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Posts Tagged ‘Vanderlei Luxemburgo’

Ainda sem terno, Luxa começava seu maior desafio

Ainda sem terno, Luxa começava seu maior desafio

Amigo leitor, para o capítulo de hoje é imprescindível esquecer o Luxemburgo que conhecemos hoje. Apague o tetracampeão paulista pelo Verdão e o partícipe do rebaixamento de 2002; o pentacampeão brasileiro e o que enrolado com o fisco; o que dirigiu o Real Madrid e o que se envolveu em negócios nebulosos; o homem que apregoa que o medo de perder tira a vontade de vencer e o que apanhou recentemente em partida no Chile. O personagem que assumiu o comando técnico da Sociedade Esportiva Palmeiras naquele dia 20 de abril de 1993 um dia seria tudo isso, mas naquele momento ainda era um não tão conhecido Wanderley (com W e Y) Luxemburgo da Silva, e é ele quem apresentaremos.

No currículo, um título Brasileiro da série B e um notório Paulista em 1990 com o Bragantino, na famosa “final caipira” contra o Novorizontino de Nelsinho Baptista (a quem novamente derrotaria em 12 de junho de 1993). A bela passagem por Bragança chamou a atenção do Flamengo, clube de seu coração e pelo qual havia atuado por oito anos como lateral-esquerdo; a trajetória no Rubro-Negro, no entanto, foi atribulada (como seria novamente quatro anos depois), e ele caiu pouco após o Brasileiro de 1991.

Luxemburgo retornaria ao interior paulista, desta vez ao Guarani, onde ficou por apenas dois meses. Saiu mas nem precisou mudar de cidade, pois assumiu a Ponte Preta, que comandou durante mais de um ano, com uma suspensão de 50 dias no meio por agredir um árbitro. Já em 1992 tinha recebido um convite para treinar o Palmeiras após a queda de Nelsinho; recusou por não querer quebrar o contrato com a Macaca, na época controlada pela família Chedid, a mesma do Bragantino em que fora rei.

Quando o novo convite veio, ele estava desempregado; havia deixado a Ponte há algumas semanas. Desta vez a negociação avançou – ele recebia US$ 10 mil mensais em Campinas e passaria a receber 80% a mais no Palestra, o mesmo salário de seu antecessor.

O treinador que estava prestes a completar 40 anos se tornou naquela terça o 33º e último comandante palestrino nos dias de jejum. Assumiu o cargo em coletiva às 14 horas na qual transpareceu alegria, que contagiou o vice-presidente Affonso della Monica, que disse que “era desse vigor que o time precisava”.

Seu contrato ia até o fim do ano, mas ele não quis esperar para começar: naquela mesma noite, sentou-se no banco de reservas ao lado de Raul Pratali – pela segunda e última vez oficialmente técnico – na partida de volta contra o Vitória na Copa do Brasil. O time vinha de derrota por 2 a 1 e precisava de vitória simples, mas o jogo não saía do zero.

A esperança ia minguando, mas aos 31 minutos do segundo tempo Maurílio – malquisto pela torcida e efetivamente em péssima jornada – recebeu centro de Daniel, driblou o zagueiro e marcou o sofrido gol que valeria a primeira vez no ano em que o Palmeiras derrubaria o Vitória em um mata-mata. A torcida explodiu no irônico grito que entitula o texto, testemunhado por este redator. O próximo adversário seria o Grêmio, mas o mais importante era recuperar a paz perdida. Luxemburgo começara com o pé direito; dois dias depois, teria sua estreia oficial, na cidade de Americana. Uma nova era estava se iniciando.

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Nelsinho Rosa: o primeiro da lista disse não

Nelsinho Rosa: o primeiro da lista disse não

A segunda-feira foi de intensa especulação e negociação para se definir quem seria o novo técnico do Palmeiras. O tema eclipsou a preparação para a decisão do dia seguinte contra o Vitória pela Copa do Brasil, o que até foi bom para tirar os holofotes do elenco, que não teria vários jogadores.

Nelsinho Rosa, campeão brasileiro de 1989 pelo Vasco, era o preferido de grande parte da diretoria e dos “cariocas” do elenco (Zinho, Edmundo, Mazinho); ele, porém, nem quis ouvir a proposta, pois por questões de negócios e de saúde preferiu permanecer no Rio. O segundo nome da lista era Wanderley Luxemburgo, que terminou a segunda bem encaminhado; faltava conversar com sua família, mas toda a imprensa dava como certa a contratação. De toda forma, havia já um plano B, que atendia por Antonio Lopes.

