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Archive for the ‘Hoje na história’ Category

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Em preto e branco para entrarmos no clima

Você que nos lê agora certamente gosta de futebol. Deve bater uma bolinha de vez em quando; quem sabe até faça parte de um time que já jogou o campeonato do bairro, da faculdade, da firma. Imagine então se sua equipe conseguisse ir além desse nível e pudesse disputar um torneio oficial. Seria certamente um dia histórico, não?

Pois é: esta foi a fronteira ultrapassada pelo Palestra Italia há exatos 100 anos. Foi em 13 de maio de 1916, 28º aniversário da abolição da escravatura, que o clube de menos de dois anos de idade entrou no campo da Floresta envergando a Cruz de Savoia para ganhar o primeiro ponto de sua história.

Desde 1915 o Palestra pleiteava inscrição à APSA (Associação Paulista de Sports Athleticos), que organizava um dos torneios estaduais de então – na época vigia a cisão do Campeonato Paulista entre ela e a LPF, Liga Paulista de Foot-ball. O clube, contudo, foi recusado em seu primeiro ano de vida.

O quadro mudou em 1916 com a exclusão do Scottish Wanderers, acusado de profissionalismo. Talvez o Palestra até conseguisse vaga no torneio sem este fato (afinal eram sete os participantes), porém a saída dos escoceses facilitou a entrada da equipe tricolor (sim, verde, branco e um tantinho de vermelho). Justamente naquele ano, porém, o Corinthians estava na LPF (uma consequência do confronto entre clubes de elite e populares; mais sobre o tema pode ser lido aqui) e por esta razão o Derby só nasceria um ano depois.

Enfim, o fato é que às 16 horas daquele sábado o árbitro Irineu Malta deu início não só à partida e ao Campeonato Paulista daquele ano (era o jogo inaugural do torneio), como a uma história que hoje completa uma centena de anos. Veja como o match foi anunciado no jornal O Estado de S. Paulo daquele dia:

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Com a bola rolando, Zecchi abriu o placar para o Mackenzie; o Palestra Italia empatou ainda no primeiro tempo com Dante Vescovini (algumas fontes dizem Valle II, mas nos parece que isto está errado). E o placar não mais se alterou. O estreante do dia não foi dobrado por um clube que participava pela 11ª vez do torneio, e começou com um bom resultado sua trajetória rumo ao gigantismo nas competições que disputa. Eis o relato do jogo no Estadão:

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No fim das contas, acabou sendo um torneio de aprendizado: o Palestra venceu apenas 2 dos 12 jogos (Ypiranga, na segunda rodada, e o Santos, no primeiro jogo oficial do Alviverde que futuramente seria definido como clássico) e acabou em sexto, à frente somente do time que homenagearia 26 anos depois em meio à Segunda Guerra. O Mackenzie foi o terceiro, e o Paulistano terminou com o primeiro título da sequência que culminou no único tetracampeonato paulista – que não virou penta porque o jovem time de 1914 já não era tão jovem assim em 1920, e em seu quinto ano conquistou sua primeira taça.

O tempo passou, o nome mudou e hoje a Sociedade Esportiva Palmeiras segundo nossas contas soma – tome fôlego – 4402 partidas oficiais, que nos renderam 44 taças (grosso modo, uma a cada cem partidas). Mas, como diz o provérbio, uma caminhada de mil léguas começa com o primeiro passo – e é este passo que agora chega aos três dígitos e merece ser lembrado como capítulo fundamental de nossa história.

FICHA TÉCNICA (retirada do Mondo Palmeiras):

13/05/1916 – Palestra Italia 1 X 1 Mackenzie

Palestra: Fabbrini; Grimaldi e Ricco; Bianco, Fabbi I e De Biasi; Gobbato, Valle II, Dante Vescovini, Bernardini e Cestari

Mackenzie: Arnaldo; Plínio e Claudino; Campos, Pestana e Shelders; Jarbas, Oscar, Maciel, Zecchi e Cassiano

Local: estádio da Floresta

Gols: Vescovini (Palestra) e Zecchi (Mackenzie)

Árbitro: Irineu Malta

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Os primeiros cornetados

*

A seguir, uma relação dos jogos oficiais disputados pelo Palmeiras até hoje. Como toda lista do tipo, há casos dúbios. Alguns torneios foram retirados, como os Campeonatos Paulistas Extras, Torneio dos Campeões Rio-São Paulo, Copa Bandeirantes, Taças Cidade de São Paulo e os Torneios Início, porque… não sei, porque não me convenci de que deveria listá-los.

