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Posts Tagged ‘Ídolos’

Os holofotes sempre estiveram sobre ele (foto: VerdaoWeb.com.br)

Os holofotes sempre estiveram sobre ele (foto: VerdaoWeb.com.br)

Agosto de 2010 foi um mês agitado no mercado de trabalho: eu comecei a bater ponto no atual emprego e o mais caro jogador da história do Palmeiras retornava após dois anos de sua primeira passagem.

Se o retorno pouco após outro regresso – o de Felipão – era cercado de dúvidas, a despedida traz uma certeza: não há certezas quando se trata de Valdivia. A bem da verdade, estou convicto de que não valeu a pena – e creio que a maior parte da torcida concorda; há muita gente, contudo, que discorda, e em alguns aspectos não se pode negar alguma razão.

Síndrome de Estocolmo, falta de jogadores que decidem, carência afetiva, ausência de ídolos desde que Marcos pendurou as luvas. São quase sinônimos que explicam o lugar que Valdivia assumiu no imaginário do palmeirense, mas penso que uma razão se sobrepõe: o fato de que ele sempre foi o jogador do “se” e nunca um caso real. Em meio a uma contusão, convocação ou suspensão as expectativas não se concretizavam, mas de forma sebastianista acreditávamos que uma hora seu potencial enfim desabrocharia. Talento não lhe faltava – eu há alguns anos o coloquei em 26° lugar na lista dos melhores palmeirenses que vi, e é um rol que inclui os anos 90, portanto repleto de ótimos jogadores.

O tempo passou, e cinco anos depois esta esfinge chilena ainda intriga. É fácil gostar dele como jogador: carismático, provocador, careteiro, articulado, inteligente, dono de um domínio de bola absurdo, era um prato cheio para provocar rivais, encantar quem não viu os grandes jogadores de outrora (e, por que não?, também quem viu) e assegurar o sangue verde das crianças. Apesar de desejá-lo fora há um bom tempo, não consegui torcer contra ele na Copa América, quando seu destino já era sabido e na prática não havia mais qualquer ligação com o Palmeiras. É fácil odiar Valdivia quando se torce para um rival. Para nós, nem tanto; a esperança de vê-lo fazer algo diferente com a bola não morre.

O lado ruim é igualmente fácil de adjetivar: desagregador, baladeiro, reclamão e via de regra ausente na hora do pega pra capar. Suas respostas atravessadas aos Andrés Hernans da vida dão um prazer pequeno perto do desgosto de não tê-lo no final e na final de 2012 (que lhe valeu o único título desta passagem) e em praticamente todo o primeiro semestre deste ano. Sim, ele deu contribuição importantíssima nos últimos jogos do ano passado, mas talvez não precisasse jogar lesionado se não tivesse demorado a retornar após a transferência frustrada pós-Copa, ou não tomasse suspensão de dois jogos pela expulsão contra o Flamengo.

Até seus últimos momentos mostram o médico e o monstro que nos brindou com alegria e raiva por todos estes anos. Dentro de campo, um desfecho de gala ajudou a quebrar uma sequência de 10 derbies sem vitória (dos quais ele não atuou em três); fora, uma série de entrevistas que demonstraram um rancor injusto com quem só lhe mimou.

A sombra de Valdivia seguirá pairando na Academia a cada partida frustrante de Robinho, Cleiton Xavier, Fellype Gabriel – se é que este realmente existe. Vozes se levantarão bradando “tá vendo? Se ele estivesse jogando…” (mesmo sabendo que em mais de 50% das vezes ele não estaria). Se o título brasileiro deste ano passar perto mas não vier, o coro de “faltou um 10” será forte – e provavelmente verdadeiro. Mas este 10 não seria o Mago. Não este que há tempos se nutre da ausência de um plantel capaz, que perdeu seu status de intocável nesta temporada e pouco fez por recuperá-lo. A frase mais sintomática veio de seu pai: “ele precisava de uma liga mais relaxada“; com isso não é preciso dizer mais nada.

