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Em preto e branco para entrarmos no clima

Você que nos lê agora certamente gosta de futebol. Deve bater uma bolinha de vez em quando; quem sabe até faça parte de um time que já jogou o campeonato do bairro, da faculdade, da firma. Imagine então se sua equipe conseguisse ir além desse nível e pudesse disputar um torneio oficial. Seria certamente um dia histórico, não?

Pois é: esta foi a fronteira ultrapassada pelo Palestra Italia há exatos 100 anos. Foi em 13 de maio de 1916, 28º aniversário da abolição da escravatura, que o clube de menos de dois anos de idade entrou no campo da Floresta envergando a Cruz de Savoia para ganhar o primeiro ponto de sua história.

Desde 1915 o Palestra pleiteava inscrição à APSA (Associação Paulista de Sports Athleticos), que organizava um dos torneios estaduais de então – na época vigia a cisão do Campeonato Paulista entre ela e a LPF, Liga Paulista de Foot-ball. O clube, contudo, foi recusado em seu primeiro ano de vida.

O quadro mudou em 1916 com a exclusão do Scottish Wanderers, acusado de profissionalismo. Talvez o Palestra até conseguisse vaga no torneio sem este fato (afinal eram sete os participantes), porém a saída dos escoceses facilitou a entrada da equipe tricolor (sim, verde, branco e um tantinho de vermelho). Justamente naquele ano, porém, o Corinthians estava na LPF (uma consequência do confronto entre clubes de elite e populares; mais sobre o tema pode ser lido aqui) e por esta razão o Derby só nasceria um ano depois.

Enfim, o fato é que às 16 horas daquele sábado o árbitro Irineu Malta deu início não só à partida e ao Campeonato Paulista daquele ano (era o jogo inaugural do torneio), como a uma história que hoje completa uma centena de anos. Veja como o match foi anunciado no jornal O Estado de S. Paulo daquele dia:

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Com a bola rolando, Zecchi abriu o placar para o Mackenzie; o Palestra Italia empatou ainda no primeiro tempo com Dante Vescovini (algumas fontes dizem Valle II, mas nos parece que isto está errado). E o placar não mais se alterou. O estreante do dia não foi dobrado por um clube que participava pela 11ª vez do torneio, e começou com um bom resultado sua trajetória rumo ao gigantismo nas competições que disputa. Eis o relato do jogo no Estadão:

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No fim das contas, acabou sendo um torneio de aprendizado: o Palestra venceu apenas 2 dos 12 jogos (Ypiranga, na segunda rodada, e o Santos, no primeiro jogo oficial do Alviverde que futuramente seria definido como clássico) e acabou em sexto, à frente somente do time que homenagearia 26 anos depois em meio à Segunda Guerra. O Mackenzie foi o terceiro, e o Paulistano terminou com o primeiro título da sequência que culminou no único tetracampeonato paulista – que não virou penta porque o jovem time de 1914 já não era tão jovem assim em 1920, e em seu quinto ano conquistou sua primeira taça.

O tempo passou, o nome mudou e hoje a Sociedade Esportiva Palmeiras segundo nossas contas soma – tome fôlego – 4402 partidas oficiais, que nos renderam 44 taças (grosso modo, uma a cada cem partidas). Mas, como diz o provérbio, uma caminhada de mil léguas começa com o primeiro passo – e é este passo que agora chega aos três dígitos e merece ser lembrado como capítulo fundamental de nossa história.

FICHA TÉCNICA (retirada do Mondo Palmeiras):

13/05/1916 – Palestra Italia 1 X 1 Mackenzie

Palestra: Fabbrini; Grimaldi e Ricco; Bianco, Fabbi I e De Biasi; Gobbato, Valle II, Dante Vescovini, Bernardini e Cestari

Mackenzie: Arnaldo; Plínio e Claudino; Campos, Pestana e Shelders; Jarbas, Oscar, Maciel, Zecchi e Cassiano

Local: estádio da Floresta

Gols: Vescovini (Palestra) e Zecchi (Mackenzie)

Árbitro: Irineu Malta

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Os primeiros cornetados

*

A seguir, uma relação dos jogos oficiais disputados pelo Palmeiras até hoje. Como toda lista do tipo, há casos dúbios. Alguns torneios foram retirados, como os Campeonatos Paulistas Extras, Torneio dos Campeões Rio-São Paulo, Copa Bandeirantes, Taças Cidade de São Paulo e os Torneios Início, porque… não sei, porque não me convenci de que deveria listá-los.

Os valores e competições alinhados à direita estão ali somente para destrinchar melhor os números (não foram somados duas vezes). Os jogos que valeram ao mesmo tempo pelo Paulista e Rio-São Paulo – entre eles o histórico 8×0 sobre o Corinthians – foram contados em ambas as competições mas descontados uma vez no final, de modo que o total reflete realmente o número de vezes que o Palestra Italia/Palmeiras entrou em campo.

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O que guardaremos desta primeira fase

Chegou ao fim a primeira fase do Paulistão. Já sabemos que a próxima pedra no caminho verde será o São Bernardo; no entanto, o resto do caminho verde até a taça ainda não está definido. Mas nós vamos mostrar como será.

