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Posts Tagged ‘Ademir da Guia’

Por Pedro Ivo

Neste sábado, o Santos Futebol Clube completa 100 anos, e coube justamente ao editor nascido em Santos prestar a merecida homenagem a este que é o segundo clube que mais enfrentamos em nossa história. A tarefa, por si só, é das mais ingratas, já que para um torcedor adversário, nascer e crescer por aqui demanda uma paciência de Jó. Os caras são chatos demais e não tiro deles certa razão, mas a soberba paga seu preço sempre, ainda mais quando eles cruzam o caminho do Palmeiras.

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Fundado em 14 de abril de 1912, na sede do extinto Clube Concórdia, o alvinegro praiano na verdade nasceu tricolor. As cores oficiais da fundação eram o branco, o azul e o dourado, e foram escolhidas em homenagem ao próprio Concórdia. Somente quase um ano depois, frente à dificuldade em se confeccionar os uniformes, é que adotaram as cores preta e branca.

Isso não impediu que o dourado continuasse presente em sua história, já que falamos aqui de um dos maiores campeões do futebol mundial. Eleito pela FIFA como o maior clube das Américas no século XX, o Santos coleciona taças em sua galeria e craques em suas fileiras. Se o clube atravessou alguns períodos de vacas magras (como as décadas de 40 e 90), é inegável que, nos momentos mais fulgurantes a equipe era praticamente imbatível: foram sete títulos paulistas, seis nacionais, dois continentais e dois mundiais apenas nos anos 60, em que a base santista foi tão duradoura que os cinco jogadores  que mais vestiram a camisa alvinegra – Pelé, Pepe, Zito, Lima e Dorval – atuaram nesse período (assim como o técnico recordista, Lula). E, mesmo no século XXI, o time já ostenta números invejáveis, com seus quatro estaduais, três nacionais (incluindo a Copa do Brasil) e a Libertadores do ano passado.

O clube também se orgulha dos números de seu ataque: ele se autodenomina “o primeiro da América a atingir os 10 mil gols”, marca que alcançou em 1998 – o autor do tento, por curiosidade, foi o atual técnico da Portuguesa, Jorginho. Para se ter uma ideia, o Palmeiras chegou a seu décimo milésimo gol seis anos depois, por intermédio de Muñoz em uma vitória por 3 a 0 sobre a Ponte Preta (claro que, dependendo de que jogos se consideram, a contagem pode variar bastante). Voltando ao aniversariante, os cinco mais prolíficos artilheiros foram Pelé, Pepe, Coutinho, Toninho Guerreiro e Feitiço – com exceção do último, que jogou nos anos 20 e 30 e saiu sem títulos (e que, anos depois, jogaria pelo Palestra Itália), todos jogaram nos anos de ouro do time da Vila.

Felizmente para nós, ao olharmos a história do Santos sob o prisma palestrino, as coisas são bem mais amenas. Atrás apenas do Corinthians em número de confrontos, o Santos é mais um freguês histórico. Em 306 partidas, colecionamos 133 vitórias, contra 94 santistas. Até mesmo no “alçapão de Vila Belmiro” a vantagem é verde: São 97 jogos, com 43 vitórias e apenas 38 derrotas.

Outro dado curioso: mesmo sendo o segundo em número de confrontos, o Santos é nossa vítima preferida. Nenhum outro clube sofreu mais gols do Palmeiras em toda história: 536 (o Corinthians sofreu 504).

O primeiro confronto entre Santos e Palmeiras foi um amistoso em 1915, vencido pelo alvinegro (então praticamente um veterano em comparação com o jovem Palestra, que fazia apenas sua terceira partida) com direito a sacode: 7 a 0. O torcedor santista pode se orgulhar do fato de que esta é simplesmente a maior derrota de toda nossa história. De lá para cá, no entanto, houve diversas outras goleadas. A maior de todas foi nossa: 8×0 pelo Campeonato Paulista de 1932.

Entre os inúmeros confrontos que atravessaram as décadas mantendo sua aura mítica, o mais famoso data de 1958 e foi válido pelo Torneio Rio-São Paulo. Em uma partida épica, cheia de reviravoltas, o Palmeiras saiu na frente com Mazzola, aos 18 do primeiro tempo. Pagão empatou aos 21 e virou aos 25. Mazzola empatou novamente a partida aos 26. Pelé, ainda no primeiro tempo, fez 2 gols (aos 32 e 38 minutos), Pepe fez um (aos 40), e o placar do primeiro tempo apontou 5×2 para o Santos. No segundo tempo, o Palmeiras virou com 2 gols de Urias (aos 18 e 19 minutos), um de Paulinho (aos 27) e um de Nardo (aos 38) – 6×5. Mas a tarde era mesmo do Santos: Pepe (aos 38) e Dorval (aos 40) deram números finais ao embate histórico, que assim terminou em um inacreditável 7×6.

Além de nos proporcionar confrontos históricos que enriquecem a história de ambos os clubes e também do futebol brasileiro, veio do Santos um dos melhores e mais vitoriosos jogadores de nossa história: César Sampaio, que atualmente é nosso gerente de futebol.

Em sua história, o Santos tradicionalmente revelou grandes jogadores ao futebol brasileiro e mundial. O maior deles, obviamente, foi Pelé. Mais recentemente, Robinho, e agora Neymar, surgiram com a missão de manter a mística deste clube, que assim como o Palmeiras, é conhecido por jogar um futebol ofensivo e técnico, sem “lama no calção” ao fim do jogo.

Divino x Pelé

Falar do Santos sem falar de Pelé é o mesmo que falar do Palmeiras sem falar de Ademir da Guia. A história do Santos se confunde com a do maior jogador de futebol de todos os tempos, e mostra também que o único time capaz de parar o Santos de Pelé era o Palmeiras de Ademir. Não fossem o Supercampeonato de 1959 e as conquistas verdes em 1963 e 1966 e o Peixe poderia ter sido simplesmente dodecacampeão estadual.

No período em que ambos atuavam por seus respectivos clubes, de Agosto de 1961 a Outubro de 1974, foram 36 partidas, com 13 vitórias do Palmeiras, contra 12 do Santos.