Para criar um clima mais positivo ainda, a diretoria acenava com reforços – o nome que circulava no dia era o do zagueiro paranista Gralak, que, como sabemos, (por sorte) não veio.

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Foram 57 jogos no comando do Palmeiras, com 33 vitórias, 13 empates, 11 derrotas e um vice-campeonato paulista. Otacílio Gonçalves, que estreou na casamata verde no dia do 78° aniversário do Alviverde Imponente, não resistiu à pressão de torcida e, por que não dizer, imprensa. Sua saída foi anunciada na manhã do sábado que precedia o Choque-Rei, embora na verdade o treinador já houvesse pedido demissão na tarde da sexta-feira, dia 16, mas solicitado à diretoria que não vazasse a notícia para poder descansar um pouco.

O fato é que os dirigentes de Palmeiras e Parmalat não estavam dispostos a demiti-lo; claro que havia a voz das numeradas, os famosos corneteiros amendoins, mas da parte de quem efetivamente mandava não havia sinal de dispensa. Gilberto Cipullo e Seraphin del Grande ressaltaram que a decisão realmente partira do próprio Chapinha, que alegara que vitórias consecutivas não trariam paz; bastaria uma derrota para que as crises voltassem – e nisso ele estava coberto de razão, pois foi exatamente o que ocorrera naquela semana.

Inegavelmente o já então ex-treinador teve dignidade. Logo após a derrota para o Mogi, questionado sobre as vaias que ouvira, ele foi de uma sinceridade cortante: disse que o torcedor tinha todo direito de protestar, ainda mais aquele que há 16 anos não via seu time triunfar. Esse estilo deixou marcas no elenco: por mais que se falasse na falta de pulso no comando das estrelas, o gaúcho tinha a simpatia de grande parte do plantel; César Sampaio, Antonio Carlos e Mazinho, entre outros, demonstraram chateação, e não havia motivo para crer que não fosse verdadeira.

Enfim, Otacílio Gonçalves da Silva Júnior havia deixado o Palmeiras após 23 rodadas do Paulistão, e posteriormente assumiria o Atlético Mineiro. Teria sua parcela na conquista que viria dali a 15 jogos e dois meses, mas por uma decisão que demonstrou bastante desapego, pensada para o bem dele e também do clube, ficou como mártir pelo caminho. Será que o destino do campeonato teria sido o mesmo se ele tivesse permanecido?

E o futuro? Raul Pratali, ex-goleiro e então treinador do time sub-20 (e hoje secretário de Esportes de Cravinhos, interior paulista), seria o responsável por conduzir o time no clássico e no decisivo jogo contra o Vitória pela Copa do Brasil dali a três dias (o Verdão havia perdido por 2 a 1 na ida). Mas é claro que ele não seria efetivado, e os nomes já circulavam.

Seis nomes eram ventilados, cinco deles sem emprego. Na pole position, estavam um ex-técnico da Seleção Brasileira, Sebastião Lazaroni, e o campeão paulista de 1990 pelo Bragantino, Wanderley Luxemburgo. Porém também eram citados Nelsinho Rosa (campeão brasileiro de 1989 pelo Vasco, não confundir com Nelsinho Baptista, que estava no Corinthians), Cilinho, Falcão e, o único em atividade, Oswaldo Alvarez.

Convenhamos: nenhum deles era um nome que empolgava o torcedor, que liderava o campeonato, mas temia ser um cavalo paraguaio. O Palmeiras, como sempre, pegava fogo.

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César e Ademir: dois bróders de sucesso no Palestra

Este texto dá início a uma série de posts cuja origem é singela: há algumas semanas, este redator viu na Marginal Pinheiros um carro de Pontalina (GO), cidade de cuja existência ele só sabia por ser a terra natal de Paulo Nunes. Daí para a ideia de agregar os principais jogadores que passaram pelo Verdão por sua região de nascença foi um pulo: afinal, se já fizemos uma seleção dos estrangeiros que passaram pelo Palestra (e também uma dos artilheiros), por que não montar a dos cariocas, paulistas e assim por diante?

