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O matador pede paz

O matador pede paz

Mais uma oportunidade desperdiçada de afundar o rival. O Palmeiras parece ter se livrado de um certo bloqueio que tinha contra o São Paulo (Morumbi à parte), e contra o Santos sempre temos boas chances; contra o principal adversário, no entanto, temos tido um respeito desmedido que ontem absolutamente não se justificava.

Desde o começo essa história de jogo da paz não soava bem. Nós – e muitos outros – lembramos o caso de 2011, quando na véspera do Derby a Gaviões invadira o CT para protestar contra a queda na pré-Libertadores. Era a chance de colocar a casa abaixo, e o Palmeiras desperdiçou chance atrás de chance e ainda perdeu com gol no fim, para alegria de Felipão, que salvara a cabeça de Tite.

Ontem acabou não sendo exatamente igual, mas por pouco o filme não se repetiu. O Palmeiras não criou no primeiro tempo as chances que perdera 3 anos atrás, mas também não ofereceu grandes oportunidades; o alvinegro, em que dois jogadores estreavam, tateava, mais preocupado em não sair atrás do que em atacar. Com grande atuação do zagueiro Mazinho, o Corinthians levou a primeira etapa em banho-maria.

E, no intervalo, chegou à conclusão que o Palmeiras queria mais era paz mesmo, e foi pra guerra. O segundo tempo começou com um bombardeio – Jadson, Guilherme, Romarinho, Guerrero, todos tiveram chances, boa parte salva pela ótima atuação de Fernando Prass. De nosso lado, Leandro – em fase assustadora – resolveu emendar de primeira quando não precisava, e desperdiçou grande chance.

O cheiro de bacon queimado se estabeleceu com muita justiça, quando o lado esquerdo da defesa deixou dois rivais escaparem; Fagner entrou livre na área e só rolou para, óbvio, Romarinho marcar. Que ao menos este gol sirva para mantê-lo como titular pelos próximos meses, já que é só contra nós que ele marca (em 112 jogos, fez 15 gols. Um terço nos quatro derbies em que atuou).

Mazinho, a essa altura, já tinha ido embora, para a entrada tardia de Marquinhos Gabriel. Depois foi Leandro, notado apenas por receber seu terceiro amarelo, ceder o posto para Mendieta. As alterações verdes somadas ao recuo corintiano estancaram a sangria da zaga, o que permitiu a Kleina sua sacada mais ousada – aquela que não teria sido necessária se desde o começo o Palmeiras tivesse se portado como deveria: em vez de sacrificar o opaco Wesley, o técnico foi pro tudo ou nada com Diogo no lugar de Wellington.

A aposta se pagou instantaneamente: na primeira bola que teve, o ex-jogador da Lusa lançou com precisão para a testada fulminante de Alan Kardec. Dali para a frente, embora o volume de jogo maior fosse alviverde, o time e a maior parte da torcida passaram a se dar por satisfeitos.

Não deveriam: em que pese a classificação alvinegra ter ficado mais difícil após essa rodada, eles contiveram a crise. Têm agora fé que os reforços podem colocá-los em um patamar melhor, enquanto que de nossa parte mantemos a liderança, mas com caraminholas na cabeça: Leandro não jogou pedrinha, Mazinho nem se fala, Marcelo Oliveira tem se virado bem mas é sobrecarregado, erra passes em demasia na saída de jogo e adora chutões pra lateral.

A lição que o time, e principalmente o técnico, devem tirar de ontem é que ousadia aos 30 do segundo tempo não é ousadia: é desespero. Ousadia é ir pra cima de quem cambaleia desde o primeiro minuto. É ganhar por nocaute e não tentar levar por pontos. É não torcer para acabar em pizza, porque por pouco não deu feijoada de novo.

Atuações:

Fernando Prass – ótima partida, seguro no jogo aéreo e decisivo por baixo. 9

Wendel – não levou perigo, mas o rival também não jogou tanto por seu lado. 5

Lúcio – seguro ao dar combate, complicou-se como de hábito nas saídas de jogo. 6

Wellington – que continue assim. 6

Juninho – pouco apoiou, pouco marcou. 4

Marcelo Oliveira – entregou bolas fáceis no meio, mas foi bem no man0-a-mano, talvez por ter sido mano. 7

Wesley – um chute de longe pra bater cartão, e no mais apático. 5

Valdivia – primeiro tempo de razoável para ruim, segundo só ruim. 3

Mazinho – melhor zagueiro do adversário. 2

Alan Kardec – apareceu pouco, mas bem. Não sei se é jogador de seleção, mas pra nós tem sido bom. 7

Leandro – após pagar a suspensão, era hora de chá de banco, mas duvido que aconteça. 3

Marquinhos Gabriel – é talentoso, mas ontem ficou preso na marcação. 5

Mendieta – ajudou a dar consistência ao meio, facilitado pelo recuo do rival. 6

Diogo – entrou e de cara deu a assistência do empate. Merece nova chance de titular. 7

Gilson Kleina – toda vez que empata um clássico fica feliz. Bom, escalando Mazinho também não se pode esperar muito mais que isso mesmo…

Melhores momentos:

Ficha Técnica

Local: Estádio do Pacaembu, em São Paulo (SP)
Data: 16 de janeiro de 2014, domingo
Público: 22.222 pagantes (total de 23.317), para renda de R$ 668.600, 50
Árbitro: Raphael Claus (SP)
Assistentes: Emerson Augusto de Carvalho e Marcelo Carvalho Van Gasse
Cartões amarelos: Jadson, Guilherme e Guerrero (Corinthians); Valdivia, Leandro, Lúcio e Mendieta (Palmeiras)

Gols: Romarinho, aos 15 minutos e Alan Kardec, aos 37 do segundo tempo

Corinthians: Cássio; Fagner, Felipe, Gil e Uendel; Ralf, Guilherme, Bruno Henrique (Cachito Ramírez) e Jadson (Renato Augusto); Romarinho (Jocinei) e Guerrero. Técnico: Mano Menezes

Palmeiras: Fernando Prass; Wendel, Lúcio, Wellington (Diogo) e Juninho; Marcelo Oliveira, Wesley, Valdivia e Mazinho (Marquinhos Gabriel); Leandro (Mendieta) e Alan Kardec. Técnico: Gilson Kleina

Eles já sabiam o placar

Eles já sabiam o placar

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ademir-rivellino-1971

O campeonato parou, mas não é greve, não. Todos os olhos se voltam para o maior clássico do mundo. Deixe de lados os prognósticos, os momentos, e o retrospecto. Noventa minutos separam Palmeiras e SCCP do êxtase,  da crise, ou da frustração. É o Derby, senhores.

Horário e local: domingo (16/02), as 16hrs, no Pacaembu (Globo/PPV).

Árbitro: será Raphael Claus, cujo retrospecto registra 4 jogos, com 3V/1E:

2012 – 1×1 Lusa (BR,c)

2011 – 1×0 Sto.André (P,c) / 2×0 Portuguesa (P,f)

2010 – 3×2 Sertãozinho (P,c)

Situação na tabela: o Palmeiras lidera o grupo D com 19 pontos, e o rival é o lanterna do grupo B, com 7.

Desfalques/Reforços: Victorino e Bruno Oliveira seguem de fora, lesionados. Eguren e Tiago Alves estão recuperados de lesão e à disposição. Juninho volta após cumprir suspensão. Bruno César também está em condições e poderá atuar alguns minutos.

Pendurados: Leandro e Wellington. Próxima partida: Ituano (casa).

Previsão IPE: Prass; Wendel, Lúcio, Wellington e Juninho; M.Oliveira, Wesley, Valdivia e Mazinho; Leandro e Kardec.

Bola verde IPE: liderança segue dividida entre Prass e M.Oliveira, ambos com média 7,69.

Destaques/SCCP: em meio aos desentendimentos entre jogadores e torcida, a diretoria do rival aos poucos vai se livrando das laranjas podres do elenco. Pato foi o primeiro a sair, em troca envolvendo Jadson, que já está regularizado e só não atuará os 90 minutos por estar 100%. Paulo André foi o segundo a sair, negociado com um time chinês. Emerson, outro que deve ser negociado em breve, está suspenso. Em compensação, Renato Augusto está recuperado de lesão e deverá se revezar com Jadson no setor de criação. A provável escalação deverá ter Walter; Fagner, Gil, Felipe e Uendel; Ralf, Guilherme, Bruno Henrique e Renato Augusto; Romarinho e Guerrero.

Ex-palmeirenses no SCCP: nenhum.

Palpite IPE: 1×0, gol de Wendel.

Último confronto: foi pelo Paulistão 2013 – 2×2 – gols de Vinícius e Vilson para o Palmeiras, e Emerson e Romarinho para o rival.

Última vitória no local do jogo: é bem verdade que até alguns anos atrás o Pacaembu não recebia muitos derbys, mas nada justifica a última vitória nossa lá ter sido em 1995! Pelo BR daquele ano – 2×0 – gols de Muller e Antonio Carlos.

Última derrota no local do jogo: foi pelo BR2012 – 0x2 – gols de Romarinho e Paulinho.

Histórico: no retrospecto geral a vantagem é pequena, mas verde. Já no estadual, a vantagem é do rival, que ostenta uma invencibilidade de 6 partidas, desde 2009.

GERAL CAMPEONATO PAULISTA
J V E D GP GC J V E D GP GC
343 121 103 119 499 460 197 66 59 72 279 270

O IPE se lembra: Paulistão 1992, com a categoria de sempre, o Matador decidiu a partida – 1×0.

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Paulista 2011: o exemplo que não devemos seguir

Paulista 2011: o exemplo que não devemos seguir

Um vem de quatro derrotas e um empate, namorando a zona de rebaixamento. O outro cedeu seus primeiros pontos após seis triunfos consecutivos.

É flagrante o contraste dos últimos 20 dias de corintianos e palmeirenses; contudo, quando Raphael Claus der início à 344ª edição do mais importante confronto do mundo, essas diferenças ficam para trás: o Derby pode marcar o renascimento alvinegro às nossas custas.

É isso mesmo?

Bom, poder, claro que pode. O Palmeiras começou muito bem o ano, mas ainda tem seus Mazinhos e Wendels. Por outro lado, o rival vem capengando, mas ainda tem Ralf e aquele cabeludo ziquento – e não tem Pato.

Vamos, porém, analisar o retrospecto do confronto desde quando ambos deixaram de brilhar juntos, a partir de 2000. Quando um estava por cima e o outro embaixo da gangorra, o Derby foi o renascimento ou uma humilhação adicional?

