempo, quando eu contava com três anos a serem completados e ainda sem nenhuma noção do que era o futebol de fato, o Palmeiras havia sido campeão paulista, último título antes do fatídico período que classificado de “vagas magras” seria injustamente raso para com o sofrimento que gerado à massa de sangue verde. Portanto, praticamente até o ano de 1993, onde aconteceu meu jogo inesquecível, eu não havia visto meu time ser campeão desde que fui apresentado a este mundo maluco. Brinco com os amigos que, para despeito de muitos que bradam aos quatro cantos que são “palmeirenses de verdade” porque são concreteiros, que nessa qualidade estão aqueles que torceram pra o time durante 20 anos sem vê-lo levantar uma taça sequer, sem gritar “é campeão!”, mas não esmoeceram e acreditaram que toda a “tiração” suportada anos a fio seria recompensada. E foi.

Então estamos em 1993, primeira quinzena de junho, semana que antecedeu o dia 12. Mais uma vez estávamos numa final, contra o rival, e o primeiro jogo foi aquela coisa: derrota com direito a provocação. E braba. A semana foi tensa. Muito tensa. No trabalho, na faculdade, na casa da ex- namorada. Esta última um reduto gambá. Eram, entre pai, mãe e irmãos, seis. Evitava falar ao telefone com qualquer um para não ficar mau humor. O mesmo filme, a mesma praça, o mesmo banco, o mesmo jardim. Mais um ano na fila, mais tiração de sarro, mais sofrimento. Tudo isso de novo. E a pergunta que mais recorria era “até quando?”.

Quisera as deusas que eu estivesse na casa da ex-namorada naquele 12 de junho de 1993, até porque era dia dos namorados. Devidamente trajado com o manto sagrado e de uma coragem que só palmeirenses podem entender, postei-me diante da televisão junto com os seis da família dela e mais dois agregados. Uma ilha verde no rio Tietê. Ao lado do sofá o patriarca da família havia postado um saco grande cheio de rojões para comemorar o já contado título gambá. Pressão psicológica.

A situação era complicada. Com a vitória no primeiro jogo, o rival precisava de um empate. Ao Palmeiras era ganhar no tempo normal e pelo menos empatar na prorrogação. Missão dura, mas que começou

a ser cumprida aos 36 do primeiro tempo com um chute indefensável de Zinho. E o primeiro grito de gol solto da garganta desde o último domingo, dado com gosto em meio aos que praguejavam e lamentavam. Intervalo e um misto de alegria e medo se agitavam na cabeça e no coração. Segundo tempo e aos 29 o Matador completa jogada do genial Mazinho e mete na rede. Mais um gol, mais um grito. Mais lamentações e impropérios dos que me rodavam. A certeza e as esperanças se avivariam de vez aos 38 minutos, em uma tentativa frustrada pela trave de Evair que resultou num rebote para Edilson capeta meter nas redes.

A esperança aumentava na mesma proporção que a tensão. Havíamos feito o resultado, o time estava empolgado e motivado. Há quem diga que a provocação de Viola no primeiro jogo estimulou os jogadores, o que é muito provável. E com dez minutos de prorrogação, numa cobrança de pênalti dele, o Matador, fazia-se mais um capítulo de glória, dentre tantos, do time mais vencedor do século XX. E o grito de campeão, ao final do jogo, até então inédito deste sofrido torcedor ecoava para muito além das orelhas que sofreram ao meu redor. Copiosamente, ajoelhado no centro da sala, chorava como criança pequena, aliviado e feliz. O pai gambá caminhou em minha direção, me parabenizou e entregou-me o saco de fogos para que o verdadeiro campeão pudesse comemorar.

O jogo é emblemático para muitos torcedores, próximos inclusive, por conta de toda a mística que envolveu, mas para cada um teve um significado diferente dentro da apaixonada fantasia nutrida por aqueles que se arrepiam a cada entrada no gramado do Alvi-Verde Imponente! Este foi o meu.