Nesta e nas próximas cinco semanas, você confere os times que montamos; por fim, tentaremos determinar o vencedor de um hipotético campeonato entre as esquadras. Quem é seu favorito? Eis os contendores, pela ordem dos posts:

1. Seleção carioca (OK, o gentílico correto é “fluminense”, mas contamos com vossa compreensão)

2. Seleção paulista

3. Seleção mineira

4. Seleção nordestina

5. Seleção sulista

6. Seleção dos demais Estados

Por nenhum critério racional – ou a presença do Divino, talvez? – começaremos pelos nativos do Rio de Janeiro. E aqui está o time, mermão:

1. Aymoré – o goleiro e futuro treinador jogou pouco, apenas 29 vezes, mas conquistou o tri paulista em 1934. Leva a vaga em detrimento de Aníbal, campeão em 1959, porque teve maior sequência como titular.

2. Claudio – a lateral direita não é uma posição em que tivemos grandes atletas do Rio. Fica aqui este que, se não era um craque, também não comprometia, e foi multicampeão no Palestra nos anos 90

3. Aldemar - ficou conhecido como “o melhor marcador de Pelé” após a decisão do Supercampeonato Paulista de 1959. Além disso, disputou outras 206 partidas em seus cinco anos de clube, ganhando nosso primeiro Brasileiro e outro Paulista.

4. Djalma Dias - a disputa é renhida, pois havia outras ótimas opções. Ficamos, porém, com um dos titulares da primeira Academia, jogador de grande técnica que chegou a jogar com Aldemar e portanto ainda por cima traz um bom entrosamento para o miolo de zaga.

5. Vágner Bacharel – aqui, o primeiro improviso de vários que esta série exigirá, já que apenas na seleção paulista haverá jogadores suficientes para todas as posições. Bacharel fica aqui por ter sido um excelente zagueiro, e atletas de alto nível podem render em outras posições (melhor provavelmente que as opções “naturais” para a posição, Rocha ou Magrão). Também devemos valorizar aqueles que, mesmo atuando nas fases de vacas magras, jogaram muito bem pelo Verdão.

6. Zinho - eis mais uma gambiarra. Mas, cerebral como era, o atleta campeão do mundo em 1994 – e que fez o primeiro gol da inesquecível decisão de 1993 – certamente faria bom papel também na lateral.

7. Humberto Tozzi – artilheiro duas vezes do Paulistão, tem uma das maiores médias de gols da história do clube (0,93 gol/jogo), jogou a Copa de 1954

8. Jair Rosa Pinto - o meia foi responsável direto pelo título paulista de 1950, no famoso Jogo da Lama. Mas não era apenas de raça que se valia Jajá – era um jogador muito habilidoso e ídolo por onde passou.

9. César – o segundo maior artilheiro da história do Verdão (e maior em Campeonatos Brasileiros) faz jus à posição de centroavante da equipe.

10. Ademir da Guia – precisa explicar?

11. Jorge Mendonça – um meia de faro de gol apuradíssimo, autor do gol do título paulista de 1976 e de mais uma centena de tentos com a camisa verde.

Técnico: o Palmeiras contou com Aymoré Moreira, que já ocupa a camisa 1 deste time e até Copa do Mundo conquistou. Mas no Verdão houve outro carioca que, em meio a intermináveis polêmicas, brilhou mais. Falamos, claro, de Vanderlei Luxemburgo, dono de quatro títulos paulistas, dois brasileiros e um Rio-São Paulo.

O ofensivo banco de reservas poderia contar com Aníbal, Sarno, Rocha, Romeiro, Cabeção, Edmundo e Vágner Love.

Como não torcer para um time desses?

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Evair marca o segundo gol em dia de festa inigualável

Vários jogadores já declararam que aquela foi a partida mais importante de suas carreiras. Se para profissionais com rodagem por tantos clubes é assim, como poderia ser diferente para a torcida do Palmeiras? Esse é o depoimento de Cristiano Liveraro, que apesar de psicólogo não suportou seu caso de amor e ódio com São Paulo e decidiu viver na praia.

Um aviso ao amigo leitor: se essa (ou outra já publicada) é a partida que você guarda no coração, mande seu relato assim mesmo: mais que o jogo em si, o que importa é como você viveu aquele dia. Envie sua história para blogdoipe@gmail.com.

*

Não poderia iniciar esta breve narrativa daquele que foi, até o presente momento de minha estada neste plano na qualidade (literal, porque torcer para o Palestra Itália é, acima de tudo, uma virtude) de torcedor do Palmeiras, sem agradecer a oportunidade da equipe do IPE. Honrado.

