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Posts com Tag ‘Copa do Mundo’

"Jajá de Barra Mansa" completaria hoje 90 anos

 

Um dos principais jogadores brasileiros de seu tempo, este carioca, nascido em 21 de Março de 1921 e natural de Quatis, completaria hoje 90 anos.

Jair Rosa Pinto, ou “Jajá de Barra Mansa” como era conhecido, jogou nos 3 principais clubes do Brasil nos anos 40 e 50 – Vasco, Palmeiras e Santos – sendo suas passagens mais marcantes pelos dois primeiros. Meia-esquerda de estilo clássico, foi um dos primeiros camisas 10 típicos entre tantos que o Brasil produziu em sua história.

Jair chegou ao Vasco em 1943, vindo do Madureira. Atuou na equipe cruzmaltina durante 4 anos, até se transferir para o rival Flamengo em 1947, insatisfeito por ganhar menos do que seus colegas de clube. Pelo time da colina, foi um dos principais jogadores do famoso “Expresso da Vitória”, considerado até hoje um dos maiores times da história vascaína, tendo participado da campanha do título carioca de 1945.

Em sua passagem pelo Flamengo, uma história curiosa, e que foi também o fator determinante para sua transferência para o Palmeiras: em 1949, após uma derrota em um clássico contra seu ex-clube por 5×2, teve sua camisa queimada pela torcida e foi acusado de ter vendido a derrota aos vascaínos. Diante deste quadro, se transferiu para o Palmeiras ainda em 1949.

No Palmeiras, foi ídolo da equipe por 7 anos. Conquistou os títulos Paulista de 1950 (o famoso Jogo da Lama), o Rio-São Paulo de 1951 e o mais importante título da história do clube, o Mundial de Clubes de 1951, batendo o Juventus-ITA na final, em pleno Maracanã, e sendo ovacionado e aclamado pela torcida, um ano depois da perda da Copa do Mundo de 1950, para o Uruguai. Pela equipe de Palestra Itália, disputou 241 partidas e marcou 71 gols.

Sobre a Copa de 1950 e o Mundial de Clubes de 1951, ninguém melhor do que o próprio Jair para explicar o que significou a conquista:

 

Campeão Mundial de Clubes - 1951

 

Já no fim de sua carreira, atuou pelo Santos e testemunhou o surgimento de Pelé. Tendo sido, segundo alguns historiadores, uma espécie de tutor do Rei em termos de posicionamento, liderança e conduta profissional.

Pela seleção brasileira, atuou em 41 partidas e marcou 24 gols. Depois de aposentado, Jair retornou ao Rio de Janeiro. Faleceu em 28 de Julho de 2005, aos 84 anos, vítima de embolia pulmonar após uma cirurgia.

Obrigado, Jajá!

 

Jair e o "Jogo da Lama"

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Foram quatro viagens ao Japão

País severamente afetado por um dos maiores terremotos já registrados, pelo tsunami subsequente e sob ameaça ainda forte de vazamento de radiação nuclear. Para qualquer país essa poderia ser uma catástrofe cuja recuperação levaria décadas, mas no caso do Japão talvez seja diferente. Claro que não será fácil se reerguer de um baque que segue em andamento e de consequências ainda incertas, mas o povo japonês já foi submetido a provações semelhantes no passado – lembremos que foi a única nação a ser atingida diretamente por bombas nucleares – e se levantou. Solidarizamo-nos com toda a comunidade nipônica, muito numerosa particularmente em São Paulo. E, como entre eles são muitos os de sangue verde, relembraremos aqui as quatro oportunidades em que o Palmeiras visitou a Terra do Sol Nascente.

A primeira vez que o clube pisou no Extremo Oriente foi em 1967. Na ocasião, o Palmeiras foi convidado a participar de um torneio que foi chamado de Copa Brasil-Japão, disputado no estádio Olímpico Komazawa de Tóquio, que havia sido utilizado em algumas partida dos Jogos de 1964. Na estreia, em 18/6, o alviverde bateu a Seleção Japonesa Pré-Olímpica por 2 a 0 (Dario, Rinaldo). Vale dizer que esta mesma seleção conquistaria no ano seguinte, no México, a medalha de bronze (durante a campanha, empatou com o Brasil em 1 a 1). Três dias depois, o Verdão perdeu para a Seleção principal por 2 a 1 (Tupãzinho), mas mesmo assim os dois times fizeram uma segunda partida, que decidiu o torneio. E, em 25 de junho de 1967, o Palmeiras somaria mais uma taça à sua extensa galeria ao bater o Japão por 2 a 0 (Jair Bala e Rinaldo). Dois meses depois, seria a vez de o Palmeiras ser o anfitrião da seleção pré-olímpica, que perdeu no Pacaembu com um gol contra de Miamoto.