Abaixo, os jogos deste período em que a situação dos rivais era distinta (excluímos aqueles de início de campeonato). Em azul, os jogos que reabilitaram quem estava mal ou que atrapalharam quem estava bem. Em vermelho, os que afundaram os cambaleantes ainda mais. E, em flicts, aqueles que não mudaram grande coisa.

Corinthians 4×2 Palmeiras – Brasileiro 2001

Após 15 rodadas, o Palmeiras era o segundo colocado da fase de classificação, atrás do Galo somente no saldo de gols. É verdade que vinha rateando – não tinha vencido nenhum dos últimos 4 jogos, e na última partida Evair, pelo Coxa, havia comandado um 4 a 1 em Curitiba. Mas o Corinthians vinha pior – era o décimo oitavo colocado entre 28 times, e também estava na mesma secura de quatro partidas; logo antes do Derby apanhou de 3 a 0 do Guarani em casa.

Naquele 3 de outubro, porém, o alvinegro não deu chance. Em 15 minutos já abrira 2 a 0, depois faria o terceiro, e nem os gols de Arce e DONIZETE PANTERA mudariam o cenário. O quarto gol nos mataria de vez e deixava claro que o Verdão começara a embicar para baixo. Nem a vaga para a fase final o time conseguiu, caindo para décimo segundo lugar enquanto oito passavam. O rival não melhorou muito – venceu a Lusa depois do Derby mas perderia cinco seguidas depois. Foi aos trancos e barrancos se mantendo na primeira divisão, mas ao menos conseguiu por a pique seu grande adversário.

Corinthians 2×2 Palmeiras – Brasileiro 2002

Dessa vez, quem estava mal – muito mal – era o Palmeiras. Agonizando na penúltima posição do campeonato após 19 rodadas, o time tinha pouco tempo para escapar. O Corinthians vinha em quarto, quase garantido entre os oito, e já tinha vaga na Libertadores após Deivid e Simon derrubarem o Brasiliense na Copa do Brasil.

O Palmeiras jogou bem para seus padrões de então; saiu perdendo de cara mas reagiu rapidamente com Itamar. Arce virou de pênalti no segundo tempo, mas logo viria o empate. Apesar de lutar até o fim, o Palmeiras não conseguiu sair da igualdade, que até poderia ser aceitável dada a disparidade dos times, mas que, por colocar o time na lanterna, representou mais um passo rumo ao precipício. Não perdemos nenhum clássico naquele campeonato, porém há momentos em que empatar não era o bastante.

Palmeiras 1×0 Corinthians – Brasileiro 2006

Aqui estamos forçando um pouco a barra, porque o momento do Palmeiras estava longe de ser bom. Mas ao menos o Palmeiras vinha de uma animadora vitória no primeiro jogo pós-Copa e com isso deixado a lanterna. Já o Corinthians vinha de cinco derrotas consecutivas sem sequer marcar gol e estava só dois pontos e uma posição à nossa frente.

Desta forma, o gol de Paulo Baier naquele dia em que nós perdemos Marcos e eles Nilmar foi suficiente para dar um grande impulso à recuperação palmeirense – o time ficaria mais nove partidas sem perder. Já o rival ficou um pouco mais de tempo afundado.

Tirando o pé da lama

Tirando o pé da lama

Corinthians 1×0 Palmeiras – Brasileiro 2006

Sim, forçamos de novo, mas a situação era muito semelhante à do jogo anterior. Agora era o rival que tinha vencido a partida anterior depois de quatro piabas seguidas, enquanto o Palmeiras vinha na descendente e estava só dois pontos e uma posição à frente (repare que, de tão parecidas as condições, copiamos e colamos as últimas 11 palavras do parágrafo do jogo anterior).

Situação parecida, resultado idem. O Palmeiras perdeu, continuou sua trajetória de queda e se não fossem as tétricas campanhas de nossos adversários poderia ter curtido um novo rebaixamento já daquela vez. O rival embalou e conseguiu terminar o Brasileiro em nono lugar.

Corinthians 0x1 Palmeiras – Brasileiro 2007

Desta lista, é um dos duelos mais relevantes no sentido de mudar o astral do perdedor, se não o principal. O alvinegro entrou invicto e em sexto lugar com um jogo a menos, que poderia levá-lo à vice-liderança. O Verdão vinha de duas derrotas consecutivas e cinco jogos sem vitória; após sete jogos estava num modesto 14° lugar. Caio Júnior corria grande risco de demissão.

Mas aquele duelo virou as tendências de cabeça para baixo. O gol solitário de Dininho nos deu a vitória naquela noite de sábado e abriu caminho para a acidentada subida verde no campeonato, enquanto os rivais começavam sua trilha desesperadora – ficariam mais oito jogos sem ganhar. Será que haveria rebaixamento sem este Derby?

Palmeiras 1×0 Corinthians – Brasileiro 2007

Dos últimos seis jogos no Brasileiro, o Corinthians havia perdido quatro – e uma das duas vitórias fora contra o saco de pancadas América-RN. Dualib renunciara dois dias antes. O time, em queda livre, se encontrava na décima quarta posição, dois pontos acima da zona de rebaixamento.

O Palmeiras melhorara muito desde o primeiro turno – estava agora em sétimo, a dois pontos da Libertadores. Mas não estava em seus melhores dias: dos últimos quatro jogos, só vencera o Goiás (na estreia da camisa limão), e tomara uma surra de 5 a 0 do Cruzeiro.