*

CONTEXTO

Dezesseis anos e dez meses de jejum pairavam sobre a cabeça do elenco e da torcida antes da decisão do Paulista de 1993. Com uma campanha impecável, o Palmeiras liderou a primeira fase, e venceu seu grupo no quadrangular com seis vitórias em seis jogos. Na primeira partida da decisão, porém, um gol de Viola logo no início trouxe uma derrota que despertou o temor de que o Corinthians vingasse 1974. Porém, como sabemos, não foi bem isso o que aconteceu naquele inesquecível Dia dos Namorados…

FICHA TÉCNICA

12/06/1993 – PALMEIRAS-SP 3 (1) x (0) 0 CORINTHIANS-SP – CAMPEONATO PAULISTA

Estádio Cícero Pompeu de Toledo – Morumbi – São Paulo / SP – Brasil – Público: 104.401 pagantes – Renda: Cr$ 18.154.900.000,00

Árbitro: José Aparecido de Oliveira (SP)

Palmeiras: Sérgio, Mazinho, Antônio Carlos, Tonhão, Roberto Carlos, César Sampaio, Daniel Frasson, Edílson (Jean Carlo), Zinho, Edmundo, Evair (Alexandre Rosa) – Técnico: Wanderley Luxemburgo

Corinthians: Ronaldo, Leandro Silva, Marcelo Djian, Henrique, Ricardo Evaristo, Ezequiel, Marcelinho Paulista, Paulo Sérgio, Adil (Tupãzinho / Wílson), Viola, Neto – Técnico: Nelsinho Baptista

Cartões amarelos: Roberto Carlos, Mazinho, Zinho, Edmundo (Palmeiras), Henrique, Marcelo Leandro, Ronaldo, Neto (Corinthians)

Cartões vermelhos: Tonhão (Palmeiras), Henrique, Ronaldo, Ezequiel (Corinthians)

Gols: Zinho (Palmeiras), 36 min primeiro tempo, Evair (Palmeiras), 28 min, Edílson (Palmeiras), 38 min segundo tempo, Evair (Palmeiras) (pênalti), 10 min primeiro tempo prorrogação

NO DIA SEGUINTE

Não fomos apenas campeões: de acordo com a Folha, fomos SUPERcampeões. Confira, tentando não se abater com a primeira página, que deveria ser épica mas é coberta de propaganda.

REVEJA

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Gamarra marcou o segundo gol

Tem jogo que antes mesmo de acabar a gente já sabe que será inesquecível. Pode até mesmo ser um jogo que pareça menos importante, como o de uma pré-Libertadores, mas sempre há quem o guarde com carinho. O jornalista João Paulo Nucci sabia que estava escrevendo sua história naquela partida contra o Deportivo Táchira, tanto que preparou esse texto no dia seguinte daquela partida e agora o divide conosco.

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São Paulo faz 452 anos. É quarta-feira, feriado. Dia mais quente do ano, 36 graus à tarde. Chuva à noite. Um pé d’água considerável, que desabou bem na hora em que eu e meu amigo Bruno, um velho companheiro de jornadas futebolísticas, chegávamos ao Parque Antarctica. Meu irmão desistiu na última hora. Excesso de trabalho no feriado que não vale em São Bernardo, onde ele mora e ganha a vida.

O jogo era de Libertadores. Ou quase. O Palmeiras duela com o Deportivo Táchira, da Venezuela, para ver quem vai jogar o torneio. Palpite: seis a um, igual àquela noite de uns 12 anos atrás, também chuvosa, quando estraçalhamos o Boca Juniors. A gente estava lá – eu, o Bruno e o meu irmão –, acompanhando o melhor desempenho da carreira do Mazinho, e talvez seja esse meu jogo inesquecível de verdade.