O momento todo que contextualizou o prélio propriamente dito foi muito especial para mim. Retornando pouco mais de trinta anos no tempo, quando eu contava com três anos a serem completados e ainda sem nenhuma noção do que era o futebol de fato, o Palmeiras havia sido campeão paulista, último título antes do fatídico período que classificado de “vagas magras” seria injustamente raso para com o sofrimento que gerado à massa de sangue verde. Portanto, praticamente até o ano de 1993, onde aconteceu meu jogo inesquecível, eu não havia visto meu time ser campeão desde que fui apresentado a este mundo maluco. Brinco com os amigos que, para despeito de muitos que bradam aos quatro cantos que são “palmeirenses de verdade” porque são concreteiros, que nessa qualidade estão aqueles que torceram pra o time durante 20 anos sem vê-lo levantar uma taça sequer, sem gritar “é campeão!”, mas não esmoeceram e acreditaram que toda a “tiração” suportada anos a fio seria recompensada. E foi.

Então estamos em 1993, primeira quinzena de junho, semana que antecedeu o dia 12. Mais uma vez estávamos numa final, contra o rival, e o primeiro jogo foi aquela coisa: derrota com direito a provocação. E braba. A semana foi tensa. Muito tensa. No trabalho, na faculdade, na casa da ex- namorada. Esta última um reduto gambá. Eram, entre pai, mãe e irmãos, seis. Evitava falar ao telefone com qualquer um para não ficar mau humor. O mesmo filme, a mesma praça, o mesmo banco, o mesmo jardim. Mais um ano na fila, mais tiração de sarro, mais sofrimento. Tudo isso de novo. E a pergunta que mais recorria era “até quando?”.

Quisera as deusas que eu estivesse na casa da ex-namorada naquele 12 de junho de 1993, até porque era dia dos namorados. Devidamente trajado com o manto sagrado e de uma coragem que só palmeirenses podem entender, postei-me diante da televisão junto com os seis da família dela e mais dois agregados. Uma ilha verde no rio Tietê. Ao lado do sofá o patriarca da família havia postado um saco grande cheio de rojões para comemorar o já contado título gambá. Pressão psicológica.

A situação era complicada. Com a vitória no primeiro jogo, o rival precisava de um empate. Ao Palmeiras era ganhar no tempo normal e pelo menos empatar na prorrogação. Missão dura, mas que começou

a ser cumprida aos 36 do primeiro tempo com um chute indefensável de Zinho. E o primeiro grito de gol solto da garganta desde o último domingo, dado com gosto em meio aos que praguejavam e lamentavam. Intervalo e um misto de alegria e medo se agitavam na cabeça e no coração. Segundo tempo e aos 29 o Matador completa jogada do genial Mazinho e mete na rede. Mais um gol, mais um grito. Mais lamentações e impropérios dos que me rodavam. A certeza e as esperanças se avivariam de vez aos 38 minutos, em uma tentativa frustrada pela trave de Evair que resultou num rebote para Edilson capeta meter nas redes.

A esperança aumentava na mesma proporção que a tensão. Havíamos feito o resultado, o time estava empolgado e motivado. Há quem diga que a provocação de Viola no primeiro jogo estimulou os jogadores, o que é muito provável. E com dez minutos de prorrogação, numa cobrança de pênalti dele, o Matador, fazia-se mais um capítulo de glória, dentre tantos, do time mais vencedor do século XX. E o grito de campeão, ao final do jogo, até então inédito deste sofrido torcedor ecoava para muito além das orelhas que sofreram ao meu redor. Copiosamente, ajoelhado no centro da sala, chorava como criança pequena, aliviado e feliz. O pai gambá caminhou em minha direção, me parabenizou e entregou-me o saco de fogos para que o verdadeiro campeão pudesse comemorar.

O jogo é emblemático para muitos torcedores, próximos inclusive, por conta de toda a mística que envolveu, mas para cada um teve um significado diferente dentro da apaixonada fantasia nutrida por aqueles que se arrepiam a cada entrada no gramado do Alvi-Verde Imponente! Este foi o meu.

