Enfim chega ao fim este atribulado ano de 2012. Só mesmo o Palmeiras para fazer uma temporada com um título nacional terminar com um sabor tão amargo, em que além de lamber nossas feridas ainda precisamos ver os adversários celebrando feitos. Nem secar deu certo.
Nestes 12 meses, o blog do IPE tentou acompanhar a temporada verde ao mesmo tempo em que trouxe histórias, causos e curiosidades. Agora aproveitamos para relembrar o que de mais marcante tivemos no ano em que o mundo não acabou – mas, olha, não teria sido tão má ideia…
Janeiro começou com uma bomba: o último bastião dos tempos de glória, o jogador mais capacitado do elenco, o ídolo que permaneceu nesse trepidante século XXI pendurou as luvas. Trouxemos um emocionante depoimento de um de seus inúmeros fãs, e mostramos como as capas dos jornais divulgaram a aposentadoria de São Marcos.
Nessa mesma época, tivemos mais uma Copinha (um torneio que podia ser melhor), em que o Palmeiras parou nas quartas-de-final ao cair contra o Atlético-PR. Um resultado normal, não dá para classificar nem como bom nem como decepcionante. Enquanto isso, o time principal entrava em campo para um amistoso internacional: na vitória contra o Ajax, o tento da vitória foi de Pedro Carmona, que não ficaria muito mais tempo no clube. Logo depois, um início claudicante no Paulista, em que estreamos Daniel Carvalho.
No aniversário da cidade, relembramos os títulos paulistanos do Verdão. E estreamos uma nova seção no blog, falando dos estádios históricos em que pisamos, como o Maracanã e o Centenario.
Em fevereiro, o time engrenou no Paulista: foram seis vitórias (cinco consecutivas, uma delas contra o Santos) e dois empates (um deles contra o São Paulo). Neste mês tivemos a estreia do grande destaque da temporada. Mas Barcos não deixou uma grande primeira impressão – levou apenas nota 4 contra o XV de Piracicaba.
Foi um mês em que apelamos à diretoria para que desse atenção ao torcedor interiorano (o que não é o caso de nenhum dos três editores do blog), e em que demos sequência à série dos jogos inesquecíveis de nossos leitores (foi em fevereiro que tivemos um dos relatos mais tocantes de todos). Ao amigo que quer mandar sua história, o espaço está aberto.
Para encerrar fevereiro, um post que ou faríamos então ou só em 2016: um histórico dos jogos do Verdão em 29 de fevereiro. Quem diria, até taça conquistamos!
As águas de março fecharam o verão e a sequência invicta do Verdão: na 18ª partida do ano e 22ª de invencibilidade, o time caiu. Justo no Derby em que o Palmeiras fez honras ao recém-falecido Chico Anysio, Márcio Araújo preferiu emular os Trapalhões. Antes disso, porém, outra invencibilidade havia começado: na Copa do Brasil, o Palmeiras eliminou o Coruripe. Aliás, é incrível que o Alviverde tenha sido campeão invicto e que tenha começado o ano com tantas partidas sem derrotas e mesmo assim tenha terminado 2012 com o maior número de derrotas de sua históra, 28. A segunda delas, por sinal, veio logo depois do Derby: foi em casa contra o Mirassol, num prenúncio do que viria no Paulistão.
Também antes do Derby, uma marca histórica: Felipão se tornou o segundo técnico com mais partidas no clube nos 6 a 2 contra o Botafogo em Ribeirão Preto. Como homenagem, fizemos uma lista dos 10 principais jogos do gaúcho – claro, a Copa do Brasil deste ano ainda não podia ser contemplada.
Chegamos ao mês em que o Palmeiras afundou duplamente no Paulista: em abril o time principal colecionou tropeços (ah, o que uma derrota no Derby não faz…), terminou a primeira fase empatado com o Bugre - e, como desempates são um mau negócio, o time se despediu no Brinco de Ouro com uma atuação patética (ao que muitos podem replicar: e o que importa o Paulistão hoje em dia?). Enquanto isso, o time B era responsável pelo primeiro rebaixamento do ano: em 2013, vai disputar a série A3.
A queda no Estadual encerrou prematuramente o Troféu IPE (futuro Bola Verde), que criamos para avaliar os melhores jogadores em cada campeonato através das notas dos pós-jogos. O vencedor do Paulistão? Daniel Carvalho. Quem diria…
O que houve de bom no mês? Claro, o prosseguimento na Copa do Brasil, eliminando o Horizonte de cara e deixando o duelo com o Paraná bem encaminhado. E também os 70 anos de Ademir da Guia. Para um clube que infelizmente depende cada vez mais de seu passado, toda homenagem ao Divino é pouca.
Aliás, homenagens não faltaram nesse mês: falamos do centenário do América-MG e, claro, do Santos. Lembramos até da casa do nosso velho rival e freguês.