A diferença crucial das passagens dos dois maiores jogadores de Santos e Palmeiras fica por conta dos campeonatos internacionais. Enquanto o Santos faturou duas libertadores com Pelé, o Palmeiras amargou um vice-campeonato com Ademir.

Palmeiras x Robinho

Somadas as duas passagens do “rei das pedaladas”, mesmo com o Palmeiras amargando anos de equipes medíocres e até a série B, o histórico registra 11 partidas, com 6 vitórias do Palmeiras e 3 do Santos.

Palmeiras x Neymar

Assim como Robinho e Pelé, o craque Neymar não tem vida fácil quando encara o Palmeiras. Desde 2009 já são 11 confrontos, com 6 vitórias do Palmeiras e apenas 3 do Santos.

Diante de tamanha tradição, seja contra nós ou pelos campos do mundo, é certo que o Santos Futebol Clube figura como um dos maiores clubes de futebol do planeta. Fica aqui o parabéns do IPE e o anseio por mais 100 anos de confrontos épicos e lances memoráveis. Parabéns, Peixe!

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César e Ademir: dois bróders de sucesso no Palestra

Este texto dá início a uma série de posts cuja origem é singela: há algumas semanas, este redator viu na Marginal Pinheiros um carro de Pontalina (GO), cidade de cuja existência ele só sabia por ser a terra natal de Paulo Nunes. Daí para a ideia de agregar os principais jogadores que passaram pelo Verdão por sua região de nascença foi um pulo: afinal, se já fizemos uma seleção dos estrangeiros que passaram pelo Palestra (e também uma dos artilheiros), por que não montar a dos cariocas, paulistas e assim por diante?

Nesta e nas próximas cinco semanas, você confere os times que montamos; por fim, tentaremos determinar o vencedor de um hipotético campeonato entre as esquadras. Quem é seu favorito? Eis os contendores, pela ordem dos posts:

1. Seleção carioca (OK, o gentílico correto é “fluminense”, mas contamos com vossa compreensão)

2. Seleção paulista

3. Seleção mineira

4. Seleção nordestina

5. Seleção sulista

6. Seleção dos demais Estados

Por nenhum critério racional – ou a presença do Divino, talvez? – começaremos pelos nativos do Rio de Janeiro. E aqui está o time, mermão:

1. Aymoré – o goleiro e futuro treinador jogou pouco, apenas 29 vezes, mas conquistou o tri paulista em 1934. Leva a vaga em detrimento de Aníbal, campeão em 1959, porque teve maior sequência como titular.

2. Claudio – a lateral direita não é uma posição em que tivemos grandes atletas do Rio. Fica aqui este que, se não era um craque, também não comprometia, e foi multicampeão no Palestra nos anos 90

3. Aldemar - ficou conhecido como “o melhor marcador de Pelé” após a decisão do Supercampeonato Paulista de 1959. Além disso, disputou outras 206 partidas em seus cinco anos de clube, ganhando nosso primeiro Brasileiro e outro Paulista.

4. Djalma Dias - a disputa é renhida, pois havia outras ótimas opções. Ficamos, porém, com um dos titulares da primeira Academia, jogador de grande técnica que chegou a jogar com Aldemar e portanto ainda por cima traz um bom entrosamento para o miolo de zaga.

5. Vágner Bacharel – aqui, o primeiro improviso de vários que esta série exigirá, já que apenas na seleção paulista haverá jogadores suficientes para todas as posições. Bacharel fica aqui por ter sido um excelente zagueiro, e atletas de alto nível podem render em outras posições (melhor provavelmente que as opções “naturais” para a posição, Rocha ou Magrão). Também devemos valorizar aqueles que, mesmo atuando nas fases de vacas magras, jogaram muito bem pelo Verdão.

6. Zinho - eis mais uma gambiarra. Mas, cerebral como era, o atleta campeão do mundo em 1994 – e que fez o primeiro gol da inesquecível decisão de 1993 – certamente faria bom papel também na lateral.

7. Humberto Tozzi – artilheiro duas vezes do Paulistão, tem uma das maiores médias de gols da história do clube (0,93 gol/jogo), jogou a Copa de 1954

8. Jair Rosa Pinto - o meia foi responsável direto pelo título paulista de 1950, no famoso Jogo da Lama. Mas não era apenas de raça que se valia Jajá – era um jogador muito habilidoso e ídolo por onde passou.

9. César – o segundo maior artilheiro da história do Verdão (e maior em Campeonatos Brasileiros) faz jus à posição de centroavante da equipe.

10. Ademir da Guia – precisa explicar?

11. Jorge Mendonça – um meia de faro de gol apuradíssimo, autor do gol do título paulista de 1976 e de mais uma centena de tentos com a camisa verde.

Técnico: o Palmeiras contou com Aymoré Moreira, que já ocupa a camisa 1 deste time e até Copa do Mundo conquistou. Mas no Verdão houve outro carioca que, em meio a intermináveis polêmicas, brilhou mais. Falamos, claro, de Vanderlei Luxemburgo, dono de quatro títulos paulistas, dois brasileiros e um Rio-São Paulo.

O ofensivo banco de reservas poderia contar com Aníbal, Sarno, Rocha, Romeiro, Cabeção, Edmundo e Vágner Love.

Como não torcer para um time desses?

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Há exatos 70 anos nascia Ele, que foi o domingo (e todos os outros dias da semana) dos Palmeirenses por 17 anos. O filho do ‘Seo’ Domingos completa 70 anos, e registramos aqui nosso parabéns e muito obrigado!

Formado na base do Bangu-RJ, o Divino chegou ‘em casa’ em 1961. Dono de uma técnica sobrenatural e estilo de jogo refinad0 – por diversas vezes chamado injustamente de lento – Ele colocou a 10 e nunca mais tirou. Essa que é a camisa D’Ele, até hoje está emprestada nas costas de outros jogadores. Nada que se diga aqui traduzirá a importância desse Senhor de feição calma, fala mansa e futebol ARREBATADOR para a Sociedade Esportiva Palmeiras. Foram nada menos que 901 jogos (recorde absoluto do clube), 153 gols, 12 títulos oficiais, sabe-se lá quantos MILHÕES de aplausos, sorrisos e encantamentos. Quem viu não esquece, quem não viu cultua sem duvidar. Ídolo máximo do clube, o Divino comandou as 1ª e 2ª Academias do Verdão.

