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nuncafuisanto

Por Claudio RK

Enquanto o livro sobre Evair e o título de 1993 (co-escrito por Fernando Galuppo) não me cai nas mãos até para fazer um contraponto à extensa série deste blog, falamos hoje sobre a obra anterior de Mauro Beting, que conta as histórias de outro ídolo de igual grandeza no Palestra Itália: Nunca fui Santo, que, claro, tem como tema o ex-goleiro Marcos.

(Na verdade, há outro livro sobre o eterno camisa 12:  Celso de Campos, que também escreveu o livro 1942, havia antes lançado São Marcos de Palestra Itália)

Mauro Beting tem um dos textos mais reconhecíveis da crônica esportiva brasileira, por seu estilo afeito a jogos de palavras, metáforas e aliterações, que por vezes resvalam num certo exagero digno dos Engenheiros do Hawaii. Mas, desta feita, ele põe seu estilo característico um pouco de lado para desfilar de maneira mais direta os causos de Marcos, que são muitos. A ideia parecia ser deixar o texto como se Marcos o estivesse narrando diretamente ao leitor;

Muitas das passagens são conhecidas, ou pelo menos achávamos que as conhecíamos. Ali está a palavra definitiva sobre várias lendas: Marcos era corinthiano? Veio do Lençoense por doze pares de chuteiras? Recusou proposta do Arsenal?

Também temos histórias de bastidores e causos pessoais, como quando o moço de Oriente se propôs a ajudar um rapaz  que não conseguia fazer um Monza pegar. Ele conseguiu dar uma mão, mas…

Não se espere opiniões sobre assuntos de fora do futebol. Política, religião, economia, não tem nada disso e nem é pra ter, que essa coisa de todo ídolo palpitar sobre tudo é bobagem.

É obra de se ler numa sentada só, numa preguiçosa tarde de domingo (sábado é dia de série B) deitado numa rede, pulando-se apenas as partes em que o ex-jogador desfia elogios a seus supostos sucessores no clube. Sabemos bem que Deola e Bruno infelizmente não vestem as luvas do Santo (e, pra ser sincero, creio que o próprio Marcão também tinha consciência disso, mas dentro de sua fidalguia habitual quis dar uma moral para seus colegas, que afinal tinham que conviver com uma enorme pressão por substituí-lo).

O problema é que uma hora o livro acaba, e aí lembramos que sem Marcos as histórias autênticas de um jogador sincero são cada vez mais raras no futebol.

Recomendado para: qualquer um que tenha Marcos em alta conta. Alguém não tem?

Não recomendado para: ah vá. Até Marcelinho Carioca deve ter lido.

Informações:

Livro: Nunca fui Santo
Editora: Universo dos Livros
Preço: R$ 39,90 (mas já dá pra encontrar por menos)

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Na história

Na história

Enfim chega ao fim este atribulado ano de 2012. Só mesmo o Palmeiras para fazer uma temporada com um título nacional terminar com um sabor tão amargo, em que além de lamber nossas feridas ainda precisamos ver os adversários celebrando feitos. Nem secar deu certo.

Nestes 12 meses, o blog do IPE tentou acompanhar a temporada verde ao mesmo tempo em que trouxe histórias, causos e curiosidades. Agora aproveitamos para relembrar o que de mais marcante tivemos no ano em que o mundo não acabou – mas, olha, não teria sido tão má ideia…

Fui

Fui

Janeiro começou com uma bomba: o último bastião dos tempos de glória, o jogador mais capacitado do elenco, o ídolo que permaneceu nesse trepidante século XXI pendurou as luvas. Trouxemos um emocionante depoimento de um de seus inúmeros fãs, e mostramos como as capas dos jornais divulgaram a aposentadoria de São Marcos.

Nessa mesma época, tivemos mais uma Copinha (um torneio que podia ser melhor), em que o Palmeiras parou nas quartas-de-final ao cair contra o Atlético-PR. Um resultado normal, não dá para classificar nem como bom nem como decepcionante. Enquanto isso, o time principal entrava em campo para um amistoso internacional: na vitória contra o Ajax, o tento da vitória foi de Pedro Carmona, que não ficaria muito mais tempo no clube. Logo depois, um início claudicante no Paulista, em que estreamos Daniel Carvalho.

No aniversário da cidade, relembramos os títulos paulistanos do Verdão. E estreamos uma nova seção no blog, falando dos estádios históricos em que pisamos, como o Maracanã e o Centenario.

Cheguei

Cheguei

Em fevereiro, o time engrenou no Paulista: foram seis vitórias (cinco consecutivas, uma delas contra o Santos) e dois empates (um deles contra o São Paulo). Neste mês tivemos a estreia do grande destaque da temporada. Mas Barcos não deixou uma grande primeira impressão – levou apenas nota 4 contra o XV de Piracicaba.

Foi um mês em que apelamos à diretoria para que desse atenção ao torcedor interiorano (o que não é o caso de nenhum dos três editores do blog), e em que demos sequência à série dos jogos inesquecíveis de nossos leitores (foi em fevereiro que tivemos um dos relatos mais tocantes de todos). Ao amigo que quer mandar sua história, o espaço está aberto.

Para encerrar fevereiro, um post que ou faríamos então ou só em 2016: um histórico dos jogos do Verdão em 29 de fevereiro. Quem diria, até taça conquistamos!

Brandão depois eu

Brandão depois eu

As águas de março fecharam o verão e a sequência invicta do Verdão: na 18ª partida do ano e 22ª de invencibilidade, o time caiu. Justo no Derby em que o Palmeiras fez honras ao recém-falecido Chico Anysio, Márcio Araújo preferiu emular os Trapalhões. Antes disso, porém, outra invencibilidade havia começado: na Copa do Brasil, o Palmeiras eliminou o Coruripe. Aliás, é incrível que o Alviverde tenha sido campeão invicto e que tenha começado o ano com tantas partidas sem derrotas e mesmo assim tenha terminado 2012 com o maior número de derrotas de sua históra, 28. A segunda delas, por sinal, veio logo depois do Derby: foi em casa contra o Mirassol, num prenúncio do que viria no Paulistão.