Pensando bem, é necessário sim: obrigado por alguns bons momentos, muitos menos do que poderiam ter sido. Vá relaxar no mundo árabe e sucesso em sua boa seleção chilena. Só não precisa voltar mais uma vez para realimentar um sonho que nunca se realizou.

*

Pensei em fazer um Top 10 de momentos bons e maus de Valdivia, mas deixo a vocês escolherem e edito aqui depois. Por enquanto, relembraremos alguns primeiros e últimos momentos do Mago nesta segunda e provavelmente derradeira passagem pelo Palmeiras. Para estatísticas de presença em campo, confiram aqui.

  • A reestreia (a partir de 1′)

  • O primeiro gol (início do vídeo)

  • A primeira expulsão (a partir de 4’40”)

  • A última expulsão (a partir de 1h45’30”)

  • O último gol (a partir de 1’50”)

  • O último jogo (na íntegra)

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O craque dá adeus

O craque dá adeus

Ele não jogou tantas partidas assim: foram 126 – exatamente metade das partidas de Márcio Araújo. Teve uma ótima média de 0,57 gols por partida, mas mesmo assim seus 67 gols são menos do que por exemplo seu “sucessor” Alex fez. Não levantou tantas taças: conquistou um Brasileiro e um Paulista. Também não é ídolo tanto quanto Marcos e Evair, só para citar dois óbvios.

Pouco importa: se os números não são tão grandes, o futebol que Rivaldo Vitor Borba Ferreira apresentou durante sua passagem no Palmeiras foi gigante. Bendita a hora em que o Corinthians recusou comprar seu passe do Mogi-Mirim após um ano de empréstimo; a Parmalat não perdeu tempo e trouxe o pernambucano de Paulista, revelado mas de passagem curta pelo Santa Cruz.

Eu estava em sua estreia, que também era a nossa no Brasileiro de 1994. Não foi uma partida brilhante, mas ele contribuiu para os 4 a 1 e, mais importante, começou a tirar o manto da desconfiança de quem chega vindo do arquirrival. Não demorou muito e veio o primeiro gol – no Beira-Rio, na última vez em que o Palmeiras ganhou um jogo ali valendo para os dois.

A eles se somaram muitos outros: naquele campeonato, foram 14 gols. Ao lado de Evair e do falecido SuperÉzio, só ficou atrás de Túlio e Amoroso. Como se não bastasse, três deles foram na decisão contra seu ex-time, nosso eterno rival. Na ida, foram dois nos 3 a 1; na volta, o derradeiro gol daquele campeonato. Rivaldo já tinha seu lugar na história verde.

Mas não foi só. Em 1995, as taças não vieram, mas mesmo assim ele jogou muito. Foi nosso artilheiro no Paulistão, com 10 (ao lado de Valber). Na Libertadores, teve seu pior momento, ao tomar vermelho contra o Grêmio em lance com Rivarola – que, a bem da verdade, também devia ter ido para o chuveiro (ou nenhum deles) – quando o placar ainda estava zerado. No Brasileiro, foi um dos líderes da equipe que triscou mas não alcançou as semifinais.

E no Paulista de 1996, nossa senhora. Foram dezoito gols e uma miríade de passes, dribles, lançamentos… tanta exuberância talvez tenha até sido de se lamentar, pois fez com que o La Coruña o levasse após as Olimpíadas de Atlanta. Rivaldo se despediu com o amargo vice-campeonato da Copa do Brasil, e depois foi brilhar no Barcelona, pelo qual se tornou o único ex-palmeirense a ganhar o prêmio de melhor do mundo da Fifa (para entender um pouco o porquê, clique aqui. Este foi seu terceiro gol no jogo, aos 42 do segundo tempo, e o Barça precisava vencer o Valencia, pois brigava com ele para chegar à Champions e era a rodada final do Espanhol.)

Com a camisa da seleção brasileira, foi considerado culpado pelo fracasso olímpico de 1996, mas deu a volta por cima; foi muito bem na Copa de 1998 e simplesmente o melhor jogador da conquista de 2002. É o 12° maior artilheiro da Amarelinha, com 34 gols.

