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Archive for agosto \26\UTC 2014

palmeiras

Cem anos passam voando, não? Ainda mais quando desde meninote conheceste glórias. Mal seis anos eram passados e o primeiro Paulista já luzia em teu recém-comprado Parque Antarctica, casa adquirida com tanto sacrifício.

Cresceste rápido, arrebanhaste multidões e os troféus tomaram-te muito espaço. Tiveste períodos de fartura e de faltura, um dos quais o que ora vivemos, em que és comandado por gente com cabeça mais velha que ti. Bom, esqueçamos isto por um instante, não é hora de queixumes. Não devíamos aceitar teus desatinos, mas eu e teus outros quinze milhões de devotos estamos contigo há muito tempo, na alegria e na tristeza, e caminhamos juntos. Já tentei – sem muito esforço, é verdade – te deixar. Mas não consigo.

Alistei-me em tua legião há pouco mais de trinta anos, sabe-se lá como. Na minha família só há um tio que te escolheste, imigrante não italiano como tantos e tantos de tuas fileiras, mas súdito não praticante. De resto, aqueles que cresceram com a ilusão que uma Vila fosse maior que uma Academia, outros que torcem por quem tentou nos destruir em 42, e meu pai, caso único de alvinegro paulistano: alvinegro campineiro. Sempre gostei disso, de saber que fiz minha opção livre de qualquer influência e sempre a mantive inabalável.

Por um lado, foi difícil crescer sem ter quem me contasse sobre teus Ademires, Dudus, Jaíresrosaspinto, Julinhos, Junqueiras, Leivinhas. Até hoje sinto uma ponta de inveja de quem já nasceu com sua sorte selada. Por outro lado, fui te desvelando eu mesmo pouco a pouco. Tua história era a que eu descobria e construía, em anos de tanto sofrimento. Ah sim, me fizeste sofrer desde cedo. Eram poucas as crianças que partilhavam comigo a agonia dos anos oitenta. Não me esqueço, nunca me esquecerei, de quando me disseram que sequer tinhas um hino. Maldade infantil, claro, e nos meus oito anos eu acreditei, pois que não tocava nunca.

Tento me recordar de quando te conheci ao vivo. Minha memória jura que foi numa vitória contra o Botafogo no Pacaembu por 3 a 2 em 1985 – porém há anos venho aqui trazer tuas histórias a quem quer te compreender melhor, e sei que esse jogo não existiu.

O primeiro que estou certo de ter presenciado foi naquele mesmo ano. E pouco poderia ter mais a ver com aqueles anos bicudos que aquela magra vitória contra o Juventus tenha vindo com um solitário gol de Reinaldo Xavier. Mas podias ter perdido que mesmo assim meu destino estava traçado. Não te abandonei depois de 1986, nem depois de testemunhar uma inesquecível surra de 4 a 1 da Portuguesa. Ensinaste-me desde cedo que o caráter se forja à custa de muita provação. Nem precisava tanto, sabe?

Vi um dos raros amigos que se dizia teu fã bandear-se para outro lado; lamento por ele, que nunca soube o que é ter sua alma inebriada por algo que nos move cegamente. Pode-se trocar de time; não se pode mudar de paixão.

Chorei contra um tal Bragantino em 1989, a única vez que me fizeste verter lágrimas. Será que eu nunca conheceria o gosto do triunfo? Amargurado, segui a teu lado, quase sempre solitário, a não ser pelo irmão menor cujo sangue tingi de verde.

E veio 1993. Eu mudei de escola, tu havias mudado de tom de camisa. Mudara para um colégio de grande porte, assim como – finalmente! – teu plantel.

Não tive o gosto de gritar campeão ante aqueles que tanto me espezinharam, mas mesmo assim me senti livre. Foi naquele doze de junho que entendi a expressão “estar nas nuvens”. Tanto já falei sobre isso, e ainda assim meus olhos até hoje se umedecem ao lembrar daquele instante sublime. De perceber que nunca mais a outra parte do estádio cantaria “um, dois, três, …”, crescendo até quase o infinito para então cantarem parabéns a você. De comprovar que sim, havia um hino!

Dali em diante me tornei exigente. Ao osso que roí, seguiram-se banquetes. Foram taças em profusão, partidas inesquecíveis, estádios lotados te empurrando rumo a teu devido lugar. Depois, um novo século, um novo vazio recheado de decepções permeadas por algum soluço de glória. Ainda estamos dentro deste buraco negro, tentando espichar a cabeça para ver aquele dia ensolarado com que tantas vezes nos brindaste.

Hoje sofro e me alegro por dois. Já te garanti um pequeno seguidor, que deixaste ser teu mascote envergando teu manto (e, ainda bem, venceste naquele dia). Vou contar a ele sobre teus Evaíres, Marcos e Rivaldos na esperança – mais que isso, na certeza – de que em breve tu lhe darás seus próprios ídolos, suas próprias conquistas.

Porque teus triunfos são teus e, à sua maneira, de cada um de nós. E, por nos apropriarmos de cada um de teus momentos, és parte inseparável do que somos.

