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Posts Tagged ‘Academia’

Jorginho veio do Marília

Por Nivaldo Nocelli*

Pego carona na ideia das seleções do IPE para demonstrar o meu desconsolo com o atual Campeonato Paulista, cujos times perderam a identificação com as cidades e, pior, não revelam mais ninguém. É suficiente lembrar que a última promessa interiorana a chegar ao Palmeiras foi Tinga, da Ponte.

Basta ver, abaixo, a lista de revelações que o Palmeiras trouxe diretamente de clubes interioranos no tempo em que, mal terminava o Paulista, os clubes (não os empresários) saiam no tapa para firmar contrato com os jovens jogadores que se destacavam na vitrine do interior.

Era o tempo em que os diretores de futebol dos grandes de São Paulo (e do Rio) tinham que demonstrar astúcia e disponibilidade financeira para as contratações. Com essa demanda, os clubes do interior tinham fôlego financeiro para prosseguir no garimpo de novos valores, fortes na missão de ser o “celeiro de craques”. Até que surgiu a Lei Pelé…

Salvo algum previsível engano, relacionei apenas os jogadores adquiridos diretamente de clubes do interior. Por isso, um craque como Evair (revelado no Guarani, mas trazido da Atalanta) não está nesse elenco.

Negritei os titulares e, por birra, deixei Roberto Carlos no banco, reserva do Ferrari. Havia um ponta-direita que veio do São Bento, Copeu, uma espécie de Luan dos anos 60, que não entrou nessa lista, pois me contive e resolvi estabelecer certo nível técnico para os jogadores de linha.

Ah, também tenho uma especial admiração pelo rompedor Ademar Pantera que forma um ataque demolidor junto com Romeu (que, garanto aos leitores, não vi jogar, assim como Américo e Mazzola, mas estão escalados com base nos informes históricos). De resto, ótimos suplentes. A única posição em que há um titular que nada de braçada é a do gol: nenhum foi do nível do Leão.

Leão (Comercial) /  Donah (XV Piracicaba) / Chicão (São Bento) / Neuri (América) / Rosan (Ferroviária)

Eurico (Botafogo) / Gil Baiano (Bragantino) / Benazzi (Comercial)

Luiz Pereira (São Bento) / Baldochi (Botafogo)

Roque Jr (São José) / Polozzi (Ponte)

– Ferrari (Guarani) / R.Carlos (União SJ)

– Dudu (Ferroviária) / Flávio Conceição (Rio Branco) / Jair Gonçalves (Comercial) / Pires (América) / Dorival Júnior (São José)

Djalminha (Guarani) / Américo Murolo (Linense) / Suingue (Prudentina)

Jorginho (Marília) / Carlos Alberto Borges (Comercial)

Mazzola (CA Piracicabano) / Edilson (Guarani)

Romeu Pellicciari (São João de Jundiaí) / Careca (Guarani) / Luisão (Guarani)

Ademar Pantera (Prudentina) / Nei (Ferroviária) / Pio (Ferroviária) / Baroninho (Noroeste)

Infelizmente, hoje não se pode esperar nada parecido com o que já tivemos antes.

*Nivaldo é Palmeirense e exigente (quase um pleonasmo, admitimos), pois cresceu vendo Ademir da Guia jogar.

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Há exatos 70 anos nascia Ele, que foi o domingo (e todos os outros dias da semana) dos Palmeirenses por 17 anos. O filho do ‘Seo’ Domingos completa 70 anos, e registramos aqui nosso parabéns e muito obrigado!

Formado na base do Bangu-RJ, o Divino chegou ‘em casa’ em 1961. Dono de uma técnica sobrenatural e estilo de jogo refinad0 – por diversas vezes chamado injustamente de lento – Ele colocou a 10 e nunca mais tirou. Essa que é a camisa D’Ele, até hoje está emprestada nas costas de outros jogadores. Nada que se diga aqui traduzirá a importância desse Senhor de feição calma, fala mansa e futebol ARREBATADOR para a Sociedade Esportiva Palmeiras. Foram nada menos que 901 jogos (recorde absoluto do clube), 153 gols, 12 títulos oficiais, sabe-se lá quantos MILHÕES de aplausos, sorrisos e encantamentos. Quem viu não esquece, quem não viu cultua sem duvidar. Ídolo máximo do clube, o Divino comandou as 1ª e 2ª Academias do Verdão.