Em campo, porém, o placar ficou até barato pelo descompasso entre os times. De novo o Palmeiras venceu com um gol de zagueiro, desta vez Nen. E os demais resultados da rodada colocaram o rival na zona de degola, de onde sairiam mas onde terminariam, e colocaram o Palmeiras no G4, em que não teve forças para ficar. Era a vingança de 2002.

Pondo o rival no chão

Pondo o rival no chão

Corinthians 0x1 Palmeiras – Paulista 2008

De novo exageramos um pouco, mas não tanto. Afinal, no Paulista somente quatro times avançavam à semi, e antes do clássico o Palmeiras estava somente em nono, após empatar com os Rios Claro e Preto. O Corinthians, na segunda divisão, vinha cumprindo bom papel em quinto lugar, com apenas uma derrota no campeonato, nove rodadas atrás. Não estava melhor porque empatou bastante.

No dia de nossa última vitória contra eles pelo Paulista, do último Derby no Morumbi e do único gol de Valdivia contra o mais tradicional adversário, novamente os sinais das campanhas se inverteram. O time do Parque São Jorge até reagiu, vencendo os dois jogos seguintes, mas era tarde: não alcançaram as semis. Já o Verdão abria uma sequência de oito vitórias seguidas no Paulista, que deram impulso mais que necessário para rumar a nossa derradeira conquista estadual.

Lágrimas sinceras

Lágrimas muy sinceras

Palmeiras 2×2 Corinthians – Brasileiro 2009

O Palmeiras ainda estava em cima, mas em queda. Perdera a liderança e só não tinha deixado de ser segundo por vencer o Goiás após 3 derrotas consecutivas; o Corinthians, de seu lado, já tinha relaxado – tinha vaga na Libertadores como campeão da Copa do Brasil e estava em décimo.

O Derby não impulsionou nem retardou ninguém. O empate, em que Danilo e Maurício Nascimento igualaram o placar após estarmos duas vezes atrás, apenas manteve o Palmeiras na trajetória descendente, a qual o arquirrival viu de camarote.

Palmeiras 1×1 Corinthians – Brasileiro 2010

Felipão havia retornado mas em quatro jogos ainda não havia vencido, e o Palmeiras via-se empacado em 12°. Seu adversário vinha em segundo, brigando com o Fluminense pela liderança.

Saímos atrás por causa de um gol escandalosamente impedido, mas Edinho empatou pouco depois. Ficou por isso mesmo, e o Verdão seguiu na sua toada ruim – só venceria dali a 3 rodadas – enquanto o rival se manteve no topo da tabela.

Corinthians 1×0 Palmeiras – Brasileiro 2010

Três meses depois, o alvinegro seguia na luta, em terceiro lugar. O Palmeiras avançou um pouco e estava em nono, mas a somente três pontos da zona da Libertadores. Sonhar não custava nada.

Mas o sonho acabou naquele jogo, em que o agora nosso Bruno César fez o tento único. O Corinthians ganhou força para seguir em alta – não perderia mais nenhuma partida, porém acabou no mesmo terceiro lugar em que estava por conta de seus empates; o Palmeiras ganhou a partida seguinte, mas duas rodadas depois caiu de novo e desistiu de vez do Nacional, dedicando-se a dar vexame na Sula.

Palmeiras 0x1 Corinthians – Paulista 2011

Palmeiras, líder invicto com apenas um empate no campeonato. Corinthians, em crise pós-vexame, com torcida invadindo CT, perdendo seu atacante de mais nome mas que também pouco vinha fazendo.

Parece o jogo de domingo? Pois era também o cenário três anos atrás. O Palmeiras tinha um favoritismo absurdo e o justificou em boa parte da contenda, mas quem não faz toma, e o Alviverde não fez. Resultado: no finzinho levamos um, o Corinthians renasceu e Felipão ficou feliz por salvar o emprego de Tite.

Palmeiras 0x2 Corinthians – Brasileiro 2012

O Corinthians fazia hora no Brasileirão, aboletado em nono. O Palmeiras, afundado em 19°, já nem se lembrava do título da Copa do Brasil e tinha acabado de mandar Felipão embora.

Justo dessa vez a lógica prevaleceu. Provavelmente nem a vitória teria salvo o Palmeiras, mas não precisávamos ser derrotado de novo por eles e pela primeira e única vez sermos derrotados em todos os derbies de um ano em que ele ocorreu mais de duas vezes. Kleina entrou depois e até ganhou suas duas primeiras partidas, dando uma esperança que pouco depois se extinguiu.

Corinthians 2×2 Palmeiras – Paulista 2013

Esse jogo só entra na lista para novamente lembrar que favoritismo não é vitória. O campeão do mundo tomou sufoco do time da série B, que teve uma de suas melhores exibições no ano com gols da dupla quase sertaneja Vílson e Vinícius. Faltou pouco para vencê-los – mas este “pouco” tem faltado com frequência, e é o que esperamos que acabe no domingo.

*

Em resumo, dos dez jogos citados que mudaram o estado de espírito das equipes, em seis se deu melhor quem estava por baixo. Sim, senhores, o clássico pode mudar muita coisa na trajetória de Palmeiras e Corinthians, e favoritismos devem ser totalmente refutados.