Depois rodou, para sorte de uzbeques e angolanos, e chegou a ter o retorno várias vezes ventilado. Talvez tenha sido melhor que não voltasse, para não correr o risco de macular a imagem que deixou.

Há alguns anos, os três redatores do blog escolhemos os maiores jogadores que vimos atuando pelo Palmeiras. Rivaldo foi o segundo colocado para meus colegas e o primeiro para mim. Mesmo sem ser meu maior ídolo, posto que cabe a Evair, minha opinião segue a mesma: neste sábado, amigos palmeirenses, vimos o adeus do maior craque que vestiu nossa camisa desde que Ademir da Guia pendurou suas chuteiras.

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Adeus, professor.

Faleceu ontem, em São Paulo, aos 81 anos, Mário Travaglini.

Ex-zagueiro, treinador e dirigente, Travaglini dedicou sua vida ao futebol. Começou a carreira aos 16 anos, nos juvenis do Clube Atlético Ypiranga, e fez sua estreia pelos profissionais aos 21. Como jogador, teve passagens também por Palmeiras, Nacional e Ponte Preta. Pendurou as chuteiras cedo, aos 29 anos, tendo disputado 31 partidas com a camisa alviverde entre 1955 e 1958. 

Mas foi como treinador que Travaglini deixou sua marca no futebol. Responsável por introduzir as variações táticas europeias no país e combiná-las ao talento natural dos jogadores brasileiros, Travaglini iniciou a carreira de técnico nos juvenis do Palmeiras, em 1963, e rapidamente assumiu o time principal. Como treinador do escrete palestrino, Travaglini foi comandante da Primeira Academia, conquistando os títulos Paulista de 1966, e a Taça Brasil (cujo vídeo você pode ver aqui) e o Robertão de 1967.

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O Divino e o Comandante

Permaneceu no Palmeiras até 1971, quando pegou a ponte aérea e foi treinar o Vasco. No clube carioca, além de ter sido o responsável por revelar Roberto Dinamite, levou a nau vascaína ao título Brasileiro de 1974. Em 1976 foi para o Fluminense, onde foi campeão carioca, permanecendo até o início de 1977. Entre 1978 e 1981, atuou como supervisor da seleção brasileira, auxiliando Coutinho na Copa da Argentina.

De volta da seleção, Travaglini assumiu o Corinthians, onde foi um dos técnicos da Democracia. Responsável por revelar Casagrande, conquistou o título Paulista de 1982 pelo rival. Treinou também o São Paulo, mas sem o mesmo brilho.

Voltou ao Palmeiras em 1984, onde alcançou o quarto lugar no Paulista daquele ano. Chegou a treinar o Vitória, em 1987, e rodou por algumas equipes de São Paulo até encerrar a carreira como treinador, no início da década de 90. Como dirigente, atuou como presidente do sindicato dos treinadores de São Paulo.

Seus feitos como treinador nos fizeram escolhê-lo como maior treinador paulista que tivemos. Reconhecimento justo para este grande profissional que nos comandou durante 175 partidas.

O IPE transmite os sentimentos à família de “seo” Mário, mais uma figura indelével da gloriosa história do Campeão do Século. Obrigado!

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Aqui, em sua segunda passagem como técnico

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César Sampaio veste a braçadeira de capitão da equipe

César Sampaio veste a braçadeira de capitão da equipe

Orra, meu! São Paulo (ninguém aqui fala Sampa, certo?) chegou aos 460 anos, e por isso recebe aqui a homenagem do único paulistano entre a extensa equipe de três redatores do blog. Não será a primeira: dois anos atrás trouxemos uma curiosidade pouco conhecida – os títulos paulistanos do Verdão, que se juntam às suas glórias estaduais, nacionais e internacionais.