Só mesmo alguém Divino para dar uma caneta no Rei

Com a missão ingrata de fazer frente ao Santos de Pelé, o Palmeiras do Divino não fez feio, pelo contrário. Único clube a conquistar títulos em SP durante a fase de ouro do time da Vila, os Paulistas de 63 e 66 e os dois Campeonatos Brasileiros de 1967. Comandando a meiuca, acompanhado por monstros do quilate de Dudu, Leivinha, Julinho, César Maluco e tantos outros, Ele não se intimidou pelo talento do outro camisa 10 e protagonizou duelos épicos, partidas inesquecíveis, campeonatos inacreditáveis.

Primando sempre pela qualidade, aos passos largos e passes precisos, Ele brilhou nos campos Brasileiros e também internacionais, sob sua batuta o Palmeiras conquistou 3 Ramón de Carranza e um Troféu Mar del Plata, 5 Campeonatos Brasileiros (recordista do clube), outros 5 Paulistas e 1 Rio-São Paulo. Apesar desse portfólio teve pouquíssimas chances na Seleção Brasileira, uma injustiça sem tamanho, um desperdício da parte da CBD. Um baita Azar… DELES!

As histórias a respeito D’Ele são infinitas, cada um de nós conhece algumas, sejam presenciais ou contadas por nossos Pais, Avós, Tios, amigos. Esse craque formou grande, ENORME parte da torcida Palmeirense. Não seria preciso sequer citar seu nome em lugar algum, sua alcunha e suas características o identificam tão bem ou até melhor que o nome próprio. Em algum lugar do tempo O Divino e a Sociedade Esportiva Palmeiras tiveram o privilégio e a felicidade de se juntarem, um é responsável pela grandeza do outro de alguma forma, ninguém teria sido melhor camisa 10 desse clube que Ademir da Guia. Obrigado Divino. Feliz Aniversário.

“Sem Ademir da Guia o Palmeiras é menos Palmeiras” – Treinador Rubens Minelli ainda nos anos 60.

“Ele está jogando demais. É para o Palmeiras o que o Pelé é para o Santos. Quem ganhou do Fluminense não foi o Palmeiras, foi o Ademir da Guia”. – Zagallo, em 1971, sobre a derrota do Fluminense para o Palmeiras na Copa Libertadores da América.

“A gente brincava de ‘bobinho’ nos treinos e tentava fazer o Ademir ir para o meio. Todo mundo tocava para ele com efeito, mas não tinha jeito. Do jeito que a bola viesse ele dominava. Eu não me lembro de uma única vez em que o Ademir tenha ido para o meio da roda.” – Leivinha, ex-jogador do Palmeiras.

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O melhor em campo

Com uma facilidade que não se via há tempos, o Palmeiras não tomou conhecimento do Botafogo e volta à capital trazendo os 3 pontos e a moral lá em cima. A vitória recolou a equipe na vice-liderança, a um ponto deles.

A partida começou bastante movimentada e o Palmeiras não demorou a se impor em campo. Na primeira grande chance do jogo Maikon Leite se enroscou com o zagueiro, caiu, pediu penalti, o árbitro mandou seguir e ele meteu um balaço defendido por Juninho. Alguns minutos depois, Maikon Leite novamente teve a chance de abrir o placar, aproveitando um rebote em chute de Assunção, mas que Juninho novamente salvou.

Barcos também teve suas chances. A primeira, após receber bom passe de M. Araújo, se livrar de dois zagueiros e chutar de canhota. Mais uma vez para a defesa de Juninho. A segunda em boa jogada de Maikon Leite que deixou Barcos na cara de Juninho. O matador driblou o goleiro, mas acabou sendo desarmado na sequência.

Quando parecia que o Palmeiras caminhava para fazer o nome do goleiro adversário, abriu-se a porteira. Em cobrança de falta, Valdivia tentou desviar, mas quem desviou foi o zagueiro ribeiro-pretano – 1×0.

O gol tornou o jogo ainda mais fácil. O Botafogo, precisando do resultado, passou a se expor mais, e ao Palmeiras coube apenas continuar a explorar a velocidade de Maikon Leite.

Foi então que apareceu no jogo Juninho. O nosso. E com um belo lançamento deixou Maikon Leite na cara do gol para fazer o segundo e sacramentar o placar do primeiro tempo.

