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Archive for dezembro \30\UTC 2012

Na história

Na história

Enfim chega ao fim este atribulado ano de 2012. Só mesmo o Palmeiras para fazer uma temporada com um título nacional terminar com um sabor tão amargo, em que além de lamber nossas feridas ainda precisamos ver os adversários celebrando feitos. Nem secar deu certo.

Nestes 12 meses, o blog do IPE tentou acompanhar a temporada verde ao mesmo tempo em que trouxe histórias, causos e curiosidades. Agora aproveitamos para relembrar o que de mais marcante tivemos no ano em que o mundo não acabou – mas, olha, não teria sido tão má ideia…

Fui

Fui

Janeiro começou com uma bomba: o último bastião dos tempos de glória, o jogador mais capacitado do elenco, o ídolo que permaneceu nesse trepidante século XXI pendurou as luvas. Trouxemos um emocionante depoimento de um de seus inúmeros fãs, e mostramos como as capas dos jornais divulgaram a aposentadoria de São Marcos.

Nessa mesma época, tivemos mais uma Copinha (um torneio que podia ser melhor), em que o Palmeiras parou nas quartas-de-final ao cair contra o Atlético-PR. Um resultado normal, não dá para classificar nem como bom nem como decepcionante. Enquanto isso, o time principal entrava em campo para um amistoso internacional: na vitória contra o Ajax, o tento da vitória foi de Pedro Carmona, que não ficaria muito mais tempo no clube. Logo depois, um início claudicante no Paulista, em que estreamos Daniel Carvalho.

No aniversário da cidade, relembramos os títulos paulistanos do Verdão. E estreamos uma nova seção no blog, falando dos estádios históricos em que pisamos, como o Maracanã e o Centenario.

Cheguei

Cheguei

Em fevereiro, o time engrenou no Paulista: foram seis vitórias (cinco consecutivas, uma delas contra o Santos) e dois empates (um deles contra o São Paulo). Neste mês tivemos a estreia do grande destaque da temporada. Mas Barcos não deixou uma grande primeira impressão – levou apenas nota 4 contra o XV de Piracicaba.

Foi um mês em que apelamos à diretoria para que desse atenção ao torcedor interiorano (o que não é o caso de nenhum dos três editores do blog), e em que demos sequência à série dos jogos inesquecíveis de nossos leitores (foi em fevereiro que tivemos um dos relatos mais tocantes de todos). Ao amigo que quer mandar sua história, o espaço está aberto.

Para encerrar fevereiro, um post que ou faríamos então ou só em 2016: um histórico dos jogos do Verdão em 29 de fevereiro. Quem diria, até taça conquistamos!

Brandão depois eu

Brandão depois eu

As águas de março fecharam o verão e a sequência invicta do Verdão: na 18ª partida do ano e 22ª de invencibilidade, o time caiu. Justo no Derby em que o Palmeiras fez honras ao recém-falecido Chico Anysio, Márcio Araújo preferiu emular os Trapalhões. Antes disso, porém, outra invencibilidade havia começado: na Copa do Brasil, o Palmeiras eliminou o Coruripe. Aliás, é incrível que o Alviverde tenha sido campeão invicto e que tenha começado o ano com tantas partidas sem derrotas e mesmo assim tenha terminado 2012 com o maior número de derrotas de sua históra, 28. A segunda delas, por sinal, veio logo depois do Derby: foi em casa contra o Mirassol, num prenúncio do que viria no Paulistão.

Também antes do Derby, uma marca histórica: Felipão se tornou o segundo técnico com mais partidas no clube nos 6 a 2 contra o Botafogo em Ribeirão Preto. Como homenagem, fizemos uma lista dos 10 principais jogos do gaúcho – claro, a Copa do Brasil deste ano ainda não podia ser contemplada.

Adeus Paulista

Adeus Paulista

Chegamos ao mês em que o Palmeiras afundou duplamente no Paulista: em abril o time principal colecionou tropeços (ah, o que uma derrota no Derby não faz…), terminou a primeira fase empatado com o Bugre – e, como desempates são um mau negócio, o time se despediu no Brinco de Ouro com uma atuação patética (ao que muitos podem replicar: e o que importa o Paulistão hoje em dia?). Enquanto isso, o time B era responsável pelo primeiro rebaixamento do ano: em 2013, vai disputar a série A3.