Desta vez, resolvemos lembrar os grandes craques que vestiram a camisa verde tendo nascido no quintal de casa. Já falamos de times formados por cariocas, paulistas, nordestinos, sulistas e outros. Está na hora dos oriundos da terra da garoa, com destaque para a dupla quase sertaneja de zaga:

1. Nascimento – o goleiro foi tricampeão paulista 1932/33/34 (embora no último ano tenha jogado apenas na estreia). Assistiu de dentro do campo às oito vezes em que seu colega corintiano Onça foi buscar no fundo das redes na maior goleada da história do Derby.

2. Djalma Santos – o maior lateral direito do Palestra também o é de todo o futebol mundial. O mito que nos deixou ano passado foi eleito o melhor de sua posição na Copa de 1958 (jogando apenas a final!) e também foi um monstro no Verdão, aonde chegou um ano depois. Entre 1959 e 1968, foram quase 500 partidas e inúmeros títulos deste que é um mito do Palestra.

3. Valdemar Carabina – titular durante quase todo o período que abrangeu a primeira Academia. Jogador leal, excelente marcador e firme na bola aérea. Homem ideal para a defesa que ninguém passa.

4. Waldemar Fiúme – passou de 600 jogos e tem estátua no clube. Precisa explicar mais?

5. César Sampaio – o mais jovem dos titulares foi um dos símbolos dos saudosos anos 90, com grandes atuações em suas duas passagens. Teve a honra de erguer a Libertadores.

6. Geraldo Scotto – 352 jogos durante o período áureo da rivalidade com o Santos, uma série de taças e um grande talento na marcação. É titular da equipe de todos os tempos, e obviamente da paulistana também.

7. Julinho – artilheiro duas vezes do Paulistão, tem uma das maiores médias de gols da história do clube (0,93 gol/jogo), jogou a Copa de 1954. Outro monstro sagrado da história alviverde.

8. Servílio – vamos improvisar um pouco, escalando o meia-direita que brilhou na Academia. Depois até jogou no arquirrival, clube em que seu pai é lenda, mas isto não mancha sua grande trajetória vestindo verde.

9. Heitor – o maior artilheiro de nossa história, com 327 gols em 358 jogos (média de 0,91 gol/jogo) e único a marcar seis vezes num jogo. Escalação indiscutível.

10. Lima – o maestro da esquadra é o “Garoto de Ouro”, que em dezesseis anos de clube disputou mais de 450 partidas e marcou 149 gols (apenas quatro a menos que o Divino), conquistando entre inúmeros troféus a Taça Rio.

11. Rodrigues – poderia ser o camisa 11 do time do centenário; nessa seleção paulistana é outra escolha óbvia. Foi vice na Copa de 1950 mas conquistou o planeta um ano depois como titular da esquadra verde.

Técnico: o brilho que os paulistanos tiveram dentro de campo não se refletiu tanto à beira do gramado: os mais vitoriosos técnicos do clube nasceram em outras paragens fora. Ficamos com Mario Travaglini, que levantou o Paulista de 1966, a Taça Brasil em 1967 e que era visto como homem de confiança no Palmeiras, tanto que o dirigiu em outras três oportunidades depois de sair em 1968.

No banco de reservas, mantemos o ótimo nível da equipe com Diego Cavalieri, Cafu, Bianco, Serafini, Liminha, Américo Murolo e Edu Bala.

O Palestra Itália em 1969: uma instituição paulistana

O Palestra Itália em 1969: uma instituição paulistana

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Brasil 3x0 Áustria. De Sordi abre e Gilmar fecha a fila de cima

Brasil 3×0 Áustria. De Sordi abre e Gilmar fecha a fila de cima

Em meio ao aniversário do Palmeiras, deixamos este post melancólico para depois. Mas antes que seja tarde queremos render nossa homenagem a mais dois integrantes daquela que, na opinião deste redator, foi a maior equipe de todos os tempos: a Seleção Brasileira de 1958. Pouco mais de um mês após o mito Djalma Santos partir, foi a vez de, em menos de 24 horas, lamentarmos a perda de seu companheiro de posição De Sordi e do goleiro Gilmar. Curiosamente, as cinco grandes torcidas do Estado de São Paulo em particular estão representadas nestas perdas: Palmeiras e Portuguesa choraram pelo primeiro, o São Paulo pelo segundo, e Santos e Corinthians pelo último.

