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O presidente do centenário

O presidente do centenário

Paulo de Almeida Nobre acaba de ser eleito o 38º presidente da história do Palmeiras (a lista completa está no site oficial). Particularmente nos primeiros anos, a troca de comando foi muito mais frequente – uma demonstração clara disso é o fato de que 18 deles, praticamente metade, chefiaram o clube ainda como Palestra Itália. Aproveitando a mudança no trono verde, eis aqui algumas curiosidades sobre os detentores do poder ao longo de nossa história:

- o primeiro mandatário da Società Palestra Italia foi Ezequiel Simoni, que havia se proposto a bancar os custos iniciais de formação do clube e por isso, mesmo sem pedir, foi escolhido para ser dirigente da nova entidade. Ficou no cargo, contudo, apenas por dois meses.

- nos primeiros anos, era difícil esquentar a cadeira. No início de 1917 (apenas dois anos e meio após a fundação), Guido Sarti foi o oitavo a assumir a presidência, e finalmente o primeiro a perdurar um ano inteiro.

- Francesco de Vivo foi o presidente que esteve mais vezes no cargo. Foram quatro passagens; a primeira durou um mês, entre o fim de 1915 e o início de 1916, a última foi de seis meses em 1927. No total, ele esteve pouco mais de três anos no poder.

- Davide Pichetti, o primeiro a ficar mais de um ano (1920-1923) foi também o primeiro a ser campeão paulista, em 1920.

- um dos presidentes do Palmeiras pertencia à família mais rica do Brasil na primeira metade do século XX. Luiz Eduardo Matarazzo era o 13º e último dos filhos de Francisco Matarazzo e foi o mandatário entre o fim de 1928 e o início de 1932, período por sinal em que o Palestra Itália passou em branco no que diz respeito a conquistas.

- o sucessor de Matarazzo, no entanto, teve muito mais sucesso. Num ranking hipotético de “porcentual de aproveitamento” seria difícil bater Dante Delmanto: três anos de mandato e o tricampeonato paulista. De quebra, o Rio-São Paulo de 1933, a inauguração da arquibancada do Palestra Itália e a maior goleada da história do derby.

- Ítalo Adami foi quem “morreu líder e nasceu campeão”. Foi o único a presidir tanto o Palestra Itália quanto o Palmeiras.

- Mario Frugiuele era o presidente durante a Taça Rio. Uma bola usada na decisão contra a Juventus ficou durante muito tempo em sua casa, mas hoje está no clube.

- o presidente que ficou no cargo por mais tempo foi Delfino Facchina: entre 1959 e 1970 e entre 1979 e o meio de 1980, quando faleceu no meio de seu mandato de quatro anos. Em termos de maior tempo consecutivo no cargo, sua gestão de 12 anos empata com a de Mustafá Contursi.

- além de Delfino Facchina, o outro presidente do clube no período das Academias foi Paschoal Giuliano, que também detém o recorde de mais tempo decorrido entre suas gestões. O primeiro dos seus três mandatos começou em 1953; o último se encerrou em 1984.

- Brício Pompeu de Toledo, presidente em duas ocasiões entre 1978 e 1982, era o irmão caçula de Cícero, ex-presidente do São Paulo que dá nome ao Estádio do Morumbi.

- um ex-presidente foi exonerado do cargo: Jordão Sacomani, o primeiro gestor do período da fila, foi deposto por conta da má situação financeira em que colocou o clube.

- Paulo Nobre torna-se o segundo presidente do Palmeiras sem ascendência italiana; o único até agora havia sido o já citado Brício Pompeu de Toledo.

- Valentino Sola, Luiz Eduardo Matarazzo, Hygino Pellegrini, Mario Frugiuele, Ferruccio Sandoli e Delfino Facchina são nomes de ruas em São Paulo (a Hygino Pellegrini, por sinal, ao lado do Palestra). Dante Delmanto dá nome a um viaduto, Francisco Patti a uma praça, Raphael Parisi e Mario Beni a escolas.

A biografia de alguns dos principais presidentes do clube pode ser conferida aqui.

*

Não queríamos nos envolver no clima de Fla-Flu eleitoral, mas admitimos: a equipe do blog torceu por Décio Perin. Felizmente sabíamos que, ao contrário da última vez, ambas as opções prometiam um futuro melhor, e é por isso que não nos sentimos derrotados. Paulo Nobre comandará o clube em dois momentos altamente positivos – a reinauguração de nossa casa e o centenário – mas ao mesmo tempo assume um time com pouca grana, pouco elenco, pouco legado de seu desastroso antecessor mas muito o que fazer, a começar por uma campanha decente na Libertadores e, claro, o retorno à elite nacional. De cara, contará com forte apoio popular. Não é tudo – e a gestão Belluzzo mostrou isso perfeitamente – mas é bastante e um bom começo, ainda mais agora que, na próxima eleição, é o voto direto que decidirá.

Toda sorte do mundo a Paulo Nobre; seu sucesso será o sucesso do Palmeiras. Por isso, torcemos todos para que faça uma ótima gestão e que nos conduza de volta ao rumo que o Alviverde Imponente se acostumou a trilhar durante quase noventa e nove anos.

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índioadãozinho

Índio e Adãozinho: em 2002 só eles chegaram.

Passou-se o mês inteiro de dezembro, o mais farto no mercado de jogadores, e o Palmeiras trouxe uma única peça, Fernando Prass (Ayrton fora contratado há tempos, o que é importante em tempos de segunda divisão: será que ele teria vindo se sondado após a queda?).

A torcida se exaspera com a lentidão da diretoria, que ainda se vê tolhida pela decisão do Conselho de Orientação Fiscal de referendar qualquer decisão de Tirone e Frizzo. O técnico Gilson Kleina já deixa claro seu desencanto a cada entrevista, e não poderia ser diferente.

O cenário que pinta para o começo de 2013 é preocupante – e já o seria mesmo que sem termos caído. Mas será que é tão diferente assim do que ocorreu dez anos atrás, quando passamos por este sufoco pela primeira vez?

O Instituto Palestrino de Estatística pesquisou todo o cenário daquela época para analisar o que nos espera. Viaje agora conosco ao túnel do tempo sem luz no fim.

Calendário do futebol

Em 2002, a queda aconteceu na última rodada da primeira fase, em 17/11. Com a decepção e o baque, um amistoso contra o Cene, campeão sul-mato-grossense, acabou sendo cancelado. Com isso, a derrota para o vitória acabou sendo o último jogo do ano. O Palmeiras ficou sem jogos oficiais por 70 dias, até estrear no Paulista/2003 contra o Mogi Mirim em 26/1.