Também antes do Derby, uma marca histórica: Felipão se tornou o segundo técnico com mais partidas no clube nos 6 a 2 contra o Botafogo em Ribeirão Preto. Como homenagem, fizemos uma lista dos 10 principais jogos do gaúcho – claro, a Copa do Brasil deste ano ainda não podia ser contemplada.

Adeus Paulista

Adeus Paulista

Chegamos ao mês em que o Palmeiras afundou duplamente no Paulista: em abril o time principal colecionou tropeços (ah, o que uma derrota no Derby não faz…), terminou a primeira fase empatado com o Bugre – e, como desempates são um mau negócio, o time se despediu no Brinco de Ouro com uma atuação patética (ao que muitos podem replicar: e o que importa o Paulistão hoje em dia?). Enquanto isso, o time B era responsável pelo primeiro rebaixamento do ano: em 2013, vai disputar a série A3.

A queda no Estadual encerrou prematuramente o Troféu IPE (futuro Bola Verde), que criamos para avaliar os melhores jogadores em cada campeonato através das notas dos pós-jogos. O vencedor do Paulistão? Daniel Carvalho. Quem diria…

O que houve de bom no mês? Claro, o prosseguimento na Copa do Brasil, eliminando o Horizonte de cara e deixando o duelo com o Paraná bem encaminhado. E também os 70 anos de Ademir da Guia. Para um clube que infelizmente depende cada vez mais de seu passado, toda homenagem ao Divino é pouca.

Aliás, homenagens não faltaram nesse mês: falamos do centenário do América-MG e, claro, do Santos. Lembramos até da casa do nosso velho rival e freguês.

Esperança

Esperança

Quinze dias de folga e já em maio o Palmeiras voltou a campo para despachar Paraná e Atlético-PR na Copa do Brasil. O Verdão chegava às semifinais, mas estava longe de ser favorito contra Grêmio, Coritiba e São Paulo. Também foi nesse mês que começou o Brasileiro, com uma boa amostra do que viria: nos dois jogos de maio, um empate contra a Lusa (Luan fez o primeiro gol do Brasileiro) e uma derrota para o Grêmio. A zona de rebaixamento se aproximava muito cedo.

Mês de poucos jogos, mas muitas histórias: resgatamos os 10 anos do título baiano do Palmeiras, vimos que o time não é uma mãe no dia delas e levantamos o histórico do clube em finais em campo neutro (pois noticiou-se que a final da Copa do Brasil poderia ser em jogo único).

Por fim, concluímos uma série em que montamos seleções dos melhores jogadores que já tivemos nascidos em cada região do país.

Êxtase

Êxtase

O Palmeiras entrou em campo apenas seis vezes em junho, e só ganhou uma. Mas foi a mais importante delas: na principal atuação do ano, o time derrubou o Grêmio por 2 a 0 na última vez em que pisou no agora saudoso Estádio Olímpico; na volta, um empate bastou para eliminar nossa até então alma gêmea e colocar o clube novamente em uma final após quatro anos de jejum. Enquanto aguardava a decisão, os tropeços no Brasileirão iam se acumulando. Junho terminou com nova derrota no Derby (texto sobre Derby é sempre especial, mesmo na derrota. Por isso linkamos todos).

Aproveitamos junho para polemizar: a lenda de Porcus Tristis procede? E também mostramos que Valdivia estava a ponto de um recorde: o de rei dos cartões nesse século (para constar, obviamente ele conseguiu a proeza semanas depois).

Undecacampeão!

Undecacampeão!

É CAMPEÃO! Em julho, milhões de palmeirenses puderam após longos anos soltar o grito que sucede uma grande conquista. Pela 11ª vez, o Verdão conquistava um título nacional. Batemos o Coritiba na maior partida da história de Barueri e, naquele 11 de julho que sabíamos ser um dia para sempreseguramos o empate no Couto Pereira. Cada um a seu jeito, os três editores da casa fizeram questão de registrar a alegria daquele momento inesquecível. Sem seu principal atacante, com a contratação mais cara tendo se lesionado rapidamente e com o camisa 10 sequestrado e depois suspenso, o Palmeiras mostrou que ainda sabia como dar uma volta olímpica. Para tristeza do blog, fizemos um post com as capas dos noticiários do time seguinte, mas este que vos escreve cometeu um erro grotesco e o perdeu em definitivo.

Campeonato encerrado, Bola Verde também: desta vez, o prêmio ficou com Thiago Heleno. Mais uma vez: quem diria…

Foi também o melhor mês da equipe no Brasileirão – a única sequência de três partidas sem perder foi em julho, contra Coritiba, São Paulo e Náutico. Porém, logo depois julho se encerrou com duas derrotas em que a arbitragem pesou demais, contra Bahia e Cruzeiro. O mês terminava com alguma preocupação, mas muita alegria. Escapar da zona parecia questão de tempo.

Os posts especiais do mês falavam, claro, da decisão da Copa do Brasil: tivemos um quiz sobre Palmeiras x Coritiba, relembramos 1996 e 1998, desfiamos uma série de curiosidades sobre a final e mostramos como o histórico do Palmeiras e da Copa do Brasil indicavam que nossa vantagem era grande.

Também não sabíamos se Betinho jamais marcaria outro gol (no fim, fez mais um) e por isso relembramos aqueles que só partiram pro abraço uma única vez enquanto vestiram nosso manto. E, em mês de Olimpíadas, listamos quem foi aos Jogos disputar futebol vestindo as cores do Palmeiras.

