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Archive for março \18\UTC 2016

O primeiro ídolo

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Meu filho vai fazer sete anos e só sabe citar um jogador do Palmeiras. É curioso que seu ídolo seja um goleiro que por obra do destino virou artilheiro decisivo em uma disputa de pênaltis. E mais curioso ainda que o primeiro ídolo de seu pai tenha sido um artilheiro que virou goleiro decisivo em outra disputa de pênaltis.

Quem diria que os inglórios anos 80 produziram ídolos? Pois sim: Edu Manga, Jorginho Putinatti (o da famosa foto do porquinho), Zetti (sim, há um amigo fiel do blog cujo ídolo era ele). E houve alguém cujo momento mais famoso da carreira foi justamente ao substituir este último. Saiba, porém, que não foi apenas vestindo luvas que se construiu sua passagem pelo Parque Antártica.

Não vou desfiar sua biografia nem a história daquele jogo, muito menos falar dos números de sua passagem; outros já o fizeram, como o Verdazzo. Isto é coisa de gente crescida, e a dor de ontem foi sentida pelas crianças de outrora.

Gaúcho, descobri ontem, não foi um primeiro ídolo apenas meu. Pelo Twitter vi inúmeros outros palestrinos que cresceram naquela época dizendo o mesmo. E subitamente, no começo desta triste noite de 17 de março de 2016, vi gente que foi criança como eu e que gostava do mesmo jogador que eu agora adulta a chorar como eu chorava por alguém que ficou pouco tempo por aqui, não virou figurinha no álbum do centenário e não é o maior ídolo de ninguém (provavelmente todos os que verteram lágrimas comigo ontem também têm Evair ocupando o posto). Está claro que o primeiro ídolo ninguém esquece.

Imagino que Gaúcho nunca teve a noção do que silenciosamente representou para tantos e me penitencio por ter feito tão pouca menção a isso enquanto ainda estava por aqui. De nunca ter sequer dito que o gato que ganhei no fim de 1988 ganhou seu apelido, e o coitado durou pouco mais que sua passagem pelo clube mas gerou uma prole cuja última descendente também se foi há pouco.

Você se foi cedo, mas ontem aprendi que quem traz brilho aos olhos de uma criança não morre jamais. Descanse em paz.

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