Existem quatro combinações a cada partida: vitória do mandante no tempo normal, mandante nos pênaltis, visitante no tempo normal ou nos pênaltis. Sendo quatro confrontos nas quartas, temos um total de 44 combinações possíveis de resultados, ou 256. Dessas, podemos desprezar todas as que põem o time do ABC como vencedor. Não que sejam favas contadas – é que não faz sentido projetarmos o que vem por aí se nós não estivermos, certo?

Sobram então 128, e são essas possibilidades todas que apresentamos a você. Por sorte, este ano muitas de novo são redundantes: nos casos de Corinthians, Santos e São Bento, é indiferente para efeito de chave se eles passariam nos pênaltis ou no tempo normal. Essa é a razão pela qual você não contará 128 possibilidades abaixo, e sim 40 (pouco mais que as 36 do ano passado, mas bem melhor que as 81 de 2014).

Então é isso. Clique aqui para ampliar ou imprimir, brinque de captar o que cada figura representa, escolha o que você prefere e seque à vontade. Vamos ver se o time que vem se dando bem nos clássicos termina o campeonato do ano da Olimpíada com volta olímpica.

semi2016

 

 

O primeiro ídolo

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Meu filho vai fazer sete anos e só sabe citar um jogador do Palmeiras. É curioso que seu ídolo seja um goleiro que por obra do destino virou artilheiro decisivo em uma disputa de pênaltis. E mais curioso ainda que o primeiro ídolo de seu pai tenha sido um artilheiro que virou goleiro decisivo em outra disputa de pênaltis.

Quem diria que os inglórios anos 80 produziram ídolos? Pois sim: Edu Manga, Jorginho Putinatti (o da famosa foto do porquinho), Zetti (sim, há um amigo fiel do blog cujo ídolo era ele). E houve alguém cujo momento mais famoso da carreira foi justamente ao substituir este último. Saiba, porém, que não foi apenas vestindo luvas que se construiu sua passagem pelo Parque Antártica.

Não vou desfiar sua biografia nem a história daquele jogo, muito menos falar dos números de sua passagem; outros já o fizeram, como o Verdazzo. Isto é coisa de gente crescida, e a dor de ontem foi sentida pelas crianças de outrora.

Gaúcho, descobri ontem, não foi um primeiro ídolo apenas meu. Pelo Twitter vi inúmeros outros palestrinos que cresceram naquela época dizendo o mesmo. E subitamente, no começo desta triste noite de 17 de março de 2016, vi gente que foi criança como eu e que gostava do mesmo jogador que eu agora adulta a chorar como eu chorava por alguém que ficou pouco tempo por aqui, não virou figurinha no álbum do centenário e não é o maior ídolo de ninguém (provavelmente todos os que verteram lágrimas comigo ontem também têm Evair ocupando o posto). Está claro que o primeiro ídolo ninguém esquece.

Imagino que Gaúcho nunca teve a noção do que silenciosamente representou para tantos e me penitencio por ter feito tão pouca menção a isso enquanto ainda estava por aqui. De nunca ter sequer dito que o gato que ganhei no fim de 1988 ganhou seu apelido, e o coitado durou pouco mais que sua passagem pelo clube mas gerou uma prole cuja última descendente também se foi há pouco.

Você se foi cedo, mas ontem aprendi que quem traz brilho aos olhos de uma criança não morre jamais. Descanse em paz.

1994 World Cup Final. Pasadena, USA. 17th July, 1994. Brazil 0 v Italy 0. (Brazil won 3-2 on penalties). Brazilian star Romario drapes himself in his country's flag after Brazil won the World Cup by beating Italy on penalties.

Em 1994 ele foi o cara

“Ué, mas esse não é um blog sobre o Palmeiras?”

É sim, amigo, mas há alguns jogadores cujo histórico justifica um texto – contando seu histórico contra nós, naturalmente. Entre outros, já falamos de Garrincha, Sócrates e até mesmo de Ronaldo, esse que hoje parece uma antítese do hoje senador e ontem companheiro de ataque de Seleção (a dupla recebeu o famigerado apelido de “Rô-Rô“).

Assim, vamos relembrar o que Romário de Souza Faria fez contra o Palmeiras – e, saibam de antemão, não foi pouco!

A carreira do Baixinho começou no Vasco, ainda nos anos 80. Seu primeiro jogo profissional foi em 1985, e por mais três anos e meio ele ficaria no cruz-maltino; pouco após jogar as Olimpíadas de Seul (ao lado de nenhum palmeirense, eu rechequei) foi para o PSV, de onde seguiu para o Barcelona e para o título mundial de 1994.

Toda essa enrolação para dizer que somente depois disso, já aos 29 anos, é que finalmente o campeão da Copa encontrou o campeão do Século: em 3 de setembro de 1995, Romário sofreu mas vazou Velloso. Só que o “melhor ataque do mundo” formado também por Sávio e Edmundo tinha diante de si o então bicampeão brasileiro – e o Palmeiras venceu por 2 a 1 em pleno Maracanã.

