Nada fora do esperado. O cenário que se anunciava antes da partida já daria o tom do desfecho inevitável para a peleja de ontem. É claro que, na figura de torcedor, o editor que vos escreve acreditava em uma vitória, mas o enredo da batalha de ontem, como aventamos no pré-jogo, tinha cara, jeito, cheiro e gosto de desastre.
Começando pela escalação, já se podia perceber que a noite seria de grandes emoções (negativas). A escalação de Wellington, zagueiro que pode até ter algum potencial, mas que vinha sendo a terceira opção na reserva desde a partida desastrosa que fez diante do Bahia no primeiro turno, já era o primeiro sinal (ainda que discreto) do que estava por vir. Porque não dá para entender como o treinador pode optar por um garoto inexperiente para um jogo de alto risco como era o de ontem. E digo alto risco não pela equipe do Vasco em si, mas por tudo que cercava a partida: adversário vindo de goleada vexatória, com técnico novo chegando…
Claro que não se pode jogar nas costas de Wellington a responsabilidade pela derrota de ontem, mas era tão claro que sua escalação era um erro grotesco (erro ou ato meticulosamente pensado? continuemos o texto…) que na primeira chance de perigo vascaína ele quase meteu um gol contra.
Apesar disso, o Palmeiras não estava mal na partida. Tinha ligeira superioridade na posse de bola e não mostrava sinais de afobação. O gol de Luan até que saiu com naturalidade, sem que a equipe precisasse abafar os cariocas.
Pois o clarão que se abriu de maneira natural, se transformou em tempestade com um gol de empate que é o retrato mais “fiel” (pqp, tem dérbi domingo?) da falta de atitude e concentração de uma equipe que ainda luta somente no discurso. A impressão que dá ao assistirmos uma partida desta equipe é a de que, psico-futebolisticamente, os caras já se entregaram.
Juninho Pernambucano teve toda a liberdade do mundo para ciscar pra lá e pra cá, pensar em qual seria a melhor continuidade da jogada e passar a bola sem que houvesse UM ÚNICO jogador verde para chegar junto…
…a sequência da jogada só foi a continuação da falta de vergonha na cara do time: cruzamento na área, Alecsandro teve toda a facilidade do mundo para escorar de cabeça, e Tenório só teve o trabalho de empurrar para o barbante. Um gol inadmissível para uma equipe que foi toda montada em torno do sistema defensivo. Sim, o Palmeiras joga desde a semi-final da Copa do Brasil com 4 zagueiros em campo: os dois zagueiros de fato, mais Henrique e Artur. Isso sem contar os volantes…
O que se veria depois não surpreenderia nem mesmo o mais poliana dos torcedores verdes: goleiro adversário pegando umas 2 ou 3 bolas difíceis, o time verde se jogando ao ataque de qualquer maneira, e o adversário matando a partida como uma criança que pisa numa formiga no parquinho de diversões.
O grand finale do técnico ainda veio, na minha humilde opinião, como forma de pedido de demissão: Vinícius no Tiago Real e Obina no Barcos foi digno de Neto por Ribamar.
Resta agora aguardar o desfecho do BR2012, mas parece que o Palmeiras já perdeu (mais uma vez) para si mesmo.
Avaliações
- Bruno: não importa o que aconteça, ele não sai para cortar cruzamentos – 3
- Artur: errou tudo que podia no começo do jogo e continuou errando (menos) no restante da partida – 2,5
- Wellington: jogado numa fogueira, fez exatamente o que se esperava dele: comprometeu – 2
- M.Ramos: sem T.Heleno, fica perdido – 4
- Juninho: sua expressão ao entrar em campo já diz tudo. Está mais borrado que recém-nascido – 3
- Henrique: deixou Wendel cruzar no primeiro gol, ficou no meio do caminho no segundo e ainda se acha no direito de reclamar com a zaga – 2
- Corrêa: abusou dos erros na saída de bola no segundo tempo – 4
- Tiago Real: pelo menos joga com vontade – 6
- Valdivia: é nessas horas que a gente diferencia o bom jogador do craque… – 4
- Luan: abriu o placar e afundou todos os ataques subsequentes da equipe – 3
- Barcos: a bola não chega, e quando chega é quadrada e na lateral – 5
- Vinícius: piada – zero.
- Obina: entrou para assistir o terceiro gol cruzmaltino – 5
- Betinho: fica sem nota.
- Felipão: numa partida decisiva escala um zagueiro inexperiente, depois coloca em campo um jogador que até outro dia estava no time B, e pra completar o pedido implícito de demissão tira o matador do time e coloca outro centroavante quando Inês já respirava por aparelhos – ZERO.
Ficha Técnica
VASCO 3 X 1 Palmeiras
Local: São Januário, Rio de Janeiro (RJ)
Data/hora: 12/09/2012 – 22h (de Brasília)
Árbitro: Wilton Pereira Sampaio (GO)
Auxiliares: Altemir Hausmann (Fifa – RS) e Rafael da Silva Alves (RS)
Renda/Público: R$ 67.690,00/ 1.996 pagantes (3.904 presentes)
Cartões Amarelos: Jhon Cley, Alecsandro e Felipe (VAS); Henrique e Wellington (PAL)
Cartão Vermelho: não houve
GOLS: Luan, 23′/1ºT (0-1), Tenório, 28′/1ºT (1-1), Nilton, 4′/2ºT (2-1), Juninho, 26′/2ºT (3-1)
VASCO: Fernando Prass; Max (Luan, 17′/2ºT), Dedé, Douglas e William Matheus; Nilton, Wendel, Juninho e John Cley (Felipe, 14′/2ºT); Tenório e Alecsandro (Eder Luis, 31′/2ºT). Técnico: Gaúcho
PALMEIRAS: Bruno; Artur, Maurício Ramos, Wellington e Juninho; Henrique, Correa, Tiago Real (Vinicius, 18′/2ºT) e Valdívia; Luan (Betinho, 38′/2ºT) e Barcos (Obina, 25′/2ºT). Técnico: Luiz Felipe Scolari
“Melhores” momentos