Já em 2012, o empate com o Flamengo em 18/11 não encerrou a temporada – faltavam as derrotas para Atlético-GO e Santos, esta em 1/12. A estréia no Paulista/13 também ocorrerá antes, em 20/1, de modo que a pausa será de exatos 50 dias.

O fato de ter dois jogos após cair fez com que, ao contrário de 2002, o Palmeiras dispensasse jogadores e lançasse alguns jovens ainda durante o campeonato, o que diminui o peso das novidades para o ano seguinte.

Eleições

Há 10 anos, o Palmeiras também vivia um período eleitoral. O pleito estava originalmente marcado para 15/1, mas acabou sendo antecipado para o dia 6 de janeiro de 2003, uma (claro) segunda. Isso por si só mostra que, sim, é possível alterar a data da votação e o clube podia nos poupar da agonia atual de ter que esperar até o longínquo dia 21 de janeiro para saber quem herda a terra arrasada.

Naquela eleição, houve dois concorrentes: um era o então presidente Mustafá Contursi com seu discurso “fiz cair, vou fazer subir” (o que significava na prática “vou virar a mesa”; nem isso, ainda bem, ele cumpriu). O oponente era o famoso economista Luiz Gonzaga de Mello Belluzzo, que à época criou com seus aliados o movimento Muda Palmeiras, que após 10 anos e algumas mudanças de nome hoje é parte importante da vida política do clube.

Pode-se dizer que foi a campanha do que não queria gastar um tostão contra o que depois torraria muito mais que um milhão, mas o fato é que foi uma disputa muito desigual a favor do Sapo-Boi.

Senão, vejamos: Belluzzo lançou sua campanha convidando conselheiros a um jantar ao qual compareceram personalidades como Joelmir Beting e Aldo Rebelo. Mustafá contra-atacou marcando um evento na mesma hora. Resultado: apenas cerca de 40 votantes deram o ar da graça ao primeiro evento, enquanto quase 200 (incluindo o próprio irmão de Belluzzo) estiveram prestigiaram o presidente – que, ora vejam, não apareceu.

A vitória de Mustafá na eleição foi um pouco menos folgada que no jantar, mas ainda assim foi larga: por 175 votos contra 77 (e 13 nulos), o “bom e barato” continuou assolando o Palestra Itália por mais dois anos.

Patrocínios

De 2012 para 2013 não deveremos ter nenhuma mudança: Kia e Adidas seguirão firme com o Palmeiras. Em 2003, porém, houve uma mudança no começo da temporada – a Rhumell deu lugar à Diadora como fornecedora de uniformes (no entanto, apesar de o acerto ter sido fechado no início da janeiro, a empresa italiana só estreou após algumas rodadas de série B). Quem não se lembra do modelo das bolinhas que mudavam de cor com o suor? A Pirelli, por sua vez, manteve-se como o principal patrocinador da equipe.

Dispensas

Hmmm, aqui a coisa começa a esquentar. Em 2002, uma situação bizarra: após a queda, os jogadores receberam uma semana de folga, mas depois voltaram para uma semana de treinos físicos (as férias só começaram em dezembro). As dispensas só começaram no fim deste período, e foram feitas a conta-gotas.

Em 2012, a diretoria não esperou o campeonato acabar para divulgar a primeira barca. Os cortes foram mais rápidos e devem se encerrar antes (desde que o time ache interessados nos craques disponibilizados).

Em comum, a data de início da degola: 29 de novembro. Confira abaixo como foi o ritmo das dispensas, lembrando que atletas disponibilizados mas que ainda não saíram (Leandro Amaro, Tadeu e outros) não estão listados.

dispensas

Vale comentar ainda que em 21/1, segundo a Folha de S.Paulo, Marcos foi vendido para o Arsenal. Barrigada pouca é bobagem.

Contratações

Você acha que está devagar? Pois em 2002 não foi diferente: o Palmeiras fechou o ano com apenas dois jogadores contratados: Índio, zagueiro do Juventude, e Adãozinho, meia do São Caetano, além do técnico Jair Picerni. Nada muito diferente do que agora, em que veio apenas Fernando Prass (Ayrton, insistimos, é um caso à parte).

Uma semelhança está na expectativa pelo retorno de dois volantes: se agora Kleina conta com Souza e Wendel, em 2003 Picerni recebeu Magrão e Claudecir de braços abertos. Outro que voltou foi o lateral-direito Neném.

Os jogadores só começaram mesmo a chegar após a reeleição de Mustafá: nas duas semanas seguintes, foram oito. Entre eles, porém, houve casos de corar o palmeirense de vergonha, como o do lateral esquerdo João Marcelo, que veio do Ferroviário, ficou dois dias, não acertou salário e voltou. Ou ainda do atacante colombiano Carlos Castro e do meia Toni, que saíram sem atuar.

Parece claro que a indefinição eleitoral custará caro na montagem do elenco: foi isso que ocorreu em 2003, e provavelmente ocorrerá de novo agora. Com três agravantes: a eleição quinze dias mais tarde, um plantel mais reduzido pelo maior número de dispensas e uma Libertadores se avizinhando (o que não era pra ser um problema, mas do jeito que vai pode se transformar em outro vexame).

Confira abaixo o ritmo de chegadas de atletas na pré-temporada, notando que após fevereiro de 2003 o Palmeiras parou de se reforçar.

Contratações

Time-base

O Palmeiras perdeu para o Vitória naquele fatídico 17/11 com Sérgio, Arce, Alexandre, César, Rubens Cardoso (Leonardo Moura), Paulo Assunção, Flávio (Nenê), Juninho, Zinho, Muñoz, Itamar (Lopes). Ou seja: dos 14 que entraram em campo no Barrradão, apenas três seguiriam no clube, aqueles destacados em itálico. Seis atletas sairiam até o fim de dezembro.

Agora, o Palmeiras empatou com o Flamengo com Bruno, Artur (Obina), Maurício Ramos, Román, Juninho, Márcio Araújo, Correa, Tiago Real (Vinícius), Mazinho (Bruno Dybal), Maikon Leite e Barcos. Destes catorze, apenas quatro pegaram o caminho da roça. A renovação pelo visto será menor.

Na estreia de 2003, o time bateu o Mogi-Mirim com Marcos, Neném (Pedro), Índio, Leonardo, Everaldo, Claudecir, Magrão, Pedrinho, Zinho (Adãozinho), Muñoz, Dodô (Leandro Amaral). Foram quatro estreantes, em itálico. Em 2013, é claro que os dois reforços estarão em campo desde o início. Mas serão só eles?

Categorias de base

O Palmeiras não usou sua base no Brasileirão de 2002 – Pedro jogou três vezes, Vágner Love duas, e só. No início de 2003, Picerni estava ciente de que havia uma boa geração (o Verdão foi campeão paulista sub-20 em 2002 e vice da Copinha no ano seguinte) porém só começou a efetivamente usar os moleques após afundar no Paulista e tomar sete do Vitória. Foi então que a geração de Edmílson, Diego Souza e Alceu pediu passagem e se assumiu seu lugar.