*

CONTEXTO

Dezesseis anos e dez meses de jejum pairavam sobre a cabeça do elenco e da torcida antes da decisão do Paulista de 1993. Com uma campanha impecável, o Palmeiras liderou a primeira fase, e venceu seu grupo no quadrangular com seis vitórias em seis jogos. Na primeira partida da decisão, porém, um gol de Viola logo no início trouxe uma derrota que despertou o temor de que o Corinthians vingasse 1974. Porém, como sabemos, não foi bem isso o que aconteceu naquele inesquecível Dia dos Namorados…

FICHA TÉCNICA

12/06/1993 – PALMEIRAS-SP 3 (1) x (0) 0 CORINTHIANS-SP – CAMPEONATO PAULISTA

Estádio Cícero Pompeu de Toledo – Morumbi – São Paulo / SP – Brasil – Público: 104.401 pagantes – Renda: Cr$ 18.154.900.000,00

Árbitro: José Aparecido de Oliveira (SP)

Palmeiras: Sérgio, Mazinho, Antônio Carlos, Tonhão, Roberto Carlos, César Sampaio, Daniel Frasson, Edílson (Jean Carlo), Zinho, Edmundo, Evair (Alexandre Rosa) – Técnico: Wanderley Luxemburgo

Corinthians: Ronaldo, Leandro Silva, Marcelo Djian, Henrique, Ricardo Evaristo, Ezequiel, Marcelinho Paulista, Paulo Sérgio, Adil (Tupãzinho / Wílson), Viola, Neto – Técnico: Nelsinho Baptista

Cartões amarelos: Roberto Carlos, Mazinho, Zinho, Edmundo (Palmeiras), Henrique, Marcelo Leandro, Ronaldo, Neto (Corinthians)

Cartões vermelhos: Tonhão (Palmeiras), Henrique, Ronaldo, Ezequiel (Corinthians)

Gols: Zinho (Palmeiras), 36 min primeiro tempo, Evair (Palmeiras), 28 min, Edílson (Palmeiras), 38 min segundo tempo, Evair (Palmeiras) (pênalti), 10 min primeiro tempo prorrogação

NO DIA SEGUINTE

Não fomos apenas campeões: de acordo com a Folha, fomos SUPERcampeões. Confira, tentando não se abater com a primeira página, que deveria ser épica mas é coberta de propaganda.

REVEJA

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Dia de clássico, estádio cheio, obrigação de vitória cumprida, não sem algum drama. Que mais é necessário para um jogo daqueles que não sairão da memória? É essa a partida que nossa amiga e leitora de primeira hora, a jornalista Ana Kabbach, levará pra sempre consigo. Eis seu relato:

Difícil eleger apenas um jogo inesquecível do Palmeiras. Até porque, no final de tudo, todos eles são. Seja aquele jogo emocionante ou entediante, eles sempre ficam na memória. Quem é que não lembra o placar daquele jogo antigo, morno, que não valia nada? Ou quem esquece aquele clássico decisivo? Seja no sofá ou na arquibancada, pra quem é palestrino de verdade, todos os jogos são memoráveis.

Talvez o meu jogo inesquecível tenha sido o Chocolate com Pimenta (semifinal do Campeonato Paulista em 2008 – Palmeiras x São Paulo). Não tive a oportunidade de frequentar muito a arquibancada dessa minha segunda casa. Mas, quando paro pra pensar nos jogos em que fui, esse é o primeiro que vem na minha cabeça, até mesmo por todo o clima (delicioso) de rivalidade.

Alguém lembra do impasse de conseguir que o Palestra fosse sede para esse jogo? Ter conseguido isso foi uma das demonstrações da disposição do Clube em garantir uma competição honesta, a despeito de interesses mal disfarçados. Mas enfim…

Logo depois disso, pessoalmente, tudo começou com o pedido de autorização pra ir ao jogo. Porque, claro, uma menina indo a um clássico sempre preocupa o velho e poderoso chefão. Depois de tudo ok, lembro de chegar ao redor do Palestra e sentir aquele clima intenso, como todo o reforço policial e cavalaria maior que o normal. Os ânimos estavam à flor da pele e, eu, ansiosa por conseguir viver tudo aquilo.

Ver o time decidido e em busca de bons resultados, além de ver o Valdívia honrar o manto sagrado com futebol de primeira, deixava o sorriso no rosto por todos aqueles 90 minutos. Afinal, era época do Mago dizer “Valdívia não provoca. Futebol de Valdívia provoca” (bons tempos, aliás). E foi bem isso que aconteceu. Irritadinho com as graças do Mago, o tal cobrador de falta não se aguentou e sentou um bofetão na cara do Valdívia que, lógico, não perdeu tempo e fez seu dramalhão. Fez esquentar ainda mais o jogo.

