
Três dessas são nossas
Entre os diversos torneios da pré-temporada europeia, o mais famoso é possivelmente o Ramón de Carranza, disputado sem interrupções desde 1955, sempre na cidade de Cádiz. E esta data de 31 de agosto marca o dia em que o Palmeiras triunfou por duas vezes nessa competição, em 1969 e 1975 (também vencemos em 1974, mas daquela vez a final foi em 1/9).
O torneio ficou famoso por seu formato de quatro equipes fazendo um mata-mata em dois dias consecutivos, usado desde a terceira edição. Este modelo foi copiado em vários outros lugares, o que conferiu ao original o apelido de Copa das Copas. Como curiosidade, diz-se que foi na edição de 1962 que surgiu a disputa de cinco pênaltis alternados que conhecemos hoje.
Foi a partir de 1961 que clubes da América do Sul começaram a ser convidados; até 1968, porém, nenhum time desta parte do mundo triunfou, incluindo equipes como Peñarol, River Plate, Boca Juniors, Flamengo, Vasco e Corinthians. Em 1969, contudo, a história seria diferente.
Para aquela edição, foram convidados duas equipes americanas: Estudiantes de La Plata e Palmeiras, não por coincidência campeão e vice da Libertadores do ano anterior. E finalmente um clube não europeu triunfou: o Verdão estreou empatando por 1 a 1 com o Atlético de Madrid (gol de Cardoso), e venceu nos pênaltis. No dia seguinte, enfrentou o arquirrival do time que havia derrotado: o Real Madrid, que caiu por 2 a 0 (Zé Carlos e Dé). E foi assim que o Palmeiras levantou seu primeiro Ramón de Carranza.
O título não valeu participação no ano seguinte; o Alviverde teve que aguardar cinco anos para disputar, ao lado do Santos, a vigésima edição do troféu. E mais uma vez não decepcionamos: se em 31/8/69 a vítima fora o Real, em 31/8/74 quem perdeu foi o Barcelona, também por 2 a 0 (Leivinha, Ronaldo). E, em mais uma coincidência, a decisão também foi contra o rival local do time que batemos – o Español, que derrotamos por 2 a 1 (Leivinha, Luís Pereira).
Em 1975, o Palmeiras teve oportunidade de defender o título, e a aproveitou muito bem: conquistamos o tri ao bater o Zaragoza por 1 a 0 (Ademir da Guia) e depois mais uma vez o Real Madrid, 3 a 1 (Edu Bala, Leivinha, Itamar). Isto é, o Verdão chegava à terceira conquista em igual número de participações. Até hoje, ao lado do Vasco, somos o clube não espanhol com mais títulos.
Houve outras edições dali para frente em que participamos, mas nunca mais com o mesmo brilho. Em 1976 não conseguimos a terceira vitória consecutiva, ao perdermos para o Atlético de Bilbao na semi (ficamos com o terceiro ao golear o Nacional do Uruguai); em 1981, um vexame – mais um naqueles tempos tão duros: apanhamos de cinco do Sevilla e quatro do CSKA da Bulgária. Talvez por isso só tenhamos voltado a pisar solo andaluz em 1993, já com o esquadrão que acabara de ser campeão paulista e do Rio-São Paulo. E o retorno foi logo num Choque-Rei, que vencemos por por 2 a 1 (Maurílio, Jean Carlo), em jogo que terminou com piti do tricolor, que teve dois expulsos (Ronaldo Luís e o sempre delicado Dinho). Porém, perderíamos nos penais a decisão para o Cádiz após empate por 1 a 1 (gol de Edílson).
Em resumo, jogamos 12 partidas pelo prestigioso torneio, com 7 vitórias, 2 empates e 3 derrotas. Foram 19 gols feitos e 17 sofridos; nosso artilheiro é Edu Bala, 5 gols, seguido de Leivinha, com 3. Em nossas seis participações, acumulamos 3 taças, 1 vice, um terceiro e um quarto lugar. Mesmo com a derrapada dos anos 80, o Palmeiras pode ser orgulhar de ser o clube brasileiro – mais ainda, o clube estrangeiro – com o melhor retrospecto na história deste torneio espanhol.
Edu Bala: 5 gols na Andaluzia