Agora, alguns garotos foram promovidos durante o campeonato, casos de Patrick Vieira e principalmente João Denoni. Com o rebaixamento confirmado, Bruno Dybal e Diego Souza, entre outros, também puderam atuar. É certo que eles estarão integrados ao elenco principal já desde o começo do ano que vem – mas como ter certeza que o sucesso será o mesmo da geração de Vágner Love?

Resumo

O fato é um só: a eleição, que deveria ser um detalhe, paralisa todo o ambiente do clube, mesmo que Tirone tome vergonha na cara e decida de uma vez por todas não tentar novo mandato. Até dia 21, o Palmeiras viverá de mais futricas, fofocas, boatos, impasses e incertezas que o habitual.

Reforços? Não contem com isso – o que, a julgar pelo nível de diversos nomes ventilados, é até melhor. É preferível manter o pouco que temos a buscar novos empréstimos para bancar um veterano com pouco a acrescentar como Riquelme.

O time que definiu o acesso e o título da série B em Garanhuns foi escalado com Marcos, Leonardo, Glauber, Adãozinho, Baiano, Magrão, Diego Souza, Lúcio, Élson (Correa), Vágner Love (Denis), Edmilson. Dos treze, sete – mais da metade! – só se juntou ao elenco a partir de março.

Vai ser assim de novo: sem planejamento algum, contando um pouco com a base, bastante com a sorte e mais ainda com a fragilidade dos adversários. Para 2013 vai bastar; subiremos. Mas e o centenário?

Este, senhores, começa apenas dia 21. Que Perin ou Nobre tomem rapidamente pé da situação, e que sejam menos inaptos que o atual mandatário e seus antecessores, pois o campeão do século XX já jogou fora 13 anos do XXI.

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O novo comandante terá muito trabalho

Depois de uma semana de desorientação, com um acervo de nomes que incluiu Leão, Jorginho, Falcão, Cristóvão Borges, Dorival Júnior e Madre Teresa de Calcutá, a diretoria finalmente conseguiu acertar com um treinador: Gilson Kleina, que comandava a Ponte Preta desde o início de 2011, é desde já o responsável por fazer o time jogar na elite do Nacional – seja em 2013, seja em 2014. Além, claro, da Libertadores de 2013 (pra não falar da Sul-Americana deste ano, que ainda existe).

O currículo deste curitibano de 44 anos já foi destrinchado por PVC no post que primeiro anunciou sua chegada, faltando apenas citar que seu único título até aqui foi o Alagoano de 2006 pelo Coruripe. Não é obviamente uma folha como a de Felipão, mas quais são os outros técnicos de carreira triunfal que não foram queimados no Palmeiras nos últimos anos? Ao menos Gílson Kleina vem fazendo um trabalho digno na Ponte, de onde o Verdão também trouxe Estevam Soares em 2004 e, num ponto importantíssimo de sua história, Vanderlei Luxemburgo em 1993.

O que falta - a nós e à imensa maioria dos torcedores, não habituados ao noticiário da equipe campineira - é saber o que ele pensa, quais suas táticas favoritas, se é paizão ou linha dura, se é retranqueiro ou destemido. Por isso, deixamos ao próprio Kleina a missão de se apresentar ao torcedor alviverde. A seguir, alguns vídeos daquele a quem a partir de agora confiaremos nossas esperanças. Bem-vindo e muito, mas muito boa sorte.

Entrevista para a TV Bandeirantes

Duas entrevistas para o site da Ponte Preta

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Bananada de goiaba…

- É, Frizzo, e agora?

- Nem me diga, Tirone. Que tragédia. Não sei o que fazer.

- Acho que vamos ter que procurar um técnico.

- Sem dúvida, eu já liguei na Assistência mas o preço era muito alto.

- Do que você tá falando, cazzo?

- Ué, do ar condicionado que o pessoal quebrou lá na lanchonete.

- Pombas, Frizzo, tô falando do Palmeiras.

- Que que tem o Palmeiras?

- Tamo quase na rabeira e o campeonato já tá acabando. Você não viu? Falaram hoje na TV!

- Calma, Tirone, o Felipão vai se virar bem. Demos pra ele um monte de camarão. Quem não gostaria de ter o Fernandão, que até campeão do mundo naquele time do Sul foi, ou aquele moleque topetudo que veio do Santos que corre pacas?

- Que Felipão, Frizzo? Ele pediu a conta!

- Sério isso? Por quê?

- Falou algo sobre falta de apoio da diretoria, que só ele tinha que resolver tudo. Pra ser sincero, não estava prestando muita atenção, estava quase passando de fase no Angry Birds. Pior que ele me atrapalhou, deixa ver se agora eu consigo.

- Ô Tirone, presta atenção, homem. Se não era o Felipão no banco contra o Curintia, quem era?

- Sabe que a pergunta é boa? Sei lá, o Murtosa?

- Acho que o Galeano deve saber, deixa eu ligar pra ele (…) Ô Galeano, beleza? Passa aqui na sala do Tirone prum café, ele trouxe um blend sensacional lá da Europa (…) Quê? Você não tá mais no Palmeiras? Pô, ninguém me fala nada! Tá bom, obrigado por tudo.

- E aí, ele vai querer açúcar ou adoçante? Vou colocar o mesmo pra mim, não consigo me decidir.

- Ele vazou também. Acho que não tem jeito, presidente, vamos ter que começar a resolver as coisas nós mesmos.

- Caramba, logo agora que a eleição tá chegando?

- Falar nisso, lembra que você me prometeu que eu posso escolher o novo assistente geral de supervisão do departamento de peteca sênior, hein?

- Putz, o Giannini tinha me pedido isso também. Podemos decidir isso depois?

- Tá, vamos falar da vinda do técnico então.

- Caramba, você insiste nisso, hein, Frizzo? Foi tão feio assim no restaurante?

- Não, Tirone, o do Palmeiras!

- Ah é, desculpa. Eu gosto do Leão, que tal?

- O Palmeiras não é zoológico pra ter Leão. Além do quê, ele não tá no São Paulo?

- É, tem razão, deixa pra lá. Temos que respeitar o coirmão. Aliás, senhora Rose, ô Rose, eta secretária surda, você mandou entregar aquele Black Label que eu trouxe da Europa pro Juvenal?

- Pituca, para de mudar de assunto, o troço é sério.

- Tá, tá, que saco. Não sei, não conheço nenhuma outra opção. Eu gosto do Leão.

- Que tal o Jorginho?

- Muito burro. Trocar a Débora pela sem graça da Nina? Prefiro até a Carminha, ela podia ser uma boa gerente aqui.

