Você acha que os 30% de aproveitamento do Palmeiras no Brasileiro são ruins? O que dizer então do aproveitamento contra os paulistas? São 5 pontos em 27 – e isso porque semana passada finalmente conseguimos uma vitória, aquela contra a Ponte. Os ridículos 18% em parte explicam a tenebrosa campanha do Palmeiras, que ainda tem um jogo local – o clássico contra o Santos na última rodada.
Santos que certamente terá Neymar, como hoje o São Paulo teve Luiz Fabiano, pois, hiena Hardy à parte, os jogadores principais sempre dão um jeito de voltar de suspensão ou lesão contra nós. Ou então um pereba vai lá e acerta um chute daqueles que nunca mais. Jumar, Rivaldo e agora Denílson que o digam.
Só que não dá pra atribuir o atropelo de hoje somente a azares como estes. O Palmeiras, como vimos, foi derrotado desde o pontapé inicial, principalmente pelo erro grosseiro de Kleina ao escalar Daniel Carvalho. Valdivia não tem velocidade para puxar o ataque, e os dois que sobraram armando – Carvalho e Assunção – muito menos. Assim, o Palmeiras não tinha mobilidade alguma, e via um São Paulo muito fluido se insinuando por todos os setores. Era para ter substituição ainda no meio do primeiro tempo, mas o técnico pagou pra ver, e pagou caro. O péssimo posicionamento do time, fruto de incompetências individuais, do natural fato que o novo treinador ainda não conhece bem seu time e da escalação de um zagueiro que ainda não tinha disputado clássico este ano (como, por sinal, o titular que desfalcou o time hoje) permitiu ao rival dois contra-ataques fulminantes – Lucas entortou Araújo e Bruno tentou o milagre, mas o rebote caiu nos pés errados, e um escanteio gerou o segundo. O primeiro tempo acabou e todo mundo sabia: já era. Este blog, que completa dois anos mês que vem, veria sua primeira derrota num Choque-Rei.
Se ainda havia dúvida, mais um erro bobo de marcação custou a expulsão de Artur. Mais tarde, Valdivia de modo absolutamente inesperado, surpreendente e imprevisível se lesionou, deixando o Palmeiras com nove (lembrando que entre esses nove estavam Román, Araújo e Luan). O Verdão já tinha ido às cordas faz tempo, e se o banco de Ney Franco não fosse tão ruim, teríamos saído de lá em situação ainda pior.
É pra por na conta do treinador? Sim e não. Claro que a escalação matou o time, ainda mais levando em conta que não havia motivo para mudar o sistema que bem ou mal tinha resultado nas três vitórias anteriores. Kleina, porém, mal treinou o time, e o desconhecimento de sua trupe ainda pesa. Na entrevista pós-jogo, admitiu o erro e provavelmente teremos um desempenho melhor na próxima rodada.
Ah, a próxima rodada… desde aquele jogo de Salvador, dez anos atrás, não temos batalha semelhante. Na simulação do Brasileiro que fizemos essa semana, embutimos a derrota hoje, bem como a vitória do Coritiba na última quinta. Portanto, está dentro do normal. Agora, empate quinta que vem está fora de qualquer cogitação, e representaria o fim.
A chegada do atual comandante se deu em situação semelhante, após o fiasco no Derby, e o time reagiu. Não há porque crer que agora seja diferente e o Palmeiras já esteja derrotado de antemão. Kleina teve hoje um aprendizado imenso para sua carreira e, se fizer bom uso dele, podemos ter um caminho melhor adiante.
A porrada foi forte, mas não dá tempo de chorar. Infelizmente hoje um Palmeiras x Coritiba vale mais que um Choque-Rei, e por isso o que importa agora é a Batalha de Araraquara que se avizinha. Tem que terminar bem. Não há opção.
Avaliações:
Bruno – fez o que pôde, apesar de uma trapalhada com Román que, se resultasse em gol, seria o retrato perfeito do dia. 6
Artur – falaram essa semana em Cicinho da Ponte. Em vez de “falaram”, devia ser “contrataram”. 3,5
Maurício Ramos – sem um zagueiro que presta a seu lado, fica vendido. 4
Román – 13º jogo pelo Verdão, o primeiro realmente relevante. Valeu, obrigado por tudo e até logo. 3
Juninho – o menos pior da zaga, mas não é bem um elogio. 4,5
Henrique – Lucas deitou e rolou. 3
Márcio Araújo – pontua mais que Henrique apenas porque jogou menos. Mas que entortada que levou, hein? 3,5
Marcos Assunção – não é sempre que dá pra salvar, né? 4
Daniel Carvalho – o símbolo desta derrota. 1, para ser bondoso.
Valdivia – pelas primeiras notícias, é capaz que tenha se despedido hoje do Palmeiras. Se a última impressão é a que fica, foi ruim. 4
Barcos – coitado. Só não morreu de fome pois foi fominha (eta trocadalho ruim) em todas as oportunidades. 4,5
Tiago Real – foi lateral, foi volante, foi meia, não foi nada e nem dava pra ser. 4,5
Luan – fez o que dele se esperava. 4
Correa – o São Paulo já estava satisfeito e não lhe deu muito trabalho – 5
Gilson Kleina – vejamos o lado positivo: não deve repetir a formação de hoje.
Ficha técnica
SÃO PAULO 3 x 0 PALMEIRAS
São Paulo - Rogério Ceni; Paulo Miranda, Rafael Toloi, Edson Silva e Cortez; Wellington (Maicon), Denilson e Jadson (Douglas); Lucas, Osvaldo e Luis Fabiano (Willian José). Técnico: Ney Franco.
Palmeiras - Bruno; Artur, Maurício Ramos, Román e Juninho (Correa); Henrique, Marcio Araújo (Tiago Real), Marcos Assunção e Daniel Carvalho (Luan); Valdivia e Barcos. Técnico: Gilson Kleina.
Gols – Luis Fabiano, aos 34, e Denilson, aos 42 minutos do primeiro tempo; Luis Fabiano, aos 24 minutos do segundo tempo.
Cartões Amarelos – Roman e Henrique (Palmeiras); Lucas (São Paulo).
Cartão vermelh0 - Artur (Palmeiras).
Árbitro - Paulo César Oliveira (Fifa-SP).
Local – Estádio do Morumbi, em São Paulo (SP).
Melhores momentos
Tem certeza que quer ver? É por sua conta e risco.