O terror do Botafogo

O terror do Botafogo

As únicas alegrias de agosto vieram contra clubes cariocas: em que pese uma derrota para o Flu exatamente na hora no encerramento dos Jogos Olímpicos, o Palmeiras bateu o Flamengo e duas vezes o Botafogo (para este, perdeu uma mas mesmo assim levou a vaga na Sula). De resto, uma série de resultados ruins que, a partir do jogo contra o Santos que encerrou o primeiro turno, puseram o Verdão novamente na zona de rebaixamento, de onde o time não mais sairia. O mês terminou com o jogo símbolo da queda: os 0x3 contra a Lusa. Tivéssemos vencido aquele jogo, talvez não passássemos o resto do campeonato correndo atrás, o que é sempre pior.

A maratona de jogos impediu que o blog se dedicasse mais a outros temas. Mas deu tempo para falar dos estrangeiros convocados enquanto jogavam no Palmeiras – claro, em alusão a Barcos, chamado para a seleção argentina – e para listar os 98 maiores jogos dos 98 anos de vida do Verdão (OK, sejamos sinceros: só entraram partidas de 1988 pra cá…).

Caiu

Caiu

Em setembro, Felipão caiu após três derrotas seguidas, Narciso foi interino na terceira derrota da temporada contra o arquirrival (e pela primeira vez o Corinthians teve 100% de aproveitamento num ano com mais de duas partidas) e Kleina assumiu ganhando suas duas primeiras partidas. Setembro começou em queda livre, o Derby parecia nos ter levado às cordas, mas ainda assim o mês terminou com um sopro de esperança. Pena que o Pacaembu, que se mostrou tão vibrante contra a Ponte Preta, não poderia mais ser uma arma. Obrigado a você que atirou cadeiras no gramado, parte da queda é mérito seu.

Em meio à depressão com a iminente queda, só deu pra buscar ânimo no que a história dizia sobre troca de treinadores. E, no melhor estilo rir para não chorar, vimos por que Tirone e Frizzo quase fecharam com Falcão.

Último alento

Último alento

O efeito Kleina ainda durou na primeira partida de outubro, a vitória contra o Millonarios. A realidade, porém, veio rápido: três derrotas seguidas, entre elas o terrível tropeço contra o Coritiba, adversário direto na estreia em Araraquara, colocaram o Verdão a um passo do precipício. Um pequeno alento veio com a vitória contra o Bahia fora de casa, seguida por outra contra o Cruzeiro – que, não sabíamos, seria a última do ano.

Os sete dias seguintes, porém, foram outro balde de água fria: o time reserva caiu em Bogotá dando adeus ao treino pré-Libertadores e em seguida no jogo do gol de Barcos anulado por interferência externa (e qualquer outra coisa que se diga não muda a essência do que houve: um flagrante desrespeito às regras do jogo. Naturalmente não estamos falando do argentino).

Com apenas cinco jogos por fazer, terminava o outubro vermelho.

O fim

O fim

18 de novembro de 2012. Mais uma data negra para a rica história alviverde: dez anos e um dia após a primeira descida ao inferno, a Sociedade Esportiva Palmeiras, pseudodirigida por uma trupe de incompetentes, volta a encarar o lado B do Brasileiro.

O Palmeiras agonizou pouco a pouco: contra o Botafogo, um empate inútil ainda que tardio. Já ali o blog jogou a toalha; restava partir para a ironia. Mas o time ainda lutou contra o Fluminense; na primeira partida em que matematicamente o time podia ser rebaixado, nova derrota em uma exibição até decente guardadas as proporções do nível das equipes. No fim, servimos pelo segundo ano seguido de coadjuvante na festa do campeão brasileiro – taí algo que não vai acontecer em 2013…

E contra o Flamengo o tubo foi desligado – na verdade, não exatamente ali, mas pontualmente às 21:20 daquela noite de domingo, ao término de Portuguesa 2 x 2 Grêmio que deu à Lusa o ponto que precisava para não ser alcançada por nós. Alguns rojões estouraram em torno de São Paulo; como é certo que não eram torcedores rubroverdes, só podia ser uma homenagem ao respeito que o alquebrado alviverde imponente ainda impõe a seus rivais.

Trouxemos as capas de jornais do dia seguinte, pois não são só os dias de glória que devem ser lembrados. A dor pode mobilizar, embora isto não tenha ocorrido da outra vez. E o fato de que em 2013 a série B não deve ser complicada pode muito bem iludir a diretoria – a torcida, esta está escaldada.

A limpa começou nos dias seguintes, e um elenco renovado foi a campo nas duas rodadas/derrotas finais.

Só eu vim

Só eu vim

Em dezembro, apenas um jogo. Depois, o silêncio, as trevas e melhor nem falar o que se passou nos rivais. Reforços? Apenas Fernando Prass acertou neste mês. Como alento, um sorteio de Libertadores que nos remete a alguns períodos de brilho no ano que virá. Série B sim, mas ainda com altivez.

Quer dizer, altivez no que toca a qualquer um que não seja cacique no Palestra, porque nas entranhas da gestão alviverde tudo continua errado como em 2002. Que em 2013 o novo presidente faça um trabalho realmente bom (não basta desejar que seja melhor que Tirone, isso eu faria sem problemas), e nos devolva o orgulho novamente roubado. Mas os Tirones passam e o Palmeiras sempre ficará.

Números da temporada:

  • 78 jogos, com 30 vitórias, 16 empates e 28 derrotas
  • 107 gols marcados, 94 sofridos, saldo ainda incrivelmente positivo de 13
  • Artilheiros: Barcos 28, Marcos Assunção 10, Maikon Leite 9, Mazinho 6, Henrique e Luan 5, Juninho 4, Valdivia, Artur, Daniel Carvalho, Patrik, Leandro Amaro, Obina e Fernandão 3, Betinho, Correa, Thiago Heleno, João Vitor, Ricardo Bueno, Tiago Real e Patrick Vieira 2, Vinícius, Márcio Araújo, Román e Pedro Carmona 1 e um gol contra.