Na segunda etapa, o panorama se manteve o mesmo. O Palmeiras pressionava e o terceiro gol, que parecia questão de tempo, veio com extrema categoria. Márcio Araújo arrancou do meio-campo, conduziu a bola em velocidade até quase a entrada da área e descolou passe para penetração de Juninho. O lateral foi inteligente e tocou para trás, em Valdivia, que dominou, cortou o zagueiro e passou para Barcos completar. Gol de futebol de salão.

O Botafogo então achou seu primeiro gol. Cruzamento tipo balão pelo lado esquerdo. Deola olhou, olhou, hesitou, e o veterano Alessandro cabeceou para o fundo das redes. Durante alguns minutos parecia que a equipe se acomodaria em campo, mas não foi o que aconteceu.

Daniel Carvalho, que entrara aos 21 minutos no lugar de Assunção (esse Felipão é um retranqueiro mesmo!), cobrou falta na medida para a cabeçada certeira de Ricardo Bueno, que entrara no lugar de Valdivia – 4×1.

O Botafogo ainda fez mais um, talvez na única jogada em que o time realmente falhou durante toda a partida. Artur acabou marcando contra após cruzamento rasteiro da direita.

Mas o Palmeiras queria mais, e não podia faltar o gol do melhor jogador em campo. Após boa jogada de D.Carvalho, Juninho aproveitou o rebote e fez o quinto. Não satisfeito, Juninho ainda sofreu o penalti que daria números finais à goleada. El Pirata cobrou com frieza e firmeza – 6×2.

Mais do que a vitória, a atuação do time e a maneira como os reservas têm se comportado mostram que a equipe incorporou o espírito dos times clássicos de Felipão. Com muita disposição e obediência tática. Se a equipe ainda peca em alguns momentos pela falta de um brilho a mais, compensa na base da vontade.

Na próxima rodada do paulistão o Palmeiras recebe a Ponte no Pacaembu, mas antes tem pela frente o Coruripe-AL, pela Copa do Brasil. A vitória deixa a equipe colada em seu arqui-rival e já dá para imaginar o Derbi que vem por aí, daqui dois domingos…

– Deola: falhou no primeiro gol e há quem diga que o segundo também era evitável. Destoou do resto da equipe – 3

– Artur: não tem a mesma habilidade e velocidade de Cicinho, mas em compensação dá muito mais segurança na defesa – 6

– L.Amaro: deu uma pixotada em uma bola que, sejamos honestos, recebeu meio na fogueira, mas de resto foi bem – 6

– Henrique: uma de suas melhores partidas no ano, sem sustos – 7,5

– Juninho: Participou diretamente de 2 gols e ainda deixou o dele. Melhor em campo – 9

– Araújo: boas arrancadas pelo meio. Além de proteger a zaga, também ajudou na construção das jogadas ofensivas – 7,5

– Assunção: discreto, participou do primeiro gol – 5,5

– João Vitor: boa movimentação. Sofreu penalti ignorado pelo fraquíssimo árbitro – 6,5

– Valdivia: ainda parece um pouco fora de ritmo mas claramente faz a diferença quando está a fim de jogo – 7

– Maikon Leite: soube explorar bem sua principal característica, deu trabalho à zaga adversária e deixou o dele – 7

– Barcos: quase fez dois golaços mas acabou anotando mesmo em gols de atacante oportunista – 8

– Daniel Carvalho: deu uma assistência e fez a jogada que originou o gol de Juninho – 7,5

– Patrik: entrou no lugar do Assunção e pouco apareceu – 6

– Ricardo Bueno: 15 segundos depois de entrar deu seu primeiro e último toque na bola na partida e mostrou ao menos ter estrela. Fez o que se espera de um atacante – 7

– Felipão: não encheu o time de volantes e o resultado foi a goleada. Equipe parece ter incorporado o padrão de jogo do gaúcho – 7

*Durante a semana passada noticiou-se a visita de César Sampaio à FPF para apresentar uma queixa formal à qualidade das arbitragens deste campeonato. Vendo a atuação do árbitro na partida de ontem, vê-se que a reclamação não surtiu efeito. O problema não é má intenção, mas sim ruindade mesmo. O nível da arbitragem nesse campeonato está sofrível.