Curiosidade da primeira viagem: é famosa a história de que o nome do Verdy Kawasaki, clube fundado dois anos após esta viagem e que hoje está na segunda divisão com o nome de Verdy Tokio 1969, se deve a esta visita do Palmeiras. É fato que o “Verdy” vem da palavra “verde” em português, e naturalmente é a cor da equipe, mas não conseguimos evidência de que realmente trata-se de uma homenagem ao Palestra).

Dezenove anos se passaram até que pela segunda vez o Palmeiras aterrissasse no Japão. Desta vez, em maio de 1986, o objetivo era a disputa da Copa Kirin. Para esta competição, uma atração a mais: o time contou com o reforço de Kazuo, ídolo local de relativo sucesso no Santos, que até hoje permanece sendo o único jogador oriental a vestir nossas cores. A estreia, na cidade de Fukuoka, foi com goleada: 4 a 1 sobre o Werder Bremen (3 gols de Mirandinha e um de Jorginho).

Na segunda partida, já em Shizuoka, o time comandado por Castilho,  famoso ex-goleiro do Fluminense, bateu a Seleção B da Argélia: 4 a 2 (Mendonça, Mirandinha 2, Barbosa). O Palmeiras completaria uma ótima primeira fase em Kioto derrotando (outra vez) a Seleção Japonesa, com Kazuo jogando de verde, por 2 a 1 (Denys, o próprio, e Mirandinha). Com estes resultados, o alviverde alcançou a decisão, onde novamente enfrentaria os alemães, agora em Tóquio. Foi a única partida em que Kazuo não atuou; coincidência ou não, foi a única partida em que o time caiu: após empate em 1 a 1 no tempo normal, o Werder fez 3 a 1 na prorrogação e, com os 4 a 2 (Jorginho e, como não podia deixar de ser, Mirandinha), ficou com o troféu. Era o primeiro, mas não o único, vice-campeonato verde no país.

Curiosidade da segunda viagem: desta vez, ao contrário da visita anterior, o Palmeiras não jogou somente em Tóquio. Mas as demais cidades visitadas se localizam ainda mais longe que a capital japonesa em relação aos centros mais atingidos pelo terremoto da semana passada.

A terceira excursão teve lugar em meio à Copa de 1994, e foi a única em que o Palmeiras mediu forças com clubes locais. Ficou clara a diferença de padrão existente entre o então campeão brasileiro e bi paulista e as jovens equipes nipônicas: mesmo desfalcado de Zinho e Mazinho, foram 4 partidas, com três goleadas e um empate.

O primeiro destes jogos foi contra o Jubilo Iwata, na cidade de Yamagata (esta sim, a apenas 65 km de Sendai, cidade mais próxima do epicentro do terremoto). Com dois gols de Edmundo, dois de Edílson e um de Maurílio, o time fechou a conta em 5 a 0 no mesmo dia em que Romário se entortou todo para que o Brasil despachasse a Holanda. Três dias depois, em Kobe, sul do país, um empate com o então vice-campeão nacional Kashima Antlers por 1 a 1 (Antonio Carlos fez o nosso, e o cabeludo Alcindo o deles). Mais quatro dias e, na véspera da final da Copa, o Palmeiras bateria o Yokohama Flügels – onde jogava Edu Marangon e para onde iriam ao fim daquele ano César Sampaio, Zinho e Evair – por 4 a 0 em sua própria casa (Evair 2, Edilson, Flávio Conceição). Por fim, a turnê foi fechada três dias depois, em 19/7 (dia em que o famoso “Voo da Muamba” desembarcou no Recife), na cidade de Nagoya, com outro 4 a 0, desta vez contra o Grampus Eight (Edmundo 2, Edilson e, acreditem, até o lateral Claudio marcou um).

Curiosidade da terceira viagem: se os resultados em campo (e provavelmente financeiros) foram bons, da consequência não se pode dizer o mesmo. Um time cansado – já havia excursionado por Colômbia, Geórgia e Rússia antes de chegar ao Japão – foi eliminado no dia 24/7 ante o São Paulo na Libertadores.

A última vez que o Palmeiras esteve no Oriente foi a mais famosa delas. Afinal, tratava-se da cereja no bolo do título da Libertadores: o confronto contra o Manchester United, campeão europeu. O regulamento impedia partidas amistosas, de modo que o jogo contra os ingleses foi o único que o time fez naquela oportunidade. E, no mesmo estádio Nacional de Tóquio em que 13 anos antes havia perdido para o Werder, um Palmeiras que encarou o rival de igual para igual terminou derrotado por 1 a 0. Um resultado que, se frustrou aos palmeirenses no Brasil, certamente não apagou a boa impressão que o time deixou em suas quatro visitas ao Japão.