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Um momento de insanidade

Há momentos de catarse que só o futebol proporciona. Foi o que percebeu Kristian Bengtson, dono do provavelmente único blog do Verdão em inglês, o Anything Palmeiras, e com absoluta certeza o mais fanático palmeirense sueco, que relata aqui quando isso aconteceu.

*

Um zumbido nos ouvidos e a sensação de leveza na cabeça preocupam um pouco. Idem o coração martelando forte no peito. Estou nitidamente fora de forma. Busco apoio na parede do corredor, enquanto traço meu caminho de volta, sentindo minha testa já molhado de suor apesar da explosão de atividade ter sido tão breve.

Passo em frente a uma porta que não estava aberta segundos atrás e que já vai se fechando novamente. Passo por outra, e outra semi-aberta, também a ponto de se fechar.

Um pouco mais adiante, meu colega me observa, lentamente sacudindo a cabeça. Passo também pela porta do quarto onde ele está hospedado e ameaço abrir um sorriso ao escutar um “Maluco, vai se tratar!” antes de a porta dele também se fechar.

Estou novamente sozinho, no fim do corredor do Hotel Internacional, em Campo Grande, às 23h43 no dia 19 de agosto de 2010. Minha insanidade barulhenta e triunfal durou menos de 30 segundos. Se bobear, o jogo nem recomeçou após Assunção ter colocado a gorduchinha na gaveta! Mas recomeçar por quê? Foi praticamente o último lance do jogo! Palmeiras classificado!

Viro a maçaneta. Solto um suspiro. Desço novamente o corredor todo, agora menos triunfal, rumo ao lobby, pedir ajuda para abrir a maldita porta trancada.

*

CONTEXTO

Era a primeira fase da Copa Sul-Americana de 2010, e o Palmeiras havia levado 2 a 0 em Salvador. Não parecia que o time que caíra para o Atlético-GO na Copa do Brasil teria forças para reagir. Mas havia uma grande esperança aos olhos do torcedor: era a oitava partida de Felipão desde seu retorno, e a primeira em que o espírito dos anos 90 deveria prevalecer. Na noite em que Marcos completava sua quingentésima partida pelo Verdão tudo deu certo – tão certo que até Tadeu marcou dois de seus únicos três gols no clube. E a cereja do bolo foi a estupenda cobrança de falta de Marcos Assunção, com quem o palmeirense ainda não estava acostumado (foi apenas seu segundo gol pelo clube).

Por uma noite, os palestrinos reviveram tempos de glória.

FICHA TÉCNICA

PALMEIRAS 3 x 0 VITÓRIA

Local: Estádio do Pacaembu, em São Paulo (SP) Data: 19 de agosto de 2010, quinta-feira Horário: 21h50 (de Brasília) Renda: R$ 437.422,00 Público: 21.950 pagantes (458 não pagantes) Árbitro: Heber Roberto Lopes (Brasil) Assistentes: Erich Bandeira e Dibert Pedrosa (ambos do Brasil) Cartões amarelos: Eduardo (Vitória) Gols: PALMEIRAS: Tadeu, aos 47 minutos do primeiro tempo e aos 12 minutos do segundo tempo; Marcos Assunção, aos 44 minutos do segundo tempo.

PALMEIRAS: Marcos; Maurício Ramos, Danilo e Fabrício (Ewerthon); Márcio Araújo, Edinho, Marcos Assunção, Tinga e Rivaldo; Luan (Patrik) e Tadeu Técnico: Luiz Felipe Scolari

VITÓRIA: Viáfara; Eduardo Diniz, Anderson Martins, Wallace e Egídio; Vanderson, Ricardo Conceição, Ramon (Neto Coruja depois Renato) e Thiago Humberto; Elkeson e Schwenck (Junior) Técnico: Toninho Cecílio.

NO DIA SEGUINTE

A Folha conseguiu captar a importância daquele momento, mesmo sendo apenas a primeira fase do torneio

RELEMBRE

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Adoro capas de jornais. São um jeito bom de, no futuro, ver de relance o que foi importante em determinado dia. Por isso, separamos aqui algumas capas de jornais paulistas de ontem (não encontramos destaque em veículos de outros Estados) que fizeram referência à pendurada de luvas de Marcão.

As ausências propositais são de O Estado de S. Paulo, pelo pequeno destaque, e do Marca Campeão, que preferiu falar do protesto e disse que a aposentadoria era para “desviar o foco”.

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Eterno

Por Vinícius Baratta*

No meio da tarde de 4 de janeiro de 2012, um amigo liga: “Baratta, tá vendo as notícias? Não? Bom… tô ligando pra avisar que o Marcos parou”.

Foi como se um amigo de longa data tivesse partido dessa pra melhor. Primeiro, atônito com a notícia, fiquei sem reação. Um “não pode ser” foi o máximo que consegui verbalizar.

O futebol me proporcionou muita coisa, coisa ruim, coisa boa. O Marcos, não. Foram só coisas boas. Todo moleque que se apaixona por futebol tem ídolos, são eles que alimentam essa paixão louca pelo clube do coração. Me apaixonei de verdade pelo Palmeiras em 1999, aos berros de “MAAAAAAAAAARCOS”, quando acompanhei a campanha que colocaria o nome da Sociedade Esportiva Palmeiras na base da taça que o rival jamais conquistará. 