FICHA TÉCNICA:
BOTAFOGO-SP 2 X 6 PALMEIRAS

Estádio: Santa Cruz, em Ribeirão Preto (SP)
Data/hora: 11/3/2012 – 16h
Árbitro: Vinicius Gonçalves Dias Araújo
Auxiliares: Alexandre Basilio Vasconcellos e Rodrigo Soares Aragão

Cartões amarelos: Murilo Ceará, Marquinhos e Alessandro (BOT); Maikon Leite (PAL)
Cartão vermelho: Marquinhos, aos 14’/2ºT e Juninho, aos 48’/2ºT (BOT)
GOLS: Marquinhos, contra, aos 23’/1ºT (0-1); Maikon Leite, aos 36’/1ºT (0-2); Barcos, aos 9’/2ºT (0-3), Alessandro, aos 32’/2ºT (1-3), Ricardo Bueno, aos 34’/2ºT (1-4), Marcos Aurélio, aos 42’/2ºT (2-4), Juninho, aos 45’/2ºT (2-5) e Barcos, aos 49’/2ºT (2-6)

BOTAFOGO-SP: Juninho; Alessandro, Marquinhos, Marco Aurélio e Murilo Ceará (Talles Cunha, intervalo), Daniel Paulista, Leandro Carvalho, Camilo (Álvaro, aos 6’/2ºT) e Alex; Caíque e Clebinho. Técnico: Vagner Benazzi.

PALMEIRAS: Deola; Artur, Leandro Amaro, Henrique e Juninho; Márcio Araújo, Marcos Assunção (Patrik, aos 28’/2ºT), João Vitor, Valdivia (Ricardo Bueno, aos 34/2ºT); Maikon Leite (Daniel Carvalho, aos 21/2ºT) e Barcos. Técnico: Luiz Felipe Scolari.

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A Academia de 1972: Eurico, Leão, Luís Pereira, Alfredo Mostarda, Dudu, Zeca; Edu, Leivinha, César Maluco, Ademir da Guia e Nei.

Um time que ajudou a manter uma família unida no momento mais difícil da vida de um garoto. A história que trazemos hoje nos foi enviada pela maior enciclopédia viva de São Bernardo do Campo, o engenheiro Luiz Penchiari; mais que uma partida, o relato trata de todo um período agitado, em que o Palmeiras estava lá para dar alegria a quem precisava.

*

Para um palmeirense da minha idade (52 anos) são muitos os jogos inesquecíveis. Tem o primeiro, que no meu caso foi aquele famoso 2×0 no arquirrival em novembro de 1967: Tupãzinho fez dois gols de falta, de longa distância, no então invulnerável goleiro gambá Barbosinha, que depois desse jogo sumiu, e tem até um inesquecível que nós perdemos, foi aquele famoso 4×3 para os gambás no paulista de 71 0u 72, não me recordo. Tem também os torneios Ramon de Carranza na Espanha, que o Verdão ia lá, levava a Taça e ainda goleava os times espanhóis (tem time que nunca ganhou nem um torneio de verão fora do Brasil e diz que é campeão mundial).

Mas no meu caso há uma sequência de jogos que me são inesquecíveis por razões pessoais. É que meu pai adoeceu seriamente durante o ano de 1972 e foi chegando o final do ano e foram se exaurindo as chances dele sobreviver. Foi então que o irmão do meu pai, meu tio Vladimir Penchiari (que nós chamávamos de Tio Tutú) e o Pedro Gerbelli, que era primo do meu pai, os dois maiores palestrinos que eu conheci na vida, me levaram para o que eles diziam ser, a reta final da campanha de 72, onde diziam, eu veria o time ser campeão brasileiro pela primeira vez (nesta época não se consideravam os títulos do Robertão, o campeonato dito brasileiro tinha começado um ano antes em 1971).

Faziam isso para amenizar um pouco a nossa dor e assim foi que em 16 de novembro de 1972 fomos ao Pacaembu assistir uma rodada dupla, isso mesmo, coisa impensável hoje em dia.

Jogo preliminar São Paulo x América MG (os bambis venceram por 2×1) e jogo principal Palmeiras x América RJ, vencemos 2×0. Acredite quem quiser, naquele dia os alto falantes anunciaram público pagante de 32.000 pessoas, tudo misturado, sem divisão por torcidas, bambis e palestrinos , sem que tivesse ocorrido nenhum incidente, eu tinha 13 anos de idade e meu irmão Airton 10. Foi a primeira vez que ví jogar a dupla Dudu e Ademir, nem vou me estender em comentários, só de lembrar eu me vejo de novo ali, há quase 40 anos atrás. Ademir tinha uma calma que as vezes até irritava, o jogador menos experiente se acalmava nas situações difíceis só de olhar para o cara. Jogava divinamente, merece a alcunha.