Só mesmo alguém Divino para dar uma caneta no Rei

Com a missão ingrata de fazer frente ao Santos de Pelé, o Palmeiras do Divino não fez feio, pelo contrário. Único clube a conquistar títulos em SP durante a fase de ouro do time da Vila, os Paulistas de 63 e 66 e os dois Campeonatos Brasileiros de 1967. Comandando a meiuca, acompanhado por monstros do quilate de Dudu, Leivinha, Julinho, César Maluco e tantos outros, Ele não se intimidou pelo talento do outro camisa 10 e protagonizou duelos épicos, partidas inesquecíveis, campeonatos inacreditáveis.

Primando sempre pela qualidade, aos passos largos e passes precisos, Ele brilhou nos campos Brasileiros e também internacionais, sob sua batuta o Palmeiras conquistou 3 Ramón de Carranza e um Troféu Mar del Plata, 5 Campeonatos Brasileiros (recordista do clube), outros 5 Paulistas e 1 Rio-São Paulo. Apesar desse portfólio teve pouquíssimas chances na Seleção Brasileira, uma injustiça sem tamanho, um desperdício da parte da CBD. Um baita Azar… DELES!

As histórias a respeito D’Ele são infinitas, cada um de nós conhece algumas, sejam presenciais ou contadas por nossos Pais, Avós, Tios, amigos. Esse craque formou grande, ENORME parte da torcida Palmeirense. Não seria preciso sequer citar seu nome em lugar algum, sua alcunha e suas características o identificam tão bem ou até melhor que o nome próprio. Em algum lugar do tempo O Divino e a Sociedade Esportiva Palmeiras tiveram o privilégio e a felicidade de se juntarem, um é responsável pela grandeza do outro de alguma forma, ninguém teria sido melhor camisa 10 desse clube que Ademir da Guia. Obrigado Divino. Feliz Aniversário.

“Sem Ademir da Guia o Palmeiras é menos Palmeiras” – Treinador Rubens Minelli ainda nos anos 60.

“Ele está jogando demais. É para o Palmeiras o que o Pelé é para o Santos. Quem ganhou do Fluminense não foi o Palmeiras, foi o Ademir da Guia”. – Zagallo, em 1971, sobre a derrota do Fluminense para o Palmeiras na Copa Libertadores da América.

“A gente brincava de ‘bobinho’ nos treinos e tentava fazer o Ademir ir para o meio. Todo mundo tocava para ele com efeito, mas não tinha jeito. Do jeito que a bola viesse ele dominava. Eu não me lembro de uma única vez em que o Ademir tenha ido para o meio da roda.” – Leivinha, ex-jogador do Palmeiras.

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A Academia de 1972: Eurico, Leão, Luís Pereira, Alfredo Mostarda, Dudu, Zeca; Edu, Leivinha, César Maluco, Ademir da Guia e Nei.

Um time que ajudou a manter uma família unida no momento mais difícil da vida de um garoto. A história que trazemos hoje nos foi enviada pela maior enciclopédia viva de São Bernardo do Campo, o engenheiro Luiz Penchiari; mais que uma partida, o relato trata de todo um período agitado, em que o Palmeiras estava lá para dar alegria a quem precisava.

*

Para um palmeirense da minha idade (52 anos) são muitos os jogos inesquecíveis. Tem o primeiro, que no meu caso foi aquele famoso 2×0 no arquirrival em novembro de 1967: Tupãzinho fez dois gols de falta, de longa distância, no então invulnerável goleiro gambá Barbosinha, que depois desse jogo sumiu, e tem até um inesquecível que nós perdemos, foi aquele famoso 4×3 para os gambás no paulista de 71 0u 72, não me recordo. Tem também os torneios Ramon de Carranza na Espanha, que o Verdão ia lá, levava a Taça e ainda goleava os times espanhóis (tem time que nunca ganhou nem um torneio de verão fora do Brasil e diz que é campeão mundial).

Mas no meu caso há uma sequência de jogos que me são inesquecíveis por razões pessoais. É que meu pai adoeceu seriamente durante o ano de 1972 e foi chegando o final do ano e foram se exaurindo as chances dele sobreviver. Foi então que o irmão do meu pai, meu tio Vladimir Penchiari (que nós chamávamos de Tio Tutú) e o Pedro Gerbelli, que era primo do meu pai, os dois maiores palestrinos que eu conheci na vida, me levaram para o que eles diziam ser, a reta final da campanha de 72, onde diziam, eu veria o time ser campeão brasileiro pela primeira vez (nesta época não se consideravam os títulos do Robertão, o campeonato dito brasileiro tinha começado um ano antes em 1971).

Faziam isso para amenizar um pouco a nossa dor e assim foi que em 16 de novembro de 1972 fomos ao Pacaembu assistir uma rodada dupla, isso mesmo, coisa impensável hoje em dia.

Jogo preliminar São Paulo x América MG (os bambis venceram por 2×1) e jogo principal Palmeiras x América RJ, vencemos 2×0. Acredite quem quiser, naquele dia os alto falantes anunciaram público pagante de 32.000 pessoas, tudo misturado, sem divisão por torcidas, bambis e palestrinos , sem que tivesse ocorrido nenhum incidente, eu tinha 13 anos de idade e meu irmão Airton 10. Foi a primeira vez que ví jogar a dupla Dudu e Ademir, nem vou me estender em comentários, só de lembrar eu me vejo de novo ali, há quase 40 anos atrás. Ademir tinha uma calma que as vezes até irritava, o jogador menos experiente se acalmava nas situações difíceis só de olhar para o cara. Jogava divinamente, merece a alcunha.

Minha alegria durou pouco, 6 dias depois, no dia 22 de novembro (39 anos atrás) meu pai faleceu. Ele era daqueles que se dizia parmerista (aliás, frequentei por muito tempo o blog do Conrado Cacace devido a este fato, me ajudava a lembrá-lo).  A bem da verdade, na minha família todo mundo dizia que era parmerista, isto se deve a que na Itália a terminação “ista” se aplica ao times de futebol, por exemplo, quem torce para o Milan é milanista, que torce para a Inter, é Interista, etc.