Neste ano iniciou-se a canonização do rapaz de Oriente, que saiu do banco de reservas palestrino, operou milagres e conquistou devotos e apóstolos alvi-verdes. Só que não vou chamá-lo de “Santo”. Marcos foi e sempre será aquilo que gostaríamos de ser: uma pessoa simples, honesta e sincera que conquistou o mundo por suas qualidades e defeitos. Marcos está para o futebol como o grande exemplo de humanidade do futebol. E é por isso que, sendo ou não o goleiro titular da seleção brasileira na última taça importante que a CBF conquistou, Marcos já era querido por muitos torcedores e não-torcedores Brasil afora. Mesmo após ser um dos responsáveis pelo gol na final do mundial do mesmo ano, Marcos continuou sendo ídolo da torcida palmeirense. Na boa? Aquilo nem importa mais nesse momento…

Marcos nunca foi um goleiro espalhafatoso. Sempre teve classe. Foi o melhor goleiro que este mundo viu jogar. Que eu vi jogar. Que a geração de toda uma nação, canarinho e alvi-verde, viu jogar. E hoje ele nos deixa órfãos de seu futebol. De sua categoria, de seu amor à camisa e à profissão, de seu exemplo de profissional, líder e torcedor! Hoje, o Santo prova que é humano, tal qual eu e você, leitor. Ele esvazia o armário que lhe pertenceu por 19 anos na Academia de Futebol. Portanto, o dia 4 de janeiro de 2011 é um dos dias mais tristes da minha vida. E da existência do futebol. A partir desta data, Marcos não vai mais pisar como goleiro titular no estádio, nem no velho nem no novo Palestra. Não veremos mais o número “12” debaixo das traves que o consagraram, não teremos mais entrevistas até a madrugada, contando como era boa a vida das pescarias, as frases épicas, piadas com sotaque caipira, como foi bom jogar aquela partida pelo Palmeiras ou como a diretoria deveria se coçar por reforços (Deus, como isso fará falta). Não teremos mais Ele batendo nos braços pedindo garra pros companheiros. Não vamos mais escutar o capitão no vestiário, dizendo “eu não vou perder. Eu não vou ter medo de errar. Se eu errar, foda-se, mas eu não vou perder”. Não serei cego a ponto de dizer que ele deixa um vazio, já que construiu uma história que vamos contar para filhos e netos e amantes do futebol.

Foi em 4 de maio de 2008 que a Sociedade Esportiva Palmeiras levantou seu último caneco. E esta foi  última taça que Ele levantou pelo Palmeiras. Naquela tarde de domingo em que fomos campeões paulistas pela 24ª vez em nossa história, com uma campanha irretocável capitaneada por Ele. Marcos me fez chorar igual criança quando, ao som do hino do Palmeiras correu tresloucado em volta do velho (e saudoso) Palestra Itália (após ser substituído por Diego Cavalieri), batendo no escudo do clube do coração Dele (e do meu também). Ele correu os quatro cantos do estádio, repetindo o gesto de carinho com aqueles que o admiram. As lágrimas me permitiram vê-lo esmurrando o próprio peito, de tanto orgulho que Ele tinha de estar ali. E foi no mesmo Palestra que vi Sua Santidade saindo pela última vez do nosso querido Jardim Suspenso, num 4×2 em cima do Grêmio de Porto Alegre. Não saí do estádio enquanto Ele não saía do campo.

Sempre gostei de ir ao estádio torcer pelo Palmeiras. E quando Ele estava em campo, era uma coisa diferente. Era uma vibração diferente. Vê-lo saudando a torcida, ajoelhado sob as traves… aquilo tudo era épico. Ùnico. Sempre que via o Marcos jogar, pensava: “Aproveita, por que um dia Ele pára. E as coisas perderão um pouco o sentido que têm”. A cada defesa d’Ele, vibrava como se fosse um gol, melhor, uma vitória! Vários milagres aconteceram perante meus olhos e, mesmo buscando a lógica, era impossível compreender! Como Ele poderia ficar suspenso no ar? Como ele, com seus 37 anos, poderia ter agilidade pra fazer uma defesa igual daquelas (escolha aleatoriamente, não importa)? Com todo o histórico de lesões? Ainda lembro a minha ansiedade em vê-lo pisar em campo quando voltei a frequentar estádios, em 2006… naquele ano, não pude fazê-lo. Nem seque lembro de quando foi que o vi em ação novamente, mas lembro bem que a sensação era de conforto por tê-lo defedendo a nossa meta.

Tive oportunidade de encontrá-lo em 2008, quando ele estava em fase final de recuperação para assumir a faixa de capitão e titularidade do último grande elenco que tivemos. Quando me aproximei, juro que não consegui falar, de tanto que eu gaguejava. Apenas consegui balbuciar “foto?”, apontar para o japonês com a câmera e abraçá-lo, posando para a tal foto. Parecia que Ele tinha três metros de altura! Tirou uma foto comigo, apertou minha mão e eu pude, pessoalmente, lhe dizer “muito obrigado por tudo que você fez pra gente.” Ele simplesmente acenou e disse: “Magina, não foi nada”. Nada pra você, Marcão, que conquistou o mundo.

Dizem que Marcos já não tem mais condições físicas de jogar. Para cada ano de carreira, ele ganhou uma lesão! E não tou falando de estiramento na coxa não. O cara quebrou dedo, braço, fíbula, punho, estourou joelho, braço e a puta que pariu. E quantas vezes não se quebrou por ser um jogador “limpo”? Em 2007, quebrou o braço numa dividida em que qualquer goleiro iria se defender (e machucar o adversário). Não o fez e se quebrou. E junto com ele, a torcida se quebrava também, e a cada lesão, a gente dividia (ou tentava) dividir a dor com Ele.

Marcos Roberto Silveira Reis, o maior jogador de futebol para a minha geração de palestrinos, palmeiristas e palmeirenses. Você é responsável por um grande e importante pedaço da História do Campeão do Século. Passam Sacomanis, Contursis, Belluzzos e Tirones, mas o sobrenome “Silveira Reis” está eternizado na grandeza da Sociedade Esportiva Palmeiras ao lado de “da Guia”, “Fiúme” e “Oliveira” (os dois). A Sua Santidade, o meu (nosso) mais sincero muito obrigado. Ao Marcão, a minha (nossa) reverência. Ao Marcos, a sensação de que podemos ter sucesso, superar desafios e sermos os melhores naquilo que fazemos, sem deixar de lado a humildade e o respeito pelo próximo.

