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Archive for agosto \17\UTC 2015

Os holofotes sempre estiveram sobre ele (foto: VerdaoWeb.com.br)

Os holofotes sempre estiveram sobre ele (foto: VerdaoWeb.com.br)

Agosto de 2010 foi um mês agitado no mercado de trabalho: eu comecei a bater ponto no atual emprego e o mais caro jogador da história do Palmeiras retornava após dois anos de sua primeira passagem.

Se o retorno pouco após outro regresso – o de Felipão – era cercado de dúvidas, a despedida traz uma certeza: não há certezas quando se trata de Valdivia. A bem da verdade, estou convicto de que não valeu a pena – e creio que a maior parte da torcida concorda; há muita gente, contudo, que discorda, e em alguns aspectos não se pode negar alguma razão.

Síndrome de Estocolmo, falta de jogadores que decidem, carência afetiva, ausência de ídolos desde que Marcos pendurou as luvas. São quase sinônimos que explicam o lugar que Valdivia assumiu no imaginário do palmeirense, mas penso que uma razão se sobrepõe: o fato de que ele sempre foi o jogador do “se” e nunca um caso real. Em meio a uma contusão, convocação ou suspensão as expectativas não se concretizavam, mas de forma sebastianista acreditávamos que uma hora seu potencial enfim desabrocharia. Talento não lhe faltava – eu há alguns anos o coloquei em 26° lugar na lista dos melhores palmeirenses que vi, e é um rol que inclui os anos 90, portanto repleto de ótimos jogadores.

O tempo passou, e cinco anos depois esta esfinge chilena ainda intriga. É fácil gostar dele como jogador: carismático, provocador, careteiro, articulado, inteligente, dono de um domínio de bola absurdo, era um prato cheio para provocar rivais, encantar quem não viu os grandes jogadores de outrora (e, por que não?, também quem viu) e assegurar o sangue verde das crianças. Apesar de desejá-lo fora há um bom tempo, não consegui torcer contra ele na Copa América, quando seu destino já era sabido e na prática não havia mais qualquer ligação com o Palmeiras. É fácil odiar Valdivia quando se torce para um rival. Para nós, nem tanto; a esperança de vê-lo fazer algo diferente com a bola não morre.

O lado ruim é igualmente fácil de adjetivar: desagregador, baladeiro, reclamão e via de regra ausente na hora do pega pra capar. Suas respostas atravessadas aos Andrés Hernans da vida dão um prazer pequeno perto do desgosto de não tê-lo no final e na final de 2012 (que lhe valeu o único título desta passagem) e em praticamente todo o primeiro semestre deste ano. Sim, ele deu contribuição importantíssima nos últimos jogos do ano passado, mas talvez não precisasse jogar lesionado se não tivesse demorado a retornar após a transferência frustrada pós-Copa, ou não tomasse suspensão de dois jogos pela expulsão contra o Flamengo.

Até seus últimos momentos mostram o médico e o monstro que nos brindou com alegria e raiva por todos estes anos. Dentro de campo, um desfecho de gala ajudou a quebrar uma sequência de 10 derbies sem vitória (dos quais ele não atuou em três); fora, uma série de entrevistas que demonstraram um rancor injusto com quem só lhe mimou.

A sombra de Valdivia seguirá pairando na Academia a cada partida frustrante de Robinho, Cleiton Xavier, Fellype Gabriel – se é que este realmente existe. Vozes se levantarão bradando “tá vendo? Se ele estivesse jogando…” (mesmo sabendo que em mais de 50% das vezes ele não estaria). Se o título brasileiro deste ano passar perto mas não vier, o coro de “faltou um 10” será forte – e provavelmente verdadeiro. Mas este 10 não seria o Mago. Não este que há tempos se nutre da ausência de um plantel capaz, que perdeu seu status de intocável nesta temporada e pouco fez por recuperá-lo. A frase mais sintomática veio de seu pai: “ele precisava de uma liga mais relaxada“; com isso não é preciso dizer mais nada.

Pensando bem, é necessário sim: obrigado por alguns bons momentos, muitos menos do que poderiam ter sido. Vá relaxar no mundo árabe e sucesso em sua boa seleção chilena. Só não precisa voltar mais uma vez para realimentar um sonho que nunca se realizou.

*

Pensei em fazer um Top 10 de momentos bons e maus de Valdivia, mas deixo a vocês escolherem e edito aqui depois. Por enquanto, relembraremos alguns primeiros e últimos momentos do Mago nesta segunda e provavelmente derradeira passagem pelo Palmeiras. Para estatísticas de presença em campo, confiram aqui.

  • A reestreia (a partir de 1′)

  • O primeiro gol (início do vídeo)

  • A primeira expulsão (a partir de 4’40”)

  • A última expulsão (a partir de 1h45’30”)

  • O último gol (a partir de 1’50”)

  • O último jogo (na íntegra)

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