Comecemos pelo arqueiro, provavelmente o mais importante atleta de sua posição da história de nosso futebol. Afinal, Gylmar dos Santos Neves é o único goleiro bicampeão mundial titular (o italiano Guido Masetti venceu as Copas de 1934 e 1938 sem atuar um minuto sequer). Nascido em Santos, Teve uma longa carreira que começou no Jabaquara, de onde saiu para passar os anos 50 em nosso arquirrival e os 60 no esquadrão da Vila Belmiro.

Gilmar pegou equipes que tiveram grandes fases contra nós: para se ter uma ideia, o recorde de invencibilidade do Corinthians contra o Palmeiras é de 10 partidas, por três vezes. Pois o goleiro esteve presente em duas dessas sequências. E o Santos em que jogou era um time que enfrentávamos à altura, mas que mesmo assim levava a melhor na maioria das vezes.

Deu trabalho, mas levantamos todas as partidas em que tivemos esta muralha pela frente. Eis os números:

  • Pelo Jabaquara: 1 partida, com 1 vitória do Palmeiras e 2 gols a nosso favor. Partida disputada, ora vejam, em 31/12/1950.
  • Pelo Corinthians: 22 partidas; vencemos 5, empatamos 5 e perdemos 12. Marcamos 34 gols.
  • Pelo Santos: 20 partidas, com 5 vitórias, 4 empates e 11 derrotas. Vazamos sua meta 28 vezes.
  • Total: 43 partidas, com 11 triunfos, 9 igualdades, 23 derrotas e 64 gols marcados

Poucos são aqueles que podem ostentar um retrospecto tão positivo contra o gigante alviverde!

Já o lateral Nilton de Sordi, assim como Gilmar, também surgiu em sua cidade natal. Mas logo saiu do XV de Piracicaba para uma longa carreira no São Paulo, que incluiu os não tão brilhantes anos 50 do Palmeiras, o que o ajudou a também ostentar currículo positivo: nos 36 Choques-Rei em que ele esteve em campo, vencemos 8, empatamos 15 e perdemos 13. O defensor, cuja fama era a de ter dado quando muito dois chutes a gol em toda sua carreira, foi titular durante as cinco primeiras partidas do Mundial de 1958, mas, contundido, deu oportunidade para Djalma Santos ser eleito o melhor da Copa na posição tendo jogado apenas a decisão.

E assim a marcha inexorável do tempo vai levando pouco a pouco os homens que construíram a mais bela página da história de nosso futebol. Aqueles que há mais de 50 anos acabaram com o que Nelson Rodrigues batizara de “complexo de vira-lata”, a sensação de que os brasileiros seriam inferiores aos outros povos. Desde 1977, quando Zózimo foi o primeiro a partir, a lista evidentemente só aumenta, mas ainda restam 9 heróis daquela conquista: Bellini, Nilton Santos, Dino Sani, Zito, Moacir, Zagallo, Pepe, Pelé e Mazzola.

A Gilmar e De Sordi, rivais por clubes mas acima de tudo compatriotas que nos trouxeram glórias, nosso muito obrigado.

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Luís Felipe fez seu 1º gol pelo Verdão

Luís Felipe fez seu 1º gol pelo Verdão

A vitória do Palmeiras sobre o ABC por 4 a 1 teve um fenômeno raro*: três jogadores marcaram seus primeiros gols pelo clube. Wesley, Luís Felipe e Serginho entraram para a galeria dos atletas que puderam celebrar um tento com a camisa mais vitoriosa do país, e certamente vão se lembrar deste jogo com muito carinho.

Eles provavelmente não chegarão a ser grandes ídolos do Verdão, mas praticamente todos os jogadores que chegaram a essa condição passaram por esse momento inaugural (as exceções ficam por conta de goleiros como Oberdan, Leão e Marcos, além do zagueiro com direito a busto Junqueira). Mas poucos se lembram de quando esse momento simbólico de cada craque aconteceu.