Começou aí uma longa tradição: Romário contra o Verdão era usualmente sinal de bola na rede. Foram 23 jogos, e em 14 deles o 11 foi às redes, somando 22 gols – o Palmeiras é o terceiro time que mais levou gols do atacante (apenas Botafogo e Olaria estão à frente, ou atrás dependendo do ponto de vista).

O Palmeiras ganhou uma taça à vera (o Rio-SP 2000) e duas amistosas (Copa Euroamérica 1996 e Troféu Naranja 1997) enfrentando o artilheiro. E foi vice de forma acachapante uma vez – claro, falamos da Copa Mercosul de 2000, em cuja decisão Romário fez seu segundo triplete no Alviverde – o primeiro, curiosamente, foi exatamente no supracitado Troféu Naranja, quando ele atuava pelo Valencia. Não, não tem link pra esses jogos.

Se é fato que enfrentá-lo era sinal de gol sofrido, também era muitas vezes um bom presságio: dos 23 encontros, vencemos 10 e empatamos 6. Das sete derrotas, a da Mercosul foi a penúltima: depois disso, ele só nos venceria em 2002, marcando um gol de pênalti em Rodrigo Taddei. Foi o terceiro dos cinco gols que ele faria através de penalidade máxima. Já não viriam muitos mais: os dois últimos foram numa goleada a nosso favor no Palestra: 5×2 em 2005.

O adeus foi em 2007, num empate em São Januário em que ele passou em branco. Antes, ja tinha rodado por Fluminense (levou 3×0 de um Palmeiras já quase rebaixado), Catar, EUA e Austrália. Ficaria na ativa por mais um ano, até marcar seu milésimo gol e enfim descansar em paz – no bom sentido, claro.

O velho Palestra Itália pôde vê-lo oito vezes. Não foi muito, mas foi certamente o suficiente para entender porque Romário foi o maior centroavante brasileiro, quiçá mundial, dos últimos 50 anos. Estes mesmos que ele hoje completa.

 *

Lista completa dos jogos de Romário contra o Palmeiras:

Flamengo 1×2 Palmeiras (BR 1995) – 1 gol

Flamengo 1×1 Palmeiras (Euroamérica 1996) – 1 gol

Flamengo 2×0 Palmeiras (CB 1997) – 1 gol

Palmeiras 0x1 Flamengo (CB 1997)

Valencia 3×1 Palmeiras (Naranja 1997) – 3 gols

Palmeiras 2×1 Flamengo (BR 1998) – 1 gol

Flamengo 2×1 Palmeiras (CB 1999) – 1 gol

Palmeiras 4×2 Flamengo (CB 1999) – desculpa, o dia era de Euller…

Flamengo 1×1 Palmeiras (BR 1999)

Vasco 3×3 Palmeiras (Rio-SP 2000) – 2 gols (1 de pênalti)

Palmeiras 2×1 Vasco (Rio-SP 2000) – 1 gol

Vasco 1×2 Palmeiras (final Rio-SP 2000) – 1 gol

Palmeiras 4×0 Vasco (final Rio-SP 2000)

Palmeiras 3×0 Vasco (BR 2000)

Vasco 2×0 Palmeiras (final Mercosul 2000)

Palmeiras 1×0 Vasco (final Mercosul 2000)

Palmeiras 3×4 Vasco (final Mercosul 2000) – 3 gols (1 de pênalti)

Palmeiras 1×3 Vasco (BR 2001) – 2 gols (1 de pênalti)

Vasco 2×2 Palmeiras (Rio-SP 2002) – 2 gols de pênalti

Fluminense 0x3 Palmeiras (BR 2002)

Palmeiras 5×2 Vasco (BR 2005) – 2 gols

Vasco 0x0 Palmeiras (BR 2005)

Vasco 2×2 Palmeiras (BR 2007)

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O jogo agora é mais difícil

Em dois segundos ganharemos o ano

Em dois segundos ganharemos o ano

Tudo está bem quando termina bem. Se esta frase é mesmo verdade, então fechamos 2015 com uma paz de espírito inédita neste século (eu diria que os anos mais próximos foram 2008, que pareceu apontar para um bom futuro, e 2003, por puro alívio e pela molecada de então). Com taça, temos que remontar a 1998.

Foram altos, baixos e um enorme alto de novo no fim. Um ano agitado, de reforços por atacado, de nos acostumar de vez à nova casa, de “água limpa”. De moleque da base que todos queriam ver subir, de moleque da base que poucos conheciam e arrebentou na final. De chapéu.

São os números desse ano que vamos destrinchar agora. Você poderá compará-los com os anos anteriores clicando aqui para 2014aqui para 2013.

E, principalmente, se faltou algo que chame sua atenção, use a caixa de comentários; queremos fazer deste texto o mais completo resumo estatístico do ano em que o maior campeão nacional foi novamente campeão nacional.

Nota: este Instituto Palestrino de Estatística não faz tudo sozinho. Agradecemos alguns dados obtidos através da sempre recomendada Porcopedia e os dados sobre assistências enviados pelo amigo @edersep.