Parabéns, Palmeiras. E obrigado, hoje e sempre.

torcida

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Luan fez o último gol da história dos mata-matas entre Palmeiras e Atlético

Luan fez o último gol da história dos mata-matas entre Palmeiras e Atlético

Palmeiras e Atlético-MG se encontrarão pelas oitavas-de-final da Copa do Brasil. Um dos contendores foi campeão da América ano passado e, ainda que sem aquele futebol e aquele técnico, continua tendo um elenco forte; o outro já nem sabe se leva a competição a sério, uma vez que novamente está com a corda no pescoço no Brasileirão. Mas o jogo de ida será a primeira partida do nosso segundo século, o que pode dar um ânimo redobrado ao elenco. Além disso, há uma semana a vitória do Atlético em sua casa veio só no fim.

O favoritismo, claro, é deles, mas não dá para dizer que o exército de Brancoeverdeleone seja carta fora do baralho.

Ainda mais se considerarmos o histórico dos mata-matas entre as duas equipes. Os gigantes paulista e mineiro já se enfrentaram em duelos de ida e volta por três vezes, cada um por uma competição diferente, mas sempre com algo em comum: no fim, a vaga ficou com o Verdão. O confronto que se aproxima vale mais que todos os anteriores, e é indiscutível que o plantel mais vistoso é alvinegro, mas o Galo que bote a crista de molho, porque assim foram os embates passados:

1. Copa do Brasil 1996: o duelo também valeu pelas oitavas. O Palmeiras havia atropelado o Sergipe por 8 a 0, enquanto os mineiros passaram pelo Vila Nova goiano com duas vitórias (1×0 e 4×1). O time atleticano não era ruim; contava com jogadores como Taffarel e Euller. Mas pegou um Alviverde em momento arrasador, no auge da máquina que goleava seus adversários um a um.

Assim, nem dá para dizer que foi surpresa termos vencido no mesmo Independência que sediará o jogo sob mando deles (2×1 de virada, gols de Luizão – os dois – e Leandro) e aqui (um sonoro 5×0, Rivaldo 2, Cléber, Müller e Cafu). Afinal, essas duas partidas fizeram parte da sequência de 21 vitórias consecutivas daquele elenco que encantou o país – mas que foi parado justamente pelo arquirrival do Atlético na final desse mesmo torneio.

2. Copa Mercosul 2000: o Palmeiras já havia começado a nefasta política do bom e barato, mas mesmo assim o time chegou à semifinal da Mercosul após bater o Cruzeiro nas quartas, frustrando a expectativa por um clássico mineiro (o Atlético passara pelo Boca Juniors).

Só que, enquanto o Galo ia de Velloso, Claudio Caçapa, Mancini, Marques e Guilherme, nós tínhamos Paulo Turra, Tiago Silva e Thiago Matias (apesar de um Arce aqui, um Taddei ali). Mesmo assim, um começo arrasador decidiu prematuramente o confronto: após 3 dos 180 minutos, o Verdão já tinha 2 a 0. No fim, a partida do Palestra terminou 4 a 1 (Tuta 2, Paulo Turra e Basílio; Guilherme); na volta, o Atlético precisava vencer por 3, mas o Palmeiras soube cozinhar o galo (trocadilho involuntário, sério!) no primeiro tempo e liquidou de vez a esperança mineira ao marcar no primeiro minuto da segunda etapa. Acabou vencendo por 2 a 0 (Tuta, Juninho) e se classificando à final, em que daria vexame contra o Vasco.

3. Copa Sul-Americana 2010: na primeira competição por mata-mata de Felipão em sua segunda passagem pelo Palmeiras, o Atlético foi o adversário das quartas-de-final, após termos passado por Vitória e Universitario de Sucre; o Galo, por sua vez, tinha eliminado Grêmio Prudente e Independiente Santa Fé. Os interesses dos adversários, no entanto, eram bem distintos: o Palmeiras tinha a competição como prioritária, já que no Brasileirão estava na zona do não-ata-nem-desata. O Atlético, contudo, vinha passando sufoco no Nacional, e por isso vinha usando os reservas.

O favoritismo, portanto, era nosso dada a diferença de motivação. Na ida, em Sete Lagoas, o Verdão abriu o placar no começo do segundo tempo, e poderia ter ampliado em pênalti pouco depois… se o árbitro Marcelo de Lima Henrique não voltasse atrás com a pressão dos jogadores alvinegros e alegasse um suposto impedimento de Lincoln, sobre o qual o bandeira nada falou. Para completar, só ele viu outro penal, dessa vez a favor dos mineiros. Assim, o que podia ser uma vitória confortável virou um empate em 1 a 1 (Kléber; Obina).

Na volta, porém, não teve jeito. O Atlético, com a corda ainda mais apertada, até lutou – teve ótimas chances, e só foi desistir mesmo após levar o segundo gol depois dos 30 da etapa final – mas acabou caindo por 2 a 0 (Marcos Assunção num gol olímpico, Luan).

Resumo: até hoje foram seis jogos por mata-matas, com cinco vitórias palmeirenses e um empate, 16 gols a favor e 3 contra. Agora, porém, o desafio é maior que todos os anteriores. Será que o Palmeiras mantém a escrita, ou será mais um morto no Horto?

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