Por isso, vamos aqui relembrar quando alguns famosos palmeirenses foram às redes pela primeira vez:

Ademir da Guia – o Divino estreou num Derby em fevereiro de 1962, mas marcou pela primeira vez dois meses depois. Em 15/4, ao disputar sua terceira partida, contra a Internacional em Limeira pela Taça Estado de São Paulo, Ademir abriu o placar aos 33 do primeiro tempo. O time acabaria derrotado por 4 a 2, mas isso pouco importava: um pedaço importante de nossa história acabava de ser escrito. Era o primeiro dos 153 gols de nosso maior craque.

Evair – o Matador foi às redes logo em sua estreia. E vejam que coincidência: isto também aconteceu numa derrota por 4 a 2 no interior paulista. Neste caso, em amistoso contra o Mogi-Mirim no dia 7/7/1991. De pênalti, o camisa 9 marcou o primeiro gol verde naquela tarde, quando já perdíamos por 3 a 0. Depois, faria mais 126.

Rivaldo – o craque que estreou sob desconfiança por ter vindo do maior rival não tardou a ganhar a torcida. Em sua terceira partida, o pernambucano marcou de cabeça num estádio que é uma enorme asa negra: o Beira-Rio. Em 21/8/1994, o Palmeiras bateu o Inter fora de casa por 2 a 0, numa clara demonstração de que buscaria o bicampeonato brasileiro.

Alex – o meia estreou em julho de 1997 e já neste mês marcou. Em sua sexta partida, Alex acertou bela falta nos descontos e impediu que o Palmeiras perdesse amistoso para o Atlético Junior da Colômbia em partida disputada em Miami no dia 25/7/1997.

Heitor – o maior artilheiro de nossa história fez o primeiro de seus 284 gols em sua terceira exibição. Em amistoso contra o Brasil de Santos no dia 25/3/1917, na casa do rival, o craque começava sua prolífica história pelo Palestra Itália.

César – segundo maior artilheiro do Palmeiras, César foi mais um a marcar em seu terceiro jogo vestindo verde. No Maracanã, em 5/3/1967, ele fez o segundo gol esmeraldino (com direito a vídeo do Canal 100) na vitória por 4 a 2 sobre o Fluminense pela estreia no Robertão, que venceríamos.

Edmundo – o Animal estreou junto com o time que triunfaria no Paulistão de 1993. E, na quarta partida dele e do Verdão, saiu seu primeiro gol. Foi logo num clássico, e a vítima foi o Santos, que em 7/2/1993 viu o camisa 7 fazer o segundo gol da tarde.

Dudu – o grande parceiro de Ademir não era um artilheiro, e seus 27 gols em 609 jogos o comprovam. Mas até que o primeiro não tardou tanto: foi em sua 15ª partida. Só que o resultado final tirou um pouco o brilho deste momento: no Pacaembu, naquele feriado de 15/11/1964, o São Paulo nos bateu por 5 a 2 (o gol do ídolo saiu quando já estava 3×0).

Valdivia – do grupo atual, o chileno é quem estreou há mais tempo e de quem mais se espera algo de bom (quando joga), por isso entra nesta lista. Por ter sido reserva em boa parte de 2006 (e não ser lá um artilheiro), o Mago só foi às redes em sua 17ª exibição pelo Palmeiras, ao abrir o placar em Americana na vitória por 2 a 1 sobre o Rio Branco em 21/1/2007.

Oséas – o baiano dos gols decisivos na Copa do Brasil e Libertadores mostrou faro de artilheiro logo em sua primeira aparição: em 20/7/1997, no Palestra Itália (notem que ele é o primeiro citado a fazer o gol de estreia em nossa casa), ele fez o último gol da vitória por 4×0 sobre o América-RN.