- Não, Tirone, é um que parece que trabalhou um tempo aqui e…

- Já passou por aqui? É esse mesmo, faz duas semanas que eu não contrato nenhum ex. Sabe que depois do tal Leandro o empresário do Gladstone não para de me ligar? Só falta acertar salário, você acha que 150 mil ia ofender? Melhor 200, né?

- Então, meu sobrinho disse que o Jorginho tá empregado.

- Ih, complicou. Por que tudo é tão difícil? Alguém vai ter que ligar pro presidente do clube dele!

- Presidente, não é por mal, mas acho que o melhor seria você fazer isso.

- Eu? Tá louco?

- Só pra perguntar se tem multa, coisa e tal.

- De jeito nenhum, o Mustafá mandou eu não pagar multa alguma e você sabe como ele fica bravo se a gente desobedece.

- Melhor falar com o jurídico então, quem sabe eles contornam isso?

- É, boa ideia, vou ligar lá (…) Oi, Piraci, tudo bem? Preciso de ajuda (…) Não, homem, pra que que eu quero 30 ingressos? Pra ver esse time aí? Não, quero saber se podemos tirar um técnico de outro clube (…) Ah, tá (…) OK, depois eu decido, agora não sei.

- E aí?

- Não entendi direito, acho que ele falou que é só endemizar o time dele. Esquece, muito complicado.

- Então tem que ser alguém sem clube.

- Isso, muito mais fácil. Eu gosto do Leão, mas deve ter gente boa, né?

- Ah, claro. Por sorte pedi a um filho de conselheiro pra preparar uma lista de nomes, ele só pediu 10 mil.

- Boa, garoto. Quem tem nessa lista?

- Joel Santana.

- Não falo inglês, próximo.

- Vágner Mancini.

- Aquele do restaurante?

- Esquece. Jair Picerni.

- Hmmm, pode ser, depois eu decido. Tem outros?

- Tem sim. Olha esse, Guardiola. Acho que esse moleque tava de sacanagem.

- Ô Frizzo, e o Dunga, já tem time? Cara bravo, decidido, gosto de gente como eu.

- O Palmeiras não é circo pra ter anão, Tirone, vamos voltar aqui pra lista. Só sobrou um nome, Falcão. Posso descartar, né? O Palmeiras não é viveiro pra ter Falcão.

- Não, espera aí. Eu gosto dele, “I´m not dog no”…

- Ô Tirone, tem certeza que estamos falando da mesma pessoa?

- Sei lá, Frizzo, que saco, acho que vou trazer ele mesmo. Depois eu decido. Tô com fome, vambora.

- Tá. Cantina ou churrascaria?

- Precisa decidir agora?

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Este sábado, 12 de maio, marca o décimo aniversário de uma das conquistas mais curiosas do Palmeiras: o título baiano de 2002 (foi o mesmo dia do “hoje não, hoje não, hoje sim”, mas isso é outra história).

O Palmeiras do Nordeste foi uma experiência que durou cerca de três anos, entre 2002 e 2005. No ano anterior, o Verdão fechara uma parceria com a Associação Atlética Independente, time de Feira de Santana fundado no ano anterior e que já em sua estreia subiu da terceira para a segunda divisão baiana. A ideia do então presidente Mustafá Contursi era a de buscar novos talentos numa época em que a Parmalat havia acabado de sair do clube – vale lembrar que pouco antes desse período fora criado o Palmeiras B.

Até o fim de 2001, como citado, era apenas uma parceira, mas que rendeu frutos ao Independente: neste ano, o clube conquistou o acesso à elite baiana, bem como uma vaga na Série C nacional – algo a que um clube de segunda divisão estadual evidentemente não teria direito, mas a influência política do Palmeiras ajudou (sim, houve um tempo em que fomos influentes). E a campanha até que não foi ruim: passou da primeira fase como segundo em um grupo de seis, mas ficou na lanterna de sua chave na segunda fase.

Em 22 de dezembro daquele ano o clube do Palestra Itália resolveu adotar oficialmente a equipe nordestina, que então recebeu o nome de Palmeiras Nordeste Futebol Ltda. E de cara, num golpe de sorte, teve a chance de fazer sucesso: em 2002, os torneios interestaduais receberam maior importância, esvaziando os Estaduais. Assim, o Palmeiras-NE não precisou encarar Vitória e Bahia no certame, e sim outras oito equipes interioranas.

O regulamento previa turno e returno, sendo que os dois primeiros colocados fariam a final e se classificariam para o Supercampeonato Baiano, este sim com os grandes da Boa Terra. Como havia número ímpar de clubes, alguém folgava a cada rodada, e coube ao recém-chegado à elite Palmeiras descansar na última jornada; mesmo assim, com 8 vitórias, 5 empates e 3 derrotas o Verdão (podemos chamá-lo assim também?) se garantiu como líder na penúltima rodada e só aguardou para ver quem seria seu adversário: deu Cruzeiro, de Cruz das Almas.

Assim, Palmeiras e Cruzeiro fizeram uma decisão que, pelos nomes, até parecia ser de Copa do Brasil. No primeiro jogo (sábado, 4/5/2002), em Cruz das Almas, o Cruzeiro saiu na frente logo de cara com o artilheiro da competição Fafá; foi somente aos 33 do segundo tempo que Ricardinho igualou a partida.

Oito dias depois, a grande decisão teve lugar no Estádio Jóia da Princesa. Com gols do decisivo reserva Ricardinho e Dentinho, o Palmeiras bateu o Cruzeiro por 2 a 0 e se tornou o único clube do país a conquistar títulos Estaduais distintos (sem contar o fato que a cisão do Mato Grosso gerou alguns campeões do antigo MT e do novo Mato Grosso do Sul). O time, que tinha uniforme igual ao da matriz, à exceção do goleiro e da ausência de patrocínio (o escudo ainda não era o que abre este texto), tornava-se o primeiro time desde 1969 a romper a sequência de títulos da dupla Ba-Vi.

O time que conquistou nosso 23º estadual

No supercampeonato baiano, disputado como hexagonal, o time até começou bem – fez sete dos primeiros nove pontos, incluindo um triunfo contra o Vitória. Mas perdeu o gás e ficou na lanterna (ainda que a somente quatro pontos do segundo colocado). Naquele mesmo ano, o time chegaria às semifinais da Taça do Estado da Bahia, sendo eliminado pelo Vitória, e caiu logo na fase inicial da Série C – foi sua última competição nacional, já que a vaga para a Copa do Brasil do ano seguinte ficou com o Fluminense de Feira de Santana, “vice-supercampeão”.