Minha alegria durou pouco, 6 dias depois, no dia 22 de novembro (39 anos atrás) meu pai faleceu. Ele era daqueles que se dizia parmerista (aliás, frequentei por muito tempo o blog do Conrado Cacace devido a este fato, me ajudava a lembrá-lo).  A bem da verdade, na minha família todo mundo dizia que era parmerista, isto se deve a que na Itália a terminação “ista” se aplica ao times de futebol, por exemplo, quem torce para o Milan é milanista, que torce para a Inter, é Interista, etc.

No domingo seguinte ao falecimento, dia 25 de novembro, houve um jogo histórico Corintihans x Santos, Pelé, Edu e cia. humilharam a gambazada 4×0; o quarto gol, por cobertura no goleiro Ado foi o mais bonito da carreira do Edu, quem puder assista (nota: está aqui, veja a partir de 3’40”). Pra mim, esse jogo foi muito duro de assistir, assisti o VT sozinho de noite, eu sempre asssitia o jogo aos domingos junto com o velho (nem velho ele era, tinha só 41 anos). Certamente ele teria morrido de rir da gambazada.

Mas a vida segue e eis que assim que nos recuperamos do golpe, meus tios me ligam, rapaz, amanhã vamos ver a semifinal no Pacaembu Palmeiras x Inter de Porto Alegre, o empate é nosso. Era o dia 20 de dezembro e fomos a um Pacaembu com 60 mil pessoas, tudo palestrino, enfrentar o Inter, que não tinha Falcão, mas tinha Figueroa, zagueiro chileno que comandava o time. Lá pelo final do primeiro tempo, num chute despretensioso do centroavante Braulio, gol dos caras, um frango do Leão que era o nosso goleiro. Ademir e cia mantiveram a calma e no segundo tempo num rebote do goleiro, o ponta esquerda Nei empatou. Daí pra frente o Inter sumiu e fomos pra final, pois o empate era nosso por ter a melhor campanha, disparado.

Veio então o “Gran Finale”. Às vésperas do natal, no dia 23 de dezembro de 1972, Morumbi lotado pra final Palmeiras x Botafogo RJ ( o Botafogo havia vencido a semifinal em cima do Corinthians 2×1 no maracanã). Por pouco a final não foi contra os gambás. Jogamos com o regulamento em baixo do braço e ao final de um morno 0x0, ficamos com a Taça, por ter a melhor campanha.

Dediquei o título pro meu pai.

Toda vez que eu vou no Cemitério da Vila Euclides lá em São Bernardo, onde estão no mesmo túmulo meu pai e meus tios, eu agradeço meu pai por ter me ensinado a ser parmerista e meus tios que me levaram por esta épica jornada lá no longínquo 1972.

Ainda não tenho netos, mas já tenho o que contar pra eles.

*

CONTEXTO

O Campeonato Brasileiro de 1972 foi disputado por 26 times em quatro fases. Na primeira fase, o Palmeiras terminou em primeiro em seu grupo, do qual quatro avançavam. Na segunda fase, apenas o vencedor passava, e novamente o Verdão liderou. Aí veio a semifinal contra o Inter e a decisão contra o Botafogo, citadas por Luiz. Com a vantagem do empate em ambas as partidas, o Palmeiras conseguiu o que foi então seu primeiro Brasileiro – hoje, o quinto.

FICHA TÉCNICA

Nos pareceu que a partida mais marcante de todas foi a primeira que Penchiari citou. Eis sua ficha:

16/11/1972 – PALMEIRAS-SP 2 x 0 AMÉRICA-RJ – CAMPEONATO BRASILEIRO

Estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho – Pacaembu – São Paulo / SP – Brasil

Público: 30.789 pagantes – Renda: Cr$ 237.351,00

Árbitro: José Gilberto Ferreira Lima (CE)

Palmeiras: Leão, Eurico, Luís Pereira, Alfredo (Polaco), Zeca, Dudu, Ademir da Guia, Ronaldo, Leivinha, Madurga, Pio – Técnico: Oswaldo Brandão

América: Alberto, Cabrita, Alex, Aldeci, Alvanir, Badeco, Edu, Antônio Carlos, Tarciso, Taquito (Sérgio Lima), Gilmar (Mauro) – Técnico: Wílson Santos

Gols: Pio, 2 min, Zeca, 20 min segundo tempo

NO DIA SEGUINTE

A Folha não falou do jogo em si, mas de como estavam as chances de classificação das equipes após aquela rodada.