Os valores e competições alinhados à direita estão ali somente para destrinchar melhor os números (não foram somados duas vezes). Os jogos que valeram ao mesmo tempo pelo Paulista e Rio-São Paulo – entre eles o histórico 8×0 sobre o Corinthians – foram contados em ambas as competições mas descontados uma vez no final, de modo que o total reflete realmente o número de vezes que o Palestra Italia/Palmeiras entrou em campo.

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Parte dos 40.000 que nos empurraram rumo ao tri

“Bate no peito e fala: o Palmeiras é grande”. O lendário discurso de Zé Roberto no primeiro jogo oficial da temporada no fundo era desnecessário; quem afinal poderia negar a grandeza do maior campeão nacional? Era, porém, compreensível: tão machucado nos últimos anos, a ponto de um presidente rival debochar de um tal “apequenamento”, volta e meia o clube tinha que relembrar seu tamanho a quem só via os resultados recentes.

Ontem, amigos, vimos que o Palmeiras não é grande: é gigante. Há muito tempo, hoje e eternamente. O próprio Zé Roberto disse isso e fico muito feliz que o tenha feito, pois eu havia pensado nessas palavras, neste título, antes mesmo de ouvi-lo.

No 11 contra 11 o Santos até podia ser mais qualificado. Mas no 40 mil contra 11, para não citar os tantos que entupiram a Turiassu (Palestra Itália, desculpem, é o estádio), não tinha como: a torcida apropriou-se do time como há tempos não se via, e como poucos conseguem. Esqueçam as derrotas no Allianz para os Goiases e Pontes: na hora do aperto já nos sentimos verdadeiramente em casa e rapidamente aprendemos a fazer dela um caldeirão – Inter, Flu e agora o Santos que o digam. Bons tempos ainda virão.

Este Palmeiras que empurrou o alvinegro contra as cordas desde literalmente os primeiros segundos, quando Gabriel Jesus podia ter aberto o placar, pode ter mantido seus incontáveis chutões pro alto, mas mesmo assim foi senhor do jogo. O leve time santista viu-se enredado e sofreu demais na primeira metade do primeiro tempo. Lá pelos 30 minutos, o ímpeto arrefeceu um pouco mesmo antes da saída do camisa 33, que forçou uma mudança de estratégia que não pôde ser efetivamente aplicada antes do intervalo. Foi nosso pior momento.

Em compensação, após o reinício… sim, tinha bicão; sim, tinha passe errado. Mas houve luta, apetite, gana, vontade. Se eu tinha uma certeza antes da decisão era que não seríamos derrotados pelo Santos tão facilmente quanto Corinthians e São Paulo haviam sido. E, num lance tão bem feito que surpreendeu até a própria torcida, Barrios, Robinho e Dudu fizeram o adversário provar de seu veneno: era o primeiro gol, e o adversário se encolheu ainda mais a partir de então. Mérito e muito também do tão criticado – por mim mesmo! – Marcelo Oliveira. Ontem, foi de se tirar o chapéu (chapéu? Dudu?).

Vieram mais mudanças, o Palmeiras começou a ceder um pouco de espaço, mas ainda estocava. E de tanto insistir, encontrou o segundo numa bola alçada, a que tanto criticam para dizer que o time não tem recurso mas que vale tanto quanto qualquer outra.

Dois a zero, era só segurar alguns minutos. Ou seja, era óbvio que vinha bucha – não seguramos as vantagens que chegamos a ter nas quartas antes de Andrei Girotto ter seu momento de herói e nas semis antes de um cambaleante Fred fazer o Flu ressurgir. E foi justo de Ricardo Oliveira, o Viola da vez.

A disputa de pênaltis fez com que Dudu deixasse de ser o nome do jogo, ele que nem jogou tão bem assim, mas estava no lugar certo na hora certa (e como isso conta, não, Betinho?). Era hora de surgir uma lenda. Um novo gigante.

Em 9 de julho de 1978 o Palmeiras arrancou um empate contra o São Paulo aos 42 do segundo tempo, gol de Beto Fuscão, e se manteve vivo na campanha que terminaria no vice-campeonato nacional. Mas hoje em dia isso pouco importa. O fato relevante foi que naquele dia, a 1100 km do estádio do Morumbi, mais precisamente na ex-capital gaúcha Viamão, veio ao mundo um piá que recebeu o nome de Fernando Büttenbender Prass. E que, 37 anos e 146 dias depois, este já legítimo membro do panteão que acolhe Oberdan, Valdir, Leão e Marcos colocou-se de vez na história alviverde. Com a diferença de que foi decisivo não só com as mãos mas também com os pés.