No domingo seguinte ao falecimento, dia 25 de novembro, houve um jogo histórico Corintihans x Santos, Pelé, Edu e cia. humilharam a gambazada 4×0; o quarto gol, por cobertura no goleiro Ado foi o mais bonito da carreira do Edu, quem puder assista (nota: está aqui, veja a partir de 3’40”). Pra mim, esse jogo foi muito duro de assistir, assisti o VT sozinho de noite, eu sempre asssitia o jogo aos domingos junto com o velho (nem velho ele era, tinha só 41 anos). Certamente ele teria morrido de rir da gambazada.

Mas a vida segue e eis que assim que nos recuperamos do golpe, meus tios me ligam, rapaz, amanhã vamos ver a semifinal no Pacaembu Palmeiras x Inter de Porto Alegre, o empate é nosso. Era o dia 20 de dezembro e fomos a um Pacaembu com 60 mil pessoas, tudo palestrino, enfrentar o Inter, que não tinha Falcão, mas tinha Figueroa, zagueiro chileno que comandava o time. Lá pelo final do primeiro tempo, num chute despretensioso do centroavante Braulio, gol dos caras, um frango do Leão que era o nosso goleiro. Ademir e cia mantiveram a calma e no segundo tempo num rebote do goleiro, o ponta esquerda Nei empatou. Daí pra frente o Inter sumiu e fomos pra final, pois o empate era nosso por ter a melhor campanha, disparado.

Veio então o “Gran Finale”. Às vésperas do natal, no dia 23 de dezembro de 1972, Morumbi lotado pra final Palmeiras x Botafogo RJ ( o Botafogo havia vencido a semifinal em cima do Corinthians 2×1 no maracanã). Por pouco a final não foi contra os gambás. Jogamos com o regulamento em baixo do braço e ao final de um morno 0x0, ficamos com a Taça, por ter a melhor campanha.

Dediquei o título pro meu pai.

Toda vez que eu vou no Cemitério da Vila Euclides lá em São Bernardo, onde estão no mesmo túmulo meu pai e meus tios, eu agradeço meu pai por ter me ensinado a ser parmerista e meus tios que me levaram por esta épica jornada lá no longínquo 1972.

Ainda não tenho netos, mas já tenho o que contar pra eles.

*

CONTEXTO

O Campeonato Brasileiro de 1972 foi disputado por 26 times em quatro fases. Na primeira fase, o Palmeiras terminou em primeiro em seu grupo, do qual quatro avançavam. Na segunda fase, apenas o vencedor passava, e novamente o Verdão liderou. Aí veio a semifinal contra o Inter e a decisão contra o Botafogo, citadas por Luiz. Com a vantagem do empate em ambas as partidas, o Palmeiras conseguiu o que foi então seu primeiro Brasileiro – hoje, o quinto.

FICHA TÉCNICA

Nos pareceu que a partida mais marcante de todas foi a primeira que Penchiari citou. Eis sua ficha:

16/11/1972 – PALMEIRAS-SP 2 x 0 AMÉRICA-RJ – CAMPEONATO BRASILEIRO

Estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho – Pacaembu – São Paulo / SP – Brasil

Público: 30.789 pagantes – Renda: Cr$ 237.351,00

Árbitro: José Gilberto Ferreira Lima (CE)

Palmeiras: Leão, Eurico, Luís Pereira, Alfredo (Polaco), Zeca, Dudu, Ademir da Guia, Ronaldo, Leivinha, Madurga, Pio – Técnico: Oswaldo Brandão

América: Alberto, Cabrita, Alex, Aldeci, Alvanir, Badeco, Edu, Antônio Carlos, Tarciso, Taquito (Sérgio Lima), Gilmar (Mauro) – Técnico: Wílson Santos

Gols: Pio, 2 min, Zeca, 20 min segundo tempo

NO DIA SEGUINTE

A Folha não falou do jogo em si, mas de como estavam as chances de classificação das equipes após aquela rodada.

UM POUCO DO TIME CAMPEÃO

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Três dessas são nossas

Entre os diversos torneios da pré-temporada europeia, o mais famoso é possivelmente o Ramón de Carranza, disputado sem interrupções desde 1955, sempre na cidade de Cádiz.  E esta data de 31 de agosto marca o dia em que o Palmeiras triunfou por duas vezes nessa competição, em 1969 e 1975 (também vencemos em 1974, mas daquela vez a final foi em 1/9).

O torneio ficou famoso por seu formato de quatro equipes fazendo um mata-mata em dois dias consecutivos, usado desde a terceira edição. Este modelo foi copiado em vários outros lugares, o que conferiu ao original o apelido de Copa das Copas. Como curiosidade, diz-se que foi na edição de 1962 que surgiu a disputa de cinco pênaltis alternados que conhecemos hoje.

Foi a partir de 1961 que clubes da América do Sul começaram a ser convidados; até 1968, porém, nenhum time desta parte do mundo triunfou, incluindo equipes como Peñarol, River Plate, Boca Juniors, Flamengo, Vasco e Corinthians. Em 1969, contudo, a história seria diferente.

Para aquela edição, foram convidados duas equipes americanas: Estudiantes de La Plata e Palmeiras, não por coincidência campeão e vice da Libertadores do ano anterior. E finalmente um clube não europeu triunfou: o Verdão estreou empatando por 1 a 1 com o Atlético de Madrid (gol de Cardoso), e venceu nos pênaltis. No dia seguinte, enfrentou o arquirrival do time que havia derrotado: o Real Madrid, que caiu por 2 a 0 (Zé Carlos e Dé). E foi assim que o Palmeiras levantou seu primeiro Ramón de Carranza.

O título não valeu participação no ano seguinte; o Alviverde teve que aguardar cinco anos para disputar, ao lado do Santos, a vigésima edição do troféu. E mais uma vez não decepcionamos: se em 31/8/69 a vítima fora o Real, em 31/8/74 quem perdeu foi o Barcelona, também por 2 a 0 (Leivinha, Ronaldo). E, em mais uma coincidência, a decisão também foi contra o rival local do time que batemos – o Español, que derrotamos por 2 a 1 (Leivinha, Luís Pereira).