Não importa como os times estejam. O chavão é sempre válido: derby é um campeonato à parte, portanto domingo entramos todos zerados.

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EP93_FINAL

E agora eu vou soltar a minha voz: gooooooooooooooooool do Palmeiras!

Não foi apenas José Silvério quem soltou sua voz. Naquele instante, com exatos 9 minutos e 59 segundos da prorrogação, Evair marcou o último gol do Campeonato Paulista e milhões de palmeirenses souberam que o grito tantas vezes reprimido de “é campeão” finalmente podia sair de suas gargantas: o Campeão do Século voltara, o inverno se acabara.

(E até hoje eu ainda não consigo conter as lágrimas ao descrever esse dia)

A partida que nos redimiu começou bem antes de Edmundo (acho) rolar a bola pela primeira vez. Muito antes da execução do Hino Nacional por Agnaldo Timóteo. De mais de 104.000 torcedores afluírem ao Morumbi para verem o mais importante capítulo da vida de torcedor de toda uma geração.

Começou, claro, quando Viola teve a feliz ideia de imitar um porco na primeira metade da decisão. O Palmeiras até perdeu aquela partida, mas o camisa 9 corintiano deu ao Verdão a faísca que faltava para incendiar os últimos 120 minutos de agonia.

Premido pela necessidade de vencer, Luxemburgo colocou um banco ofensivo (com Velloso, Alexandre Rosa, Jean Carlo, Maurílio e Soares). O time inicial era o que vinha jogando, com a necessária troca do suspenso Amaral por Daniel – além, evidentemente, do retorno de Evair aos titulares.

Sérgio; Mazinho, Antonio Carlos, Tonhão, Roberto Carlos; César Sampaio, Daniel, Zinho; Edmundo, Edílson, Evair. Um timaço.

Desde o primeiro minuto ficou nítido quem daria as cartas: com apenas 58 segundos, Edmundo perdeu uma chance incrível. Aos 9’30”, foi Edílson quem invadiu, mas, desequilibrado, não concluiu bem. Três minutos depois, Zinho pegou um rebote de escanteio e chutou em cima de Ronaldo.

Nelsinho percebeu que o crime estava prestes a ser cometido, e tomou uma decisão destemida: com apenas 18 minutos, trocou Adil por Tupãzinho, com o claro intuito de reforçar a marcação. As chances do Palmeiras então escassearam um pouco, mas o time ainda dominava a peleja.

Mesmo assim, quem deu o susto seguinte foi o Timão: aos 32, uma cabeçada de Viola que nem foi tão perigosa assim, mas que quase causou uma parada cardíaca neste então moleque de 15 anos. Foi a última vez naqueles 17 anos em que o Palmeiras esteve ameaçado de perder.

Afinal, a redenção começaria dali a pouco: aos 36 minutos e 41 segundos, Zinho explodiria a metade verde do estádio ao abrir o placar após a bola passar por boa parte do time, a partir do goleiro Sérgio. Com aquele gol, a vantagem na decisão voltava a ser alviverde: se a meta do Palmeiras não fosse vazada, o título viria.

A missão palmeirense ficou um pouco mais fácil minutos após a abertura do placar: aos 39’20”, Henrique fez falta duríssima em Edílson e, já tendo o amarelo, teve que ir para o chuveiro (depois reclamaria do juiz, mas basta olhar o lance que não resta dúvida do acerto na expulsão). Nelsinho já tinha usado uma substituição e, não querendo queimar a segunda, pediu para Ricardo, que vinha jogando na lateral esquerda, ficar na zaga. Do ponto de vista alvinegro, foi uma atitude corretíssima, como se verá.

Antes do intervalo, houve ainda a famosa voadora de Edmundo em Paulo Sérgio, que não foi muito diferente do que os jogadores do rival, particularmente Ricardo, já tinham feito com nosso camisa sete por toda a primeira etapa. O fato é que o primeiro tempo se encerrou com vantagem verde no placar, no número de jogadores e no ânimo da ainda escaldada torcida.

Após um minuto de silêncio em homenagem ao pai do zagueiro alvinegro Marcelo, a segunda etapa começou com o Corinthians mais bem postado em campo. Com um a menos prematuramente, o time sabia que levar a partida para a prorrogação era forçar um desgaste desfavorável, e portanto, já que tinha que marcar um gol, melhor que fosse no tempo normal.

A estratégia acabou barrando na boa atuação da zaga palmeirense, e pouco a pouco o Verdão começou a reagir, até chegar a um ponto crucial na história do Palmeiras: após um drible de Tonhão (!), uma arrancada de TONHÃO (!!), seguida por um lançamento perfeito de trivela para Edmundo de TONHÃO (!!!), Ronaldo derrubou o Animal, que vinha sozinho, e ganhou um cartão vermelho de presente. Numa aula de malandragem (temos que reconhecer, ele foi brilhante), o camisa 1 fingiu ter sido agredido e conseguiu ao menos levar embora com ele o camisa 4 do Verdão. Não faz mal: Tonhão saiu do campo para entrar para a História. Ele ainda faria mais 87 partidas pela equipe, mas poderia ter se aposentado em glória naquele instante.