O que ele fez vocês viram; só digo que eu fiquei com inveja. Como eu queria ser Fernando Prass na hora que o chute forte, seco e reto decretou o tricampeonato da Copa do Brasil. Como eu queria ser o homem que, fazendo ainda mais do que dele se esperava – e dele se esperava muito, deixou em êxtase milhões de palmeirenses paulistanos, acrianos, suecos. Prass já tinha uma taça dessa mesma competição, erguida pelo Vasco, mas é impossível que ontem não tenha sido seu momento mais sublime calçando luvas e chuteiras.

O capitão e líder Zé Roberto fez as honras da casa ao levantar o troféu do dodecacampeonato nacional verde. E então fez a única coisa que podia fazer: entregá-lo a quem tornou sua conquista possível desde o jogo da ida, em que já havia sido monumental.

E eu quis ser Prass de novo.

*

Atuações:

Fernando Prass – há conquistas que, anos e anos depois, remetem imediatamente a um personagem. 1993 é Evair. 1994 é Rivaldo. 2015 será para sempre Fernando Prass.

João Pedro – era o ponto frágil e se mostrou como tal. Dou um desconto pois vinha sem jogar com regularidade, foi bem no ataque e é mesmo difícil marcar o bom ataque santista. 6

Jackson – boa partida apesar de ratear no gol. A ótima cobrança de pênalti (mais uma) limpou a barra. 8

Vítor Hugo – excelente. 9

Zé Roberto – o cara que tentava passar a bola enquanto os outros iam de bola pro mato. 8

Matheus Sales – jantou Lucas Lima e não tenho medo de cravar: tornou-se ídolo. 10

Arouca – mais calmo que no primeiro jogo, mas coadjuvante de seu jovem parceiro no meio-de-campo. 8

Robinho – não é o 10 que precisamos, mas se esforçou demais para ser o que ia resolver. Resolveu. 9

Gabriel Jesus – o gol perdido tira pontos. O resto do jogo soma. O resto do torneio, mais ainda. 8

Barrios – partida excepcional para um jogador que precisa urgente de férias após emendar uma temporada e meia sem descanso. Vai arrebentar em 2016. 10

Dudu – s.m. : “Volta por cima”. 10

Rafael Marques – participou do segundo gol. Fiquemos com isso. 7

Cristaldo –  não deve e não deveria ficar. Se for assim, fechou com 100% em pênaltis decisivos. 8

Lucas Taylor – se João Pedro entrou na fogueira, Taylor pegou um incêndio. Se virou como pôde. 7

Marcelo Oliveira – contra títulos há poucos argumentos. Vai ficar, sem sombra de dúvida. É ver o que fará com o elenco tendo o início do ano e o Paulista pra encaixar.

*

Ficha técnica:

PALMEIRAS 2 x 1 SANTOS
Data: 02/12/2015
Horário: 22h (de Brasília)
Competição: Copa do Brasil (final)
Local: Allianz Parque, em São Paulo (SP)
Árbitro: Heber Roberto Lopes (SC)
Assistentes: Emerson Augusto de Carvalho e Marcelo Carvalho Van Gasse (ambos de SP)
Gol: Dudu aos 11 e aos 39 minutos do segundo tempo (Palmeiras); Ricardo Oliveira aos 41 minutos do segundo tempo (Santos).
Pênaltis: Palmeiras – Zé Roberto (gol), Rafael Marques (Vanderlei), Jackson (gol), Cristaldo (gol), Fernando Prass (gol); Santos – Marquinhos Gabriel (fora), Gustavo Henrique (Fernando Prass), Geuvânio (gol), Lucas Lima (gol), Ricardo Oliveira (gol)
Cartões amarelos: Gabriel (Santos); Matheus Sales, João Pedro e Dudu (Palmeiras)
PALMEIRAS: Fernando Prass, João Pedro, Jackson, Vitor Hugo e Zé Roberto; Matheus Sales, Arouca, Dudu, Robinho e Gabriel Jesus (Rafael Marques); Barrios (Cristaldo). Técnico: Marcelo Oliveira.
SANTOS: Vanderlei; Victor Ferraz, David Braz (Werley), Gustavo Henrique e Zeca; Thiago Maia (Paulo Ricardo), Renato e Lucas Lima; Gabriel (Geuvânio), Ricardo Oliveira e Marquinhos Gabriel. Técnico: Dorival Júnior.