Hoje Marcos, você me fez chorar igual criança outra vez.

Um abraço emocionado e até breve.

*Baratta é provavelmente mais fã de Marcos do que os três editores juntos, por isso foi convidado a deixar seu registro desse dia tristemente histórico

*

Os números de Marcos? Bom, ele é o sétimo atleta que mais vestiu o manto, com 530 partidas. Mas há muito mais curiosidades no site oficial, confira.

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Wendel é um dos que estão de saída

Ano novo, vida nova. É isso que irá acontecer com alguns atletas do Palmeiras, cujos contratos se estendem somente até o dia 31 de dezembro. A maioria parte sem deixar saudade (se é que partirá mesmo – às vezes aparecem renovações estranhas no apagar das luzes); na realidade, há apenas um nome de maior relevância na lista, aquele que está há mais tempo no grupo, e que conquistou a América e o mundo. Marcos, claro, é um caso à parte e por isso mesmo o único do qual se fala (a propósito, a opinião do blog é que, conquanto gostemos dele, sua aposentadoria já deveria ter se consumado há algum tempo).

Por outro lado, alguns jogadores retornam de empréstimo. Sabemos que apenas uma minoria deve continuar no Verdão; os demais iniciaram um périplo que tende a durar até o fim do contrato. Veja quem são, talvez alguém lhe agrade.

QUEM SAI

Em ordem de quem estreou antes, veja a lista de quem deve seguir seu rumo em outros lugares, aliviando o caixa do clube:

1. Marcos - na verdade, o goleiro tende a permanecer mais alguns meses; nesse caso, poderá chegar à marca de 20 anos debaixo das metas verdes. Alternativamente, pode se despedir no amistoso contra o Ajax. Certo é que se reapresenta no dia 4, com contrato ou sem.

Jogos: 530

Estreia: Esportiva de Guaratinguetá 0 x 4 Palmeiras (16/5/1992)

Último jogo: Avaí 1 x 1 Palmeiras (18/9/2011)

2. Wendel – o volante/lateral veio do time B e estreou numa tremenda fogueira, em mata-mata de Libertadores após a demissão de Leão, e até deu conta do recado no começo. No entanto, perdeu espaço de 2008 em diante, tendo sido emprestado sucessivas vezes para times da Série A, como Santos, Goiás e Atlético-PR. Sua última aparição foi sob o comando de Antonio Carlos.

Jogos: 150 (não marcou)

Estreia: Palmeiras 1 x 1 São Paulo (26/4/2006)

Último jogo: Palmeiras 3 x 2 Sertãozinho (8/3/2010)

3. Luís “Maluco” - o atacante criado por Caio Júnior até marcou dois gols, mas mostrou que habilidade não era seu forte. Nem o  chute, nem posicionamento, nem… Só jogou em 2007 e foi sucessivamente emprestado a Ituano, Juventude, Barueri e Boavista.

Jogos: 13 (2 gols)

Estreia: Palmeiras 0 x 2 Atlético-PR (24/6/2007)

Último jogo: Palmeiras 1 x 0 Fluminense (14/11/2007)

4. Jorge Preá - quando César Sampaio assumiu a gerência de futebol, a primeira lembrança foi do atacante de apelido bizarro e futebol mais ainda. Teve seu momento de glória ao marcar o gol que deu a vitória contra a Lusa no Paulista de 2008 – foi seu único tento. Outro que foi sucessivamente emprestado.

Jogos: 8 (1 gol)

Estreia: Palmeiras 0 x 3 Guaratinguetá (6/2/2008)

Último jogo: Palmeiras 0 x 1 Grêmio (9/11/2008)

5. Lincoln – o jogador de linha mais renomado do grupo que sai atuou pouco e nunca rendeu o que se esperava. Contusões, falta de condicionamento e uma certa, hmmm, apatia acabaram por miná-lo no grupo. Foi rebaixado com o Avaí, mas já assinou com o Coxa. Ainda deve ter uma bela grana a receber do Palmeiras.

Jogos: 49 (6 gols)

Estreia: Santos 3 x 4 Palmeiras (14/3/2010)

Último jogo: América 1 x 1 Palmeiras (7/7/2011)

6. Dinei – ficou marcado pelo golaço que marcou numa partida em que a torcida desejava acima de tudo a derrota. De resto, muito pouco. Retorna ao Atlético-PR, de onde veio por empréstimo (prorrogado duas vezes, vá entender por quê).

Jogos: 35 (4 gols)

Estreia: Palmeiras 1 x 0 Grêmio Prudente (22/9/2010)

Último jogo: Bahia 0 x 2 Palmeiras (26/11/2011)

7. Paulo Henrique – quem era esse mesmo?

Únicos jogos: Santos 1 x 0 Palmeiras, Palmeiras 1 x 2 Fluminense

8. Os que não jogaram no profissional – 14 atletas que passaram pela base ou time B mas que não chegaram a subir também têm vínculo se encerrando. Os mais conhecidos são o goleiro Pegorari, o lateral David (que, emprestado, foi campeão da série C com o Joinville), os zagueiros Cléber e Wellington Silva, o meia Peterson e o atacante Caio Mancha. É possível que boa parte deles permeneça.

QUEM VOLTA

A lista é grande. Mas Felipão já avisou que poucos deles devem ser utilizados. Enquanto isso, mesmo sem préstimos ao clube, o dinheiro ainda cai em suas contas.

1. Willian – o “Coração de Leão” volta do Náutico. Tem contrato até junho, e certamente não será mais aproveitado no Palmeiras, que defendeu pela última vez no mesmo dia da despedida de Wendel.

2. Daniel Lovinho – um dos casos mais difíceis. Jogou pouquíssimo no América-MG e quase nada no Ipatinga. O mercado parece limitado para ele, que tem vínculo por mais dois anos. Talvez algum novato no Paulista possa se interessar.