Em 2003, o time fez feio no Baiano, caindo prematuramente, mas teve seu último brilho ao conquistar a Taça do Estado da Bahia; incrivelmente, o adversário na decisão foi o mesmo Cruzeiro do ano anterior. Dessa vez, o Palmeiras venceu fora por 1 a 0 e empatou a volta por 1 a 1. Essa partida já não foi em Feira de Santana: alegando ciúmes por parte do Fluminense, time mais famoso da cidade, o presidente Epitácio Pessoa (é isso mesmo) decidiu mandar seus jogos em Candeias, para onde o Palmeiras-NE se mudaria em definitivo no ano seguinte. Coincidência ou não, foi aí que começou a decadência do time, que foi mal no Baiano-2004; em 2005, por fim, a experiência chegou ao fim com o rebaixamento da equipe, que àquela altura já se mudara novamente, agora para Santo Antonio de Jesus. O Palmeiras, já então presidido por Afonso Della Monica, pôs um ponto final na aventura nordestina.

E você que chegou até aqui deve ter se perguntado: OK, o time foi campeão, mas a ideia era revelar jogadores, certo? Pois é, e assim como no caso do time B, nesse sentido não houve grande sucesso: apenas três jogadores vieram da Bahia para São Paulo – e todos eles antes de assumirmos oficialmente a equipe: os laterais-esquerdos Neílton (que nem chegou a jogar) e Róbson (três jogos e três derrotas em 2001, incluindo os 6×2 que levamos em casa do Flu) e o meia Tupã (sete jogos em 2001, incluindo dois pela Libertadores, e um gol marcado, contra o União Barbarense pelo Paulistão).

Curiosamente, o clube posteriormente revelou um jogador mais conhecido, mas que hoje defende nosso maior rival: o atacante Elton, do Corinthians. Tem coisas que só acontecem mesmo com o Palmeiras, o único clube que pode se gabar de possuir títulos dos dois Estaduais mais antigos do país.

FICHA TÉCNICA

12/5/2002: Palmeiras-NE 2×0 Cruzeiro

Local: Jóia da Princesa (Feira de Santana)

Árbitro: Saul Brito (BA)

Gols: Ricardinho e Dentinho

Palmeiras-NE: Manuca; Edvan, Paulo Ricardo, Neto e Neílton; Batistinha, Germínio, Jonga e Dentinho; Nildo e Serginho. Técnico: Hélio dos Santos(não descobrimos no lugar de quem Ricardinho entrou)

Cruzeiro: Pilão, Fábio, Roque, Ricardo e Alex; Marcone, Gildo, Lulinha e Erlan; Vivi e Fafá. Técnico: Aroldo Moreira.

Tupã foi quem mais jogou entre os oriundos do Palmeiras Nordeste

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Tuta é um dos ex-palestrinos ainda na briga

E a rodada final da série A2 sacramentou o improvável – mas quem sabe benéfico – rebaixamento do Palmeiras B, que caiu ante os reservas do São Bernardo por 4 a 0 e viu resultados surpreendentes lhe deixarem como o melhor entre os piores, na 17ª posição.

Não é a primeira vez que o time cai da A2 para a A3: em 2007, o time terminou exatamente no mesmo posto, e ainda assim sobreviveu para subir novamente em 2010. É verdade que a A2 era o máximo possível para os jovens, porém isso não serve para minimizar a queda, ainda mais porque a justificativa para colocar meninos (e outros não tão meninos assim) em campo era dar maturidade ao enfrentar profissionais mais experientes.

Agora, ao disputar a série A3, o argumento não se sustenta: olhando-se os elencos das equipes desta divisão, percebe-se que a maioria dos jogadores também é jovem, com um ou outro veterano no meio, geralmente em times mais conhecidos. Neste caso, aguardamos um posicionamento da diretoria sobre o prosseguimento das atividades da equipe. Se bem que não adianta esperar muito: semestre que vem tem a Copa Paulista, e embora a posição final do time B não garanta vaga, é possível que estejamos inscritos se houver desistências.

Enfim, sabíamos que não haveria festa pelo acesso do time B à elite. Contudo, há jogadores que vestiram o manto verde que terão essa alegria ao final, já que dos oito clubes que disputarão o restante da A2, somente dois não contam com ex-palmeirenses: Ferroviária e Noroeste. Eis a relação de quem ainda briga:

  • Atlético Sorocaba: o volante Fabio Gomes e o atacante Tiago Tremonti (que não chegou a atuar, mas em poucas vezes esteve no banco de reservas).
  • São Bernardo: bom, aí há que forçar a barra – o volante Zé Forte surgiu em nossa base, e esteve presente no histórico Palmeiras B x Palmeiras da Copinha de 2005. Mas não jogou no profissional.
  • Red Bull: o goleiro Gilvan e o veteraníssimo lateral-direito (agora meia) Baiano.
  • Audax: o volante Francis e o atacante Alex Afonso.
  • Penapolense: o atacante Beto.
  • União Barbarense: o atacante Tuta.

E, já que o assunto é esse, verificamos também quais ex-palmeirenses podem subir da A3 para a A2, porém aí a lista é bem curta: excluindo-se eventuais jogadores que passaram apenas pela base, temos somente o lateral-direito Rogério “35 milhões” (Grêmio Osasco) e o volante Alceu e o atacante Osmar (ambos no Marília). Afinal, a imensa maioria dos postulantes, como ressaltamos, joga com novatos. E é isso que aguarda o time B, caso ele realmente siga seu caminho em 2013.

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Palmeiras B 6 x 3 Rio Claro: o ponto alto de uma campanha ruim

Às 10 horas da manhã do domingo, será disputada a rodada final da primeira fase da Série A2 do Campeonato Paulista. Se por um lado todos os clubes classificados já estão definidos (a saber: Audax, Red Bull, Atlético Sorocaba, São Bernardo, Ferroviária, Penapolense, Noroeste e União Barbarense. Em itálico os que contam com a torcida do blog para subir; o quarto clube tanto faz), por outro ainda restam três vagas para a terceira divisão. E a briga para saber quem acompanha o União São João tem, entre seus protagonistas, a incrível fábrica de talentos conhecida como Palmeiras B.

Embora corra um risco considerável, a situação do Verdinho não chega a ser crítica. Em 14º lugar, com 5 vitórias, 5 empates e 8 derrotas, 20 pontos e saldo de gols -4, basta secar um pouco que o time nem mesmo precisará vencer o São Bernardo no ABC paulista. Uma improvável vitória (o time não vence há seis rodadas e nos últimos 10 jogos só venceu dois: contra o lanterna e o vice-lanterna) livra a cara do time; outro resultado põe o B na dependência dos seguintes confrontos:

- São José (15º, 20 pts, saldo -6) x Penapolense (6º)

- Santo André (16º, 19 pts, 1 vitória a menos que o B) x União Barbarense (8º)

- Audax (1º) x Santacruzense (17º, 19 pts, 1 vitória a menos que o B)

- Rio Preto (18º, 18 pts) x Velo Clube (10º)

Um empate serve se dois dos times acima não vencerem (se três vencerem, o São Carlos tem que perder para o Sorocaba fora por 4 gols). Se o time perder, o cenário é praticamente o mesmo – o que muda é que o São José não poderá nem mesmo empatar.