O Corinthians foi obrigado a fazer sua segunda alteração – já pensaram se Nelsinho tivesse mexido após a expulsão de Henrique? O time seria obrigado a atuar o resto do tempo com um jogador de linha no gol. Assim, o mesmo Tupãzinho que entrara no lugar de Adil deu lugar a Wilson “Macarrão”, que quase 11 anos depois seria técnico interino do Palmeiras.

Vendo o adversário com apenas 8 na linha, Luxemburgo arriscou manter a equipe sem sacrificar um de seus atacantes para colocar Alexandre Rosa. Foi arriscado: mesmo com nove contra dez, o Corinthians mostrava brio e volta e meia ameaçava. Mas também foi certo: permitiu o golpe que praticamente garantia a prorrogação.

Zinho roubou bola em nosso campo, praticamente dentro da área, e desceu rapidamente; vários jogadores o acompanharam. Foi assim que, ao tirar a bola de Evair, a zaga alvinegra não conseguiu afastar, e botou a bola no pé de Mazinho. O lateral direito arrancou pela esquerda, deixou seus marcadores deitados ou perplexos e rolou para Evair, aos 28 minutos e 57 segundos, marcar o segundo gol, o gol que mostrou que qualquer resto de equilíbrio acabara: o Palmeiras era senhor da decisão. E assim caiu o longo jejum de Evair, que ficou fora muito tempo por lesão: a última vez que o Matador fora às redes havia sido dois meses e um dia antes, contra a Portuguesa.

2a0

Sabendo que não marcaria os dois gols que lhe dariam o título diretamente, o Corinthians tomou a decisão óbvia: diminuiu o ritmo à espera da prorrogação, quando lhe bastaria um. O Palmeiras evidentemente fez o mesmo, e os 20 minutos finais do segundo tempo só não passaram despercebidos porque houve ainda mais uma estaca cravada no rival: em meio a muitos gritos de “Palmeiras” e alguns tímidos de “olé”, Antonio Carlos lançou Daniel, que entrou rápido na área, deixou Marcelo sentado mais uma vez e centrou para Evair, que escolheu o canto mas jogou no pé da trave. Rápido como uma flecha, Edílson encheu o pé no rebote e, aos 38 minutos e 18 segundos, marcou o terceiro. Um tento que, se não mudava a história do jogo, valeu por construir a goleada. E que foi um prêmio ao provavelmente melhor jogador palmeirense em toda aquela campanha (é isso mesmo: temos pinimba do Capetinha pelo que fez no rival, especialmente a final de 1999, mas é justo reconhecer – ele contribuiu muito, muito mesmo, para que hoje possamos falar sobre 1993).

O resto do tempo normal prosseguiu sem maiores emoções (mentira, cada minuto que passava trazia um sentimento cada vez melhor), e os oponentes se alinharam para a prorrogação. A batalha final.

Logo ficou claro para qualquer espectador isento – palmeirenses e corinthianos estavam nervosos demais para racionalizar o que fosse – que o time do Parque São Jorge dependeria mais da sorte que de bola. Porque essa estava o tempo todo nos pés verdes.

O massacre foi amplo: aos 2, bela jogada de Edmundo e Edílson perdeu um gol incrível. Aos 4, Edmundo mandou pra fora. O Corinthians tentou responder aos 7, quando Viola invadiu a área, gingou, mas o chute foi bloqueado.

A resposta foi fulminante: vinte segundos depois, Edmundo era derrubado na área por Ricardo. Pênalti que José Aparecido de Oliveira assinalou incontinenti. Pênalti após o qual o mundo seria um lugar melhor.

Antes de Evair tomar a bola para si, deu tempo para Ezequiel ser expulso por reclamação. Reduzido a oito e vendo o camisa 9, que pelo Palmeiras jamais falhara numa cobrança da marca fatal, ir para a bola, o Corinthians sabia que sua sorte estava selada. Dificilmente a vingança de 1974 se concretizaria.

E Evair não decepcionou.

Dali para a frente, dizem que o já eterno ídolo foi substituído por Alexandre Rosa, e Edílson por Jean Carlo. Pode ser. Àquela altura eu já estava em outro plano, mergulhado nos sonhos alimentados durante anos que por fim se tornavam realidade. Só sei que voltei à Terra mais ou menos na hora em que Luxemburgo cumprimentava Nelsinho e ia para o vestiário, naquele gesto de, hmmm, humildade calculada.

Poucos segundos depois, acabava a partida, acabava o campeonato, acabava o pesadelo. E a festa explodiu no estádio, na cidade, em vários pontos do país.

E, naquele dia dos Namorados, finalmente essa nossa imensa paixão que é o Palmeiras voltava a ser correspondida.

campeao1993

*

Não curtiu muito a narração do Luiz Alfredo? Então reviva aquele jogo com outras vozes:

José Silvério

Silvio Luiz (a que eu acompanhei)

Fiori Gigliotti (pena não ter outras)

Osmar Santos

*

É evidente que o Palmeiras não foi campeão somente naquele dia. O título foi o resultado de uma bela campanha que consistiu em 38 jogos, com 26 vitórias, 6 empates e 6 derrotas, 72 gols a favor e 30 contra, saldo de 42.

Trouxemos nos últimos meses um resumo de toda esta campanha. Confira aqui todos os jogos que nos levaram ao fim do jejum, além de alguns outros momentos marcantes desta inesquecível trajetória.