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Um homem e seu destino

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Cem anos passam voando, não? Ainda mais quando desde meninote conheceste glórias. Mal seis anos eram passados e o primeiro Paulista já luzia em teu recém-comprado Parque Antarctica, casa adquirida com tanto sacrifício.

Cresceste rápido, arrebanhaste multidões e os troféus tomaram-te muito espaço. Tiveste períodos de fartura e de faltura, um dos quais o que ora vivemos, em que és comandado por gente com cabeça mais velha que ti. Bom, esqueçamos isto por um instante, não é hora de queixumes. Não devíamos aceitar teus desatinos, mas eu e teus outros quinze milhões de devotos estamos contigo há muito tempo, na alegria e na tristeza, e caminhamos juntos. Já tentei – sem muito esforço, é verdade – te deixar. Mas não consigo.

Alistei-me em tua legião há pouco mais de trinta anos, sabe-se lá como. Na minha família só há um tio que te escolheste, imigrante não italiano como tantos e tantos de tuas fileiras, mas súdito não praticante. De resto, aqueles que cresceram com a ilusão que uma Vila fosse maior que uma Academia, outros que torcem por quem tentou nos destruir em 42, e meu pai, caso único de alvinegro paulistano: alvinegro campineiro. Sempre gostei disso, de saber que fiz minha opção livre de qualquer influência e sempre a mantive inabalável.

Por um lado, foi difícil crescer sem ter quem me contasse sobre teus Ademires, Dudus, Jaíresrosaspinto, Julinhos, Junqueiras, Leivinhas. Até hoje sinto uma ponta de inveja de quem já nasceu com sua sorte selada. Por outro lado, fui te desvelando eu mesmo pouco a pouco. Tua história era a que eu descobria e construía, em anos de tanto sofrimento. Ah sim, me fizeste sofrer desde cedo. Eram poucas as crianças que partilhavam comigo a agonia dos anos oitenta. Não me esqueço, nunca me esquecerei, de quando me disseram que sequer tinhas um hino. Maldade infantil, claro, e nos meus oito anos eu acreditei, pois que não tocava nunca.

Tento me recordar de quando te conheci ao vivo. Minha memória jura que foi numa vitória contra o Botafogo no Pacaembu por 3 a 2 em 1985 – porém há anos venho aqui trazer tuas histórias a quem quer te compreender melhor, e sei que esse jogo não existiu.

O primeiro que estou certo de ter presenciado foi naquele mesmo ano. E pouco poderia ter mais a ver com aqueles anos bicudos que aquela magra vitória contra o Juventus tenha vindo com um solitário gol de Reinaldo Xavier. Mas podias ter perdido que mesmo assim meu destino estava traçado. Não te abandonei depois de 1986, nem depois de testemunhar uma inesquecível surra de 4 a 1 da Portuguesa. Ensinaste-me desde cedo que o caráter se forja à custa de muita provação. Nem precisava tanto, sabe?

Vi um dos raros amigos que se dizia teu fã bandear-se para outro lado; lamento por ele, que nunca soube o que é ter sua alma inebriada por algo que nos move cegamente. Pode-se trocar de time; não se pode mudar de paixão.

Chorei contra um tal Bragantino em 1989, a única vez que me fizeste verter lágrimas. Será que eu nunca conheceria o gosto do triunfo? Amargurado, segui a teu lado, quase sempre solitário, a não ser pelo irmão menor cujo sangue tingi de verde.

E veio 1993. Eu mudei de escola, tu havias mudado de tom de camisa. Mudara para um colégio de grande porte, assim como – finalmente! – teu plantel.

Não tive o gosto de gritar campeão ante aqueles que tanto me espezinharam, mas mesmo assim me senti livre. Foi naquele doze de junho que entendi a expressão “estar nas nuvens”. Tanto já falei sobre isso, e ainda assim meus olhos até hoje se umedecem ao lembrar daquele instante sublime. De perceber que nunca mais a outra parte do estádio cantaria “um, dois, três, …”, crescendo até quase o infinito para então cantarem parabéns a você. De comprovar que sim, havia um hino!

Dali em diante me tornei exigente. Ao osso que roí, seguiram-se banquetes. Foram taças em profusão, partidas inesquecíveis, estádios lotados te empurrando rumo a teu devido lugar. Depois, um novo século, um novo vazio recheado de decepções permeadas por algum soluço de glória. Ainda estamos dentro deste buraco negro, tentando espichar a cabeça para ver aquele dia ensolarado com que tantas vezes nos brindaste.