Se ainda não bastasse a partida em sim, algo bem inusitado aconteceria. Além do apagão no estádio, que deixou o jogo atrasado por alguns minutos, foi o dia do famoso Gás de Pimenta. Os jogadores do SPFW saíram do vestiário alegando que alguém (não lembro se houve culpado ou não) teria jogado um gás de pimenta, o que impediria a presença deles por lá, esquentando ainda mais os ânimos.

Tudo isso foi construindo o que hoje eu chamo de meu jogo inesquecível. Inesquecível pelas circunstâncias e pelo resultado. Afinal, meu primeiro clássico foi com pé direito: ganhamos com classe e ainda eliminamos o timeco da competição!

*

CONTEXTO

Era a partida de volta da semifinal do Paulistão de 2008. O Palmeiras havia perdido no Morumbi por 2 a 1, com direito a gol de mão de Adriano, e precisava vencer por qualquer placar. A pressão por nove anos de jejum se fazia sentir, mas o time vinha de uma longa sequência de bons resultados (interrompidos apenas por aquela derrota na primeira partida) e estava num momento de grande confiança.

FICHA TÉCNICA

Palmeiras 2 x 0 São Paulo

Data: 20 de abril de 2008 (domingo)
Horário: 16h (de Brasília)
Árbitro: Wilson Luiz Seneme (Fifa-SP)
Assistentes: Emerson Augusto de Carvalho e Vicente Romano Neto (SP) (SP)
Renda: R$ 1.144.355,00
Público: 27.680 pagantes
Cartões amarelos: Élder Granja, Valdívia (Palmeiras), Dagoberto, Fábio Santos, Jorge Wagner, Rogério Ceni (São Paulo)
Cartão vermelho: Martinez (Palmeiras), André Dias (São Paulo)

GOLS: Léo Lima, aos 22 minutos do primeiro tempo, Valdívia, aos 39 minutos do segundo tempo

PALMEIRAS: Marcos; Élder Granja, Gustavo, Henrique e Leandro; Martinez, Léo Lima, Diego Souza (Wendel) e Valdívia; Kléber (Denílson) e Alex Mineiro (Lenny); Técnico: Wanderley Luxemburgo

SÃO PAULO: Rogério Ceni; Alex Silva, André Dias e Miranda; Joílson (Sérgio Mota), Hernanes, Fábio Santos, Jorge Wagner e Júnior (Hugo); Dagoberto (Borges) e Adriano; Técnico: Muricy Ramalho

NO DIA SEGUINTE

A Folha de S. Paulo do dia seguinte até que demorou para citar o caso do gás. Antes disso, ressaltou até mesmo a falha de Rogério Ceni, quem diria.

MELHORES MOMENTOS

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Evair marca no Morumbi: em 1993, o hepta

Em 19 de dezembro de 1993, o Palmeiras voltou a conquistar o Brasil. Depois de 20 anos sem o título nacional, a nova Academia conquistava seu terceiro troféu do ano, o heptacampeonato brasileiro.

A competição teve seu início em setembro e, pela primeira vez em muitos anos, trazia o Alviverde menos pressionado. Afinal, o jejum se fora com a conquista do Paulistão no inesquecível Derby de 12 de junho; de quebra, levamos também o Rio-São Paulo contra o mesmo Corinthians. O ambiente melhor, aliado à força daquele elenco e à fome de uma torcida que começava a conhecer o gosto do triunfo, fazia do Palmeiras um dos favoritos ao título.

A fórmula, como costumava ser naqueles tempos, era uma bagunça: para evitar que o Grêmio, rebaixado em 1991, não subisse no ano seguinte, a CBF decidiu em 1992 promover 12 times ao primeiro escalão, em vez dos dois originalmente previstos. Dos 20 clubes que o Brasileirão teve naquele ano, passaríamos a 32. Foi uma medida que acertou no que viu, já que o Grêmio ficou na nona posição da Segundona; os promovidos, caso se mantivesse a regra usual, teriam sido Paraná e, ora vejam, o Vitória.

Para complicar ainda mais, os clubes foram divididos em quatro grupos, sendo que nos dois primeiros só haveria os membros do Clube dos 13, mais Bragantino, Sport e Guarani, que tinham feito boas campanhas no Brasileiro de 1992. E nesses grupos ninguém poderia cair – os oito clubes rebaixados seriam definidos apenas entre os times claramente considerados de segunda linha, abrigados nos outros dois grupos. Ao menos estes teriam chances de ser campeões – dois deles avançariam aos quadrangulares finais, juntando-se aos seis melhores dos grupos “de elite”. Como veremos, isso foi fundamental na história do campeonato.