A queda no Estadual encerrou prematuramente o Troféu IPE (futuro Bola Verde), que criamos para avaliar os melhores jogadores em cada campeonato através das notas dos pós-jogos. O vencedor do Paulistão? Daniel Carvalho. Quem diria…

O que houve de bom no mês? Claro, o prosseguimento na Copa do Brasil, eliminando o Horizonte de cara e deixando o duelo com o Paraná bem encaminhado. E também os 70 anos de Ademir da Guia. Para um clube que infelizmente depende cada vez mais de seu passado, toda homenagem ao Divino é pouca.

Aliás, homenagens não faltaram nesse mês: falamos do centenário do América-MG e, claro, do Santos. Lembramos até da casa do nosso velho rival e freguês.

Esperança

Esperança

Quinze dias de folga e já em maio o Palmeiras voltou a campo para despachar Paraná e Atlético-PR na Copa do Brasil. O Verdão chegava às semifinais, mas estava longe de ser favorito contra Grêmio, Coritiba e São Paulo. Também foi nesse mês que começou o Brasileiro, com uma boa amostra do que viria: nos dois jogos de maio, um empate contra a Lusa (Luan fez o primeiro gol do Brasileiro) e uma derrota para o Grêmio. A zona de rebaixamento se aproximava muito cedo.

Mês de poucos jogos, mas muitas histórias: resgatamos os 10 anos do título baiano do Palmeiras, vimos que o time não é uma mãe no dia delas e levantamos o histórico do clube em finais em campo neutro (pois noticiou-se que a final da Copa do Brasil poderia ser em jogo único).

Por fim, concluímos uma série em que montamos seleções dos melhores jogadores que já tivemos nascidos em cada região do país.

Êxtase

Êxtase

O Palmeiras entrou em campo apenas seis vezes em junho, e só ganhou uma. Mas foi a mais importante delas: na principal atuação do ano, o time derrubou o Grêmio por 2 a 0 na última vez em que pisou no agora saudoso Estádio Olímpico; na volta, um empate bastou para eliminar nossa até então alma gêmea e colocar o clube novamente em uma final após quatro anos de jejum. Enquanto aguardava a decisão, os tropeços no Brasileirão iam se acumulando. Junho terminou com nova derrota no Derby (texto sobre Derby é sempre especial, mesmo na derrota. Por isso linkamos todos).

Aproveitamos junho para polemizar: a lenda de Porcus Tristis procede? E também mostramos que Valdivia estava a ponto de um recorde: o de rei dos cartões nesse século (para constar, obviamente ele conseguiu a proeza semanas depois).

Undecacampeão!

Undecacampeão!

É CAMPEÃO! Em julho, milhões de palmeirenses puderam após longos anos soltar o grito que sucede uma grande conquista. Pela 11ª vez, o Verdão conquistava um título nacional. Batemos o Coritiba na maior partida da história de Barueri e, naquele 11 de julho que sabíamos ser um dia para sempreseguramos o empate no Couto Pereira. Cada um a seu jeito, os três editores da casa fizeram questão de registrar a alegria daquele momento inesquecível. Sem seu principal atacante, com a contratação mais cara tendo se lesionado rapidamente e com o camisa 10 sequestrado e depois suspenso, o Palmeiras mostrou que ainda sabia como dar uma volta olímpica. Para tristeza do blog, fizemos um post com as capas dos noticiários do time seguinte, mas este que vos escreve cometeu um erro grotesco e o perdeu em definitivo.

Campeonato encerrado, Bola Verde também: desta vez, o prêmio ficou com Thiago Heleno. Mais uma vez: quem diria…

Foi também o melhor mês da equipe no Brasileirão – a única sequência de três partidas sem perder foi em julho, contra Coritiba, São Paulo e Náutico. Porém, logo depois julho se encerrou com duas derrotas em que a arbitragem pesou demais, contra Bahia e Cruzeiro. O mês terminava com alguma preocupação, mas muita alegria. Escapar da zona parecia questão de tempo.