Hoje sofro e me alegro por dois. Já te garanti um pequeno seguidor, que deixaste ser teu mascote envergando teu manto (e, ainda bem, venceste naquele dia). Vou contar a ele sobre teus Evaíres, Marcos e Rivaldos na esperança – mais que isso, na certeza – de que em breve tu lhe darás seus próprios ídolos, suas próprias conquistas.

Porque teus triunfos são teus e, à sua maneira, de cada um de nós. E, por nos apropriarmos de cada um de teus momentos, és parte inseparável do que somos.

Parabéns, Palmeiras. E obrigado, hoje e sempre.

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Seu Bolacha foi minha referência de infância na narração da TV – muito acima de Galvão Bueno ou qualquer outro.

Por isso, fiquem com Luciano do Valle contando alguns momentos de nossa trajetória.

 

 

 

 

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Adeus, professor.

Faleceu ontem, em São Paulo, aos 81 anos, Mário Travaglini.

Ex-zagueiro, treinador e dirigente, Travaglini dedicou sua vida ao futebol. Começou a carreira aos 16 anos, nos juvenis do Clube Atlético Ypiranga, e fez sua estreia pelos profissionais aos 21. Como jogador, teve passagens também por Palmeiras, Nacional e Ponte Preta. Pendurou as chuteiras cedo, aos 29 anos, tendo disputado 31 partidas com a camisa alviverde entre 1955 e 1958. 

Mas foi como treinador que Travaglini deixou sua marca no futebol. Responsável por introduzir as variações táticas europeias no país e combiná-las ao talento natural dos jogadores brasileiros, Travaglini iniciou a carreira de técnico nos juvenis do Palmeiras, em 1963, e rapidamente assumiu o time principal. Como treinador do escrete palestrino, Travaglini foi comandante da Primeira Academia, conquistando os títulos Paulista de 1966, e a Taça Brasil (cujo vídeo você pode ver aqui) e o Robertão de 1967.

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O Divino e o Comandante

Permaneceu no Palmeiras até 1971, quando pegou a ponte aérea e foi treinar o Vasco. No clube carioca, além de ter sido o responsável por revelar Roberto Dinamite, levou a nau vascaína ao título Brasileiro de 1974. Em 1976 foi para o Fluminense, onde foi campeão carioca, permanecendo até o início de 1977. Entre 1978 e 1981, atuou como supervisor da seleção brasileira, auxiliando Coutinho na Copa da Argentina.

De volta da seleção, Travaglini assumiu o Corinthians, onde foi um dos técnicos da Democracia. Responsável por revelar Casagrande, conquistou o título Paulista de 1982 pelo rival. Treinou também o São Paulo, mas sem o mesmo brilho.

Voltou ao Palmeiras em 1984, onde alcançou o quarto lugar no Paulista daquele ano. Chegou a treinar o Vitória, em 1987, e rodou por algumas equipes de São Paulo até encerrar a carreira como treinador, no início da década de 90. Como dirigente, atuou como presidente do sindicato dos treinadores de São Paulo.

Seus feitos como treinador nos fizeram escolhê-lo como maior treinador paulista que tivemos. Reconhecimento justo para este grande profissional que nos comandou durante 175 partidas.

O IPE transmite os sentimentos à família de “seo” Mário, mais uma figura indelével da gloriosa história do Campeão do Século. Obrigado!

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Aqui, em sua segunda passagem como técnico

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A primeira Copa Mercosul foi nossa!

A primeira Copa Mercosul foi nossa!

Hoje o Palmeiras comemora 15 anos da conquista de um título que foi o ‘vestibular’ da Libertadores: a Copa Mercosul 1998. Era a primeira edição do torneio e foi tratada com extrema importância pela equipe de Felipão, que havia chegado ao clube em 1997 e tinha à disposição um grande elenco precisando de títulos (uma pequena pausa: que ironia! não ganhávamos algo desde 1996 e havíamos sido vice-campeões brasileiros no ano seguinte, mas acontece que àquela época um ano sem ganhar nada era encarado como tragédia, bons tempos… voltando). Aquele torneio era a oportunidade de erguer uma taça continental e trazer confiança. Deu certo e o troféu veio mesmo para o Palestra Itália, como poderia ter vindo em 1999 e 2000, mas aí são outras histórias.