UM POUCO DO TIME CAMPEÃO

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Três dessas são nossas

Entre os diversos torneios da pré-temporada europeia, o mais famoso é possivelmente o Ramón de Carranza, disputado sem interrupções desde 1955, sempre na cidade de Cádiz.  E esta data de 31 de agosto marca o dia em que o Palmeiras triunfou por duas vezes nessa competição, em 1969 e 1975 (também vencemos em 1974, mas daquela vez a final foi em 1/9).

O torneio ficou famoso por seu formato de quatro equipes fazendo um mata-mata em dois dias consecutivos, usado desde a terceira edição. Este modelo foi copiado em vários outros lugares, o que conferiu ao original o apelido de Copa das Copas. Como curiosidade, diz-se que foi na edição de 1962 que surgiu a disputa de cinco pênaltis alternados que conhecemos hoje.

Foi a partir de 1961 que clubes da América do Sul começaram a ser convidados; até 1968, porém, nenhum time desta parte do mundo triunfou, incluindo equipes como Peñarol, River Plate, Boca Juniors, Flamengo, Vasco e Corinthians. Em 1969, contudo, a história seria diferente.

Para aquela edição, foram convidados duas equipes americanas: Estudiantes de La Plata e Palmeiras, não por coincidência campeão e vice da Libertadores do ano anterior. E finalmente um clube não europeu triunfou: o Verdão estreou empatando por 1 a 1 com o Atlético de Madrid (gol de Cardoso), e venceu nos pênaltis. No dia seguinte, enfrentou o arquirrival do time que havia derrotado: o Real Madrid, que caiu por 2 a 0 (Zé Carlos e Dé). E foi assim que o Palmeiras levantou seu primeiro Ramón de Carranza.

O título não valeu participação no ano seguinte; o Alviverde teve que aguardar cinco anos para disputar, ao lado do Santos, a vigésima edição do troféu. E mais uma vez não decepcionamos: se em 31/8/69 a vítima fora o Real, em 31/8/74 quem perdeu foi o Barcelona, também por 2 a 0 (Leivinha, Ronaldo). E, em mais uma coincidência, a decisão também foi contra o rival local do time que batemos – o Español, que derrotamos por 2 a 1 (Leivinha, Luís Pereira).

Em 1975, o Palmeiras teve oportunidade de defender o título, e a aproveitou muito bem: conquistamos o tri ao bater o Zaragoza por 1 a 0 (Ademir da Guia) e depois mais uma vez o Real Madrid, 3 a 1 (Edu Bala, Leivinha, Itamar). Isto é, o Verdão chegava à terceira conquista em igual número de participações. Até hoje, ao lado do Vasco, somos o clube não espanhol com mais títulos.

Houve outras edições dali para frente em que participamos, mas nunca mais com o mesmo brilho. Em 1976 não conseguimos a terceira vitória consecutiva, ao perdermos para o Atlético de Bilbao na semi (ficamos com o terceiro ao golear o Nacional do Uruguai); em 1981, um vexame – mais um naqueles tempos tão duros: apanhamos de cinco do Sevilla e quatro do CSKA da Bulgária. Talvez por isso só tenhamos voltado a pisar solo andaluz em 1993, já com o esquadrão que acabara de ser campeão paulista e do Rio-São Paulo. E o retorno foi logo num Choque-Rei, que vencemos por por 2 a 1 (Maurílio, Jean Carlo), em jogo que terminou com piti do tricolor, que teve dois expulsos (Ronaldo Luís e o sempre delicado Dinho). Porém, perderíamos nos penais a decisão para o Cádiz após empate por 1 a 1 (gol de Edílson).

Em resumo, jogamos 12 partidas pelo prestigioso torneio, com 7 vitórias, 2 empates e 3 derrotas. Foram 19 gols feitos e 17 sofridos; nosso artilheiro é Edu Bala, 5 gols, seguido de Leivinha, com 3. Em nossas seis participações, acumulamos 3 taças, 1 vice, um terceiro e um quarto lugar. Mesmo com a derrapada dos anos 80, o Palmeiras pode ser orgulhar de ser o clube brasileiro – mais ainda, o clube estrangeiro – com o melhor retrospecto na história deste torneio espanhol.