Mas a questão principal é que , ficando na A2 (onde está desde o ano passado) ou retornando à A3, deve-se questionar qual a serventia desse time. É verdade que esse ano não houve jogadores tão velhos quanto em temporadas passadas, embora ainda haja espaço para um caso como o de Bruno Rodrigues, 23 anos, 3 jogos (trazido do Japão!); mesmo assim, são poucos os que poderiam ter futuro no time de cima. Entre os que mais atuaram, podemos citar o goleiro Pegorari (20 anos), o zagueiro Cléber (19), o lateral esquerdo Cleiton (19), o meia Marcos Vinicius (20) e os atacantes Nadson (22) e Caio Mancha (19, artilheiro do clube com 8 gols).

Nenhum deles, porém, parece que terá qualquer chance de vingar; tal papel caberá aos mais jovens, especialmente à geração que venceu o Paulista sub-17 ano passado, que atuou nesta última Copinha e ainda poderá jogar na próxima. Por estarem de férias e depois retomando o condicionamento, os que foram recrutados para a A2 foram apenas coadjuvantes: Bruno Dybal, por exemplo, só fez 2 jogos; Luís Gustavo, apenas um - e, comprovando ser um zagueiro-artilheiro, fez o seu.

Financeiramente, também não se pode dizer que o time seja um sucesso: não há retorno em vendas de atletas, e a média de público é irrisória. São 171 (sugestivo!) testemunhas por jogo, segunda pior média da divisão – curiosamente, o único time que leva menos gente é o líder Audax.

Enfim, sabemos que esse post lembra bastante o tom daquele que fizemos ano passado, mas não é que nós não sejamos metamorfoses ambulantes: o Palmeiras B é que não muda, mantendo-se mais como problema que como solução ao clube. Assim, é difícil torcer contra, e sabemos que não conseguiremos fazer isso na manhã desse domingo, mas uma eventual queda pode até mesmo ser benéfica, se levar a uma mudança radical no modelo da equipe – ou à sua extinção.

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São José dos Campos: há 15 anos sem receber o Verdão

Ao departamento de marketing do Palmeiras

Não adianta tapar o sol com a peneira: a torcida do Palmeiras na capital paulista já não é a segunda maior; aliás, parece ocupar um terceiro posto já relativamente distante do time do Morumbi. Isso por si só não é tão grave; não sou obcecado pela ideia de ter torcida maior que a de rivais específicos, até porque sabemos que se dizer fã de um clube não significa assistir aos jogos no estádio ou mesmo em casa, e muito menos ser um “consumidor”, algo que parece ser tão importante hoje. Porém, é fato que a meninada não parece se encantar com a turma que joga de verde – e, convenhamos, dá pra entender o porquê.

Em compensação, no interior (não só de São Paulo), essa diminuição não tem sido tão acentuada. Mas o torcedor de muitas grandes cidades do Estado muitas vezes não tem acesso a jogos do time, e isso dói especialmente em locais cujos times eram frequentadores assíduos da elite paulista mas hoje definham em divisões inferiores. São José dos Campos (sétima maior cidade do Estado), Sorocaba (nona), São José do Rio Preto (12ª) e outras como Taubaté, Limeira, Araraquara e Jaú são alguns exemplos dessa situação – a bem da verdade, Rio Preto até recebeu a estreia do Palmeiras no Brasileiro de 2011, mas foi uma situação fortuita devido a uma punição. Isso sem falar de cidades sem clubes que vislumbrem a elite proximamente, como Jacareí ou Franca.

Os torcedores dessas cidades sentem saudades da presença dos clubes grandes; hoje, quando muito, os hospedam na Copa São Paulo de Futebol e Chuva Júnior. Talvez não seja o caso de o Palmeiras realizar um périplo pelo interior – embora um campeonato de primeira fase relativamente tranquila como o Paulistão e a ausência do Palestra sejam uma combinação favorável a isso – mas o clube poderia realizar eventos para agregar a torcida durante as partidas, levando a elas jogadores do presente (suspensos ou lesionados) ou ainda ex-atletas.

Exemplo: Cicinho está suspenso para o jogo de sexta (faça de conta que não é véspera de Carnaval). O clube poderia alugar um espaço em, digamos, Barretos, e levá-lo para acompanhar o jogo ali, junto dos fãs. Já no domingo da semana que vem, que tal se Marcos estivesse em Marília acompanhando o Choque-Rei ali com os torcedores de sua terra? E no Derby? Não seria possível convidar César Maluco para se juntar a seus fãs numa das tantas cidades mencionadas?

O futebol, acreditem, ainda não é só movido a dinheiro, e a paixão latente dos torcedores fisicamente distantes do clube é um ativo que não pode ser desprezado. Por isso cremos ser importante manter um canal aberto com a numerosa massa de palmeirenses dessas regiões. E, se tudo precisar envolver grana, OK: que no dia destes eventos o clube monte uma lojinha para cobrir os desembolsos…

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Wendel é um dos que estão de saída

Ano novo, vida nova. É isso que irá acontecer com alguns atletas do Palmeiras, cujos contratos se estendem somente até o dia 31 de dezembro. A maioria parte sem deixar saudade (se é que partirá mesmo - às vezes aparecem renovações estranhas no apagar das luzes); na realidade, há apenas um nome de maior relevância na lista, aquele que está há mais tempo no grupo, e que conquistou a América e o mundo. Marcos, claro, é um caso à parte e por isso mesmo o único do qual se fala (a propósito, a opinião do blog é que, conquanto gostemos dele, sua aposentadoria já deveria ter se consumado há algum tempo).

Por outro lado, alguns jogadores retornam de empréstimo. Sabemos que apenas uma minoria deve continuar no Verdão; os demais iniciaram um périplo que tende a durar até o fim do contrato. Veja quem são, talvez alguém lhe agrade.

QUEM SAI

Em ordem de quem estreou antes, veja a lista de quem deve seguir seu rumo em outros lugares, aliviando o caixa do clube:

1. Marcos - na verdade, o goleiro tende a permanecer mais alguns meses; nesse caso, poderá chegar à marca de 20 anos debaixo das metas verdes. Alternativamente, pode se despedir no amistoso contra o Ajax. Certo é que se reapresenta no dia 4, com contrato ou sem.