A Copa Mercosul foi a sucessora da Supercopa e predecessora da Copa Sul-Americana, com um formato bastante diferente do utilizado na competição que temos hoje. Vinte clubes de Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Chile disputariam o torneio, organizado pela Conmebol e gerido pela Traffic (que conheceríamos muito ‘bem’ em 2o08). O critério para a escolha de seus participantes não foi nada convencional: audiência de TV. Posto isso, os clubes que participaram naquele ano foram: Palmeiras, Cruzeiro, São Paulo, Corinthians, Flamengo, Vasco, Grêmio, San Lorenzo, Independiente, Vélez Sarsfield, Boca Juniors, River Plate, Racing, Nacional – URU, Peñarol, Colo-Colo, Universidad de Chile, Universidad Católica, Cerro Porteño e Olímpia. Divididos em 5 grupos e jogando em ida e volta, os primeiros colocados e os três melhores segundos passavam para as quartas-de-final. A curiosidade ficava pela disputa da final ser em até 3 partidas caso necessário – o que foi o caso naquele ano.

(Pouca gente lembra, mas para não ouvir muitos protestos dos clubes dos outros países a ela afiliados, a Conmebol inventou uma Copa Merconorte – nome sem nenhum sentido real – para equipes do Peru, Bolívia, Venezuela, Equador e Colômbia, país que triunfou nas quatro edições realizadas)

O Palmeiras era do Grupo B, junto com Nacional, Independiente e Universidad de Chile, e a primeira partida da história da competição foi justamente do Verdão: num Morumbi gélido e vazio, vitória de virada contra os argentinos por 2 a 1.

A partida seguinte foi histórica: em pleno Centenario, um massacre por 5 a 0 sobre o Nacional. Era o prenúncio de uma campanha perfeita na primeira fase, em que se seguiram vitórias por 2 a 1 contra La U (notem o belíssimo gol da vitória) e 3 a 0 contra o Independiente, ambas fora de casa, depois 3 a 1 no Nacional e 1 a 0 nos chilenos no Brasil. Foram 16 gols a favor e somente 3 contra.

Nas quartas-de-final, o adversário foi o poderoso Boca Juniors, na primeira prova de fogo daquela equipe; a primeira partida foi em casa (vai entender) e o Palmeiras venceu por 3×1, na volta na Argentina o placar terminou empatado em 1×1. Classificação garantida e a próxima fase nos reservava o Olímpia. Mais uma vez decidindo fora, o Verdão venceu as duas partidas: 2×0 em casa e 1×0 fora, em jogo que não terminou devido ao tradicional esporte latino-americano de lançamento de artefatos à escolha do participante.

Enquanto isso, o Cruzeiro eliminava o San Lorenzo e se classificava para a grande final contra o Palmeiras. Seria um grande tira-teima, pois as equipes já haviam se enfrentado seis vezes naquele ano, sendo cinco delas muito importantes: as duas da decisão da Copa do Brasil, que levamos, e as três das quartas-de-final do Brasileiro, no qual o outro ex-Palestra Itália levou a melhor.

Pela melhor campanha em todas as fases o alviverde mandaria a partida de volta da final e a partida de desempate, se houvesse. No Mineirão perdemos por 2×1 (Marcelo Ramos e Fábio Júnior para o Cruzeiro e Roque Jr para o Palmeiras) e apesar da vitória de virada por 3×1 no Palestra Itália (Cléber, Oséas e Paulo Nunes para o Palmeiras e Fábio Júnior para o Cruzeiro) seria necessário o terceiro jogo por não existir o critério de saldo de gols.

A última partida seria novamente no Palestra Itália e qualquer vitória dava o caneco ao Verdão. E ela foi magra; ficou a cargo de Arce marcar o gol da partida que sagrou o Palmeiras campeão. No simulado da Libertadores, o Palmeiras passou com louvor.

Partida completa:

Melhores Momentos:

FICHA TÉCNICA

29/12/1998 – 3ª partida – Final Copa Mercosul
Palmeiras 1 x 0 Cruzeiro (Arce, 16′ 2ºT)
Campeão: Palmeiras
Estádio: Palestra Itália, São Paulo (SP)
Público: 29.450
Renda: n/d
Árbitro: Luciano Augusto Teotônio Almeida (DF)
PALMEIRAS: Velloso, Arce, Júnior Baiano, Roque Júnior, Júnior, Tiago, Rogério, Alex (Almir), Zinho, (Agnaldo), Paulo Nunes, Oséas (Pedrinho). Técnico: Luiz Felipe Scolari
CRUZEIRO: Dida, Gustavo, Marcelo Djian, João Carlos, Gilberto, Ricardinho (Caio), Marcus Paulo, Valdo, Müller (Alex Alves), Marcelo Ramos, Fábio Júnior. Técnico: Levir Culpi
GOLS: Arce – 16′ 2º T
CARTÕES AMARELOS: Tiago, Zinho e Pedrinho (Palmeiras), Marcelo Dijan, João Carlos e Marcelo Ramos (Cruzeiro)
CARTÕES VERMELHOS: Marcelo Ramos (Cruzeiro)

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Os primeiros campeões

Os primeiros campeões

Esta quinta-feira marca o aniversário de duas conquistas importantíssimas de nosso Alviverde Imponente: os 20 anos do título de 1993, que contamos aqui, e, inversamente, os 93 anos do título de 1920, a primeira de tantas e tantas taças que orgulham o palmeirense. E é deste triunfo, tão essencial quanto desconhecido, que vamos tratar aqui.