Em 1975, o Palmeiras teve oportunidade de defender o título, e a aproveitou muito bem: conquistamos o tri ao bater o Zaragoza por 1 a 0 (Ademir da Guia) e depois mais uma vez o Real Madrid, 3 a 1 (Edu Bala, Leivinha, Itamar). Isto é, o Verdão chegava à terceira conquista em igual número de participações. Até hoje, ao lado do Vasco, somos o clube não espanhol com mais títulos.

Houve outras edições dali para frente em que participamos, mas nunca mais com o mesmo brilho. Em 1976 não conseguimos a terceira vitória consecutiva, ao perdermos para o Atlético de Bilbao na semi (ficamos com o terceiro ao golear o Nacional do Uruguai); em 1981, um vexame – mais um naqueles tempos tão duros: apanhamos de cinco do Sevilla e quatro do CSKA da Bulgária. Talvez por isso só tenhamos voltado a pisar solo andaluz em 1993, já com o esquadrão que acabara de ser campeão paulista e do Rio-São Paulo. E o retorno foi logo num Choque-Rei, que vencemos por por 2 a 1 (Maurílio, Jean Carlo), em jogo que terminou com piti do tricolor, que teve dois expulsos (Ronaldo Luís e o sempre delicado Dinho). Porém, perderíamos nos penais a decisão para o Cádiz após empate por 1 a 1 (gol de Edílson).

Em resumo, jogamos 12 partidas pelo prestigioso torneio, com 7 vitórias, 2 empates e 3 derrotas. Foram 19 gols feitos e 17 sofridos; nosso artilheiro é Edu Bala, 5 gols, seguido de Leivinha, com 3. Em nossas seis participações, acumulamos 3 taças, 1 vice, um terceiro e um quarto lugar. Mesmo com a derrapada dos anos 80, o Palmeiras pode ser orgulhar de ser o clube brasileiro – mais ainda, o clube estrangeiro – com o melhor retrospecto na história deste torneio espanhol.

Edu Bala: 5 gols na Andaluzia

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E ainda tinha Dudu no banco. Foto: http://palmeirashistoriagloriosa.blogspot.com

Amigo palmeirense, hoje completam-se exatos 35 anos de um título que infelizmente passou a ser em geral lembrado não com alegria, mas com tristeza. Para azar dos protagonistas daquela excelente campanha, lembrar do Paulista de 1976 não é falar de um time que em 28 partidas perdeu apenas uma, que triunfou com uma rodada de antecedência e ainda viu os arquirrivais terem um desempenho pífio; não, dizemos somente que foi o último título antes da fila. É compreensível, pois uma enorme geração de palmeirenses – o IPE inteiro entre eles – cresceu com aquela taça não vista por nós a martelar nossas cabeças a cada insucesso, por anos a fio. Mas é injusto.

Ora, se os anos 80 foram de pindaíba, isso não é responsabilidade dos atletas que nos trouxeram mais aquela taça. Por isso, vamos aqui relembrar aquela jornada e pedir ao torcedor que, daqui pra frente, quando alguém tocar no assunto, esqueça a melancolia.

O Campeonato Paulista de 1976 tinha 18 times, divididos em 3 grupos sabe-se lá por quê; afinal, na primeira fase todos jogavam contra todos. Enfim, os quatro primeiros de cada chave avançavam para a fase final, e a melhor entre todas as equipes ainda levaria um ponto extra.

O Palmeiras começou claudicante, com uma derrota logo na segunda rodada, para a Ponte Preta em Campinas, que acabaria sendo a única em toda a campanha. As vitórias se alternavam com empates e, após três igualdades seguidas contra equipes interioranas, Dino Sani caiu. Quem assumiu foi seu auxiliar técnico, que havia iniciado na função em janeiro, após se aposentar dos gramados: nada menos que nosso mito Dudu.

O time se estabilizou, fez sua parte e acabou vencendo o grupo C, com 25 pontos, fruto de 9 vitórias, 7 empates e uma única derrota. O tal ponto extra, no entanto, não veio: o Guarani, com 26 pontos, levou o prêmio.

Em nosso próprio grupo C, uma grande surpresa: o Santos acabou em quinto e foi eliminado da disputa. A divisão em grupos o afetou bastante, pois se o time da Vila estivesse em uma das outras chaves teria avançado; bom, regulamento assinado é regulamento combinado, e foi assim que o primeiro dos tradicionais adversários ficou pelo caminho.

A fase final previa um turno único entre os 12 clubes classificados; evidentemente o campeão seria quem somasse mais pontos. Ao empatar nas duas primeiras rodadas, o Guarani desperdiçou a vantagem que tinha; melhor para o Palmeiras, que batera América e Ferroviária e era o único time ainda com 100% de aproveitamento. Nas duas rodadas seguintes, outras vitórias (dessa vez contra São Bento e a revanche contra a Macaca), e o Verdão disparava. Enquanto isso, Corinthians e São Paulo colecionavam empates e derrotas, dando um tom caipira ao campeonato – até aquele ano, jamais os clubes do interior estiveram tão próximos da taça.

Dois 0 x 0 seguidos, contra Botafogo e Portuguesa, frearam um pouco o ritmo verde, mas naquelas rodadas houve vários empates, e o time continuou à frente. Na sequência, uma vitória magra contra o Noroeste e um empate contra o Guarani mantinham o clube no topo, faltando apenas três rodadas – e dois clássicos.

Naquele instante, o Corinthians, com uma campanha fraquíssima, já não tinha chances de título. As do São Paulo eram meramente matemáticas, do tipo “tem que ganhar todas e torcer para o Palmeiras perder todas”. Sobravam como adversários reais América, XV de Piracicaba e Guarani, numa época em que os grandes faziam valer seu peso.

O Choque-Rei aconteceu em 15/8, e Ademir da Guia tratou de resolvê-lo logo: aos 3 minutos, fez o único gol do jogo. No Morumbi, o Palmeiras enterrava ao mesmo tempo as pretensões são-paulinas e bugrinas.  Três dias depois, aconteceria o confronto direto contra o Nhô Quim, que passara a ser o único time a ainda ter alguma chance, já que o Diabo empatara com o São Bento, dando adeus à disputa. A missão do alvinegro, porém, era dura: além de vencer o Palmeiras em pleno Parque Antarctica, seria necessário também na última rodada vencer e torcer para que o alviverde fracassasse no Derby.