Como minha memória é fraca e eu não gosto de viver do passado, fico com o jogo de ontem mesmo. A memória do Bruno é boa. Ele lembrou que a primeira vez que assistiu um jogo in loco foi comigo. Um Palmeiras e Corinthians de 1989, no Morumbi, na época em que o estádio abrigava 102 mil pessoas, vendia cerveja e não tinha catraca eletrônica. Não conseguimos lembrar o placar, só guardei daquela tarde que o goleiro Velloso saiu consagrado. Meu irmão, aos sete anos de idade, também estava lá. Foi meu pai quem nos levou. Quando a gente tirou carta de motorista, um pouquinho depois disso, ele parou de ir ao estádio. A gente sempre chama, mas ele nunca topa. Talvez esse seja o jogo inesquecível do Bruno.

É possível que sim, mas são tantos outros que é difícil escolher apenas um. Eu fico com o de ontem mesmo. Não valeu título como aquela final da Copa do Brasil de 1998, Palmeiras e Cruzeiro no Morumbi. O Oséas fez aquele gol espírita e correu na nossa direção. Estávamos na numerada inferior, e o Bruno conseguiu ficar com uns dois ou três fiapos da camisa do artilheiro. Se eu fuçar nas minhas coisas eu acho essa relíquia. O Bruno é mais organizado, sabe onde está o pedaço dele. Foi um jogo inesquecível, que abriu o caminho para a maior conquista da história do Verdão, a Libertadores de 99.

Mas eu vou conservar minha posição: o jogo de ontem é o meu eleito. Quando a chuva apertou, ainda lá fora, deu vontade de desistir e ir embora. A capucha resolveu muito mal a questão da impermeabilidade – o suor do corpo acumulado durante o dia mais quente do ano grudou no plástico vagabundo, que já molhara durante a complicada operação de vestir a capa. O tênis ensopou nos três primeiros passos rumo à fila de entrada. Torcedor não desiste.

O Bruno lembrou de uma noite parecida com essa, anos e anos atrás. Teve chuva, o time perdeu para o Inter de Porto Alegre e saiu de uma Copa do Brasil, ele perdeu o ônibus para São Bernardo, pegou outro para Santo André, foi assaltado na estação… e depois dizem que corintiano é que é sofredor. Eu também lembro muito bem de um jogo contra os colorados. Tarde de domingo, Parque Antarctica lotado, um zero a zero difícil até os quarenta e poucos do segundo tempo. Até que o Antonio Carlos roubou uma bola, atravessou o campo e acertou uma sapatada inacreditável.

Eu não tenho idade para isso – nasci em 1974, poucos dias depois do artilheiro Ronaldo aumentar a fila corintiana –, mas já vi Ademir da Guia (foto abaixo) jogar. Foi há uns dois anos. O Schumacher estava em campo também. Dois gênios batendo bola no Parque Antarctica. Até o Didi dos Trapalhões apareceu, mas esse deixou de ser gênio, para mim, quando eu cresci um pouquinho e percebi que o Chaplin já tinha feito tudo aquilo. E muito melhor. O velho Divino deu dois ou três toques na bola, com a mítica categoria. Valeu. Vou contar pros meus filhos, quando eles nascerem. Não vou dizer que foi inesquecível para não ficar repetitivo.

Lembro muito bem da minha primeira noite num estádio. Palmeiras e Vasco, no Morumbi, campeonato brasileiro de 83. Na verdade, eu lembro muito bem de três coisas: da cabeleira loira do Rocha, da bomba que ele mandou no travessão e da tristeza na hora de ir embora. O zero a zero desclassificou o Verdão. Tive uma infância difícil. Só fui saber o que é um título aos 17 anos, em 1993 – e essa história eu nem preciso contar, de tão viva que está na memória de todos, corintianos inclusive.

O desastre de 1986 foi um golpe duro de assimilar. Eu chorei naquela noite, quando o Denys entregou o segundo gol. O Palmeiras ainda reagiu, meu pai foi me chamar no quarto para acompanhar a virada, mas eu não tive forças. Nem o Palmeiras. Deu Inter de Limeira.