Os posts especiais do mês falavam, claro, da decisão da Copa do Brasil: tivemos um quiz sobre Palmeiras x Coritiba, relembramos 1996 e 1998, desfiamos uma série de curiosidades sobre a final e mostramos como o histórico do Palmeiras e da Copa do Brasil indicavam que nossa vantagem era grande.

Também não sabíamos se Betinho jamais marcaria outro gol (no fim, fez mais um) e por isso relembramos aqueles que só partiram pro abraço uma única vez enquanto vestiram nosso manto. E, em mês de Olimpíadas, listamos quem foi aos Jogos disputar futebol vestindo as cores do Palmeiras.

O terror do Botafogo

O terror do Botafogo

As únicas alegrias de agosto vieram contra clubes cariocas: em que pese uma derrota para o Flu exatamente na hora no encerramento dos Jogos Olímpicos, o Palmeiras bateu o Flamengo e duas vezes o Botafogo (para este, perdeu uma mas mesmo assim levou a vaga na Sula). De resto, uma série de resultados ruins que, a partir do jogo contra o Santos que encerrou o primeiro turno, puseram o Verdão novamente na zona de rebaixamento, de onde o time não mais sairia. O mês terminou com o jogo símbolo da queda: os 0x3 contra a Lusa. Tivéssemos vencido aquele jogo, talvez não passássemos o resto do campeonato correndo atrás, o que é sempre pior.

A maratona de jogos impediu que o blog se dedicasse mais a outros temas. Mas deu tempo para falar dos estrangeiros convocados enquanto jogavam no Palmeiras – claro, em alusão a Barcos, chamado para a seleção argentina – e para listar os 98 maiores jogos dos 98 anos de vida do Verdão (OK, sejamos sinceros: só entraram partidas de 1988 pra cá…).

Caiu

Caiu

Em setembro, Felipão caiu após três derrotas seguidas, Narciso foi interino na terceira derrota da temporada contra o arquirrival (e pela primeira vez o Corinthians teve 100% de aproveitamento num ano com mais de duas partidas) e Kleina assumiu ganhando suas duas primeiras partidas. Setembro começou em queda livre, o Derby parecia nos ter levado às cordas, mas ainda assim o mês terminou com um sopro de esperança. Pena que o Pacaembu, que se mostrou tão vibrante contra a Ponte Preta, não poderia mais ser uma arma. Obrigado a você que atirou cadeiras no gramado, parte da queda é mérito seu.

Em meio à depressão com a iminente queda, só deu pra buscar ânimo no que a história dizia sobre troca de treinadores. E, no melhor estilo rir para não chorar, vimos por que Tirone e Frizzo quase fecharam com Falcão.

Último alento

Último alento

O efeito Kleina ainda durou na primeira partida de outubro, a vitória contra o Millonarios. A realidade, porém, veio rápido: três derrotas seguidas, entre elas o terrível tropeço contra o Coritiba, adversário direto na estreia em Araraquara, colocaram o Verdão a um passo do precipício. Um pequeno alento veio com a vitória contra o Bahia fora de casa, seguida por outra contra o Cruzeiro – que, não sabíamos, seria a última do ano.

Os sete dias seguintes, porém, foram outro balde de água fria: o time reserva caiu em Bogotá dando adeus ao treino pré-Libertadores e em seguida no jogo do gol de Barcos anulado por interferência externa (e qualquer outra coisa que se diga não muda a essência do que houve: um flagrante desrespeito às regras do jogo. Naturalmente não estamos falando do argentino).

Com apenas cinco jogos por fazer, terminava o outubro vermelho.

O fim

O fim

18 de novembro de 2012. Mais uma data negra para a rica história alviverde: dez anos e um dia após a primeira descida ao inferno, a Sociedade Esportiva Palmeiras, pseudodirigida por uma trupe de incompetentes, volta a encarar o lado B do Brasileiro.