Edu Bala: 5 gols na Andaluzia

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E ainda tinha Dudu no banco. Foto: http://palmeirashistoriagloriosa.blogspot.com

Amigo palmeirense, hoje completam-se exatos 35 anos de um título que infelizmente passou a ser em geral lembrado não com alegria, mas com tristeza. Para azar dos protagonistas daquela excelente campanha, lembrar do Paulista de 1976 não é falar de um time que em 28 partidas perdeu apenas uma, que triunfou com uma rodada de antecedência e ainda viu os arquirrivais terem um desempenho pífio; não, dizemos somente que foi o último título antes da fila. É compreensível, pois uma enorme geração de palmeirenses – o IPE inteiro entre eles – cresceu com aquela taça não vista por nós a martelar nossas cabeças a cada insucesso, por anos a fio. Mas é injusto.

Ora, se os anos 80 foram de pindaíba, isso não é responsabilidade dos atletas que nos trouxeram mais aquela taça. Por isso, vamos aqui relembrar aquela jornada e pedir ao torcedor que, daqui pra frente, quando alguém tocar no assunto, esqueça a melancolia.

O Campeonato Paulista de 1976 tinha 18 times, divididos em 3 grupos sabe-se lá por quê; afinal, na primeira fase todos jogavam contra todos. Enfim, os quatro primeiros de cada chave avançavam para a fase final, e a melhor entre todas as equipes ainda levaria um ponto extra.

O Palmeiras começou claudicante, com uma derrota logo na segunda rodada, para a Ponte Preta em Campinas, que acabaria sendo a única em toda a campanha. As vitórias se alternavam com empates e, após três igualdades seguidas contra equipes interioranas, Dino Sani caiu. Quem assumiu foi seu auxiliar técnico, que havia iniciado na função em janeiro, após se aposentar dos gramados: nada menos que nosso mito Dudu.

O time se estabilizou, fez sua parte e acabou vencendo o grupo C, com 25 pontos, fruto de 9 vitórias, 7 empates e uma única derrota. O tal ponto extra, no entanto, não veio: o Guarani, com 26 pontos, levou o prêmio.

Em nosso próprio grupo C, uma grande surpresa: o Santos acabou em quinto e foi eliminado da disputa. A divisão em grupos o afetou bastante, pois se o time da Vila estivesse em uma das outras chaves teria avançado; bom, regulamento assinado é regulamento combinado, e foi assim que o primeiro dos tradicionais adversários ficou pelo caminho.

A fase final previa um turno único entre os 12 clubes classificados; evidentemente o campeão seria quem somasse mais pontos. Ao empatar nas duas primeiras rodadas, o Guarani desperdiçou a vantagem que tinha; melhor para o Palmeiras, que batera América e Ferroviária e era o único time ainda com 100% de aproveitamento. Nas duas rodadas seguintes, outras vitórias (dessa vez contra São Bento e a revanche contra a Macaca), e o Verdão disparava. Enquanto isso, Corinthians e São Paulo colecionavam empates e derrotas, dando um tom caipira ao campeonato – até aquele ano, jamais os clubes do interior estiveram tão próximos da taça.

Dois 0 x 0 seguidos, contra Botafogo e Portuguesa, frearam um pouco o ritmo verde, mas naquelas rodadas houve vários empates, e o time continuou à frente. Na sequência, uma vitória magra contra o Noroeste e um empate contra o Guarani mantinham o clube no topo, faltando apenas três rodadas – e dois clássicos.

Naquele instante, o Corinthians, com uma campanha fraquíssima, já não tinha chances de título. As do São Paulo eram meramente matemáticas, do tipo “tem que ganhar todas e torcer para o Palmeiras perder todas”. Sobravam como adversários reais América, XV de Piracicaba e Guarani, numa época em que os grandes faziam valer seu peso.

O Choque-Rei aconteceu em 15/8, e Ademir da Guia tratou de resolvê-lo logo: aos 3 minutos, fez o único gol do jogo. No Morumbi, o Palmeiras enterrava ao mesmo tempo as pretensões são-paulinas e bugrinas.  Três dias depois, aconteceria o confronto direto contra o Nhô Quim, que passara a ser o único time a ainda ter alguma chance, já que o Diabo empatara com o São Bento, dando adeus à disputa. A missão do alvinegro, porém, era dura: além de vencer o Palmeiras em pleno Parque Antarctica, seria necessário também na última rodada vencer e torcer para que o alviverde fracassasse no Derby.