Outra derrota memorável foi aquela da Copa Mercosul de 2000. No primeiro tempo, Palmeiras 3, Vasco 0. Façanha palestrina: entregou um título ganho. Terminou 4 a 3, com show do Romário. Vi o jogo em casa, deitado no chão – tinha machucado as costas. No intervalo, uma namoradinha veio me visitar. Foi impossível dissociar a presença dela com a derrota inacreditável. Vou ser mais claro: o Palmeiras perdeu aquele título por causa dela. Não deu outra: o namorico acabou pra sempre dias depois. Desgraçada.

Tem muito mais para lembrar. O Marcelinho perdendo pênalti na semifinal da Libertadores de 2000 – o Bruno me falou ontem que ele considera esse momento o mais feliz da vida dele, e parecia que ele estava falando sério. O título da série B em 2003, o ano da minha vida em que eu fui mais palmeirense. O atacante Gaúcho pegando dois pênaltis no Maracanã em 89, contra o Flamengo, na noite em que o Zetti quebrou a perna. O próprio Zetti engolindo um frango do Neto, acho que em 86, contra o São Paulo. A geração vitoriosa de 93-94, numa época em que eu, o Bruno e meu irmão chegávamos a ver três jogos na mesma semana no estádio – graças aos belos calendários do futebol brasileiro, o Verdão jogava de terça, quinta e no fim de semana quase todas as semanas.

Eu estava no Maracanã, sem o Bruno e sem o meu irmão, na final do Brasileiro de 97. Palmeiras e Vasco, primeiro bom resultado do Felipão. A gente só não levou esse título porque o Edmundo e o Evair jogaram com a camisa errada.

O Edmundo estava em campo ontem. E o Evair, se emagrecesse um pouco, poderia estar também. Ele é melhor do que todos os atacantes do Palmeiras juntos. O time está desbalanceado. Tem muitos meias e poucos goleadores. Até o Edmundo joga mais recuado. Mas não tem problema. Agora a chuva parou e o Marcinho já fez um a zero. A mídia corintiana diz que ele estava impedido, mas eu não acredito. O Nelson Rodrigues já dizia que o videotape é burro. Foi um belo gol. Lindo passe do Paulo Baier, uma revelação do futebol brasileiro aos 30 e tantos anos.

O Edmundo não voltou para o segundo tempo. O Leão não gosta dele, é claro. O Leão não gosta de ninguém, na verdade, além de si próprio. Ele é fascista, mas vai ser campeão. Nesse caso, os fins justificam os meios. Às favas os escrúpulos de consciência, diria o Jarbas Passarinho.

Entrou o Gioino, atacante argentino. Tem gente que o chama de Nhônho. O apelido é duplamente apropriado, pela pronúncia complicada do nome e pela falta de atitude em campo. O Gamarra fez o segundo gol, numa jogada em que o Nhônho teve participação fundamental: neutralizou o goleiro adversário, enquanto o zagueiro que é palmeirense desde sempre, embora já tenha feito algumas escolhas erradas na vida, empurrava a bola para a rede. A imprensa corintiana falou que foi falta do Nhônho no goleiro. Bobagem, dois a zero.

Tem coisas que eu não vivi, mas que também são inesquecíveis. O campeonato Mundial de 51; as defesas do Oberdan; o jogo no Mineirão contra o Uruguai, com a camisa da Seleção Brasileira; os 4 a 1 contra o Flamengo de 81 no Maracanã lotado; a transição de Palestra Itália (foto abaixo) para Palmeiras (essa história é linda: final do paulista de 42, contra o São Paulo, que foge de campo após ser goleado. Alguém estende uma faixa na arquibacanda: “Morre um líder, nasce um campeão”. Meu braço está arrepiado).