O Palmeiras participava do grupo B, com Santos, Fluminense, Vasco, Atlético-MG, Grêmio, Sport e Guarani. Dentro do grupo, haveria jogos em turno e returno, com os três primeiros avançando. No outro grupo, os demais grandes clubes, o que significava que, mesmo que fosse adiante, o Verdão deixaria de enfrentar rivais tradicionais, como o então campeão Flamengo, o Botafogo e, no fim, o próprio Corinthians.

Demorou um pouco, mas o Palmeiras engrenou. Nas cinco primeiras rodadas, o Palmeiras empatou fora e ganhou em casa (exceção à derrota na Vila Belmiro). Mas uma bela vitória nas Laranjeiras, quando o time abriu 4 a 0 e depois relaxou, permitindo ao Fluminense marcar duas vezes, deu início a uma série de sete vitórias consecutivas. Com isso, o Palmeiras obteve vaga com antecedência, e nem outra derrota para o Santos, dessa vez no Palestra, tirou a liderança da chave – que curiosamente teve como classificados os três times paulistas.

Os quadrangulares semifinais reuniram cinco times paulistas advindos da fase de grupos mais o Flamengo e os dois sobreviventes dos grupos “de baixo”, Remo e Vitória. Apenas o vencedor de cada chave avançaria rumo à decisão e, dadas as campanhas da fase inicial, parecia claro quais times seriam: se de um lado o Palmeiras mostrara sua força com 10 vitórias, 2 empates e 2 derrotas, do outro a campanha de nosso arquirrival era ainda melhor: foram 10 vitórias e 4 empates do time agora treinado por Mario Sérgio (Nelsinho Baptista não resistiu às duas decisões perdidas para nós).

Curiosamente, a primeira rodada dos quadrangulares reservou dois clássicos paulistas: no grupo E, o Corinthians bateu o Santos por 3 a 2. No dia seguinte, empatamos com o São Paulo pelo grupo F, 1 a 1. Nosso grupo parecia indefinido, e realmente seria assim pelas três rodadas seguintes, já que Palmeiras e São Paulo venceram seus confrontos sobre Remo e Guarani.

Enquanto isso, do outro lado, a invencibilidade alvinegra cairia por terra em Salvador na segunda rodada: 2 a 1 para o rubro-negro (um deles marcado por nosso futuro atacante Alex Alves). O Vitória, que já tinha batido o Flamengo, assumia a liderança. Enquanto isso, os cariocas empatavam com o Santos, resultado que começava a tirar ambas as equipes da disputa – até porque as quatro partidas seguintes desse grupo (os dois Santos x Vitória e Flamengo x Corinthians) terminariam empatados.

A quinta e penúltima rodada, portanto, seria decisiva nos dois grupos: na chave E, o Vitória tinha dois pontos de vantagem sobre o Corinthians (esse foi o último Brasileiro em que a vitória valia duas unidades). O triunfo daria a liderança ao alvinegro, mas em dez minutos os baianos já abriam dois de vantagem – o primeiro gol, por sinal, numa falha grotesca de Ronaldo: numa falta de tiro livre indireto cobrada diretamente, ele resvalou a bola, o que foi suficiente para validar o gol. O Corinthians reagiu e chegou ao empate, mas o Vitória se manteve dois pontos à frente, próximo de enfrentar o Palmeiras na decisão.

O Palmeiras? Sim: na véspera dessa partida, o Choque-Rei tivera lugar no Morumbi. E, em partida de excelente nível técnico, daquelas que se pode considerar uma final antecipada, o Alviverde bateu o São Paulo por 2 a 0. A vitória só veio no segundo tempo, com um gol de Edmundo e uma pintura de César Sampaio, mas antes disso o Palmeiras já dominava, auxiliado ainda pela expulsão de Palhinha por fazer um gol de mão. Com o triunfo, o Verdão assegurava seu lugar na decisão, por ter melhor campanha que o Tricolor.

Faltava a última rodada, mas apenas um empate bastava ao Vitória, e foi o que aconteceu: Flamengo 1 x 1 Vitória (enquanto isso, o já classificado Palmeiras poupava as baterias empatando contra o Remo). Pela primeira vez, o time baiano decidiria o Brasileiro. E, depois de 15 anos, o Alviverde voltava a uma final nacional.