Desempenho

Aproveitamento: 57%

Jogos: 72 (Série A 38, Paulista 19, Copa do Brasil 13, Amistosos 2)

Vitórias: 37 (Série A 15, Paulista 12, Copa do Brasil 8, Amistosos 2)

% Vitórias: 51% (Série A 39, Paulista 63, Copa do Brasil 62)

Empates: 13 (Série A 8, Paulista 2, Copa do Brasil 3)

% Empates: 18% (Série A 18, Paulista 11, Copa do Brasil 23)

Derrotas: 22 (Série A 15, Paulista 5, Copa do Brasil 2)

% Derrotas: 31% (Série A 39, Paulista 26, Copa do Brasil 15)

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Um empate e uma vitória ao mesmo tempo

Gols, gols, gols

Gols marcados: 119 (Série A 60, Paulista 28, Copa do Brasil 25, Amistosos 6)

Gols marcados por jogo: 1,65 (Série A 1,58, Paulista 1,47, Copa do Brasil 1,92)

Gols sofridos: 82 (Série A 51, Paulista 14, Copa do Brasil 14, Amistosos 3)

Gols sofridos por jogo: 1,13 (Série A 1,34, Paulista 0,74, Copa do Brasil 1,08)

Saldo de gols: 37 (Série A 9, Paulista 14, Copa do Brasil 11)

Tripletes: 1 (Lucas Barrios nos 4 a 1 contra o Fluminense no segundo turno do Brasileiro)

Maior goleada aplicada: 5×1 Sampaio Correa (menção honrosa para os 4×0 no SPFC)

Maior goleada sofrida: 1×5 Chapecoense

Zé fez dois na maior goleada do ano.

Zé fez dois na maior goleada do ano.

Classificações finais

Série A: 9° colocado

Campeonato Paulista: vice-campeão

Copa do Brasil: TRICAMPEÃO!

Jogadores

Quem mais atuou: Fernando Prass (68). Em 2014 haviam sido 32 jogos.

O resto do pódio: Vítor Hugo (58), Dudu, Lucas e Rafael Marques (todos 56)

Os outros top 10: Robinho (52), Zé Roberto (51), Cristaldo (46), Arouca e Gabriel (40 cada)

Quantos jogadores atuaram: 50 (o mesmo que em 2014)

Estreantes do ano: 28 (todos os reforços com exceção de Cleiton Xavier e Rafael Marques mais Gabriel Jesus, Matheus Sales, Lucas Taylor, Jóbson e Jaílson ) – quatro a mais que 2014

Todos os 25 reforços: tente lembrá-los!

Artilheiro: Dudu, 16 gols

O resto do pódio: Rafael Marques (15) e Cristaldo (14). Curiosidade: em 2014, o terceiro havia sido Wesley, com 5. Melhorou…

Os outros top 10: Leandro Pereira (10), Robinho (9), Barrios e Vítor Hugo (8 cada), Gabriel Jesus e Zé Roberto (7 cada), Lucas (4)

Mais assistências: Dudu e Robinho (13 cada)

Todos os outros: Lucas e Egídio (7 cada), Zé Roberto (6), Rafael Marques e Allione (5 cada); Kelvin e Gabriel Jesus (3 cada); Valdivia, Alecsandro, Cristaldo, Vítor Hugo, Barrios, João Paulo (2 cada); Cleiton Xavier, Wellington, Gabriel, Arouca e Victor Ramos (1 cada).

Quantos jogadores marcaram: 22 (fora um gol contra)

Marcaram pela primeira vez em 2014: 14 (Alan Patrick, Alecsandro, Allione, Andrei Girotto, Dudu, Egídio, Gabriel, Gabriel Jesus, Jackson, Kelvin, Leandro Pereira, Lucas, Lucas Barrios, Robinho, Victor Ramos, Vítor Hugo, Zé Roberto)

Mais cartões vermelhos: Victor Ramos, com 2 das 10 expulsões do Palmeiras (as outras foram de Jackson, Dudu, Robinho, Vítor Hugo, Arouca, Cristaldo, Lucas e Leandro Almeida). Sem falar da expulsão anulada de Egídio contra a Chapeconese

Curiosidade: dos 10 vermelhos, 4 foram na Vila Belmiro (Dudu e Victor Ramos na final do Paulista; Cristaldo no returno do BR e Lucas na ida da Copa do Brasil).

Mais cartões amarelos: Lucas, 15, depois Dudu 14, Vítor Hugo 11, Robinho, Jackson e Egídio 9.

