Bem-vindos à nova seção do blog! Em “Cultura Alviverde”, faremos resenhas de livros, filmes e o que mais apareça ligado ao Verdão. Considerando a enxurrada de material que deve ser lançada em breve por ocasião do centenário, cremos que material para análise não faltará. E para celebrar esta nova coluna, nada melhor que uma promoção, certo? Por isso, sortearemos entre os leitores um exemplar do livro sobre o qual falaremos nesta edição inaugural.
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Por Claudio RK
Existe um certo preconceito contra livros cujo tema é futebol; muitas vezes eles pecam por superficialidade e parcialidade. Confesso que foi esperando por ambos os defeitos que comecei a ler 1942, o Palestra vai à guerra, de Celso de Campos Jr., obra que narra o período turbulento em que o Palestra se tornou Palmeiras. Mas me surpreendi de forma bastante positiva, especialmente no primeiro quesito.
Percebe-se facilmente que o autor investiu tempo em sua pesquisa. As fontes são inúmeras, e poucos detalhes importantes escaparam; o clima vivido pelo Palmeiras – e pela sociedade paulistana e brasileira – é descrito de forma a não deixar dúvidas sobre como o Estado Novo e alguns de seus integrantes ameaçavam a própria existência do Palestra Italia, e de como a história da sobrevivência de nosso clube vai muito além da troca de nome. Você sabia que o clube quase nem participou do Paulista de 1942, ponto central em nossa história?
O livro alterna as descrições dos cenários político e esportivo daquele ano; ao mesmo tempo em que procura mostrar como o ambiente internacional evoluiu de modo a envolver o Brasil na guerra, destacando obviamente os ataques a navios locais por submarinos germânicos, traça um belo resumo do que foi o Campeonato Paulista daquele ano não somente a partir do ponto de vista alviverde, como também mostrando como os rivais se prepararam (somente a bombástica contratação de Leônidas da Silva pelo São Paulo merece algumas páginas, uma deferência justa).
O estilo do autor particularmente me agradou porque se assemelha ao que tentamos fazer aqui no blog em nossos textos sobre momentos históricos – não só descrever o fato, como todo o contexto em que ele se deu. E aí entendemos como as inúmeras intervenções do governo getulista não deram alternativa à diretoria palestrina. Era se reinventar ou ter um destino assemelhado ao da Associação Alemã de Esportes, que cedeu o Canindé – sim, o terreno onde hoje se situa o estádio da Lusa – ao São Paulo por, digamos, livre e espontânea decisão de fora.
Se a riqueza de histórias, detalhes e causos é preciosa e em minha opinião justifica amplamente por si só a leitura, no quesito “parcialidade” ficam algumas dúvidas. É fato que o Palestra Itália definitivamente não era o clube da predileção da elite paulista, porém o quadro pintado é de que ninguém apoiava o time da Água Branca; naquela época, contudo, o tamanho de nossa torcida era semelhante ao do Corinthians, senão maior. Por mais que o São Paulo Futebol Clube tivesse apoio maciço na imprensa – e Paulo Machado de Carvalho, este que vai saber por quê nomeia o Estádio Municipal, tem sua ação detratória muito bem explicitada - é difícil entender como uma equipe de tão poucos torcedores e sócios (algo destacado por Campos Jr.) conseguia exercer tal influência sobre as outras agremiações. Fiquei com a mesma sensação que tenho sobre a imprensa atual – ora de que os palmeirenses somos injustiçados ao extremo, ora de que somos algo (e “algo” é um eufemismo) paranoicos.
