Por Pedro Ivo
Neste sábado, o Santos Futebol Clube completa 100 anos, e coube justamente ao editor nascido em Santos prestar a merecida homenagem a este que é o segundo clube que mais enfrentamos em nossa história. A tarefa, por si só, é das mais ingratas, já que para um torcedor adversário, nascer e crescer por aqui demanda uma paciência de Jó. Os caras são chatos demais e não tiro deles certa razão, mas a soberba paga seu preço sempre, ainda mais quando eles cruzam o caminho do Palmeiras.
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Fundado em 14 de abril de 1912, na sede do extinto Clube Concórdia, o alvinegro praiano na verdade nasceu tricolor. As cores oficiais da fundação eram o branco, o azul e o dourado, e foram escolhidas em homenagem ao próprio Concórdia. Somente quase um ano depois, frente à dificuldade em se confeccionar os uniformes, é que adotaram as cores preta e branca.
Isso não impediu que o dourado continuasse presente em sua história, já que falamos aqui de um dos maiores campeões do futebol mundial. Eleito pela FIFA como o maior clube das Américas no século XX, o Santos coleciona taças em sua galeria e craques em suas fileiras. Se o clube atravessou alguns períodos de vacas magras (como as décadas de 40 e 90), é inegável que, nos momentos mais fulgurantes a equipe era praticamente imbatível: foram sete títulos paulistas, seis nacionais, dois continentais e dois mundiais apenas nos anos 60, em que a base santista foi tão duradoura que os cinco jogadores que mais vestiram a camisa alvinegra – Pelé, Pepe, Zito, Lima e Dorval – atuaram nesse período (assim como o técnico recordista, Lula). E, mesmo no século XXI, o time já ostenta números invejáveis, com seus quatro estaduais, três nacionais (incluindo a Copa do Brasil) e a Libertadores do ano passado.
O clube também se orgulha dos números de seu ataque: ele se autodenomina “o primeiro da América a atingir os 10 mil gols”, marca que alcançou em 1998 – o autor do tento, por curiosidade, foi o atual técnico da Portuguesa, Jorginho. Para se ter uma ideia, o Palmeiras chegou a seu décimo milésimo gol seis anos depois, por intermédio de Muñoz em uma vitória por 3 a 0 sobre a Ponte Preta (claro que, dependendo de que jogos se consideram, a contagem pode variar bastante). Voltando ao aniversariante, os cinco mais prolíficos artilheiros foram Pelé, Pepe, Coutinho, Toninho Guerreiro e Feitiço – com exceção do último, que jogou nos anos 20 e 30 e saiu sem títulos (e que, anos depois, jogaria pelo Palestra Itália), todos jogaram nos anos de ouro do time da Vila.
Felizmente para nós, ao olharmos a história do Santos sob o prisma palestrino, as coisas são bem mais amenas. Atrás apenas do Corinthians em número de confrontos, o Santos é mais um freguês histórico. Em 306 partidas, colecionamos 133 vitórias, contra 94 santistas. Até mesmo no “alçapão de Vila Belmiro” a vantagem é verde: São 97 jogos, com 43 vitórias e apenas 38 derrotas.
Outro dado curioso: mesmo sendo o segundo em número de confrontos, o Santos é nossa vítima preferida. Nenhum outro clube sofreu mais gols do Palmeiras em toda história: 536 (o Corinthians sofreu 504).
O primeiro confronto entre Santos e Palmeiras foi um amistoso em 1915, vencido pelo alvinegro (então praticamente um veterano em comparação com o jovem Palestra, que fazia apenas sua terceira partida) com direito a sacode: 7 a 0. O torcedor santista pode se orgulhar do fato de que esta é simplesmente a maior derrota de toda nossa história. De lá para cá, no entanto, houve diversas outras goleadas. A maior de todas foi nossa: 8×0 pelo Campeonato Paulista de 1932.
Entre os inúmeros confrontos que atravessaram as décadas mantendo sua aura mítica, o mais famoso data de 1958 e foi válido pelo Torneio Rio-São Paulo. Em uma partida épica, cheia de reviravoltas, o Palmeiras saiu na frente com Mazzola, aos 18 do primeiro tempo. Pagão empatou aos 21 e virou aos 25. Mazzola empatou novamente a partida aos 26. Pelé, ainda no primeiro tempo, fez 2 gols (aos 32 e 38 minutos), Pepe fez um (aos 40), e o placar do primeiro tempo apontou 5×2 para o Santos. No segundo tempo, o Palmeiras virou com 2 gols de Urias (aos 18 e 19 minutos), um de Paulinho (aos 27) e um de Nardo (aos 38) – 6×5. Mas a tarde era mesmo do Santos: Pepe (aos 38) e Dorval (aos 40) deram números finais ao embate histórico, que assim terminou em um inacreditável 7×6.
Além de nos proporcionar confrontos históricos que enriquecem a história de ambos os clubes e também do futebol brasileiro, veio do Santos um dos melhores e mais vitoriosos jogadores de nossa história: César Sampaio, que atualmente é nosso gerente de futebol.
Em sua história, o Santos tradicionalmente revelou grandes jogadores ao futebol brasileiro e mundial. O maior deles, obviamente, foi Pelé. Mais recentemente, Robinho, e agora Neymar, surgiram com a missão de manter a mística deste clube, que assim como o Palmeiras, é conhecido por jogar um futebol ofensivo e técnico, sem “lama no calção” ao fim do jogo.
Divino x Pelé
Falar do Santos sem falar de Pelé é o mesmo que falar do Palmeiras sem falar de Ademir da Guia. A história do Santos se confunde com a do maior jogador de futebol de todos os tempos, e mostra também que o único time capaz de parar o Santos de Pelé era o Palmeiras de Ademir. Não fossem o Supercampeonato de 1959 e as conquistas verdes em 1963 e 1966 e o Peixe poderia ter sido simplesmente dodecacampeão estadual.
No período em que ambos atuavam por seus respectivos clubes, de Agosto de 1961 a Outubro de 1974, foram 36 partidas, com 13 vitórias do Palmeiras, contra 12 do Santos.
A diferença crucial das passagens dos dois maiores jogadores de Santos e Palmeiras fica por conta dos campeonatos internacionais. Enquanto o Santos faturou duas libertadores com Pelé, o Palmeiras amargou um vice-campeonato com Ademir.
Palmeiras x Robinho
Somadas as duas passagens do “rei das pedaladas”, mesmo com o Palmeiras amargando anos de equipes medíocres e até a série B, o histórico registra 11 partidas, com 6 vitórias do Palmeiras e 3 do Santos.
Palmeiras x Neymar
Assim como Robinho e Pelé, o craque Neymar não tem vida fácil quando encara o Palmeiras. Desde 2009 já são 11 confrontos, com 6 vitórias do Palmeiras e apenas 3 do Santos.
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Diante de tamanha tradição, seja contra nós ou pelos campos do mundo, é certo que o Santos Futebol Clube figura como um dos maiores clubes de futebol do planeta. Fica aqui o parabéns do IPE e o anseio por mais 100 anos de confrontos épicos e lances memoráveis. Parabéns, Peixe!