O Palmeiras agonizou pouco a pouco: contra o Botafogo, um empate inútil ainda que tardio. Já ali o blog jogou a toalha; restava partir para a ironia. Mas o time ainda lutou contra o Fluminense; na primeira partida em que matematicamente o time podia ser rebaixado, nova derrota em uma exibição até decente guardadas as proporções do nível das equipes. No fim, servimos pelo segundo ano seguido de coadjuvante na festa do campeão brasileiro – taí algo que não vai acontecer em 2013…

E contra o Flamengo o tubo foi desligado – na verdade, não exatamente ali, mas pontualmente às 21:20 daquela noite de domingo, ao término de Portuguesa 2 x 2 Grêmio que deu à Lusa o ponto que precisava para não ser alcançada por nós. Alguns rojões estouraram em torno de São Paulo; como é certo que não eram torcedores rubroverdes, só podia ser uma homenagem ao respeito que o alquebrado alviverde imponente ainda impõe a seus rivais.

Trouxemos as capas de jornais do dia seguinte, pois não são só os dias de glória que devem ser lembrados. A dor pode mobilizar, embora isto não tenha ocorrido da outra vez. E o fato de que em 2013 a série B não deve ser complicada pode muito bem iludir a diretoria – a torcida, esta está escaldada.

A limpa começou nos dias seguintes, e um elenco renovado foi a campo nas duas rodadas/derrotas finais.

Só eu vim

Só eu vim

Em dezembro, apenas um jogo. Depois, o silêncio, as trevas e melhor nem falar o que se passou nos rivais. Reforços? Apenas Fernando Prass acertou neste mês. Como alento, um sorteio de Libertadores que nos remete a alguns períodos de brilho no ano que virá. Série B sim, mas ainda com altivez.

Quer dizer, altivez no que toca a qualquer um que não seja cacique no Palestra, porque nas entranhas da gestão alviverde tudo continua errado como em 2002. Que em 2013 o novo presidente faça um trabalho realmente bom (não basta desejar que seja melhor que Tirone, isso eu faria sem problemas), e nos devolva o orgulho novamente roubado. Mas os Tirones passam e o Palmeiras sempre ficará.

Números da temporada:

  • 78 jogos, com 30 vitórias, 16 empates e 28 derrotas
  • 107 gols marcados, 94 sofridos, saldo ainda incrivelmente positivo de 13
  • Artilheiros: Barcos 28, Marcos Assunção 10, Maikon Leite 9, Mazinho 6, Henrique e Luan 5, Juninho 4, Valdivia, Artur, Daniel Carvalho, Patrik, Leandro Amaro, Obina e Fernandão 3, Betinho, Correa, Thiago Heleno, João Vitor, Ricardo Bueno, Tiago Real e Patrick Vieira 2, Vinícius, Márcio Araújo, Román e Pedro Carmona 1 e um gol contra.

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índioadãozinho

Índio e Adãozinho: em 2002 só eles chegaram.

Passou-se o mês inteiro de dezembro, o mais farto no mercado de jogadores, e o Palmeiras trouxe uma única peça, Fernando Prass (Ayrton fora contratado há tempos, o que é importante em tempos de segunda divisão: será que ele teria vindo se sondado após a queda?).

A torcida se exaspera com a lentidão da diretoria, que ainda se vê tolhida pela decisão do Conselho de Orientação Fiscal de referendar qualquer decisão de Tirone e Frizzo. O técnico Gilson Kleina já deixa claro seu desencanto a cada entrevista, e não poderia ser diferente.

O cenário que pinta para o começo de 2013 é preocupante – e já o seria mesmo que sem termos caído. Mas será que é tão diferente assim do que ocorreu dez anos atrás, quando passamos por este sufoco pela primeira vez?

O Instituto Palestrino de Estatística pesquisou todo o cenário daquela época para analisar o que nos espera. Viaje agora conosco ao túnel do tempo sem luz no fim.

Calendário do futebol

Em 2002, a queda aconteceu na última rodada da primeira fase, em 17/11. Com a decepção e o baque, um amistoso contra o Cene, campeão sul-mato-grossense, acabou sendo cancelado. Com isso, a derrota para o vitória acabou sendo o último jogo do ano. O Palmeiras ficou sem jogos oficiais por 70 dias, até estrear no Paulista/2003 contra o Mogi Mirim em 26/1.

Já em 2012, o empate com o Flamengo em 18/11 não encerrou a temporada – faltavam as derrotas para Atlético-GO e Santos, esta em 1/12. A estréia no Paulista/13 também ocorrerá antes, em 20/1, de modo que a pausa será de exatos 50 dias.