O santo: Rafael Marques (56 partidas no ano sem um único cartão)

Dudu foi arco e flecha

Dudu foi arco e flecha

Técnicos

Oswaldo de Oliveira: 31 partidas, com 17V/7E/7D (aproveitamento 62%)

Alberto Valentim: 1 partida, com 1V

Marcelo Oliveira: 40 partidas, com 19V/6E/15D (aproveitamento 53%)

mocampeao

Contestado (por mim inclusive) mas campeão

Nossa casa

Jogos no Allianz Parque: 36 (incluindo a estreia no Paulista com mando do Audax e excluindo o amistoso Brasil 2×0 México)

Maior público e renda: 39.960 pagantes e R$ 5.336.631,25 em Palmeiras 2×1 Santos, decisão da Copa do Brasil

Menor público e renda: 15.037 pagantes e R$ 614.729,50 em Palmeiras 0x2 Coritiba (jogo que antecedeu a final)

Público total: 1.062.325 (média de 29.509 por partida)

Renda total: R$ 75.299.244,06 (média de R$ 2.091.645,67 por partida)

Ticket médio: R$ 70,88 por ingresso. E o salário, ó…

Nosso melhor aproveitamento: Santos (3J/3V)

Nosso pior aproveitamento: Ponte Preta (2J/2D)

Jogos de mata-mata: 8, com sete vitórias e um empate

Jogos em que era obrigatório vencer: 2, com duas vitórias (Fluminense e Santos na semi e na final da Copa do Brasil)

Taças conquistadas: uma

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Ter casa cheia foi e será comum

Árbitros com 3 ou mais jogos ou de finais

Sete jogos

Anderson Daronco: 4×0 SPFC, 4×1 Vasco, 3×2 Cruzeiro (Copa do Brasil), 4×1 Fluminense, 1×1 SPFC, 2×1 Fluminense (Copa do Brasil), 0x2 Vasco

Quatro jogos

Raphael Claus: 0x1 SCCP, 0x1 Grêmio, 3×3 SCCP, 0x1 Ponte Preta (Brasileiro)

Wilton Sampaio: 0x0 JEC, 1×2 Cruzeiro, 3×2 Grêmio, 3×2 Inter (Copa do Brasil)

Três jogos

Luiz Flávio de Oliveira: 3×1 Shandong Luneng, 1×0 Bragantino, 0x1 Santos (final da Copa do Brasil)

Thiago Duarte Peixoto: 3×1 Audax, 1×2 Santos (1ª fase do Paulista), 2×2 SCCP (semi do Paulista)

Vinicius Dias Araújo: 3×0 Rio Claro, 2×0 SCCP, 2×0 Ponte Preta

Marcelo de Lima Henrique: 0x1 Goiás (primeiro turno), 2×1 Cruzeiro (Copa do Brasil), 3×1 Avaí

Leandro Pedro Vuaden: 1×2 Figueirense, 0x1 Goiás (segundo turno), 1×2 Fluminense (Copa do Brasil)

Igor Junio Benevenuto: 3×0 Avaí, 4×2 Flamengo, 0x2 Coritiba

Árbitros das finais

Copa do Brasil: Héber Roberto Lopes (volta) e Luiz Flávio de Oliveira (ida)

Paulista: Guilherme Ceretta de Lima (volta) e Vinicius Furlan (ida)

CAMPEONATO BRASILEIRO 2015: SÃO PAULO FC X PALMEIRAS

Você de novo?

Adversários

Clássicos: 14 (6 vitórias, 3 empates, 5 derrotas). Aproveitamento: 50% (que escondem uma taça, uma classificação em Itaquera e uma goleada).

Corinthians: 1V/2E (com 1V nos pênaltis)/1D

São Paulo: 2V/1E

Santos: 3V/4D

Estreantes: 4 (Shandong Luneng, Red Bull, Capivariano, Vitória da Conquista)

Clubes estrangeiros enfrentados: 1 (Shandong Luneng)

Time enfrentado mais vezes: Santos (7 vezes e duas finais)

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Será que a bola de Robinho entra?

Maiores sequências

Vitórias: 6 (Rio Claro, São Bento, Penapolense, Capivariano, Vitória da Conquista, Bragantino)

Invencibilidade: 8 (SPFC, Chapecoense, Ponte, Avaí, Sport, ASA, Santos, Vasco)

Derrotas: 3 (Atlético-PR, Cruzeiro, Coritiba)

Jogos sem vitórias: 6 (Santos, Vasco, Atlético-PR, Cruzeiro, Santos, Coritiba. Ou seja, os jogos que antecederam a decisão da Copa do Brasil)

Jogos marcando gols: 10 (as seis vitórias seguidas mais Santos, XV, São Bernardo e SPFC).

Jogos sem marcar gols: 3 (Joinville, Goiás, ASA)

Jogos sem levar gols: 4, duas vezes (destaque para 4 vitórias seguidas no BR, SPFC, Chapecoense, Ponte e Avaí)

Jogos levando gols: 19 (todos os últimos jogos da temporada)

Disputas de pênaltis

Número de disputas: 4, com 3 vitórias (Corinthians, Fluminense, Santos) e uma derrota (Santos no Paulista)

Pênaltis cobrados: 20, com 16 acertos e 4 erros

Cobraram nas 4 vezes: Jackson e Rafael Marques

Três acertos: Jackson (nas três que ganhamos)

Dois acertos: Rafael Marques, Cristaldo, Cleiton Xavier

Um acerto: Dudu, Zé Roberto, Allione, Leandro Pereira, Victor Ramos, Kelvin e, claro, Fernando Prass

Dois erros: Rafael Marques

Um erro: Jackson e Robinho

Pênaltis defendidos por Prass: Elias, Petros, Gustavo Scarpa, Gustavo Henrique (Gum e Marquinhos Gabriel chutaram para fora). Sem contar esses, houve um contra o Cruzeiro pelo Brasileirão.