Tem outros fiascos memoráveis também: a final da Libertadores de 68, contra um time do Independiente, da Argentina, em que até o técnico estava dopado; aquela fase dos anos 80 em que os times do interior se impuseram sobre o Verdão (o XV de Jaú do Wilson Mano em 1984, a Ferroviária em 1985, a Inter em 1986, o Brangantino em 1989); os 7 a 2 do Vitória, hoje felizmente curtindo suas dores na terceira divisão, no Parque Antarctica (o Bruno estava nesse jogo. Diz ele que foram os piores momentos da sua vida, e ele parecia falar sério); as duas derrotas para o Boca Juniors, em 2000 e 2001; a longa lista de técnicos infelizes que já comandaram o Verdão, encabeçada por Marcio Araújo, Murtosa, Levir Culpi e, por que não?, Vanderlei Luxemburgo, que desmontou o time que acabou rebaixado.

O jogo acabou quase meia-noite. Foi uma partida morna, típica de começo de temporada. O Bruno me deixou em casa. O diálogo no carro foi mais ou menos assim:

Bruno: Acho que não dá pra ser campeão, mas se tirar o Corinthians já valeu… Eu: O objetivo principal é esse. Se der pra pegar a taça depois, melhor. Bruno: Aí a gente vai poder dizer que esteve na estréia. Eu: É, jogo histórico. Esse time vai embalar. Bruno: Acho que o Paulista já está garantido. Eu: O Leão está montando um time inesquecível. Está surgindo a Escarola Mecânica. Bruno: É. A gente vai poder dizer que viu a Escarola Mecânica nascer.

Não tenho mais dúvidas. O jogo de ontem é o meu jogo inesquecível. Afinal, foi o jogo em que surgiu a Escarola Mecânica. Meus filhos vão ouvir essa história. Mais essa.

PS: Datas e resultados citados podem estar errados. Nenhum dado foi verificado. De propósito. Puxei tudo de memória. E o que é inesquecível para mim está aí, mesmo que não seja exatamente assim que as coisas tenham acontecido.

*

CONTEXTO

O Palmeiras conquistara a vaga na pré-Libertadores com uma emocionante vitória sobre o Fluminense na última rodada do Brasileiro de 2005. No sorteio, tocou-lhe o clube venezuelano, em decisão fora de casa. O Palmeiras vinha em boa fase – tinha 4 vitórias em 4 jogos no Paulistão – mas conseguiu essa vitória não sem algum trabalho. O jogo de volta foi mais sossegado, e o Palmeiras voltou com uma vitória por 4 a 2 e a vaga na fase de grupos.

FICHA TÉCNICA

25/01/2006 – PALMEIRAS-SP 2 x 0 DEPORTIVO TÁCHIRA – COPA LIBERTADORES DA AMÉRICA

Estádio Palestra Itália – São Paulo / SP – Brasil

Horário: 21h45 – Público: 28.979 pagantes – Renda: R$ 409.428,00

Árbitro: Ricardo Grance (PAR) – Assistentes: Nelson Valenzuela (PAR), Celestino Galvá (PAR)

Palmeiras (São Paulo/SP): Marcos, Paulo Baier, Daniel, Gamarra, Lúcio, Marcinho Guerreiro, Corrêa (Reinaldo), Ricardinho (Cristian), Marcinho, Edmundo (Gioino), Washington – Técnico: Emerson Leão

Deportivo Táchira (San Cristóbal/VEN): Leo Morales, Pedro Boada, Perozo, Cuevas, Lancken (Hernández/Valbuena), Villafraz, Ospina, Chacon, Jonny González (Ravier Campos), Rondón, Juan Garcia – Técnico: Manuel Plasencia

Cartões amarelos: Reinaldo, Marcinho Guerreiro (Palmeiras), Valbuena, Leo Morales, Chacon (Deportivo Táchira)

Gols: Marcinho (Palmeiras), 19 min primeiro tempo, Gamarra (Palmeiras), 4 min segundo tempo

NO DIA SEGUINTE

A vitória não teria graça sem polêmica, claro. E, com Leão e Edmundo, não foi difícil para a Folha arrumá-la.