Jogos: 530

Estreia: Esportiva de Guaratinguetá 0 x 4 Palmeiras (16/5/1992)

Último jogo: Avaí 1 x 1 Palmeiras (18/9/2011)

2. Wendel – o volante/lateral veio do time B e estreou numa tremenda fogueira, em mata-mata de Libertadores após a demissão de Leão, e até deu conta do recado no começo. No entanto, perdeu espaço de 2008 em diante, tendo sido emprestado sucessivas vezes para times da Série A, como Santos, Goiás e Atlético-PR. Sua última aparição foi sob o comando de Antonio Carlos.

Jogos: 150 (não marcou)

Estreia: Palmeiras 1 x 1 São Paulo (26/4/2006)

Último jogo: Palmeiras 3 x 2 Sertãozinho (8/3/2010)

3. Luís “Maluco” - o atacante criado por Caio Júnior até marcou dois gols, mas mostrou que habilidade não era seu forte. Nem o  chute, nem posicionamento, nem… Só jogou em 2007 e foi sucessivamente emprestado a Ituano, Juventude, Barueri e Boavista.

Jogos: 13 (2 gols)

Estreia: Palmeiras 0 x 2 Atlético-PR (24/6/2007)

Último jogo: Palmeiras 1 x 0 Fluminense (14/11/2007)

4. Jorge Preá - quando César Sampaio assumiu a gerência de futebol, a primeira lembrança foi do atacante de apelido bizarro e futebol mais ainda. Teve seu momento de glória ao marcar o gol que deu a vitória contra a Lusa no Paulista de 2008 – foi seu único tento. Outro que foi sucessivamente emprestado.

Jogos: 8 (1 gol)

Estreia: Palmeiras 0 x 3 Guaratinguetá (6/2/2008)

Último jogo: Palmeiras 0 x 1 Grêmio (9/11/2008)

5. Lincoln – o jogador de linha mais renomado do grupo que sai atuou pouco e nunca rendeu o que se esperava. Contusões, falta de condicionamento e uma certa, hmmm, apatia acabaram por miná-lo no grupo. Foi rebaixado com o Avaí, mas já assinou com o Coxa. Ainda deve ter uma bela grana a receber do Palmeiras.

Jogos: 49 (6 gols)

Estreia: Santos 3 x 4 Palmeiras (14/3/2010)

Último jogo: América 1 x 1 Palmeiras (7/7/2011)

6. Dinei – ficou marcado pelo golaço que marcou numa partida em que a torcida desejava acima de tudo a derrota. De resto, muito pouco. Retorna ao Atlético-PR, de onde veio por empréstimo (prorrogado duas vezes, vá entender por quê).

Jogos: 35 (4 gols)

Estreia: Palmeiras 1 x 0 Grêmio Prudente (22/9/2010)

Último jogo: Bahia 0 x 2 Palmeiras (26/11/2011)

7. Paulo Henrique – quem era esse mesmo?

Únicos jogos: Santos 1 x 0 Palmeiras, Palmeiras 1 x 2 Fluminense

8. Os que não jogaram no profissional – 14 atletas que passaram pela base ou time B mas que não chegaram a subir também têm vínculo se encerrando. Os mais conhecidos são o goleiro Pegorari, o lateral David (que, emprestado, foi campeão da série C com o Joinville), os zagueiros Cléber e Wellington Silva, o meia Peterson e o atacante Caio Mancha. É possível que boa parte deles permeneça.

QUEM VOLTA

A lista é grande. Mas Felipão já avisou que poucos deles devem ser utilizados. Enquanto isso, mesmo sem préstimos ao clube, o dinheiro ainda cai em suas contas.

1. Willian – o “Coração de Leão” volta do Náutico. Tem contrato até junho, e certamente não será mais aproveitado no Palmeiras, que defendeu pela última vez no mesmo dia da despedida de Wendel.

2. Daniel Lovinho – um dos casos mais difíceis. Jogou pouquíssimo no América-MG e quase nada no Ipatinga. O mercado parece limitado para ele, que tem vínculo por mais dois anos. Talvez algum novato no Paulista possa se interessar.

3. Pierre – o mais famoso dos emprestados, deve permanecer no Atlético-MG; cabe ao Palmeiras conseguir coisa melhor que Rafael Cruz e Ricardo Bueno em troca.

4. Maurício Nascimento – o zagueiro-pugilista retornou do Vitória, e tem destino incerto. Contrato até o fim de 2012.

5. Bruno – o goleiro retorna da Portuguesa, onde não jogou, e é um dos poucos que podem ser aproveitados no ano que vem.

6. Gualberto – o zagueiro volta do ABC, mas não deve ficar muito no clube – só tem contrato por mais um mês.

7. Fabinho Capixaba – ah, esse NÃO volta. Ao menos, não agora – está emprestado para o Criciúma até maio, mas há interesse do Avaí (onde jogou em 2009).

8. Vítor – o lateral retorna do Cruzeiro e tem toda a cara de moeda de troca. Mas não se pode descartar a hipótese de ser o reserva de Cicinho.

9. Luís Felipe – o outro lateral direito emprestado retorna do Bragantino. Agora que fez uma boa série B, poderia ser testado no Paulista, mas não há sinal que isso vai acontecer.

QUEM IA VOLTAR

Alguns jogadores estavam prestes a retornar, mas já acertaram suas vidas:

1. Deyvid Sacconi – renovou seu contrato de empréstimo com o Bragantino. Seu vínculo com o Palmeiras vai até o meio de 2012, mas deve ser prorrogado até o fim do ano que vem para bater com o tempo que deve ficar no Braga.

2. Felipe – o meia que disputou o Brasileiro da Série B pelo Guarani agora jogará o Paulistão pelo Mogi Mirim.

3. Souza – o ruivo volta do São Caetano, mas acertou com o Náutico. Seu contrato dura mais um ano.

4. Murilo Gomes – o zagueiro não chegou a jogar pelo time profissional, mas mesmo assim já rodou: esteve na Ucrânia, e agora vai para o Bragantino. O vínculo dura mais um ano.

5. Anselmo - o volante voltaria do Barueri para seu último semestre de clube, mas já foi reemprestado ao São Caetano.

E é isso. Que a pequena folga gerada pelos contratos que se encerram seja sabiamente usada (sim, ainda sonhamos…).

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Pituaçu: a primeira vez a gente nunca esquece

Foram 1414 horas sem que o palmeirense soubesse o que é acabar uma partida vencendo; curiosamente, as duas vitórias no returno foram contra os nordestinos. Já vínhamos até esquecendo como era o gosto do triunfo, mas ontem todos os piores temores ficaram para trás. Certo, agora fica a chateação de ver que o arquirrival caminha a passos largos para o título – que podemos nem ter a chance de impedir – mas o desgosto fica até menor por vermos que o importante agora era resolvermos nossa própria vida.