O ano foi passando e o Palestra Italia, que já havia mudado de nome uma vez, se viu forçado a fazê-lo novamente, isso às vésperas do Choque-Rei que poderia decidir o campeonato (e, numa das poucas omissões graves, o autor não diz o que aconteceria caso o Tricolor vencesse a partida e depois terminasse o certame empatado conosco. Haveria jogo-desempate, nos diz Jota Christianini, nosso desafogo nas horas difíceis). O relato da partida que decidiu o torneio, o primeiro jogo da história da Sociedade Esportiva Palmeiras, é o clímax da obra, e as 10 páginas dedicadas a ela são lidas de uma só vez. É um momento que nos traz um orgulho incomparável de termos sangue verde correndo em nossas veias, e que deveria fazer muita gente que hoje tem poder no clube corar de vergonha pelo que se esforçam em nos diminuir. Apesar disso, um clube que triunfou naquelas circunstâncias, amigos, não tem como perder sua grandeza.
O projeto gráfico também merece menção. Senti falta de fotos “de cara limpa” – o trabalho de Gustavo Piqueira sempre tem algum texto de jornal, alguma coloração sobre os retratos; fica contudo a impressão que a opção foi esta porque a qualidade do material à disposição não era das melhores. Ao longo do livro, vamos nos habituando a esse estilo, e ao fim e ao cabo é necessário reconhecer: se pode não ser plenamente de agrado de todos, em compensação cumpre sua função: é chamativo e nos faz ver e rever as imagens, cada vez encontrando algo que nos havia passado despercebido.
Uma sugestão para uma futura reedição: colocar um índice remissivo. Volta e meia aparece um nome que já tínhamos lido, mas queremos relembrar em qual situação. E uma ressalva: um livro que em minha opinião se destacou justamente por ser tão factual, por deixar pouco passar batido, não precisava terminar num tom tão subjetivo, pinçando cartas de leitores de jornais da época. OK, é um retrato até válido daquele momento, porém escorrega para uma chacota desnecessária. Os fatos por si só já deveriam envergonhar aqueles que fugiram de campo no dia em que o Palmeiras nasceu campeão.
Recomendado para: qualquer palmeirense, claro, mas também para quem queira conhecer um pouco do cenário político do período de guerra e/ou do cenário esportivo do início dos anos 40, quando vários craques perderam a chance de ter seus nomes mais lembrados por não poderem disputar uma Copa do Mundo.
Não recomendado para: quem acha injusto o juiz ter mandado voltar a cobrança do Pato.
Informações:
Livro: 1942 – O Palestra vai à guerra, de Celso de Campos Jr.
Ilustrações: Gustavo Piqueira
Projeto gráfico: Casa Rex
Formato: 16×23 cm, 320 páginas (impressão do miolo em cores, encadernação em capa dura e formato diferenciado)
Editora: Realejo
Preço: R$ 84,90
O autor: Celso de Campos Jr. é formado em Jornalismo pela Cásper Líbero e em História pela Universidade de São Paulo. Escreveu “Adoniran – Uma biografia” e “São Marcos de Palestra Itália”, além de ser um dos autores do livro “Nada mais que a verdade – A história do jornal Notícias Populares”.
O ilustrador: Gustavo Piqueira é um dos designers brasileiros mais premiados aqui e no exterior. É proprietário do estúdio de design “Casa Rex”, com sedes em São Paulo e Londres.
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Promoção! Que tal poder conferir as mais de 300 páginas do livro na faixa? O IPE reservou um exemplar para nossos leitores, que só precisam responder três perguntinhas de pai pra filho. Estas aqui:
1. Entre Palestra Italia e Palmeiras, o Verdão teve um outro nome, que usou em quase todo o Paulista de 1942. Qual foi?
2. Qual foi o dia, mês e ano em que ocorreu a primeira partida da Sociedade Esportiva Palmeiras?
3. O técnico que nos conduziu àquele título tinha sido campeão também no ano anterior, pelo arquirrival. Qual seu nome?
Mande as respostas para blogdoipe@gmail.com com nome completo e endereço. Sortearemos a obra entre todos que gabaritarem.
Você tem até dia 16 para concorrer, e o resultado sai na semana seguinte. Boa sorte!