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A Academia de 1972: Eurico, Leão, Luís Pereira, Alfredo Mostarda, Dudu, Zeca; Edu, Leivinha, César Maluco, Ademir da Guia e Nei.

Um time que ajudou a manter uma família unida no momento mais difícil da vida de um garoto. A história que trazemos hoje nos foi enviada pela maior enciclopédia viva de São Bernardo do Campo, o engenheiro Luiz Penchiari; mais que uma partida, o relato trata de todo um período agitado, em que o Palmeiras estava lá para dar alegria a quem precisava.

*

Para um palmeirense da minha idade (52 anos) são muitos os jogos inesquecíveis. Tem o primeiro, que no meu caso foi aquele famoso 2×0 no arquirrival em novembro de 1967: Tupãzinho fez dois gols de falta, de longa distância, no então invulnerável goleiro gambá Barbosinha, que depois desse jogo sumiu, e tem até um inesquecível que nós perdemos, foi aquele famoso 4×3 para os gambás no paulista de 71 0u 72, não me recordo. Tem também os torneios Ramon de Carranza na Espanha, que o Verdão ia lá, levava a Taça e ainda goleava os times espanhóis (tem time que nunca ganhou nem um torneio de verão fora do Brasil e diz que é campeão mundial).

Mas no meu caso há uma sequência de jogos que me são inesquecíveis por razões pessoais. É que meu pai adoeceu seriamente durante o ano de 1972 e foi chegando o final do ano e foram se exaurindo as chances dele sobreviver. Foi então que o irmão do meu pai, meu tio Vladimir Penchiari (que nós chamávamos de Tio Tutú) e o Pedro Gerbelli, que era primo do meu pai, os dois maiores palestrinos que eu conheci na vida, me levaram para o que eles diziam ser, a reta final da campanha de 72, onde diziam, eu veria o time ser campeão brasileiro pela primeira vez (nesta época não se consideravam os títulos do Robertão, o campeonato dito brasileiro tinha começado um ano antes em 1971).

Faziam isso para amenizar um pouco a nossa dor e assim foi que em 16 de novembro de 1972 fomos ao Pacaembu assistir uma rodada dupla, isso mesmo, coisa impensável hoje em dia.

Jogo preliminar São Paulo x América MG (os bambis venceram por 2×1) e jogo principal Palmeiras x América RJ, vencemos 2×0. Acredite quem quiser, naquele dia os alto falantes anunciaram público pagante de 32.000 pessoas, tudo misturado, sem divisão por torcidas, bambis e palestrinos , sem que tivesse ocorrido nenhum incidente, eu tinha 13 anos de idade e meu irmão Airton 10. Foi a primeira vez que ví jogar a dupla Dudu e Ademir, nem vou me estender em comentários, só de lembrar eu me vejo de novo ali, há quase 40 anos atrás. Ademir tinha uma calma que as vezes até irritava, o jogador menos experiente se acalmava nas situações difíceis só de olhar para o cara. Jogava divinamente, merece a alcunha.

Minha alegria durou pouco, 6 dias depois, no dia 22 de novembro (39 anos atrás) meu pai faleceu. Ele era daqueles que se dizia parmerista (aliás, frequentei por muito tempo o blog do Conrado Cacace devido a este fato, me ajudava a lembrá-lo).  A bem da verdade, na minha família todo mundo dizia que era parmerista, isto se deve a que na Itália a terminação “ista” se aplica ao times de futebol, por exemplo, quem torce para o Milan é milanista, que torce para a Inter, é Interista, etc.