Jorginho – o maior nome palmeirense nos malfadados anos 80 veio do Marília logo após ser campeão da Copinha de 1979 e logo encontrou seu lugar no Palmeiras. O primeiro grito de gol veio em sua sexta partida, no dia 19/7/1979, e abriu 2 a 0 no placar que terminaria em vitória por 3 a 1 sobre o XV de Piracicaba no Pacaembu pelo Paulista.

Djalma Santos – vamos homenagear o convalescente maior lateral-direito da história e relembrar o primeiro de seus dez gols pelo Verdão. Ele ocorreu em 4/11/1959, na 28ª de suas 498 partidas, e foi o segundo na vitória por 3 a 0 sobre o Noroeste em casa pelo Paulistão que ao fim conquistaríamos no Supercampeonato contra o Santos.

Faltou alguém? A pergunta é retórica: é lógico que sim. Então, se você quer saber de algum outro jogador em particular, comente! Responderemos nos próprios comentários ou atualizaremos este texto.

*este feito aconteceu também em 2003, na vitória de pré-temporada sobre uma seleção da cidade de Estiva por 11 a 1 (meio apelativo, mas fazer o quê?). Naquela ocasião, foram quatro os que fizeram seu primeiro gol – e, para Daniel Martins, Pedro e Chu, foi o único. Leandro Amaral ainda faria mais dois.

 

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Por Claudio RK

Enquanto o livro sobre Evair e o título de 1993 (co-escrito por Fernando Galuppo) não me cai nas mãos até para fazer um contraponto à extensa série deste blog, falamos hoje sobre a obra anterior de Mauro Beting, que conta as histórias de outro ídolo de igual grandeza no Palestra Itália: Nunca fui Santo, que, claro, tem como tema o ex-goleiro Marcos.

(Na verdade, há outro livro sobre o eterno camisa 12:  Celso de Campos, que também escreveu o livro 1942, havia antes lançado São Marcos de Palestra Itália)

Mauro Beting tem um dos textos mais reconhecíveis da crônica esportiva brasileira, por seu estilo afeito a jogos de palavras, metáforas e aliterações, que por vezes resvalam num certo exagero digno dos Engenheiros do Hawaii. Mas, desta feita, ele põe seu estilo característico um pouco de lado para desfilar de maneira mais direta os causos de Marcos, que são muitos. A ideia parecia ser deixar o texto como se Marcos o estivesse narrando diretamente ao leitor;

Muitas das passagens são conhecidas, ou pelo menos achávamos que as conhecíamos. Ali está a palavra definitiva sobre várias lendas: Marcos era corinthiano? Veio do Lençoense por doze pares de chuteiras? Recusou proposta do Arsenal?

Também temos histórias de bastidores e causos pessoais, como quando o moço de Oriente se propôs a ajudar um rapaz  que não conseguia fazer um Monza pegar. Ele conseguiu dar uma mão, mas…

Não se espere opiniões sobre assuntos de fora do futebol. Política, religião, economia, não tem nada disso e nem é pra ter, que essa coisa de todo ídolo palpitar sobre tudo é bobagem.

É obra de se ler numa sentada só, numa preguiçosa tarde de domingo (sábado é dia de série B) deitado numa rede, pulando-se apenas as partes em que o ex-jogador desfia elogios a seus supostos sucessores no clube. Sabemos bem que Deola e Bruno infelizmente não vestem as luvas do Santo (e, pra ser sincero, creio que o próprio Marcão também tinha consciência disso, mas dentro de sua fidalguia habitual quis dar uma moral para seus colegas, que afinal tinham que conviver com uma enorme pressão por substituí-lo).

O problema é que uma hora o livro acaba, e aí lembramos que sem Marcos as histórias autênticas de um jogador sincero são cada vez mais raras no futebol.

Recomendado para: qualquer um que tenha Marcos em alta conta. Alguém não tem?

Não recomendado para: ah vá. Até Marcelinho Carioca deve ter lido.

Informações:

Livro: Nunca fui Santo
Editora: Universo dos Livros
Preço: R$ 39,90 (mas já dá pra encontrar por menos)

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