Era muito difícil, e os palmeirenses sabiam disso – tanto que, naquela noite de quarta-feira, 18 de agosto de 1976, foi registrado o recorde de público de nosso velho Palestra Itália. Oficialmente, foram 40283 torcedores; uma multidão que explodiu aos 39 minutos do primeiro tempo, quando Jorge Mendonça fez o tento que selaria o destino daquele Paulistão. O valente XV de Piracicaba não conseguiu buscar os gols que necessitava, e o apito final de Romualdo Arppi Filho disparou a festa pelo 18º título estadual.

A celebração, porém, não estaria completa antes do Derby que encerraria o certame; mas, naquele momento, o Corinthians não poderia ameaçar o campeão. Em apenas 15 minutos, Mendonça abriria 2 a 0 de vantagem, e o rival só conseguiria descontar no segundo tempo. A vitória por 2 a 1 impediu que o alvinegro carimbasse a faixa e foi a cereja no bolo desta conquista mais do que merecida.

Foi, em resumo, uma bela campanha de 28 partidas, 17 vitórias, 10 empates e 1 derrota; 39 gols feitos e 18 sofridos. Nosso artilheiro foi Mendonça, com 10 gols, seguido por Edu e Ademir (7 cada), Toninho (6) e Zuza (2). Marcaram um gol cada Rosemiro, Altimar, Didi, Pires, Nei, Itamar e Jair Gonçalves.

FICHA TÉCNICA DA DECISÃO

18/08/1976 – PALMEIRAS-SP 1 x 0 XV DE PIRACICABA-SP – CAMPEONATO PAULISTA
Estádio Palestra Itália – Parque Antártica – São Paulo / SP – Brasil – Público: 40.283 pagantes e não pagantes – Renda: Cr$ 777.915,00
Árbitro: Romualdo Arppi Filho (SP)
Palmeiras (São Paulo/SP): Leão, Valdir, Samuel, Arouca, Ricardo, Pires, Ademir da Guia, Edu, Jorge Mendonça, Toninho, Nei – Técnico: Dudu
XV de Novembro (Piracicaba/SP): Doná, Volmil, Fernando, Elói, Almeida, Muri, Vágner, Pitanga, Nardela (Capitão), Benê (Paulinho), João Paulo – Técnico: Dema
Gol: Jorge Mendonça (Palmeiras), 39 min primeiro tempo

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Cena da partida final

Este 8 de junho marca o 44º aniversário da conquista do segundo de nossos oito títulos nacionais, que também foi um dos mais interessantes. Afinal, tratava-se da edição inaugural do Torneio Roberto Gomes Pedrosa, a primeira competição que reuniu clubes de vários Estados (bom, nem tantos: cinco) em um formato de fases com pontos corridos.

(Notem que o Palmeiras foi o primeiro campeão do Robertão, assim como levou a primeira Copa dos Campeões e a primeira Copa Mercosul. E nenhum dos torneios teve vida longa, ao menos não com esses nomes…)

O torneio não escapou ao típico formulismo brasileiro: os 15 times jogariam entre si apenas um turno e, ao término desta fase, quatro equipes avançariam para um quadrangular final. Entretanto, por alguma razão decidiram dividir os times em dois grupos, sendo que dois de cada passariam. E foi assim que, ao cabo de 75 dias e 14 partidas para cada participante, o Grupo A teve como classificados o Corinthians (22 pontos) e o Internacional (16); já o Grupo B foi ponteado por Palmeiras (19), Grêmio (18) e Portuguesa que, terceira com 17, ficou a ver navios mesmo tendo um ponto a mais que o Colorado.

Reunindo os dois maiores times tanto de São Paulo como do Rio Grande do Sul, a fase final prometia muito. E começou com os paulistas saltando à frente: o alvinegro bateu o Grêmio por 2 a 1  na capital paulista, enquanto que no dia seguinte o Palmeiras conseguiu um excelente e raro triunfo em Porto Alegre pelo mesmo placar.

(A propósito, a vitória não foi no Beira-Rio, que só seria inaugurado dois anos depois, e sim no Olímpico. Mais curioso ainda, as torcidas gaúchas se apoiaram na primeira fase! Essa história pitoresca está relatada aqui)

A segunda rodada foi a dos clássicos. O Gre-Nal terminou empatado em 1 gol, e um Derby emocionante viu o Palmeiras sair na frente, levar a virada e conseguir a igualdade com Zequinha aos 46 do segundo tempo. Esse gol tardio impediu que o Corinthians abrisse uma dianteira que lhe seria extremamente importante para romper sua fila, que então já contava mais de 12 anos. E a situação de nosso rival ficaria ainda pior na rodada seguinte: de novo em São Paulo, uma derrota em casa para o Inter, ao passo que o Verdão conseguiria novo empate agônico no Sul: o Grêmio abriu o placar já aos 31 do segundo tempo, mas João Daniel, ponta que curiosamente só jogou duas partidas pelo clube (esta e a seguinte), fez o tento salvador aos 44.

Assim, ao fim do primeiro turno do quadrangular, o Palmeiras tinha 4 pontos e jogaria todas as demais partidas em São Paulo. O Inter tinha 3 e sairia uma vez de casa; o Corinthians também tinha 3, mas iria duas vezes ao Sul, e o Grêmio contava apenas 2 pontos e teria que viajar uma vez a São Paulo.

O returno começou com os mesmos jogos da primeira rodada: o time do Parque São Jorge se recuperou vencendo o da Azenha fora, enquanto Palmeiras e Inter não saíram do zero (foi o terceiro empate verde seguido). Portanto, Palmeiras e Corinthians tinham 5 pontos e ainda por cima estavam iguais nos critérios de desempate (a saber, saldo de gols e goal average). O Inter tinha 4, e o Grêmio já não tinha chances.

Veio a quinta rodada, a que colocou os times em seus devidos lugares: o Grêmio não deu brecha a seu eterno rival e segurou o empate sem gols. Enquanto isso, no Pacaembu, aconteceu o que costuma acontecer quando Palmeiras e Corinthians se enfrentam em um duelo decisivo: um gol de César bastou para que o título ficasse muito perto do Parque Antarctica. Afinal, o Palmeiras tinha sete pontos, dois a mais que Inter e Corinthians, e jogaria em casa contra o lanterna Grêmio.