O fato de ter dois jogos após cair fez com que, ao contrário de 2002, o Palmeiras dispensasse jogadores e lançasse alguns jovens ainda durante o campeonato, o que diminui o peso das novidades para o ano seguinte.

Eleições

Há 10 anos, o Palmeiras também vivia um período eleitoral. O pleito estava originalmente marcado para 15/1, mas acabou sendo antecipado para o dia 6 de janeiro de 2003, uma (claro) segunda. Isso por si só mostra que, sim, é possível alterar a data da votação e o clube podia nos poupar da agonia atual de ter que esperar até o longínquo dia 21 de janeiro para saber quem herda a terra arrasada.

Naquela eleição, houve dois concorrentes: um era o então presidente Mustafá Contursi com seu discurso “fiz cair, vou fazer subir” (o que significava na prática “vou virar a mesa”; nem isso, ainda bem, ele cumpriu). O oponente era o famoso economista Luiz Gonzaga de Mello Belluzzo, que à época criou com seus aliados o movimento Muda Palmeiras, que após 10 anos e algumas mudanças de nome hoje é parte importante da vida política do clube.

Pode-se dizer que foi a campanha do que não queria gastar um tostão contra o que depois torraria muito mais que um milhão, mas o fato é que foi uma disputa muito desigual a favor do Sapo-Boi.

Senão, vejamos: Belluzzo lançou sua campanha convidando conselheiros a um jantar ao qual compareceram personalidades como Joelmir Beting e Aldo Rebelo. Mustafá contra-atacou marcando um evento na mesma hora. Resultado: apenas cerca de 40 votantes deram o ar da graça ao primeiro evento, enquanto quase 200 (incluindo o próprio irmão de Belluzzo) estiveram prestigiaram o presidente – que, ora vejam, não apareceu.

A vitória de Mustafá na eleição foi um pouco menos folgada que no jantar, mas ainda assim foi larga: por 175 votos contra 77 (e 13 nulos), o “bom e barato” continuou assolando o Palestra Itália por mais dois anos.

Patrocínios

De 2012 para 2013 não deveremos ter nenhuma mudança: Kia e Adidas seguirão firme com o Palmeiras. Em 2003, porém, houve uma mudança no começo da temporada – a Rhumell deu lugar à Diadora como fornecedora de uniformes (no entanto, apesar de o acerto ter sido fechado no início da janeiro, a empresa italiana só estreou após algumas rodadas de série B). Quem não se lembra do modelo das bolinhas que mudavam de cor com o suor? A Pirelli, por sua vez, manteve-se como o principal patrocinador da equipe.

Dispensas

Hmmm, aqui a coisa começa a esquentar. Em 2002, uma situação bizarra: após a queda, os jogadores receberam uma semana de folga, mas depois voltaram para uma semana de treinos físicos (as férias só começaram em dezembro). As dispensas só começaram no fim deste período, e foram feitas a conta-gotas.

Em 2012, a diretoria não esperou o campeonato acabar para divulgar a primeira barca. Os cortes foram mais rápidos e devem se encerrar antes (desde que o time ache interessados nos craques disponibilizados).

Em comum, a data de início da degola: 29 de novembro. Confira abaixo como foi o ritmo das dispensas, lembrando que atletas disponibilizados mas que ainda não saíram (Leandro Amaro, Tadeu e outros) não estão listados.

dispensas

Vale comentar ainda que em 21/1, segundo a Folha de S.Paulo, Marcos foi vendido para o Arsenal. Barrigada pouca é bobagem.

Contratações

Você acha que está devagar? Pois em 2002 não foi diferente: o Palmeiras fechou o ano com apenas dois jogadores contratados: Índio, zagueiro do Juventude, e Adãozinho, meia do São Caetano, além do técnico Jair Picerni. Nada muito diferente do que agora, em que veio apenas Fernando Prass (Ayrton, insistimos, é um caso à parte).

Uma semelhança está na expectativa pelo retorno de dois volantes: se agora Kleina conta com Souza e Wendel, em 2003 Picerni recebeu Magrão e Claudecir de braços abertos. Outro que voltou foi o lateral-direito Neném.