O cenário

Primeira fase – 1º turno

Primeira fase – 2º turno

Quadrangular semifinal

Final

*

Alguns jogaram muito, outros só alguns minutos. Mas todos estes 25 jogadores e 3 treinadores entraram para a história do Palmeiras:

Goleiros

  • Sérgio Luiz de Araújo (35 jogos, 26 gols sofridos)
  • Wagner Fernando Velloso (4 jogos, 4 gols sofridos)

Laterais

  • Iomar do Nascimento, Mazinho (36 jogos, 1 gol)
  • Roberto Carlos da Silva (33 jogos, 4 gols)
  • João Luís Barbosa (19 jogos)
  • Jefferson Vieira da Silva (5 jogos, 1 gol)
  • Cláudio Guadagno (2 jogos)

Zagueiros

  • Antonio Carlos Zago (34 jogos, 2 gols)
  • Antônio Carlos da Costa Gonçalves, Tonhão (17 jogos)
  • Édson Manoel do Nascimento, Edinho Baiano (23 jogos, 1 gol)
  • Alexandre Ricardo Rosa (9 jogos)

Meias

  • Carlos César Sampaio Campos (34 jogos, 4 gols)
  • Daniel Frasson (25 jogos, 1 gol)
  • Crizam César de Oliveira Filho, Zinho (36 jogos, 9 gols)
  • Edílson da Silva Ferreira (35 jogos, 11 gols)
  • Alexandre da Silva Mariano, Amaral (11 jogos)
  • Jean Carlo de Souza (26 jogos, 4 gols)
  • Juliano César de Moraes Tobias, Juari (3 jogos)
  • José Aparecido Pereira, Naná (1 jogo)

Atacantes

  • Evair Aparecido Paulino (24 jogos, 18 gols)
  • Edmundo Alves de Souza Neto (34 jogos, 11 gols)
  • Cléverson Maurílio Silva (25 jogos, 4 gols)
  • José Carlos Soares (3 jogos, 1 gol)
  • Aguinaldo Luiz Sorato (2 jogos)
  • Paulo Sérgio Gonzatti (1 jogo)

Técnicos

  • Wanderley (grafia da época) Luxemburgo da Silva (14 jogos, 12V/2D)
  • Otacílio Gonçalves da Silva Júnior (23 jogos, 14V/6E/3D)
  • Raul Pratali Filho (1 jogo, 1D)

palmeiras-1993

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Ficha Técnica

Gols: Zinho 36 do 1º Tempo; Evair 28 e Edílson 38 do 2º Tempo; Evair aos 9 do 1° tempo da prorrogação

Palmeiras: Sérgio, Mazinho, Antônio Carlos, Tonhão e Roberto Carlos; César Sampaio, Daniel e Edílson (Jean Carlo); Edmundo, Evair (Alexandre Rosa) e Zinho. Técnico: Wanderley Luxemburgo

Corinthians: Ronaldo, Leandro Silva, Marcelo, Henrique e Ricardo; Ezequiel, Marcelinho Paulista e Neto; Paulo Sérgio, Viola e Adil (Tupãzinho, depois Wilson). Técnico: Nelsinho Baptista

Cartões Vermelhos: Henrique, Ronaldo, Tonhão e Ezequiel

Cartões Amarelos: Roberto Carlos, Mazinho, Zinho, Edmundo, Marcelo, Leandro Silva e Neto

Árbitro: José Aparecido de Oliveira

Local: Morumbi, para 104.401 pagantes e renda de Cr$ 18.154.900.000,00.

Palmeiras Campeão Paulista de 1993

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As capas do dia seguinte (notem a do Estadão: é uma raridade que a manchete principal seja esportiva)

Capa Estadão

Capa Folha

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Prontos para a batalha final

Prontos para a batalha final

Os treinos acabaram. As orientações táticas eram menos importantes que os gritos de guerra. Tudo que poderia ser aprendido e exaustivamente ensaiado já o fora, e seria posto à prova no dia seguinte.

Em 24 horas, o céu ou o inferno.

O último treino teve um pouco de tudo: posicionamento da defesa, saída de jogo e jogadas ofensivas. Era necessário reverter a desvantagem no placar. E, como o título para o Palmeiras necessariamente passaria por uma prorrogação, a questão física não foi deixada de lado.

E, como só técnica não bastaria num jogo como esse, Luxemburgo decidiu trazer sua equipe para treinar em São Paulo mesmo. Assim, na Academia de Futebol, eles já sentiriam o clima que se armava: mais de mil torcedores fizeram batucada.

Naquela noite, seria decidido também o juiz, mas apenas o escolhido saberia disso; a informação seria escondida, como vinha sendo hábito naquele Paulistão. Os nomes mais cotados eram os de João Paulo Araújo, Oscar Roberto de Godói (malquisto por ambas as equipes) e José Aparecido de Oliveira. Quem quer que fosse, teria uma dura missão. Corintianos, vencedores no primeiro prélio, e palestrinos, confiantes em sua técnica, estavam otimistas, e sabiam da importância daquela conquista. Seria sem dúvida um jogo ríspido.

Afinal, só um deles terminaria contente o sábado. Que fosse então o fim da longa e escura noite alviverde.

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Antônio Carlos: o terceiro gol começou com ele.

Antônio Carlos: o terceiro gol começou com ele.