No domingo seguinte ao falecimento, dia 25 de novembro, houve um jogo histórico Corintihans x Santos, Pelé, Edu e cia. humilharam a gambazada 4×0; o quarto gol, por cobertura no goleiro Ado foi o mais bonito da carreira do Edu, quem puder assista (nota: está aqui, veja a partir de 3’40″). Pra mim, esse jogo foi muito duro de assistir, assisti o VT sozinho de noite, eu sempre asssitia o jogo aos domingos junto com o velho (nem velho ele era, tinha só 41 anos). Certamente ele teria morrido de rir da gambazada.

Mas a vida segue e eis que assim que nos recuperamos do golpe, meus tios me ligam, rapaz, amanhã vamos ver a semifinal no Pacaembu Palmeiras x Inter de Porto Alegre, o empate é nosso. Era o dia 20 de dezembro e fomos a um Pacaembu com 60 mil pessoas, tudo palestrino, enfrentar o Inter, que não tinha Falcão, mas tinha Figueroa, zagueiro chileno que comandava o time. Lá pelo final do primeiro tempo, num chute despretensioso do centroavante Braulio, gol dos caras, um frango do Leão que era o nosso goleiro. Ademir e cia mantiveram a calma e no segundo tempo num rebote do goleiro, o ponta esquerda Nei empatou. Daí pra frente o Inter sumiu e fomos pra final, pois o empate era nosso por ter a melhor campanha, disparado.

Veio então o “Gran Finale”. Às vésperas do natal, no dia 23 de dezembro de 1972, Morumbi lotado pra final Palmeiras x Botafogo RJ ( o Botafogo havia vencido a semifinal em cima do Corinthians 2×1 no maracanã). Por pouco a final não foi contra os gambás. Jogamos com o regulamento em baixo do braço e ao final de um morno 0×0, ficamos com a Taça, por ter a melhor campanha.

Dediquei o título pro meu pai.

Toda vez que eu vou no Cemitério da Vila Euclides lá em São Bernardo, onde estão no mesmo túmulo meu pai e meus tios, eu agradeço meu pai por ter me ensinado a ser parmerista e meus tios que me levaram por esta épica jornada lá no longínquo 1972.

Ainda não tenho netos, mas já tenho o que contar pra eles.

*

CONTEXTO

O Campeonato Brasileiro de 1972 foi disputado por 26 times em quatro fases. Na primeira fase, o Palmeiras terminou em primeiro em seu grupo, do qual quatro avançavam. Na segunda fase, apenas o vencedor passava, e novamente o Verdão liderou. Aí veio a semifinal contra o Inter e a decisão contra o Botafogo, citadas por Luiz. Com a vantagem do empate em ambas as partidas, o Palmeiras conseguiu o que foi então seu primeiro Brasileiro – hoje, o quinto.

FICHA TÉCNICA

Nos pareceu que a partida mais marcante de todas foi a primeira que Penchiari citou. Eis sua ficha:

16/11/1972 – PALMEIRAS-SP 2 x 0 AMÉRICA-RJ – CAMPEONATO BRASILEIRO

Estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho – Pacaembu – São Paulo / SP – Brasil

Público: 30.789 pagantes – Renda: Cr$ 237.351,00

Árbitro: José Gilberto Ferreira Lima (CE)

Palmeiras: Leão, Eurico, Luís Pereira, Alfredo (Polaco), Zeca, Dudu, Ademir da Guia, Ronaldo, Leivinha, Madurga, Pio – Técnico: Oswaldo Brandão

América: Alberto, Cabrita, Alex, Aldeci, Alvanir, Badeco, Edu, Antônio Carlos, Tarciso, Taquito (Sérgio Lima), Gilmar (Mauro) – Técnico: Wílson Santos

Gols: Pio, 2 min, Zeca, 20 min segundo tempo

NO DIA SEGUINTE

A Folha não falou do jogo em si, mas de como estavam as chances de classificação das equipes após aquela rodada.

UM POUCO DO TIME CAMPEÃO

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