Os jogadores só começaram mesmo a chegar após a reeleição de Mustafá: nas duas semanas seguintes, foram oito. Entre eles, porém, houve casos de corar o palmeirense de vergonha, como o do lateral esquerdo João Marcelo, que veio do Ferroviário, ficou dois dias, não acertou salário e voltou. Ou ainda do atacante colombiano Carlos Castro e do meia Toni, que saíram sem atuar.

Parece claro que a indefinição eleitoral custará caro na montagem do elenco: foi isso que ocorreu em 2003, e provavelmente ocorrerá de novo agora. Com três agravantes: a eleição quinze dias mais tarde, um plantel mais reduzido pelo maior número de dispensas e uma Libertadores se avizinhando (o que não era pra ser um problema, mas do jeito que vai pode se transformar em outro vexame).

Confira abaixo o ritmo de chegadas de atletas na pré-temporada, notando que após fevereiro de 2003 o Palmeiras parou de se reforçar.

Contratações

Time-base

O Palmeiras perdeu para o Vitória naquele fatídico 17/11 com Sérgio, Arce, Alexandre, César, Rubens Cardoso (Leonardo Moura), Paulo Assunção, Flávio (Nenê), Juninho, Zinho, Muñoz, Itamar (Lopes). Ou seja: dos 14 que entraram em campo no Barrradão, apenas três seguiriam no clube, aqueles destacados em itálico. Seis atletas sairiam até o fim de dezembro.

Agora, o Palmeiras empatou com o Flamengo com Bruno, Artur (Obina), Maurício Ramos, Román, Juninho, Márcio Araújo, Correa, Tiago Real (Vinícius), Mazinho (Bruno Dybal), Maikon Leite e Barcos. Destes catorze, apenas quatro pegaram o caminho da roça. A renovação pelo visto será menor.

Na estreia de 2003, o time bateu o Mogi-Mirim com Marcos, Neném (Pedro), Índio, Leonardo, Everaldo, Claudecir, Magrão, Pedrinho, Zinho (Adãozinho), Muñoz, Dodô (Leandro Amaral). Foram quatro estreantes, em itálico. Em 2013, é claro que os dois reforços estarão em campo desde o início. Mas serão só eles?

Categorias de base

O Palmeiras não usou sua base no Brasileirão de 2002 – Pedro jogou três vezes, Vágner Love duas, e só. No início de 2003, Picerni estava ciente de que havia uma boa geração (o Verdão foi campeão paulista sub-20 em 2002 e vice da Copinha no ano seguinte) porém só começou a efetivamente usar os moleques após afundar no Paulista e tomar sete do Vitória. Foi então que a geração de Edmílson, Diego Souza e Alceu pediu passagem e se assumiu seu lugar.

Agora, alguns garotos foram promovidos durante o campeonato, casos de Patrick Vieira e principalmente João Denoni. Com o rebaixamento confirmado, Bruno Dybal e Diego Souza, entre outros, também puderam atuar. É certo que eles estarão integrados ao elenco principal já desde o começo do ano que vem – mas como ter certeza que o sucesso será o mesmo da geração de Vágner Love?

Resumo

O fato é um só: a eleição, que deveria ser um detalhe, paralisa todo o ambiente do clube, mesmo que Tirone tome vergonha na cara e decida de uma vez por todas não tentar novo mandato. Até dia 21, o Palmeiras viverá de mais futricas, fofocas, boatos, impasses e incertezas que o habitual.

Reforços? Não contem com isso – o que, a julgar pelo nível de diversos nomes ventilados, é até melhor. É preferível manter o pouco que temos a buscar novos empréstimos para bancar um veterano com pouco a acrescentar como Riquelme.

O time que definiu o acesso e o título da série B em Garanhuns foi escalado com Marcos, Leonardo, Glauber, Adãozinho, Baiano, Magrão, Diego Souza, Lúcio, Élson (Correa), Vágner Love (Denis), Edmilson. Dos treze, sete – mais da metade! – só se juntou ao elenco a partir de março.

Vai ser assim de novo: sem planejamento algum, contando um pouco com a base, bastante com a sorte e mais ainda com a fragilidade dos adversários. Para 2013 vai bastar; subiremos. Mas e o centenário?

Este, senhores, começa apenas dia 21. Que Perin ou Nobre tomem rapidamente pé da situação, e que sejam menos inaptos que o atual mandatário e seus antecessores, pois o campeão do século XX já jogou fora 13 anos do XXI.