Não vai demorar muito (eu diria no máximo 24 horas) para esse alívio passar e o sentimento passar a ser o de frustração. Frustração por ver o ano se resumir a uma fuga de rebaixamento, a uma busca por uma vaga na Copa Sul-Americana (que nem será lamentada se não vier) ou à tentativa de acabar com a festa do Parque São Jorge. Portanto, caros diretores, não há desculpas: é hora de botar o Programa de Aceleração das Contratações pra funcionar. O ideal, vimos dizendo isso desde que a paciência se esgotou naquele empate contra o Atlético-GO, é trocar tudo, do terceiro goleiro ao presidente, passando obviamente pela comissão técnica – podemos poupar os roupeiros e massagistas caso eles não sejam os informantes secretos dos Perrone da vida.

Sabemos que isso não vai acontecer. Boa parte de quem está vai ficar, incluindo o treinador. Por isso mesmo, torna-se ainda mais importante começar hoje mesmo a fechar os negócios (o que é muito diferente de anunciar interesse) que tragam jogadores capazes de compensar a presença dos que ficarão. Diz-se que Wagner está próximo; seria um bom começo, mas faltará mais, muito mais, até que o palmeirense possa começar a ter a sensação de que 2012 pode ser diferente de 2011 e 2010.

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A renovação do elenco não passa só por contratações. Assim que acabar o Brasileiro, vamos analisar o desempenho de nossos jogadores da base e os que voltam de empréstimos para descobrir quem pode ser útil em 2012.

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Agradecemos muito ao personagem talvez mais importante nessa fuga definitiva do rebaixamento: Carlos César Sampaio Campos. Não parece coincidência que estejamos invictos desde que ele se reuniu com o elenco pra tentar acertar os ponteiros.

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A exibição de ontem foi boa dentro dos padrões a que nos acostumamos. Não fossem muitos erros de passe, a vitória poderia ter sido sacramentada ainda no primeiro tempo. Felipão acertou na escalação e nas substituições, e contou com um dia inspirado da zaga, que rebateu praticamente todos os 943 chuveirinhos baianos. Antes disso, nós mesmos havíamos acertado um, e Ricardo Bueno colocou o time à frente.

O gol fez jus à melhor apresentação do Palmeiras até aquele momento. Se de um lado Gerley sofria com Lulinha (problema que foi sanado na segunda etapa), do outro Cicinho não tinha maiores problemas. Tivesse um pouco mais de auxílio de Patrik, poderíamos ter feito mais pela direita – e mesmo assim o camisa 2 teve lá suas chances. Após a abertura do placar, o Palmeiras mostrou uma calma há tempos não vista, o que não significou tanta passividade. O time tentou chegar ao segundo gol, mas não foi bem-sucedido por suas próprias falhas, e porque Valdivia demorou a pegar no breu.

Isso ocorreria somente na segunda etapa, e ali o Palmeiras cansou de perder gols; o mais claro foi o de Gerley, mas houve outras. Do outro lado, o Bahia corretamente resolveu partir pro jogo de matar ou morrer, e começou a assustar. Valeu a solidez da zaga, que até parecia a do começo do ano (que raios aconteceu com o Henrique, hein?). O Verdão foi se segurando, e nos últimos 10 minutos o Tricolor de Aço pareceu ir às cordas. A falta que gerou o Gol Série A 2012 foi típica de um jogador desesperançoso. Marcelo Lomba, até então muito bem, também pareceu desanimado, ciente de que o empate não viria, e perder de um ou de dois não faria muita diferença.

Agora, a luta pela Sul-Americana. Não parece difícil: uma vitória do time titular do Santos contra o Bahia domingo já resolve a situação sem que precisemos suar. Uma derrota do Galo nos dois jogos que faltam também nos serve. Assim, agora o Palmeiras joga para ao menos triunfar nos clássicos. No Derby, a chance de uma vitória épica (ou de carimbar as faixas…); contra o São Paulo, este ano foram dois empates no Morumbi, e o tira-teima pode definir a ida ou não do rival à Libertadores.

A pressão diminuiu, mas por pouco tempo. Que os jogadores estejam cientes que fugir do rebaixamento não é exatamente o que os palmeirenses sonhavam quando o campeonato começou. E que nunca será o objetivo desta torcida que não quer se dobrar à mediocridade, e almeja que o campeão do século XX esqueça os primeiros 11 anos do XXI e retome rapidamente sua senda de conquistas.

Deola – trabalhou pouco, 5

Cicinho – teve muita liberdadee não tanta eficiência, 6

Leandro Amaro – quando não há suspensões nem lesões, mas ainda assim o titular é Leandro Amaro, é porque tem algo errado. Não é culpa dele, que foi bem, 7

Thiago Heleno – livrou-se do fardo de Henrique e voltou a subir, 7

Gerley – sofreu no primeiro tempo, perdeu a chance de brilhar no segundo, 5

Márcio Araújo – cumpriu seu papel, 6

Marcos Assunção – preciso, decisivo, milimétrico, 8

Patrik – melhor que Tinga no quesito disposição e só, 5

Valdivia – demorou a engrenar, mas ajudou na segunda etapa, 6

Ricardo Bueno – pelo menos fez o gol, 6

Luan – a dedicação de sempre, o resultado de quase sempre, 6

João Vítor – entrou pra atrapalhar o Bahia, foi razoável nisso, 5

Dinei e Chico – sem nota, tive que ajudar a mulher a cuidar do moleque e não pude reparar no talento desses monstros sagrados

FICHA TÉCNICA

BAHIA 0 x 2 PALMEIRAS

Local: estádio Pituaçu, em Salvador (BA)

Data: 20 de novembro de 2011, domingo

Horário: 19 horas (de Brasília)

Árbitro: Cláudio Francisco Lima e Silva (CBF-SE)

Assistentes: Dibert Pedrosa Moisés (RJ) e Cleriston Clay Barreto Rios (SE)

Cartões Amarelos: João Vítor (Palmeiras); Fahel (Bahia)

Gols:

PALMEIRAS: Ricardo Bueno, aos 20 minutos do primeiro tempo, e Marcos Assunção, aos 46 minutos do segundo tempo.

BAHIA: Marcelo Lomba; Jancarlos, Paulo Miranda, Titi e Hélder (Maranhão); Fahel, Camacho (Júnior), Diones, Carlos Alberto (Nikão) e Lulinha; Souza

Técnico: Joel Santana

PALMEIRAS: Deola; Cicinho, Leandro Amaro, Thiago Heleno e Gerley; Marcos Assunção, Márcio Araújo, Patrik (João Vítor) e Valdivia (Chico); Luan e Ricardo Bueno (Dinei)

Técnico: Luiz Felipe Scolari

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