A última rodada curiosamente marcou os duelos para dias distintos. Na quarta-feira, 7/6, o Palmeiras poderia ser campeão sem pisar no gramado: bastaria que o jogo do Olímpico terminasse empatado. Mas o Inter sepultou de vez o alvinegro ao conseguir categóricos 3 a 0.

Com o placar elástico de Porto Alegre, o Palmeiras não poderia perder no Pacaembu, mas o empate ainda lhe bastava. E, se é possível supor que o Grêmio não faria a menor questão de opor resistência – afinal, ganhando o título cairia no colo do rival, como ocorreria muitos anos depois, no Brasileiro de 2009 – também é necessário admitir que o Palmeiras tinha mais time, ou pelo menos estava em melhor momento, e estava naturalmente muito mais motivado. Não é de se estranhar, portanto, que em pouco mais de 20 minutos tenha feito 2 a 0, ambos os gols de César, e dali por diante apenas administrado o placar – uma situação muito parecida, por sinal, com a final do Brasileiro de 1993. O Grêmio ainda descontaria no fim, mas àquela altura os fogos já espoucavam por toda a Pauliceia: o Palmeiras era novamente campeão.

De quebra, os dois gols na decisão fizeram com que César chegasse a 15 e alcançasse seu futuro colega de ataque Ademar Pantera, então no Flamengo, no topo da artilharia. Foi a primeira e única vez que o Palmeiras teve um artilheiro da competição nacional.

Em resumo, o Palmeiras fez  20 jogos, com 10 vitórias, 8 empates e 2 derrotas, com 39 gols a favor e 26 contra. Uma bela trajetória que culminou no título da Academia então comandada pelo campeão mundial de 1962 Aymoré Moreira.

CAMPANHA

Primeira fase

Fluminense 2 x 4 Palmeiras

Palmeiras 2 x 1 Corinthians (a única derrota alvinegra na primeira fase)

Palmeiras 5 x 0 Vasco (maior goleada da história do confronto)

Grêmio 2 x 0 Palmeiras

Ferroviário-PR 2 x 4 Palmeiras

Atlético-MG 4 x 2 Palmeiras

Palmeiras 3 x 2 Cruzeiro

Palmeiras 1 x 1 Portuguesa

Palmeiras 2 x 1 Santos

Internacional 2 x 2 Palmeiras

Palmeiras 3 x 3 Flamengo

Botafogo 0 x 0 Palmeiras

Palmeiras 1 x 1 São Paulo

Bangu 0 x 2 Palmeiras

Segunda fase

Internacional 1 x 2 Palmeiras

Corinthians 2 x 2 Palmeiras

Grêmio 1 x 1 Palmeiras

Palmeiras 0 x 0 Internacional

Palmeiras 1 x 0 Corinthians

Palmeiras 2 x 1 Grêmio

FICHA TÉCNICA DA DECISÃO

08/06/1967 – PALMEIRAS-SP 2 x 1 GRÊMIO-RS – TORNEIO ROBERTO GOMES PEDROSA
Estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho – Pacaembú – São Paulo / SP – Brasil – Renda: NCr$ 64.578,50
Árbitro: João Carlos Ferrari
Palmeiras (São Paulo/SP): Perez, Djalma Santos, Baldochi, Minuca, Ferrari, Dudu, Ademir da Guia, Dario (Zico), Servílio, César, Tupãzinho (Rinaldo) – Técnico: Aymoré Moreira
Grêmio (Porto Alegre/RS): Arlindo, Everaldo, Ari Ercilio, Paulo Souza, Ortunho, Áureo (Paíca), Cléo, Babá (Loivo), João Severiano, Beto (Vieira), Volmir – Técnico: Carlos Frôner
Expulsão: Ferrari (Palmeiras)
Gols: César (Palmeiras), 8 min, 24 min primeiro tempo, Ari Ercílio (Grêmio) (pênalti), 40 min segundo tempo

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O indiscutível camisa 9

Esta semana, Kléber declarou que gostaria de ficar no clube tempo suficiente para ser um dos 10 maiores artilheiros da história do clube. Como o site oficial mostrou, o Gladiador ainda terá que comer muito feijão para chegar lá – faltam-lhe ainda 87 gols para se igualar a Tupãzinho, que fecha o Top Ten.

A missão seria mais fácil se o camisa 30 jogasse em outra posição – embora, evidentemente, nesse caso ele teria muito menos chances de gol em cada partida. Pensando nisso, trazemos aqui um time de 1 a 11, escalado num 4-4-2, dos atletas de cada posição que mais balançaram as redes pelo Verdão. Eis a lista:

1. Marcos1 gol em disputa de pênaltis basta para assegurar o goleiro nesta esquadra.

2. Arce – o paraguaio tem 57 gols pelo clube, incluindo o do título da Copa Mercosul 1998.

3. Luís Pereira – o zagueiro fez pelo Palmeiras exatamente o mesmo número de gols que Kléber acaba de atingir: 35. Um deles, importantíssimo, foi o da virada contra o Inter que deixou o Alviverde a um empate do Brasileiro de 1973, que viria três dias depois.

4. Loschiavo – com excelente média de gols, o atleta que nos defendeu entre 1922 e 1933 marcou 30 vezes em 148 jogos. Há que considerar, no entanto, que seu auge como homem-gol foi quando ele atuava no meio-campo, sendo depois recuado para a defesa. Se quisermos um zagueiro “puro”, a vaga fica com Vágner Bacharel, 22 gols (um a mais que Cléber, originalmente citado), cujo gol mais importante pelo clube não foi validado – no primeiro Derby semifinal de 1986, Ulisses Tavares da Silva anulou gol legítimo do zagueiro e o Palmeiras perdeu. Menos mal que na volta fizemos 3 a 0.

5. Zequinha – para o time não ficar apenas com meias ofensivos, há que se ter um volante. E dentre eles o que mais marcou foi o campeão mundial de 1962. Foram 40 tentos, alguns em decisões, como na primeira partida do Supercampeonato de 1959 contra o Santos (1×1), ou o primeiro dos 8×2 que nos trouxeram nosso primeiro Brasileirão contra o Fortaleza em 1960.