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lib2013

Podia ser um pouco melhor, mas podia ser muito pior: o sorteio da Libertadores nos deixou ao lado de um time que hoje tem mais experiência internacional que o Palmeiras, um dos mais fracos cabeças-de-chave disponíveis e um que viveu seu auge ao brigar no estádio do Morumbi há uma semana – isso se a zebra bolivariana não passear no subúrbio de Buenos Aires.

Em comum, o fato de que o Palmeiras jamais enfrentou em partidas oficiais qualquer um dos clubes que enfrentará na primeira fase. Já temos um pequeno histórico contra Sporting Cristal e Libertad, porém sempre em amistosos disputados no tempo em que se amarrava cachorro com linguiça.

Ainda não foram divulgada a tabela; não sabemos contra quem nem onde estreamos. Mesmo assim, pode-se afirmar: o risco de o Verdão dançar na primeira fase parece depender mais do que fará até a estreia no torneio do que propriamente do nível dos adversários. Senão, vejamos quem vem por aí:

Escudo del Club Sporting Cristal.jpg

Assim como nós, o atual campeão peruano retornará à competição após quatro anos – mas em 2009 o Club Sporting Cristal caiu já na pré-Libertadores contra o Estudiantes que se tornaria campeão.

Este ano os cerveceros romperam um jejum de sete anos sem levantar o título nacional. Porém, o elenco repleto de atletas locais em que se destaca o atacante Hernán Rengifo, com passagem pela seleção nacional, não é dos mais fortes. Como de hábito, há um brasileiro desconhecido por aqui: trata-se de Leandro Franco, cujo auge aqui foi passar dois anos no Guarani.

Vale lembrar que Lima está ao nível do mar, e portanto essa é uma preocupação a menos. Porém, o fanatismo da torcida pode transformar a partida lá num problema para uma equipe cujos nervos já se mostraram frágeis no fim de 2012.

Confronto direto: 3 jogos nos anos 60 com uma vitória, um empate e uma derrota para cada lado.

Palmeiras 1 x 1 Sporting Cristal, 20/1/1960 em Santiago-CHI, gol de Romeiro

Sporting Cristal 0 x 3 Palmeiras, 7/2/1962 em Lima, gols de Américo (2) e Vavá

Sporting Cristal 2 x 1 Palmeiras, 16/1/1964 em Lima, gol de Nilo

Emblem Libertad.png

Sem dúvida, o time mais perigoso para o Verdão nesta primeira fase é o campeão paraguaio e quadrifinalista da Libertadores de 2012. O Club Libertad vem para sua décima primeira Libertadores consecutiva, o que é um feito. Mais ainda: com exceção da eliminação na primeira fase em 2008, nos últimos sete anos eles sempre terminaram em primeiro na fase, e nos últimos três anos avançaram até as quartas-de-final (o ápice, porém, foi a semifinal de 2006, quando caíram frente ao futuro campeão Inter. Antes, também foram às semis em 1977).

Todo cuidado é pouco com este clube que não só é o terceiro mais popular do Paraguai, como também é o time do coração de Nicolás Leoz, o presidente da Conmebol. Afinal, além deste fator que obviamente ajuda, existem bons atletas na equipe, como o veterano atacante Samudio, o também atacante Velázquez e o volante da seleção uruguaia Sebastián Eguren.

Confronto direto: 3 jogos que já se vão perdidos no tempo.

Palestra Itália 2 x 2 Libertad, 6/2/1938 no Parque Antártica, gols de Luizinho e Goliardo

Palmeiras 4 x 2 Libertad, 16/11/1942 no Pacaembu, gols de Cabeção (2), Waldemar Fiúme e Brandão

Palmeiras 3 x 3 Libertad, 23/12/1945 no Pacaembu, gols de Lima, Oswaldinho e Rolim

tigreanzo

Time que ganhou fama recentemente ao decidir a Copa Sul-Americana, o pequeno Tigre tem a chance de disputar pela primeira vez a Libertadores. Para isso, porém, terá que passar pelo jovem (10 anos de vida) campeão do Apertura venezuelano, que irá para sua segunda pré-Libertadores – em 2009 (olha aí outro que esteve naquela mesma disputa que o Palmeiras e o Sporting Cristal) caiu ante o equatoriano Deportivo Cuenca.