Quinta-feira, dia do penúltimo treino em quase dezessete anos de jejum, desta vez em Bragança Paulista, pois em Atibaia havia muitos cururus à beira do gramado. Na véspera, o Palmeiras havia treinado o posicionamento da defesa nas cobranças de falta de Neto; desta vez, foi o contrário: cobranças de falta a favor, para quem sabe ferir o adversário com suas próprias armas. Também optou por testar um forte avanço dos laterais, especialmente Mazinho (que, por estar no Verdão por empréstimo que se encerraria no mês seguinte, tinha uma carreira em jogo).

Como se viu dois dias depois, tais treinamentos não tiveram muita utilidade: não foi a bola parada que nos fez vencer, nem que tirou a chance do rival. E as laterais foram mesmo um ponto forte do time, mas a jogada do camisa 2 que terminou nas redes foi… pela esquerda.

Uma outra arma testada, porém, foi eficaz: os lançamentos de Antônio Carlos desde a intermediária para o trio de atacantes. Durante a partida, porém, quem recebeu o bom lançamento foi Daniel, e dali saiu o terceiro gol. No ano seguinte, foi assim que saiu também o gol de empate na decisão do Brasileiro contra o mesmo Corinthians, o que certamente é mais uma curiosidade do que fruto daquele treinamento no interior.

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Um time habilidoso contra a pressão. Os milhões da Parmalat contra os fracassos de anos. Jogadores de seleção contra a seca de títulos. E, claro, um gigante paulista contra outro.

No primeiro round da decisão do Paulistão 1993, todos os traumas de dezessete anos de inglórias vieram à tona para os palmeirenses. O obstinado elenco corintiano, que já tinha deixado pelo caminho o então campeão mundial, venceu por 1 a 0 e passou a ter a vantagem de buscar apenas um empate no sábado seguinte. O rival tinha a grande chance de vingar 1974.

Ciente de que eram inferiores na técnica, os alvinegros ganharam na luta e na tática. O catenaccio corintiano aprisionou o time alviverde de tal forma que Edmundo ficou enredado por Marcelo e Ricardo, Edílson foi dominado por Ezequiel e Zinho parou em Leandro Silva. Os laterais não subiam, e Maurílio, bom, a natureza dava conta (e Mauricio estava de sobreaviso).

Apenas marcar cuidadosamente não bastaria ao Corinthians, que afinal de contas teria que ganhar uma das duas partidas. Mas a sorte sorriu logo aos 13 minutos, quando Viola, que acreditou numa bola quase perdida, se atirou para escorar cruzamento de Neto, vencer Sérgio e fazer o que seria o único gol do jogo.

A comemoração ficou famosa: Viola nem se levantou direito para comemorar; agachou e imitou um porquinho. Foi um golpe duro para os palmeirenses, que jamais o perdoariam, mesmo quando ele vestiu nossa camisa.

O cenário agora estava ao feitio do alvinegro. O Palmeiras tinha a bola, mas não furava o bloqueio rival. Até o fim do primeiro tempo, houve apenas uma chance mais clara, em chute de Edmundo que Ronaldo agarrou.

Era necessário um fato novo para modificar o panorama da partida, e ele veio no intervalo: numa mudança esperada desde o começo da semana, Maurílio deu lugar a Evair. A equipe melhorou, e logo Zinho e Edilson tiveram chances. César Sampaio se lesionou e Jean Carlo entrou, aumentando ainda mais a pressão. Tonhão, Edmundo e Jean Carlo desperdiçaram oportunidades. Evair, meio sem ritmo, não teve sua vez, mas chamava atenção de toda a zaga rival.

Aí Moacir e Amaral se estranharam. Cartão vermelho para os dois. O Palmeiras ficou sem nenhum volante, e o Corinthians, cioso da vantagem, trocou Neto por Marcelinho (o futuro “Paulista”) e manteve o ferrolho.

Desgastado e sem marcação eficiente, o Verdão começou a ceder terreno e ambos começaram a trocar golpes. O Palmeiras se atirava, já que saldo de gols era irrelevante – o famoso “perdido por um, perdido por mil”. E assim o adversário criou, mas também não fez, até a hora de decidir que estava bom assim, e que era bobagem tentar algo mais.

O Corinthians se trancou e conseguiu fazer o ataque verde passar em branco. A superação alvinegra assustou a torcida palmeirense, que vivia um momento de otimismo só comparável ao de 1986. Difícil saber qual decepção seria maior, caso o fracasso se concretizasse dali a uma semana…

Ficha Técnica

Gol: Viola aos 13 do 1º tempo

Corinthians: Ronaldo, Leandro Silva, Marcelo, Henrique e Ricardo; Ezequiel, Moacir e Neto (Marcelinho Paulista); Paulo Sérgio, Viola e Adil (Tupãzinho). Técnico: Nelsinho Baptista

Palmeiras: Sérgio, Mazinho, Antônio Carlos, Tonhão e Roberto Carlos; César Sampaio (Jean Carlo), Amaral e Edílson; Edmundo, Maurílio (Evair) e Zinho. Técnico: Wanderley Luxemburgo

Cartões vermelhos: Moacir e Amaral

Cartões amarelos: Marcelo, Edmundo, Leandro Silva, Evair, Tupãzinho e Neto

Árbitro: Dionísio Roberto Domingos

Local: Morumbi, para 93.736 pagantes e renda de Cr$ 15.789.250.000,00

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Edmundo lutou, mas o Palmeiras saiu atrás na decisão

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