6. Júnior – o senso comum faz parecer que Roberto Carlos, por bater faltas, seria o lateral esquerdo deste time. Mas Júnior, que em nossa opinião foi inclusive superior a RC em sua passagem pelo Palmeiras, foi quem mais celebrou: foram 19 gols, um deles no inesquecível 4 a 2 sobre o Flamengo em 1999.

7. César Maluco - naturalmente os dois atacantes serão grandes homens de área, por isso a camisa 7 soa meio estranha. O critério escolhido foi o número de gols: César é o segundo maior artilheiro de nossa história, e assim perde a nove para o maior. Nada que diminua seus 180 gols, entre eles os dois de nosso segundo Nacional, o Robertão-1967 contra o Grêmio. Para quem prefere um ponta e um centroavante, deve-se escalar Rodrigues, 125 gols.

8. Tupãzinho – o meia que está na mira de Kléber fez 122 gols, um deles no dia em que o Palmeiras, usando o uniforme da Seleção Brasileira, fez 3 a 0 no Uruguai. Caso não queiramos três meias-esquerdas no time, trocando um por um meia-direita, quem herda a vaga é Leivinha, com seus 105 gols.

9. Heitor – o maior artilheiro de nossa história, com 284 gols, é indiscutivelmente o centroavante desta equipe. Único a marcar seis gols em uma partida (nos 11 a 0 contra o SC Internacional pelo Paulista de 1920), também foi o primeiro palestrino a marcar pela Seleção. Na partida que definou o Paulista de 1926 (7×0 Sírio), ele foi às redes quatro vezes.

10. Ademir da Guia – e não poderia ser outro. O Divino é o terceiro artilheiro de nossa história, com 153 gols. Eis uma coletânea dos gols de nosso maior ídolo, que entre outros fez dois na decisão do Brasileiro de 1969 contra o Botafogo, nosso quarto caneco.

11. Lima – fechamos o time com o meia campeão da Copa Rio, que com 149 gols é o quarto maior matador do Palmeiras. Lima, vale dizer, é o único jogador daquela partida contra a Juventus que atuava no clube desde os tempos de Palestra Itália.

Técnico – descolamos aqui uma vaguinha para Julinho Botelho, que entre os ex-jogadores do time que passaram depois pelo cargo de treinador foi o que mais marcou: 81 vezes.

O banco ainda poderia contar com nomes como Servílio, Evair, Humberto Tozzi, Luizinho, Romeu Pellicciari e tantos outros que só fazem valorizar os 11 de nosso escrete. Sem dúvida, um esquadrão inesquecível.

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Neste domingo – por gratidão do destino, Ele que FOI o domingo (e todos os outros dias da semana) dos Palmeirenses por 17 anos, o filho do ‘Seo’ Domingos completa 69 anos. Nosso parabéns e muito obrigado.

Formado na base do Bangu-RJ, o Divino chegou ‘em casa’ em 1961, dono de uma técnica sobrenatural e estilo de jogo refinad0 – por diversas vezes chamado injustamente de lento, Ele colocou a 10 e nunca mais tirou, essa que é a camisa D’Ele até hoje está emprestada nas costas dos outros jogadores. Nada que se diga aqui traduzirá a importância desse Senhor de feição calma, fala mansa e futebol ARREBATADOR para a Sociedade Esportiva Palmeiras. Foram nada menos que 901 jogos (recorde absoluto do clube), 153 gols, 12 títulos oficiais, sabe-se lá quantos MILHÕES de aplausos, sorrisos e encantamentos. Quem viu não esquece, quem não viu cultua sem duvidar, ídolo máximo do clube o Divino comandou a 1ª e 2ª Academias do Verdão.

Com a missão ingrata de fazer frente ao Santos de Pelé, o Palmeiras do Divino não fez feio, pelo contrário. Único clube a conquistar títulos em SP durante a fase de ouro do time da Vila, os Paulistas de 63 e 66 e os dois Campeonatos Brasileiros de 1967. Comandando a meiuca, acompanhado por monstros do quilate de Dudu, Leivinha, Julinho, César Maluco e tantos outros, Ele não se intimidou pelo talento do outro camisa 10 e protagonizou duelos épicos, partidas inesquecíveis, campeonatos inacreditáveis.

Primando sempre pela qualidade, aos passos largos e passes precisos, Ele brilhou nos campos Brasileiros e também internacionais, sob sua batuta o Palmeiras conquistou 3 Ramón de Carranza e um Troféu Mar del Plata, 5 Campeonatos Brasileiros (recordista do clube), outros 5 Paulistas e 1 Rio-São Paulo. Apesar desse portfólio teve pouquíssimas chances na Seleção Brasileira, uma injustiça sem tamanho, um desperdício da parte da CBD. Um baita Azar… DELES!

As histórias a respeito D’Ele são infinitas, cada um de nós conhece algumas, sejam presenciais ou contadas por nossos Pais, Avós, Tios, amigos. Esse craque formou grande, ENORME parte da torcida Palmeirense, não seria preciso sequer citar seu nome em lugar algum, sua alcunha e suas características o identificam tão bem ou até melhor que o nome próprio. Em algum lugar do tempo O Divino e a Sociedade Esportiva Palmeiras tiveram o privilégio e a felicidade de se juntarem, um é responsável pela grandeza do outro de alguma forma, ninguém teria sido melhor camisa 10 desse clube que Ademir da Guia. Obrigado Divino. Feliz Aniversário.

“Sem Ademir da Guia o Palmeiras é menos Palmeiras” – Treinador Rubens Minelli ainda nos anos 60.

“Ele está jogando demais. É para o Palmeiras o que o Pelé é para o Santos. Quem ganhou do Fluminense não foi o Palmeiras, foi o Ademir da Guia”. – Zagallo, em 1971, sobre a derrota do Fluminense para o Palmeiras na Copa Libertadores da América.

“A gente brincava de ‘bobinho’ nos treinos e tentava fazer o Ademir ir para o meio. Todo mundo tocava para ele com efeito, mas não tinha jeito. Do jeito que a bola viesse ele dominava. Eu não me lembro de uma única vez em que o Ademir tenha ido para o meio da roda.” – Leivinha, ex-jogador do Palmeiras.

 

Carne, Osso e Bronze

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