Algumas curiosidades

– O Palmeiras foi o melhor time no confronto somente entre paulistas e entre paulistas e cariocas no Brasileirão. Mesmo assim, terminou pela sexta vez seguida como o pior grande paulista na competição.

– O Palmeiras atuou em 11 Estados durante o ano: SP, RJ, MG, PR, SC, GO, RS, BA, MT, MA, PE. Não jogou em AL porque o ASA transferiu o mando para Londrina.

Os 5 principais jogos do ano (em nossa opinião)

Palmeiras 3×0 SPFC (Paulista): o primeiro clássico do ano tinha terminado em derrota, mas o segundo mostrou que em 2015 não seríamos saco de pancada dos grandes rivais.

Corinthians 2 (5) x 2 (6) Palmeiras (Paulista): a primeira demonstração que o time não tremeria em jogos grandes e de quebra a primeira eliminação do arquirrival em sua própria casa.

Corinthians 0x2 Palmeiras (Brasileiro): fim de um jejum de quase quatro anos sem vitórias no Derby e primeira vitória (no tempo normal) em Itaquera.

Palmeiras 3×2 Internacional (Copa do Brasil): não fomos brilhantes, mas este jogo teve múltiplos aspectos positivos – eliminar uma enorme asa negra, mostrar a força do time em casa, exibir poder de reação estando a 20 minutos da queda e fazer a torcida sofrer como há muito não acontecia.

Palmeiras 2 (4) x 1 (3) Santos: porque a primeira taça em casa ninguém esquece.

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The End

 

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Parte dos 40.000 que nos empurraram rumo ao tri

“Bate no peito e fala: o Palmeiras é grande”. O lendário discurso de Zé Roberto no primeiro jogo oficial da temporada no fundo era desnecessário; quem afinal poderia negar a grandeza do maior campeão nacional? Era, porém, compreensível: tão machucado nos últimos anos, a ponto de um presidente rival debochar de um tal “apequenamento”, volta e meia o clube tinha que relembrar seu tamanho a quem só via os resultados recentes.

Ontem, amigos, vimos que o Palmeiras não é grande: é gigante. Há muito tempo, hoje e eternamente. O próprio Zé Roberto disse isso e fico muito feliz que o tenha feito, pois eu havia pensado nessas palavras, neste título, antes mesmo de ouvi-lo.

No 11 contra 11 o Santos até podia ser mais qualificado. Mas no 40 mil contra 11, para não citar os tantos que entupiram a Turiassu (Palestra Itália, desculpem, é o estádio), não tinha como: a torcida apropriou-se do time como há tempos não se via, e como poucos conseguem. Esqueçam as derrotas no Allianz para os Goiases e Pontes: na hora do aperto já nos sentimos verdadeiramente em casa e rapidamente aprendemos a fazer dela um caldeirão – Inter, Flu e agora o Santos que o digam. Bons tempos ainda virão.

Este Palmeiras que empurrou o alvinegro contra as cordas desde literalmente os primeiros segundos, quando Gabriel Jesus podia ter aberto o placar, pode ter mantido seus incontáveis chutões pro alto, mas mesmo assim foi senhor do jogo. O leve time santista viu-se enredado e sofreu demais na primeira metade do primeiro tempo. Lá pelos 30 minutos, o ímpeto arrefeceu um pouco mesmo antes da saída do camisa 33, que forçou uma mudança de estratégia que não pôde ser efetivamente aplicada antes do intervalo. Foi nosso pior momento.

Em compensação, após o reinício… sim, tinha bicão; sim, tinha passe errado. Mas houve luta, apetite, gana, vontade. Se eu tinha uma certeza antes da decisão era que não seríamos derrotados pelo Santos tão facilmente quanto Corinthians e São Paulo haviam sido. E, num lance tão bem feito que surpreendeu até a própria torcida, Barrios, Robinho e Dudu fizeram o adversário provar de seu veneno: era o primeiro gol, e o adversário se encolheu ainda mais a partir de então. Mérito e muito também do tão criticado – por mim mesmo! – Marcelo Oliveira. Ontem, foi de se tirar o chapéu (chapéu? Dudu?).

Vieram mais mudanças, o Palmeiras começou a ceder um pouco de espaço, mas ainda estocava. E de tanto insistir, encontrou o segundo numa bola alçada, a que tanto criticam para dizer que o time não tem recurso mas que vale tanto quanto qualquer outra.

Dois a zero, era só segurar alguns minutos. Ou seja, era óbvio que vinha bucha – não seguramos as vantagens que chegamos a ter nas quartas antes de Andrei Girotto ter seu momento de herói e nas semis antes de um cambaleante Fred fazer o Flu ressurgir. E foi justo de Ricardo Oliveira, o Viola da vez.