3. Pierre – o mais famoso dos emprestados, deve permanecer no Atlético-MG; cabe ao Palmeiras conseguir coisa melhor que Rafael Cruz e Ricardo Bueno em troca.

4. Maurício Nascimento – o zagueiro-pugilista retornou do Vitória, e tem destino incerto. Contrato até o fim de 2012.

5. Bruno – o goleiro retorna da Portuguesa, onde não jogou, e é um dos poucos que podem ser aproveitados no ano que vem.

6. Gualberto – o zagueiro volta do ABC, mas não deve ficar muito no clube – só tem contrato por mais um mês.

7. Fabinho Capixaba – ah, esse NÃO volta. Ao menos, não agora – está emprestado para o Criciúma até maio, mas há interesse do Avaí (onde jogou em 2009).

8. Vítor – o lateral retorna do Cruzeiro e tem toda a cara de moeda de troca. Mas não se pode descartar a hipótese de ser o reserva de Cicinho.

9. Luís Felipe – o outro lateral direito emprestado retorna do Bragantino. Agora que fez uma boa série B, poderia ser testado no Paulista, mas não há sinal que isso vai acontecer.

QUEM IA VOLTAR

Alguns jogadores estavam prestes a retornar, mas já acertaram suas vidas:

1. Deyvid Sacconi – renovou seu contrato de empréstimo com o Bragantino. Seu vínculo com o Palmeiras vai até o meio de 2012, mas deve ser prorrogado até o fim do ano que vem para bater com o tempo que deve ficar no Braga.

2. Felipe – o meia que disputou o Brasileiro da Série B pelo Guarani agora jogará o Paulistão pelo Mogi Mirim.

3. Souza – o ruivo volta do São Caetano, mas acertou com o Náutico. Seu contrato dura mais um ano.

4. Murilo Gomes – o zagueiro não chegou a jogar pelo time profissional, mas mesmo assim já rodou: esteve na Ucrânia, e agora vai para o Bragantino. O vínculo dura mais um ano.

5. Anselmo – o volante voltaria do Barueri para seu último semestre de clube, mas já foi reemprestado ao São Caetano.

E é isso. Que a pequena folga gerada pelos contratos que se encerram seja sabiamente usada (sim, ainda sonhamos…).

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Claro que estamos aqui!

Por Claudio RK

Amanhã é dia de festa para os palmeirenses. Se hoje conseguirmos reverter a situação na Sul-Americana, comemoraremos em dobro. Se não der, OK: nem a disputaríamos se naquela quarta-feira, 26 de agosto de 1914, 46 pessoas não se reunissem no Salão Alhambra, na Rua Marechal Deodoro (hoje General Olímpio da Silveira) para formalizar o nascimento da Società Palestra Italia.

Claro que não vamos desfiar a história do Palmeiras inteira hoje; contamos partes dela periodicamente aqui no blog – amanhã mesmo, por exemplo, você verá qual aniversário coincidiu com uma grande festa. Preferi uma homenagem mais lúdica; para isso, decidi usar um recurso clássico de quem não sabe exatamente o que preparar: um ranking. No caso, o dos 97 melhores jogadores que vi com a camisa verde.

Vai ter muito nome aqui que você olhará e dirá: “esse cara está louco”. Bom, muitos de vocês, como eu, começaram a acompanhar o Palmeiras na draga dos anos 80; e sabem como é. Ficamos desesperados para colocar Julinhos, Jaires e Ademires, mas não: aqui só tem gente de 1987 em diante. Ou seja, há nomes nem sempre ilustres.

Também evitei adotar critério de simpatia. Se jogou bem, entrou, por mais que a torcida (eu inclusive) não suporte ver o sujeito; o exemplo óbvio está na 66ª posição. Da mesma forma, evitei ao máximo valorizar jogadores que são/foram mais queridos do que propriamente bons jogadores. Tonhão, por exemplo, não entrou. Por fim, procurei colocar jogadores de todas as posições: um volante pode ser melhor que um atacante se em sua especialidade ele for mais competente.

O ranking completo foi feito por mim, mas os colegas do blog Álvaro e Pedro Ivo também têm seu Top 10; compare-os e, se for o caso, internem-me…

Sem mais delongas, assuste-se e divirta-se com os 97 INQUESTIONAVELMENTE melhores atletas que desfilaram pela Sociedade Esportiva nos terríveis anos 80, maravilhosos anos 90 e turbulentos anos 00.

(obs: o ano citado é apenas uma referência para o leitor diferenciar xarás ou identificá-los prontamente)

97 Caio (M, 2007)   88 Martinez (V, 2008)
96 Daniel (Z, 2003)   87 Jackson (M, 1999)
95 Muñoz (A, 2001)   86 Paulo Isidoro (M, 1995)
94 Maurício Ramos (Z, 2009)   85 Denílson (A, 2008)
93 Juninho (M, 2000)   84 Tuta (A, 2001)
92 Alex Alves (A, 1995)   83 Danilo (Z, 2009)
91 Pena (A, 2000)   82 Fernando (V, 2000)
90 Magrão (V, 2004)   81 Washington (A, 2005)
89 Asprilla (A, 2000)      
         
80 Elivélton (A, 1996)   70 Paulo Baier (M, 2006)
79 Cicinho (LD, 2011)   69 Viola (A, 1997)
78 Daniel Frasson (M, 1993)   68 Claudio (LD, 1994)
77 Lúcio (LE, 2003)   67 Osmar (A, 2004)
76 Leandro (LE, 2008)   66 Neto (M, 1989)
75 Marcinho (M, 2005)   65 Edmílson (A, 2003)
74 Maurílio (A, 1993)   64 Keirrison (A, 2009)
73 Jean Carlo (M, 1993)   63 Nen (Z, 2005)
72 Obina (A, 2009)   62 Thiago Heleno (Z, 2011)
71 Pierre (M, 2008)   61 Amaral (V, 1993)
         