Curiosidade da quarta viagem: tanto a partida imediatamente anterior quanto a imediatamente posterior ao confronto contra o Manchester United foram contra o San Lorenzo, pela semifinal da Copa Mercosul (derrota por 1 a 0 fora e vitória por 3 a 0 no Palestra).

Resumo das excursões:

- 4 viagens (1967, 1986, 1994, 1999)

- 12 partidas realizadas, com 8 vitórias, um empate e três derrotas

- 8 cidades visitadas: Tóquio, Fukuoka, Shizuoka, Kioto, Yamagata, Kobe, Yokohama e Nagoya 

- 1 título, o da Copa Brasil-Japão 1967

- 2 vice-campeonatos, o da Copa Kirin 1986 e o do Mundial Interclubes de 1999

 

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Não foram páreo para a Academia

O futebol dos países recém escolhidos como sedes das Copas de 2018 e 2022 pode ser desconhecido para a maioria dos brasileiros. Mas o Palmeiras já desbravou tanto as plagas geladas dos Montes Urais, quanto o árido deserto do Oriente Médio (OK, neste caso não foi bem assim. Mas realmente enfrentamos o Catar).

Comecemos pelos europeus: em 1966, um quadrangular amistoso reuniu Palmeiras, Corinthians, Flamengo e a Seleção Soviética em são Paulo. O Palmeiras estreou vencendo o Flamengo por 3 a 2, enquanto nosso arquirrival batera os vermelhos por 3 a 1. Na segunda rodada, o rubro e o alvinegro empataram sem gols, enquanto o Palmeiras, na noite de 29/1, venceu os estrangeiros por 3 a 1 (Dudu, Ademar Pantera, Rinaldo; Meski). Os sovietes desistiram do torneio; reunião entre os dirigentes dos clubes brasileiros concedeu o título ao Verdão. É importante lembrar que esta seleção derrotada pelo Alviverde (e pelo Corinthians) jogou completa e poucos meses depois ficaria em quarto lugar na Copa da Inglaterra.

Três anos depois, o Palmeiras visitou a União Soviética. Mas os amistosos na verdade foram disputados na Geórgia e Ucrânia, e não na Rússia. Esta, o clube só visitaria muitos anos mais tarde: em 1994, durante a famosa excursão à qual comumente se atribui a eliminação do Palmeiras na Libertadores, o time fez cinco partidas em solo russo (além de uma na Geórgia e quatro no Japão). O saldo foi amplamente positivo: vitórias em todas elas.

O primeiro e o segundo jogos foram no mesmo dia: era um daqueles torneios triangulares de partidas de 45 minutos. Em 15/6, na capital russa, o Palmeiras do interino Walmir Cruz bateu em seguida o Dínamo (2 a 1, Roberto Carlos e Maurílio) e o Spartak locais (2 a 0, Evair e Juari – seu único gol pelo clube). Dois dias depois, a vítima foi o Textilchik (3 a 0, Evair, Sorato e Jean Carlo). Mais 48 horas e, em Tolyatti, vencemos o Lada – sim, é o nome do carro: a sede da empresa é nesta cidade – por 2 a 0 (Evair e Sorato). O último jogo em território russo foi no dia 22, quando um esgotado Verdão (jogara com a seleção da Geórgia na véspera) venceu o Tchernomorec com um gol solitário dele, Evair, bisando o que ocorrera um dia antes.

 

Aqui o Palmeiras atropelou o Lada

Quanto ao Catar, a seleção local fez um giro pelo Brasil em 1998. E uma de suas escalas foi no Palestra Itália, na tarde de uma segunda-feira, 17/8/1998. Foi um daqueles jogos com muitas substituições – o time entrou em campo com Velloso, Júnior Baiano, Roque Júnior, Cléber; Neném, Galeano, Rogério, Alex, Júnior; Darci e Oséas, mas acabou com Marcos, Neném, Daniel, Cléber, Márcio; Ferrugem, Tiago Silva, Pedrinho, Zinho; Juliano e Jean. A única partida de Márcio e Jean pelo time profissional terminou com um placar de 2 a 0, gols de Oséas no primeiro tempo e Roque Júnior no segundo.

E é isso. Como se pode ver, o retrospecto do Palmeiras ante equipes e seleções dos países escolhidos pela Fifa é 100% vitorioso. Resta ver se a Seleção Brasileira logrará o mesmo sucesso que tivemos frente a cossacos e sheiks. Vamos aguardar.

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