A disputa de pênaltis fez com que Dudu deixasse de ser o nome do jogo, ele que nem jogou tão bem assim, mas estava no lugar certo na hora certa (e como isso conta, não, Betinho?). Era hora de surgir uma lenda. Um novo gigante.

Em 9 de julho de 1978 o Palmeiras arrancou um empate contra o São Paulo aos 42 do segundo tempo, gol de Beto Fuscão, e se manteve vivo na campanha que terminaria no vice-campeonato nacional. Mas hoje em dia isso pouco importa. O fato relevante foi que naquele dia, a 1100 km do estádio do Morumbi, mais precisamente na ex-capital gaúcha Viamão, veio ao mundo um piá que recebeu o nome de Fernando Büttenbender Prass. E que, 37 anos e 146 dias depois, este já legítimo membro do panteão que acolhe Oberdan, Valdir, Leão e Marcos colocou-se de vez na história alviverde. Com a diferença de que foi decisivo não só com as mãos mas também com os pés.

O que ele fez vocês viram; só digo que eu fiquei com inveja. Como eu queria ser Fernando Prass na hora que o chute forte, seco e reto decretou o tricampeonato da Copa do Brasil. Como eu queria ser o homem que, fazendo ainda mais do que dele se esperava – e dele se esperava muito, deixou em êxtase milhões de palmeirenses paulistanos, acrianos, suecos. Prass já tinha uma taça dessa mesma competição, erguida pelo Vasco, mas é impossível que ontem não tenha sido seu momento mais sublime calçando luvas e chuteiras.

O capitão e líder Zé Roberto fez as honras da casa ao levantar o troféu do dodecacampeonato nacional verde. E então fez a única coisa que podia fazer: entregá-lo a quem tornou sua conquista possível desde o jogo da ida, em que já havia sido monumental.

E eu quis ser Prass de novo.

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Atuações:

Fernando Prass – há conquistas que, anos e anos depois, remetem imediatamente a um personagem. 1993 é Evair. 1994 é Rivaldo. 2015 será para sempre Fernando Prass.

João Pedro – era o ponto frágil e se mostrou como tal. Dou um desconto pois vinha sem jogar com regularidade, foi bem no ataque e é mesmo difícil marcar o bom ataque santista. 6

Jackson – boa partida apesar de ratear no gol. A ótima cobrança de pênalti (mais uma) limpou a barra. 8

Vítor Hugo – excelente. 9

Zé Roberto – o cara que tentava passar a bola enquanto os outros iam de bola pro mato. 8

Matheus Sales – jantou Lucas Lima e não tenho medo de cravar: tornou-se ídolo. 10

Arouca – mais calmo que no primeiro jogo, mas coadjuvante de seu jovem parceiro no meio-de-campo. 8

Robinho – não é o 10 que precisamos, mas se esforçou demais para ser o que ia resolver. Resolveu. 9

Gabriel Jesus – o gol perdido tira pontos. O resto do jogo soma. O resto do torneio, mais ainda. 8

Barrios – partida excepcional para um jogador que precisa urgente de férias após emendar uma temporada e meia sem descanso. Vai arrebentar em 2016. 10

Dudu – s.m. : “Volta por cima”. 10

Rafael Marques – participou do segundo gol. Fiquemos com isso. 7

Cristaldo –  não deve e não deveria ficar. Se for assim, fechou com 100% em pênaltis decisivos. 8

Lucas Taylor – se João Pedro entrou na fogueira, Taylor pegou um incêndio. Se virou como pôde. 7

Marcelo Oliveira – contra títulos há poucos argumentos. Vai ficar, sem sombra de dúvida. É ver o que fará com o elenco tendo o início do ano e o Paulista pra encaixar.

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Ficha técnica:

PALMEIRAS 2 x 1 SANTOS
Data: 02/12/2015
Horário: 22h (de Brasília)
Competição: Copa do Brasil (final)
Local: Allianz Parque, em São Paulo (SP)
Árbitro: Heber Roberto Lopes (SC)
Assistentes: Emerson Augusto de Carvalho e Marcelo Carvalho Van Gasse (ambos de SP)
Gol: Dudu aos 11 e aos 39 minutos do segundo tempo (Palmeiras); Ricardo Oliveira aos 41 minutos do segundo tempo (Santos).
Pênaltis: Palmeiras – Zé Roberto (gol), Rafael Marques (Vanderlei), Jackson (gol), Cristaldo (gol), Fernando Prass (gol); Santos – Marquinhos Gabriel (fora), Gustavo Henrique (Fernando Prass), Geuvânio (gol), Lucas Lima (gol), Ricardo Oliveira (gol)
Cartões amarelos: Gabriel (Santos); Matheus Sales, João Pedro e Dudu (Palmeiras)
PALMEIRAS: Fernando Prass, João Pedro, Jackson, Vitor Hugo e Zé Roberto; Matheus Sales, Arouca, Dudu, Robinho e Gabriel Jesus (Rafael Marques); Barrios (Cristaldo). Técnico: Marcelo Oliveira.
SANTOS: Vanderlei; Victor Ferraz, David Braz (Werley), Gustavo Henrique e Zeca; Thiago Maia (Paulo Ricardo), Renato e Lucas Lima; Gabriel (Geuvânio), Ricardo Oliveira e Marquinhos Gabriel. Técnico: Dorival Júnior.

prasscampeão

Um homem e seu destino

Os holofotes sempre estiveram sobre ele (foto: VerdaoWeb.com.br)

Os holofotes sempre estiveram sobre ele (foto: VerdaoWeb.com.br)

Agosto de 2010 foi um mês agitado no mercado de trabalho: eu comecei a bater ponto no atual emprego e o mais caro jogador da história do Palmeiras retornava após dois anos de sua primeira passagem.