A decisão era em dois jogos, e o Palmeiras tinha a vantagem de jogar por dois resultados iguais. Já em Salvador, porém, o clube deixaria a conquista do hepta muito bem encaminhada: já na reta final da partida, Evair tocou de calcanhar para Edílson, que marcou o único gol do jogo.

Com tudo isso, o Palmeiras chegou à partida decisiva podendo perder por um gol. Mas não deu nem tempo de pensar no pior: em cinco minutos, Evair já tinha aberto o placar. Mais 20 minutos, e Edmundo faria o segundo. Daí pra frente, foi tocar a bola e esperar para soltar o grito de campeão pela terceira vez no ano.

FICHA TÉCNICA DA DECISÃO

19/12/1993 – PALMEIRAS-SP 2 x 0 VITÓRIA-BA – CAMPEONATO BRASILEIRO
Estádio Cícero Pompeu de Toledo – Morumbi – São Paulo / SP – Brasil – Público: 88.644 pagantes – Renda: CR$ 169.028.500,00
Árbitro: Márcio Rezende Freitas (MG)
Palmeiras (São Paulo/SP): Sérgio, Gil Baiano, Antônio Carlos, Cléber (Tonhão), Roberto Carlos, César Sampaio, Mazinho, Zinho, Edílson, Edmundo, Evair (Sorato) – Técnico: Vanderlei Luxemburgo
Vitória (Salvador/BA): Dida, Rodrigo, João Marcelo, China, Renato Martins, Gil Sergipano, Roberto Cavalo, Paulo Isidoro, Alex Alves, Claudinho, Giuliano (Fabinho / Evandro) – Técnico: Fito Neves
Cartões amarelos: Gil Sergipano, Rodrigo, João Marcelo, Renato Martins (Vitória) – cartão vermelho: China (Vitória)
Gols: Evair (Palmeiras), 4 min primeiro tempo, Edmundo (Palmeiras), 23 min primeiro tempo

CAMPANHA

Foram 22 jogos, com 16 vitórias, 4 empates e 2 derrotas (ambas na primeira fase, para o Santos), com 40 gols a favor e 17 contra. Eis as partidas:

4/9 – Guarani 1 x 1 Palmeiras (Alexandre Rosa)

12/9 – Palmeiras 3 x 0 Sport (Edmundo 2, Paulo Sérgio)

18/9 – Grêmio 1 x 1 Palmeiras (Edmundo)

26/9 – Santos 3 x 1 Palmeiras (Roberto Carlos)

30/9 – Palmeiras 1 x 0 Atlético-MG (Edílson)

3/10 – Fluminense 2 x 4 Palmeiras (Edílson 2, Zinho, Evair)

9/10 – Palmeiras 2 x 0 Vasco (Edmundo, Zinho)

13/10 – Palmeiras 3 x 1 Guarani (Edmundo, Antonio Carlos, Evair)

16/10 – Sport 1 x 2 Palmeiras (Evair, Jean Carlo)

23/10 – Vasco 0 x 1 Palmeiras (Zinho)

30/10 – Palmeiras 3 x 1 Grêmio (Edmundo 2, Luciano contra)

6/11 – Atlético-MG 2 x 3 Palmeiras (Saulo, Edílson, Edmundo)

10/11- Palmeiras 0 x 1 Santos

14/11 – Palmeiras 2 x 1 Fluminense (Maurílio, Sorato)

21/11 – Palmeiras 1 x 1 São Paulo (Edílson)

25/11 – Guarani 1 x 2 Palmeiras (Zinho 2)

28/11 – Remo 1 x 2 Palmeiras (César Sampaio, Edmundo)

1/12 – Palmeiras 3 x 0 Guarani (Edílson, Evair, Edmundo)

4/12 – São Paulo 0 x 2 Palmeiras (Edmundo, César Sampaio)

8/12 – Palmeiras 0 x 0 Remo

12/12 – Vitória 0 x 1 Palmeiras (Edílson)

19/12 – Palmeiras 2 x 0 Vitória (Evair, Edmundo)

Artilheiros

Os 40 gols marcados foram distribuídos entre Edmundo (12), Edílson (7), Evair e Zinho (5 cada), César Sampaio (2), Alexandre Rosa, Saulo, Antonio Carlos, Maurílio, Sorato, Paulo Sérgio, Roberto Carlos e Jean Carlo (1 cada), além de um gol contra.

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