Quinze dias de folga e já em maio o Palmeiras voltou a campo para despachar Paraná e Atlético-PR na Copa do Brasil. O Verdão chegava às semifinais, mas estava longe de ser favorito contra Grêmio, Coritiba e São Paulo. Também foi nesse mês que começou o Brasileiro, com uma boa amostra do que viria: nos dois jogos de maio, um empate contra a Lusa (Luan fez o primeiro gol do Brasileiro) e uma derrota para o Grêmio. A zona de rebaixamento se aproximava muito cedo.
Mês de poucos jogos, mas muitas histórias: resgatamos os 10 anos do título baiano do Palmeiras, vimos que o time não é uma mãe no dia delas e levantamos o histórico do clube em finais em campo neutro (pois noticiou-se que a final da Copa do Brasil poderia ser em jogo único).
Por fim, concluímos uma série em que montamos seleções dos melhores jogadores que já tivemos nascidos em cada região do país.
O Palmeiras entrou em campo apenas seis vezes em junho, e só ganhou uma. Mas foi a mais importante delas: na principal atuação do ano, o time derrubou o Grêmio por 2 a 0 na última vez em que pisou no agora saudoso Estádio Olímpico; na volta, um empate bastou para eliminar nossa até então alma gêmea e colocar o clube novamente em uma final após quatro anos de jejum. Enquanto aguardava a decisão, os tropeços no Brasileirão iam se acumulando. Junho terminou com nova derrota no Derby (texto sobre Derby é sempre especial, mesmo na derrota. Por isso linkamos todos).
Aproveitamos junho para polemizar: a lenda de Porcus Tristis procede? E também mostramos que Valdivia estava a ponto de um recorde: o de rei dos cartões nesse século (para constar, obviamente ele conseguiu a proeza semanas depois).
É CAMPEÃO! Em julho, milhões de palmeirenses puderam após longos anos soltar o grito que sucede uma grande conquista. Pela 11ª vez, o Verdão conquistava um título nacional. Batemos o Coritiba na maior partida da história de Barueri e, naquele 11 de julho que sabíamos ser um dia para sempre, seguramos o empate no Couto Pereira. Cada um a seu jeito, os três editores da casa fizeram questão de registrar a alegria daquele momento inesquecível. Sem seu principal atacante, com a contratação mais cara tendo se lesionado rapidamente e com o camisa 10 sequestrado e depois suspenso, o Palmeiras mostrou que ainda sabia como dar uma volta olímpica. Para tristeza do blog, fizemos um post com as capas dos noticiários do time seguinte, mas este que vos escreve cometeu um erro grotesco e o perdeu em definitivo.
Campeonato encerrado, Bola Verde também: desta vez, o prêmio ficou com Thiago Heleno. Mais uma vez: quem diria…
Foi também o melhor mês da equipe no Brasileirão - a única sequência de três partidas sem perder foi em julho, contra Coritiba, São Paulo e Náutico. Porém, logo depois julho se encerrou com duas derrotas em que a arbitragem pesou demais, contra Bahia e Cruzeiro. O mês terminava com alguma preocupação, mas muita alegria. Escapar da zona parecia questão de tempo.
Os posts especiais do mês falavam, claro, da decisão da Copa do Brasil: tivemos um quiz sobre Palmeiras x Coritiba, relembramos 1996 e 1998, desfiamos uma série de curiosidades sobre a final e mostramos como o histórico do Palmeiras e da Copa do Brasil indicavam que nossa vantagem era grande.
Também não sabíamos se Betinho jamais marcaria outro gol (no fim, fez mais um) e por isso relembramos aqueles que só partiram pro abraço uma única vez enquanto vestiram nosso manto. E, em mês de Olimpíadas, listamos quem foi aos Jogos disputar futebol vestindo as cores do Palmeiras.
As únicas alegrias de agosto vieram contra clubes cariocas: em que pese uma derrota para o Flu exatamente na hora no encerramento dos Jogos Olímpicos, o Palmeiras bateu o Flamengo e duas vezes o Botafogo (para este, perdeu uma mas mesmo assim levou a vaga na Sula). De resto, uma série de resultados ruins que, a partir do jogo contra o Santos que encerrou o primeiro turno, puseram o Verdão novamente na zona de rebaixamento, de onde o time não mais sairia. O mês terminou com o jogo símbolo da queda: os 0×3 contra a Lusa. Tivéssemos vencido aquele jogo, talvez não passássemos o resto do campeonato correndo atrás, o que é sempre pior.
A maratona de jogos impediu que o blog se dedicasse mais a outros temas. Mas deu tempo para falar dos estrangeiros convocados enquanto jogavam no Palmeiras – claro, em alusão a Barcos, chamado para a seleção argentina – e para listar os 98 maiores jogos dos 98 anos de vida do Verdão (OK, sejamos sinceros: só entraram partidas de 1988 pra cá…).