Se o retorno pouco após outro regresso – o de Felipão – era cercado de dúvidas, a despedida traz uma certeza: não há certezas quando se trata de Valdivia. A bem da verdade, estou convicto de que não valeu a pena – e creio que a maior parte da torcida concorda; há muita gente, contudo, que discorda, e em alguns aspectos não se pode negar alguma razão.

Síndrome de Estocolmo, falta de jogadores que decidem, carência afetiva, ausência de ídolos desde que Marcos pendurou as luvas. São quase sinônimos que explicam o lugar que Valdivia assumiu no imaginário do palmeirense, mas penso que uma razão se sobrepõe: o fato de que ele sempre foi o jogador do “se” e nunca um caso real. Em meio a uma contusão, convocação ou suspensão as expectativas não se concretizavam, mas de forma sebastianista acreditávamos que uma hora seu potencial enfim desabrocharia. Talento não lhe faltava – eu há alguns anos o coloquei em 26° lugar na lista dos melhores palmeirenses que vi, e é um rol que inclui os anos 90, portanto repleto de ótimos jogadores.

O tempo passou, e cinco anos depois esta esfinge chilena ainda intriga. É fácil gostar dele como jogador: carismático, provocador, careteiro, articulado, inteligente, dono de um domínio de bola absurdo, era um prato cheio para provocar rivais, encantar quem não viu os grandes jogadores de outrora (e, por que não?, também quem viu) e assegurar o sangue verde das crianças. Apesar de desejá-lo fora há um bom tempo, não consegui torcer contra ele na Copa América, quando seu destino já era sabido e na prática não havia mais qualquer ligação com o Palmeiras. É fácil odiar Valdivia quando se torce para um rival. Para nós, nem tanto; a esperança de vê-lo fazer algo diferente com a bola não morre.

O lado ruim é igualmente fácil de adjetivar: desagregador, baladeiro, reclamão e via de regra ausente na hora do pega pra capar. Suas respostas atravessadas aos Andrés Hernans da vida dão um prazer pequeno perto do desgosto de não tê-lo no final e na final de 2012 (que lhe valeu o único título desta passagem) e em praticamente todo o primeiro semestre deste ano. Sim, ele deu contribuição importantíssima nos últimos jogos do ano passado, mas talvez não precisasse jogar lesionado se não tivesse demorado a retornar após a transferência frustrada pós-Copa, ou não tomasse suspensão de dois jogos pela expulsão contra o Flamengo.

Até seus últimos momentos mostram o médico e o monstro que nos brindou com alegria e raiva por todos estes anos. Dentro de campo, um desfecho de gala ajudou a quebrar uma sequência de 10 derbies sem vitória (dos quais ele não atuou em três); fora, uma série de entrevistas que demonstraram um rancor injusto com quem só lhe mimou.

A sombra de Valdivia seguirá pairando na Academia a cada partida frustrante de Robinho, Cleiton Xavier, Fellype Gabriel – se é que este realmente existe. Vozes se levantarão bradando “tá vendo? Se ele estivesse jogando…” (mesmo sabendo que em mais de 50% das vezes ele não estaria). Se o título brasileiro deste ano passar perto mas não vier, o coro de “faltou um 10” será forte – e provavelmente verdadeiro. Mas este 10 não seria o Mago. Não este que há tempos se nutre da ausência de um plantel capaz, que perdeu seu status de intocável nesta temporada e pouco fez por recuperá-lo. A frase mais sintomática veio de seu pai: “ele precisava de uma liga mais relaxada“; com isso não é preciso dizer mais nada.

Pensando bem, é necessário sim: obrigado por alguns bons momentos, muitos menos do que poderiam ter sido. Vá relaxar no mundo árabe e sucesso em sua boa seleção chilena. Só não precisa voltar mais uma vez para realimentar um sonho que nunca se realizou.

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Pensei em fazer um Top 10 de momentos bons e maus de Valdivia, mas deixo a vocês escolherem e edito aqui depois. Por enquanto, relembraremos alguns primeiros e últimos momentos do Mago nesta segunda e provavelmente derradeira passagem pelo Palmeiras. Para estatísticas de presença em campo, confiram aqui.

  • A reestreia (a partir de 1′)

  • O primeiro gol (início do vídeo)

  • A primeira expulsão (a partir de 4’40”)

  • A última expulsão (a partir de 1h45’30”)

  • O último gol (a partir de 1’50”)

  • O último jogo (na íntegra)