O Campeonato Paulista de 1920 começou com um favorito; afinal, o então campeão tinha vencido não só a edição de 1919 como as três anteriores – foi o famoso tetracampeonato do Paulistano até hoje não igualado no Estado (o Santos este ano perdeu a chance de fazê-lo). O time do Jardim América somava sete títulos nas 18 edições disputadas, e ainda por cima contava com o grande craque brasileiro da época, Arthur “El Tigre” Friedenreich.

Ainda assim, havia um rival que parecia ter encontrado um caminho para encarar o bicho-papão: era o Palestra Itália, que até o último jogo da edição anterior estava com chances – em 1919, o último jogo do campeonato foi Paulistano x Corinthians. O Palestra estava um ponto à frente do tricampeão, e portanto torcia para que seu futuro arquirrival vencesse a partida, ou ao menos empatasse, forçando um jogo-extra. Mas os alvinegros perderam por 4 a 1 e com isso impediram que os palestrinos levantassem a taça cinco anos após sua fundação. O alerta, porém, estava dado: os italianos chegaram para valer. E, junto com ele, os já importantes rivais – o Corinthians, terceiro colocado em 1919, também tinha uma equipe competitiva. O pentacampeonato não viria facilmente.

O torneio de 1920 seguiu os moldes habituais de então: 10 times jogando em turno e returno. Só que o Santos decidiu prematuramente abandonar o torneio após apenas sete partidas (entre as quais uma derrota para o Palestra por 3 a 2 e os vexaminosos 0x11 contra o Corinthians que até hoje constituem a pior derrota da história peixeira); foram assim 16 partidas para cada equipe.

A estreia palestrina no certame não poderia ser mais animadora: de cara, um Derby. E, como no primeiro, disputado três anos antes, o clube mais jovem venceu por 3 a 0, dois de Heitor e um de Ministro, na tarde de 25 de abril. Desta forma, a equipe já largava deixando um concorrente para trás, enquanto o Paulistano tinha uma estreia café-com-leite – bateu o Santos, em jogo posteriormente anulado.

Dois dias depois, um fato que impulsionaria o Palestra naquela campanha e, mais que isso, mudaria a história quase centenária do campeão do século: no dia 27 de abril, o clube assinava a compra do Parque Antarctica. A jovem associação tomava fumaças de gente grande.

Para embalar ainda mais, na segunda rodada o tetracampeão teve um surpreendente tropeço ao empatar com o fraco Minas Gerais, que em seguida também foi o segundo time no caminho do Palestra. Ao vencer, o time comandado por Bianco assumiu a liderança. Dali por diante, os favoritos foram atropelando seus adversários um a um – o Paulistano chegou a fazer 12 a 0 sobre a AA Palmeiras, que nos legaria o nome; para não ficar atrás, o Palestra massacrou o SC Internacional por 11 a 0, na nossa até hoje maior goleada em jogos oficiais.

Assim, o primeiro turno teve na última rodada o encontro entre o Palestra 100% e o Paulistano com um ponto perdido. O duelo do Parque Antarctica – assumido de vez pelo Palestra na terceira rodada num 7 a 0 sobre o Mackenzie então associado à recém-fundada Portuguesa – foi disputado, e terminou num empate por 1 a 1 que deixava o time da Água Branca na liderança, mas mantinha o campeonato aberto.

O segundo turno começou com um susto: em pleno Parque Antarctica, o Corinthians levou a melhor por 2 a 1. Era o começo de uma recuperação tardia do arquirrival, que após um fraco primeiro turno venceu todas as partidas da segunda etapa. Nem assim conseguiu o título, pois Palestra e Paulistano tropeçaram pouco.

Muito pouco, aliás: o Palestra só perderia um ponto para as equipes fora da briga, contra o Ypiranga, enquanto o Paulistano largaria dois na derrota ante o São Bento. Com isso, o ainda alvirrubroverde abriria dois de vantagem para o alvirrubro.