Em setembro, Felipão caiu após três derrotas seguidas, Narciso foi interino na terceira derrota da temporada contra o arquirrival (e pela primeira vez o Corinthians teve 100% de aproveitamento num ano com mais de duas partidas) e Kleina assumiu ganhando suas duas primeiras partidas. Setembro começou em queda livre, o Derby parecia nos ter levado às cordas, mas ainda assim o mês terminou com um sopro de esperança. Pena que o Pacaembu, que se mostrou tão vibrante contra a Ponte Preta, não poderia mais ser uma arma. Obrigado a você que atirou cadeiras no gramado, parte da queda é mérito seu.
Em meio à depressão com a iminente queda, só deu pra buscar ânimo no que a história dizia sobre troca de treinadores. E, no melhor estilo rir para não chorar, vimos por que Tirone e Frizzo quase fecharam com Falcão.
O efeito Kleina ainda durou na primeira partida de outubro, a vitória contra o Millonarios. A realidade, porém, veio rápido: três derrotas seguidas, entre elas o terrível tropeço contra o Coritiba, adversário direto na estreia em Araraquara, colocaram o Verdão a um passo do precipício. Um pequeno alento veio com a vitória contra o Bahia fora de casa, seguida por outra contra o Cruzeiro – que, não sabíamos, seria a última do ano.
Os sete dias seguintes, porém, foram outro balde de água fria: o time reserva caiu em Bogotá dando adeus ao treino pré-Libertadores e em seguida no jogo do gol de Barcos anulado por interferência externa (e qualquer outra coisa que se diga não muda a essência do que houve: um flagrante desrespeito às regras do jogo. Naturalmente não estamos falando do argentino).
Com apenas cinco jogos por fazer, terminava o outubro vermelho.
18 de novembro de 2012. Mais uma data negra para a rica história alviverde: dez anos e um dia após a primeira descida ao inferno, a Sociedade Esportiva Palmeiras, pseudodirigida por uma trupe de incompetentes, volta a encarar o lado B do Brasileiro.
O Palmeiras agonizou pouco a pouco: contra o Botafogo, um empate inútil ainda que tardio. Já ali o blog jogou a toalha; restava partir para a ironia. Mas o time ainda lutou contra o Fluminense; na primeira partida em que matematicamente o time podia ser rebaixado, nova derrota em uma exibição até decente guardadas as proporções do nível das equipes. No fim, servimos pelo segundo ano seguido de coadjuvante na festa do campeão brasileiro – taí algo que não vai acontecer em 2013…
E contra o Flamengo o tubo foi desligado – na verdade, não exatamente ali, mas pontualmente às 21:20 daquela noite de domingo, ao término de Portuguesa 2 x 2 Grêmio que deu à Lusa o ponto que precisava para não ser alcançada por nós. Alguns rojões estouraram em torno de São Paulo; como é certo que não eram torcedores rubroverdes, só podia ser uma homenagem ao respeito que o alquebrado alviverde imponente ainda impõe a seus rivais.
Trouxemos as capas de jornais do dia seguinte, pois não são só os dias de glória que devem ser lembrados. A dor pode mobilizar, embora isto não tenha ocorrido da outra vez. E o fato de que em 2013 a série B não deve ser complicada pode muito bem iludir a diretoria – a torcida, esta está escaldada.
A limpa começou nos dias seguintes, e um elenco renovado foi a campo nas duas rodadas/derrotas finais.
Em dezembro, apenas um jogo. Depois, o silêncio, as trevas e melhor nem falar o que se passou nos rivais. Reforços? Apenas Fernando Prass acertou neste mês. Como alento, um sorteio de Libertadores que nos remete a alguns períodos de brilho no ano que virá. Série B sim, mas ainda com altivez.
Quer dizer, altivez no que toca a qualquer um que não seja cacique no Palestra, porque nas entranhas da gestão alviverde tudo continua errado como em 2002. Que em 2013 o novo presidente faça um trabalho realmente bom (não basta desejar que seja melhor que Tirone, isso eu faria sem problemas), e nos devolva o orgulho novamente roubado. Mas os Tirones passam e o Palmeiras sempre ficará.
Números da temporada:
- 78 jogos, com 30 vitórias, 16 empates e 28 derrotas
- 107 gols marcados, 94 sofridos, saldo ainda incrivelmente positivo de 13
- Artilheiros: Barcos 28, Marcos Assunção 10, Maikon Leite 9, Mazinho 6, Henrique e Luan 5, Juninho 4, Valdivia, Artur, Daniel Carvalho, Patrik, Leandro Amaro, Obina e Fernandão 3, Betinho, Correa, Thiago Heleno, João Vitor, Ricardo Bueno, Tiago Real e Patrick Vieira 2, Vinícius, Márcio Araújo, Román e Pedro Carmona 1 e um gol contra.






