Do Tigre não precisamos falar muito, o leitor viu a (falta de) qualidade da equipe que sabe-se lá como conseguiu alcançar a decisão continental, em que não foi páreo para o SPFC, incidentes à parte. Já os venezuelanos contam com a velocidade do meia Johnny “Speedy” González.

Deixaremos para falar mais destas equipes quando efetivamente soubermos qual delas pega o Palmeiras na primeira fase, após dois jogos certamente duros (de assistir).

Confronto direto: nunca enfrentamos nenhuma destas equipes.

*

Em resumo, o Sporting Cristal tem uma rica história de Libertadores, que inclui 28 participações, um vice-campeonato (1997, contra o Cruzeiro) e um recorde que o Corinthians ameaçará: o de maior número de partidas consecutivas invicto, 17. O Tigre representa o nunca desprezível futebol argentino e o Anzoátegui a nação sul-americana que mais evolui no continente.

Ainda assim, o Palmeiras – com todos os seus problemas, crises, reforços descartados, eleições e que tais – tem obrigação de se juntar ao Libertad como um dos classificados de seu grupo. Entende-se que a prioridade para 2013 seja retornar à série A, mas não será possível aceitar passivamente uma eliminação prematura num grupo tão acessível.

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O melhor lance foi antes do jogo

Finalmente acabou o ano e o Palmeiras pode descansar em paz (?). A conclusão não podia acontecer de outra forma: com o time se arrastando e torcendo para não ser goleado por um rival que a rigor só tinha um jogador digno – mas que sozinho fez cinco dos seis gols que o Santos fez no Palmeiras este ano (e o sexto foi entregue por ele de bandeja).

Porém, nem tudo foi de acordo com o script. Quem diria que Maikon Leite, o homem que corre e chuta à Usain Bolt, acertaria um petardo logo no início? Será que o Verdão se despediria deixando ao menos um gosto menos amargo? Doce ilusão. Em 20 minutos Neymar e Román se encarregaram de colocar as coisas de volta ao normal (observação 1: nunca é normal o Santos bater o Palmeiras, o que só mostra o tamanho do buraco. Observação 2: a expulsão do paraguaio foi rigorosa, mas foi bom: ele se despediu mais cedo, o que não se pode lamentar).

Da virada em diante, restava apenas esperar que o alvinegro não passasse o carro por cima do combalido campeão do Brasil. Por sorte, eles também tiveram um atleta expulso antes de consumarem o crime. Assim, só restou à calopsita fazer suas firulas de hábito, sempre com o inconfessado objetivo de tirar uma casquinha do drama verde. Paciência. É apenas uma parte ínfima do legado de Tirone e companhia.

Foi a penúltima partida do Palmeiras sob sua gestão. Ele se despede contra o Bragantino, na abertura da próxima temporada. Pelo que vemos, deixará um cenário de terra arrasada, com um elenco possivelmente ainda mais fraco que esse. O que esperar da Libertadores, e mais ainda, da série B?

Onde você foi amarrar seu burro, Kleina? O que estão tentando fazer com o maior campeão nacional?

Ficha Técnica

SANTOS 3 X 1 PALMEIRAS

Local: Estádio Vila Belmiro, em Santos (SP)
Data: 1 de dezembro de 2012, sábado
Horário: 19h30 (horário de Brasília)
Árbitro: Guilherme Ceretta de Lima (SP)
Assistentes: Carlos Augusto Nogueira Júnior (SP) e João Bourgalber Nobre Chaves (SP)
Renda: R$ 275.695,00
Público: 11.641 pagantes
Cartões amarelos e vermelhos: Alan Santos (Santos); Román (Palmeiras)
Gols:  Maikon Leite, aos 4, Victor Andrade, aos 12 e Neymar aos 22 (pênalti) e 38 do primeiro tempo;

SANTOS: Rafael; Bruno Peres, Bruno Rodrigo, Durval e Juan; Alan Santos, Arouca (Gérson Magrão), Felipe Anderson e Patito Rodríguez (Geuvânio); Neymar e Victor Andrade (Miralles)
Técnico: Muricy Ramalho

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