E assim Paulistano e Palestra chegaram para a última rodada: os detentores do título com 24 pontos, fruto de 11 vitórias, 2 empates e duas derrotas. Os desafiantes, com 26 unidades, uma vitória a mais e uma derrota a menos. O empate seria suficiente para sua primeira volta olímpica – tradição que, é verdade, ainda não existia.

Mas, no estádio da Floresta, o Paulistano fez valer o sangue-frio de quem sabia ser campeão. Sofreu, mas Friedenreich marcou o gol que bastou para o triunfo e para provocar uma partida-desempate. Por mais uma semana o Palestra permaneceria com sua prateleira vazia.

A partida decisiva teve lugar, óbvio, em 19 de dezembro de 1920. Novamente o duelo, cujo relato pode ser visto aqui e depois aqui, teve lugar na Floresta, mas o resultado final seria outro. O Palestra tomou a iniciativa desde o começo, e, se fosse uma luta de boxe, teria vencido o primeiro tempo por pontos. Mas tratava-se de futebol, e o placar se manteve em zero a zero.

Água mole em pedra dura, entanto, sabemos no que dá, e aos 10 minutos do segundo tempo a cidadela paulistana caiu: Martinelli entrou driblando, bateu cruzado e venceu Arnaldo. Um a zero.

Não deu nem tempo de comemorar: um minuto depois, Mário Andrada chutou forte e Primo nada pôde fazer. Era o empate, e um dos campeonatos mais disputados da história seguia sem dono.

A pressão palestrina era cada vez maior; o Paulistano vivia de esporádicos contra-ataques. E finalmente veio o nocaute: Heitor encontrou Forte, que invadiu em alta velocidade e fuzilou a meta adversária; faltavam ainda alguns minutos, mas na base do bola pro mato o Palestra tratou de impedir qualquer reação tardia. O tempo passou sofregamente, mas enfim o ex-craque alemão Hermann Friese deu a contenda por encerrada.

Naquele minuto, um novo campeão surgiu, mas quem poderia dizer que aquele seria apenas o começo de uma trajetória tão fulgurante?

Hoje, lembramos muito do título de 1993, a cereja no bolo de um ano espetacular. Mas não podemos nos esquecer que a conquista de Evair, Edmundo e companhia talvez não existisse se, naquela tarde de domingo 73 anos antes, uma esquadra agora praticamente desconhecida não tivesse aberto de maneira brilhante a trilha de sucesso que ora tentamos retomar.

Campanha

25/04/1920 – Corinthians 0 x 3 Palestra Itália

09/05/1920 – Minas Gerais 1 x 3 Palestra Itália

16/05/1920 – Palestra Itália 7 x 0 Mackenzie

30/05/1920 – Santos 2 x 3 Palestra Itália (depois anulado)

04/07/1920 – Palestra Itália 4 x 1 A.A.São Bento

18/07/1920 – A.A.das Palmeiras 0 x 5 Palestra Itália

01/08/1920 – Palestra Itália 1 x 0 Ypiranga

08/08/1920 – Palestra Itália 11 x 0 Internacional

15/08/1920 – Palestra Itália 1 x 1 Paulistano

05/09/1920 – Palestra Itália 1 x 2 Corinthians

03/10/1920 – Palestra Itália 0 x 0 Ypiranga

17/10/1920 – Palestra Itália 4 x 0 Mackenzie

31/10/1920 – Palestra Itália 1 x 0 Minas Gerais

07/11/1920 – Internacional 1 x 6 Palestra Itália

15/11/1920 – São Bento 0 x 1 Palestra Itália

21/11/1920 – Palestra Itália 5 x 0 A.A. das Palmeiras

12/12/1920 – Paulistano 1 x 0 Palestra Itália

19/12/1920 – Paulistano 1 x 2 Palestra Itália

Total: 17 jogos, 13 vitórias, 2 empates e 2 derrotas, 55 gols a favor e 9 contra

Ficha Técnica – Paulistano 1 x 2 Palestra Itália

Local: Floresta

Data: 19/12/1920

Árbitro: Hermann Friese

Paulistano: Arnaldo; Carlito e Guarani; Sérgio, Zito e Mariano; Agnello, Mário, Friedenreich, Guariba e Cassiano

Palestra Itália: Primo; Oscar e Bianco; Valle, Picagli e Bertolini; Martinelli, Federici, Heitor, Ministro e Forte

Gols: Martinelli, aos 10, Mário Andrada, aos 11, e Forte, aos 32 minutos do segundo tempo

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