60 Agnaldo (Z, 1998)   50 Alex Mineiro (A, 2008)
59 Lino (V, 1987)   49 Henrique (Z, 2008)
58 Sérgio (G, 1993)   48 Marcos Assunção (V, 2011)
57 Juninho (M, 2005)   47 Diego Cavalieri (G, 2007)
56 Dida (LE, 1992)   46 Taddei (V, 2000)
55 Galeano (V, 1999)   45 Kléber (A, 2011)
54 Márcio Araújo (V, 2011)   44 Toninho (Z, 1991)
53 Léo Lima (V, 2008)   43 Gaúcho (A, 1988)
52 Cleiton Xavier (M, 2009)   42 Lopes (M, 2001)
51 Gamarra (Z, 2005)   41 Jorginho (A, 1991)
         
40 Júnior (V, 1989)   30 Zetti (G, 1987)
39 Correa (V, 2005)   29 Rincón (V, 1994)
38 Careca (A, 1989)   28 Vágner Bacharel (Z, 1986)
37 Pedrinho (M, 2001)   27 Júnior Baiano (Z, 1999)
36 Luizão (A, 1996)   26 Valdivia (M, 2008)
35 Betinho (M, 1992)   25 Paulo Nunes (A, 1999)
34 Müller (A, 1996)   24 Edu Manga (M, 1987)
33 Diego Souza (M, 2009)   23 Flávio Conceição (V, 1996)
32 Rogério (V, 1999)   22 Oséas (A, 1999)
31 Euller (A, 1999)   21 Edílson (A, 1993)
         
20 Djalminha (M, 1996)   15 Jorginho (M, 1986)
19 Cafu (LD, 1996)   14 Cléber (Z, 1994)
18 Mirandinha (A, 1986)   13 Vágner Love (A, 2003)
17 Roberto Carlos (LE, 1993)   12 Roque Júnior (Z, 1999)
16 Velloso (G, 1994)   11 Arce (LD, 1999)

E enfim, ss 10 primeiros são:

10. Mazinho: no Palmeiras, começou como lateral-direito e foi ótimo. Depois, como volante, foi ótimo. E quando precisou jogar no meio, foi ótimo – e foi assim que roubou a vaga de Raí na Copa de 1994 e, aos seus títulos no Verdão, somou uma Copa do Mundo.

9. Zinho: divide com Mazinho os mesmos títulos, e ainda conquistou a Copa do Brasil e a Libertadores. Meia que como poucos sabia organizar o time, de quebra abriu o placar na partida que marcou toda uma geração

8. Antonio Carlos: mais um da turma que tirou o Palmeiras da fila. Zagueiro clássico, mas que sabia brigar quando era preciso. O melhor defensor do clube desde a saída de Luís Pereira.

7. Júnior: sempre o considerei um excepcional jogador. Foi importantíssimo nas Libertadores de 1999 e 2000, e também fazia seus gols. Jogou uma partida na Copa de 2002 e foi eleito o melhor em campo.

6. César Sampaio: outro da turma de 1993/1994/1999. Além de ser um excelente marcador, sabia sair pro jogo e ainda detinha uma liderança natural que muito contribuiu para uma equipe em que nem sempre as estrelas falavam a mesma língua.

5. Edmundo: genial e intempestivo, o Animal foi brilhante em sua primeira passagem pelo clube, contribuindo decisivamente para a sequência de títulos de 1993 e 1994. Ganhou um Rio-São Paulo quase sozinho.

4. Alex: meia brilhante; capaz de construir jogadas, dar aquele passe crucial e ainda tinha um bom faro de gol para alguém de sua posição. Não à toa passou três vezes pelo clube – quando saía, a saudade era muita…

3. Marcos: que nos perdoem excepcionais arqueiros como Oberdan, Valdir de Moraes e Leão, mas o camisa 12 é definitivamente o maior goleiro da história do Palmeiras. O busto é questão de tempo.

2. Evair: El Matador era artilheiro, exímio cobrador de pênaltis e ainda por cima aprendeu a ser arco, além de flecha. Fosse só por seu talento, talvez ficasse um pouco mais abaixo no ranking; é, porém, o jogador mais querido por inúmeros palmeirenses, entre eles eu mesmo. Logo, coerência não se aplica pra ele, que tem que ficar no topo.

1. Rivaldo: ele não conquistou tantos títulos quando os demais, pois sua passagem foi mais curta. E foi curta porque seu imenso talento chamou a atenção dos espanhóis. Se ao estrear foi alvo de desconfiança por ter passado pelo arquirrival (e hoje é alvo de certo rancor por jogar em outro), é inegável que um protagonista de título da Copa do Mundo que também eleito Bola de Ouro da Fifa é evidentemente um jogador raro. Os europeus, na verdade, só podem lamentar: não viram os primeiros anos de brilho de Rivaldo, o maior jogador a vestir a camisa do Palmeiras desde a aposentadoria de Ademir da Guia.

Rivaldo chegando em 1994: o maior desde a Academia

 
A sua opinião, claro, deve ser diferente. Veja abaixo que nem entre o triunvirato que vos oferece este humilde blog chegamos a um consenso:
 
  Claudio RK   Álvaro   Pedro Ivo
           
1 Rivaldo   Marcos   Evair
2 Evair   Rivaldo   Rivaldo
3 Marcos   Edmundo   Edmundo
4 Alex   Alex   Marcos
5 Edmundo   Evair   César Sampaio
6 César Sampaio   Arce   Alex
7 Júnior   Oséas   Mazinho
8 Antonio Carlos   Paulo Nunes   Zinho
9 Zinho   César Sampaio   Júnior
10 Mazinho   Flávio Conceição   Antonio Carlos
 
E você? Qual o melhor jogador que você viu com a camisa do Palmeiras, ao menos dentre estes que vimos a partir dos anos 80? Deixe sua opinião registrada aí embaixo!
 

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