Era muito difícil, e os palmeirenses sabiam disso – tanto que, naquela noite de quarta-feira, 18 de agosto de 1976, foi registrado o recorde de público de nosso velho Palestra Itália. Oficialmente, foram 40283 torcedores; uma multidão que explodiu aos 39 minutos do primeiro tempo, quando Jorge Mendonça fez o tento que selaria o destino daquele Paulistão. O valente XV de Piracicaba não conseguiu buscar os gols que necessitava, e o apito final de Romualdo Arppi Filho disparou a festa pelo 18º título estadual.

A celebração, porém, não estaria completa antes do Derby que encerraria o certame; mas, naquele momento, o Corinthians não poderia ameaçar o campeão. Em apenas 15 minutos, Mendonça abriria 2 a 0 de vantagem, e o rival só conseguiria descontar no segundo tempo. A vitória por 2 a 1 impediu que o alvinegro carimbasse a faixa e foi a cereja no bolo desta conquista mais do que merecida.

Foi, em resumo, uma bela campanha de 28 partidas, 17 vitórias, 10 empates e 1 derrota; 39 gols feitos e 18 sofridos. Nosso artilheiro foi Mendonça, com 10 gols, seguido por Edu e Ademir (7 cada), Toninho (6) e Zuza (2). Marcaram um gol cada Rosemiro, Altimar, Didi, Pires, Nei, Itamar e Jair Gonçalves.

FICHA TÉCNICA DA DECISÃO

18/08/1976 – PALMEIRAS-SP 1 x 0 XV DE PIRACICABA-SP – CAMPEONATO PAULISTA
Estádio Palestra Itália – Parque Antártica – São Paulo / SP – Brasil – Público: 40.283 pagantes e não pagantes – Renda: Cr$ 777.915,00
Árbitro: Romualdo Arppi Filho (SP)
Palmeiras (São Paulo/SP): Leão, Valdir, Samuel, Arouca, Ricardo, Pires, Ademir da Guia, Edu, Jorge Mendonça, Toninho, Nei – Técnico: Dudu
XV de Novembro (Piracicaba/SP): Doná, Volmil, Fernando, Elói, Almeida, Muri, Vágner, Pitanga, Nardela (Capitão), Benê (Paulinho), João Paulo – Técnico: Dema
Gol: Jorge Mendonça (Palmeiras), 39 min primeiro tempo

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Luís Pereira - O Chevrolet

Completa 62 anos hoje o maior zagueiro da história do Palmeiras e um dos maiores de todos os tempos do futebol brasileiro. Luís “Chevrolet” Pereira nasceu em Juazeiro-BA em 1949 e iniciou sua carreira nos gramados no São Bento, em 1967.

Chegou ao Verdão em 1968 e ficou até 1974, depois de participar da Copa do Mundo daquele ano – e tomar um dos raríssimos cartões vermelhos de sua carreira no jogo contra a Holanda – foi jogar no Atlético de Madrid-ESP, onde é ídolo e trabalha como coordenador atualmente. O retorno ao Brasil em 1980 foi para o Flamengo, mas no ano seguinte voltou ao Palmeiras para ficar até 1984. A partir aí perambulou pelo futebol paulista, passando inclusive pelo rival da Marginal S/N.

Fica pra próxima, Rivelino...

Com a camisa Alviverde disputou a gloriosa marca de 568 partidas, tendo marcado 35 gols – fato que o torna o zagueiro que mais marcou com o manto Palmeirense. Foi tricampeão Brasileiro (1969, 1972, 1973) e bicampeão Paulista (1972, 1974), formou ao lado de grandes nomes da defesa Palestrina um quinteto muito famoso e respeitado: Leão, Alfredo, Eurico, Zeca e Luís Pereira.

O Chevrolet teve uma longa ‘vida útil’ e continuou aterrorizando atacantes adversários até 1997 (!!) quando encerrou a carreira aos 47 anos com a camisa do São Caetano. Haja fôlego!

O IPE parabeniza o grande Mito da defesa Palmeirense, obrigado Chevrolet pelos serviços prestados, tudo de melhor e muito (mais) sucesso para você. Feliz  aniversário, craque!

Confira abaixo um vídeo com algumas atuações do grande zagueiro com a camisa do Verdão:

E de quebra, uma demonstração da admiração que os espanhóis do Atlético de Madrid tem por Luís Pereira, o “El Mago” deles, que lhes ajudou a conquistar o título espanhol de 1975/76:

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